quarta-feira, 3 de abril de 2013

Em Qualquer Lugar, Para Sempre (Inês Bonfim Madeira)

Até àquele dia, Lilim tinha a vida normal e tranquila da filha de um lorde. Mas tudo mudou quando o pai lhe revelou a sua verdadeira identidade. Agora, Lilim sabe não só que Fien não e o seu verdadeiro pai, mas também que é a herdeira de um trono do mundo mágico, ameaçado por um poder tenebroso. Subitamente, Lilim deixou de saber quem é, mas também essa revelação é apenas um início. Um visitante misterioso surge para criar conflitos na sua vida... e para conquistar o seu coração. E, enquanto aprende a enfrentar a ameaça das trevas, Lilim, dividida entre o enigmático Alahar e o seu amigo de sempre, Mill, não sabe, também, como impor ordem no seu coração.
Ao mesmo tempo conflito entre o bem e o mal, história de uma batalha num mundo de fantasia e desenrolar de um romance com triângulo amoroso, este é um livro que desperta sentimentos contraditórios, tanto pelo que caracteriza as personagens como pela evolução do enredo. Há vários pontos fortes a despertar a curiosidade em saber mais, momentos intensos e episódios comoventes, e também situações difíceis de compreender. Mas vamos por partes.
Sendo Lilim a protagonista, quer do conflito com as trevas, quer da parte romântica do enredo, o seu papel é fundamental na evolução da história. É, por isso, ela quem tem mais destaque ao longo do enredo e a personagem com uma caracterização mais detalhada. Ora isto implica forças e fraquezas. As circunstâncias de Lilim, e os acontecimentos dramáticos que ditam o seu crescimento, despertam empatia, e a sua história tem muito de cativante. Já a personalidade e as suas escolhas são, por vezes, difíceis de assimilar, principalmente quando a questão do romance está envolvida. Lilim não é propriamente uma personagem forte, o que a torna, por vezes, algo instável no papel de rainha, e a sua eterna indecisão no triângulo amoroso leva a alguns comportamentos estranhos. Assim, a simpatia que surge dos momentos mais negros, perde-se um pouco nos actos resultantes dessa indecisão.
Felizmente, se Lilim não é propriamente uma personagem mais carismática, outros há que compensam esse aspecto, sendo de destacar, é claro, o misterioso Alahar. Homem com um passado, na pior das posições para enfrentar o conflito iminente, Alahar desperta, pela sua posição ambígua e também pela forma como a sua ligação a Lilim evolui, toda a empatia que a protagonista vai perdendo. Além disso, também ele tem um papel fulcral na história para lá do romance e isso leva a que seja ele a protagonizar muitos dos momentos mais marcantes da história.
No que diz respeito ao enredo, a história é, no geral, bastante interessante, ainda que a parte romântica perca um pouco pelas ambiguidades da protagonista. Há algumas perguntas sem resposta, relativamente às batalhas passadas e à história dos pais de Lilim, mas não são essenciais ao desenvolvimento da história, pelo que, ainda que fique curiosidade em saber mais sobre esses aspectos, o essencial está presente. Quanto ao ritmo da narração, é relativamente pausado, devido a alguns momentos mais descritivos, mas as situações mais intensas e algumas revelações mais surpreendentes mantêm vivo o interesse, mesmo nos momentos menos conseguidos. Além disso, com a aproximação da grande batalha, o ritmo intensifica-se, abrindo caminho para um final que, apesar de alguns acontecimentos expectáveis, acaba por encerrar de forma adequada o conflito (se bem que não tanto o inevitável triângulo amoroso).
Uma última nota para a escrita. Não havendo muitos erros graves, há, ainda assim, evidentes descuidos na revisão, que se reflectem na presença de umas quantas gralhas, palavras em falta ou frases confusas. Não são erros tão frequentes que quebrem por completo o ritmo da leitura, mas são fáceis de detectar, o que prejudica um pouco a fluidez do enredo.
A impressão que fica deste livro é, pois, a de uma história envolvente, mas com algumas fragilidades, com personagens carismáticas, e outras nem tanto, e momentos intensos a contrastar com outros menos bem conseguidos. Acaba por ser, ainda assim, uma leitura cativante quanto baste e em que as coisas boas acabam por compensar as más. Gostei, portanto.

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