quarta-feira, 29 de março de 2017

Divulgação: Novidades Marcador

TODAS AS FAMÍLIAS TÊM UMA GRANDE HISTÓRIA
No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política.
No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista.
Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas.
Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal. 

Quando, após os ataques terroristas do 11 de Setembro, convidaram Lynsey Addario para fazer reportagens no Afeganistão, ela tomou uma decisão que se repetiria muitas vezes — não ficar em casa, não levar uma vida tranquila e previsível; pelo contrário: arriscar a vida, cobrir guerras e atravessar o mundo para se tornar uma das mais importantes fotojornalistas do nosso tempo.
É Isto que Eu Faço segue o percurso de Lynsey Addario — da sua primeira câmara oferecida pelo pai aos anos de repórter local, das guerras no Médio Oriente aos campos de refugiados sírios, mas sempre com a fotografia como propósito, e uma ambição única que a define e a incentiva.
Enquanto mulher num ofício maioritariamente masculino, estava determinada a ser levada a sério, a enfrentar a dureza da profissão e o convívio com a injustiça e a guerra. 

terça-feira, 28 de março de 2017

Divulgação: Novidade Quinta Essência

Tudo começou numa festa. Terminou com um crime, uma mulher desaparecida……e uma promessa de vingança!
Ao entardecer, na belíssima paisagem do Mar Egeu, uma mulher de cabelos ruivos cai da amurada de um iate de luxo. Em terra, o pintor Marco Polo Mahoney vê a queda, percebe que a jovem está ferida e assiste, perplexo, à embarcação a afastar-se deliberadamente. Marco tenta imediatamente salvá-la mas não a consegue encontrar.  É como se a bela ruiva nunca tivesse existido. Mas ele tem a certeza do que viu. E está disposto a tudo para resolver o mistério.
Angie Morse acabou de ser atingida na cabeça com uma garrafa de champanhe. Caiu no mar, ferida, e os seus companheiros parecem estar a abandoná-la. O iate onde ela seguia está a afastar-se, levando consigo os supostos amigos e o namorado. E, embora cada um deles tivesse algo contra si, Angie estava longe de imaginar que quisessem vê-la morta. Agora, enquanto as ondas a tentam submergir, invade-a um sentimento apenas: raiva. É a raiva que lhe vai dar forças para sobreviver… e também para se vingar… 

Elizabeth Adler é britânica. Autora de mais de vinte romances, é reconhecida internacionalmente pelas suas histórias envolventes que combinam de forma magistral mistério, amor e destinos de sonho. Os seus livros estão publicados em vinte e cinco países, com mais de quatro milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Adler e o marido viveram em vários países até que fixaram residência em La Quinta, Califórnia, onde passam dias tranquilos na companhia dos seus dois gatos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Terrarium (João Barreiros e Luís Filipe Silva)

O mundo mudou. Previram-se avanços tecnológicos, a existência de vida inteligente noutros planetas e, no entanto, nada podia ter preparado a Terra para a nova realidade. Agora, Bruxelas foi reduzida a destroços, os visitantes instalaram-se num anel em torno do planeta e as regras que regem as espécies visitantes são tão estranhas e complexas que nem eles parecem alcançá-las por completo. Uma coisa é certa - há tecnologia proibida a solta e isso pode muito bem ser o suficiente para despertar a ira das Potestades. Principalmente, quando há um inimigo à solta no planeta - astuto, sem escrúpulos, com meios pouco menos que ilimitados. E capaz de mover todas as forças do mundo para levar a cabo o seu objectivo. O mundo mudou, sim. E o que dele resta pode muito bem estar a acabar.
Permitam-me começar com uma pequena observação: estão a ver aquela frase ali na capa que fala no melhor livro português de ficção científica? Bem, é uma promessa pesada, não é? E escusado será dizer que, lido isto, é inevitável partir para a leitura com as expectativas altíssimas. Pois deixem-me que vos diga: não sei se é o melhor livro português de ficção científica, mas é certamente um dos melhores que já li. E ultrapassou em muito todas as minhas (altas) expectativas.
Mas vamos por partes. Uma das primeiras coisas a chamar a atenção neste livro é a sua complexidade. Complexidade na intriga, complexidade nos cenários, complexidade nas personagens e no tipo de características (individuais e enquanto espécie que as definem). Complexidade, em suma, que impõe uma forte componente descritiva e, em consequência, um ritmo um pouco mais pausado de modo a que todos os pormenores sejam assimilados. Mas há, desde logo um aspecto curioso: é que a toda esta (sim, repito-me) complexidade, associa-se um outro, a capacidade de fascínio, que mantém sempre viva e fulgurante uma insaciável curiosidade em saber mais, em descobrir o que segue. Cria-se assim um poderoso equilíbrio, entre a vastidão de detalhes que é preciso absorver e a forma como a própria história incentiva a essa absorção.
E é vastíssimo este mundo, pejado de referências literárias e cinematográficas, mitológicas, científicas e mais. Vastíssimo na construção de cenários e de povos, nas múltiplas componentes que constituem este mosaico. Mas também - e aqui está a verdadeira alma de um livro que é todo ele impressionante - na construção das várias personagens que povoam este livro. Roy Baker, em particular, é uma personagem fascinante, mas, à sua maneira, quase todos os intervenientes nesta história tem algo de marcante. E a forma como as várias facetas do enredo se entrelaçam, numa teia de intrigas sempre surpreendente e que converge para um final praticamente perfeito, faz com que todos os momentos, mesmo os mais simples, mesmo os mais aparentemente inócuos, acabem por contar para o impacto final de tudo.
Mas voltando às personagens. Há ainda um outro aspecto que é preciso realçar e este prende-se com a capacidade de, num mundo tão complexo e em que os planos globais ameaçam, por vezes, sobrepor-se às intenções individuais, construir momentos de emoção. Às vezes discretos ou até aparentemente inconsequentes, tendo em conta a perspectiva global das coisas. Mas são também esses momentos (e, mais uma vez, Roy Baker parece protagonizar alguns dos mais impressionantes) que reforçam o tal delicado equilíbrio entre a complexidade e o fascínio, pois, revelando as vulnerabilidades (e a humanidade, no seu sentido mais vasto) das personagens, criam entre história e leitor um elo muito mais forte. 
E (repito-me, mais uma vez) é tão vasto este mundo, tão intensa e intrincada a sua história, que muito mais haveria a dizer. Mas a verdade é que contar demasiado estragaria a surpresa. E este é um livro que, por todas as razões e mais algumas, merece ser apreciado em toda a sua glória, passo a passo, revelação e revelação. Para guardar na memória, muito depois de terminada a leitura, como um favorito incondicional. 

Título: Terrarium
Autores: João Barreiros e Luís Filipe Silva
Origem: Recebido para crítica

Vencedor do passatempo Filhos do Vento e do Mar

Chegámos ao fim de mais um passatempo e é tempo de anunciar quem vai receber um exemplar do livro Filhos do Vento e do Mar.

E o vencedor é...

4. Nuno Paulo (Forte da Casa)

Parabéns e boas leituras!

sexta-feira, 24 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Amor em Minúsculas (Francesc Miralles)

Samuel é um homem solitário, habituado à calma de uma vida dividida entre as suas aulas de Literatura Alemã e os seus pequenos prazeres tranquilos. Mas tudo muda quando um gato sem dono lhe aparece à porta e Samuel lhe dá um prato de leite. Primeiro, pensa em arranjar um dono para o gato, mas descobre que isso vai levar algum tempo. E Mishima, o irrequieto felino, parece ter planos para o seu dono. Primeiro, leva-o à porta de um vizinho que precisa de ajuda. E este, por sua vez, leva-o a outro encontro fortuito com uma pessoa do seu passado que Samuel nunca esqueceu. Passaram trinta anos desde a última vez que a viu, mas basta um olhar para reconhecer Gabriela. E, subitamente acompanhado por mais amigos do que alguma vez julgou ter, Samuel dá por si numa estranha missão: fazer-se recordar a Gabriela, mesmo que a sua própria vida se tenha tornado um turbilhão.
Estranha mistura de leveza e de estranheza, contada de uma forma muito simples e pessoal e, porém, com uma boa dose de filosofia à mistura: assim se poderia definir este livro. Um livro onde a normalidade não é propriamente um traço abundante e onde, apesar disso, tudo parece fazer sentido de uma forma natural. E isso nota-se, desde logo, no protagonista: Samuel parece levar uma vida normal, ainda que solitária, mas a vastíssima capacidade de pensar - e pensar, e pensar - em tudo o que pode acontecer conferem-lhe um certo toque de loucura que se revela nos momentos mais inesperados. E tendo em conta que essa mesma loucura está também presente em várias outras personagens, o resultado é um conjunto de peripécias muito simples, mas muito estranhas... e cativantes.
Há também um lado curioso na forma como o autor equilibra este lado caricato e divertido do enredo com a parte filosófica. As introspecções do protagonista, as suas divagações literárias, a estranha e inspiradora obra do seu vizinho, o excêntrico Valdemar... há em tudo isto um lado quase místico, e esse estende-se aos próprios acontecimentos, pois faz com que as personagens acabem por desencantar as mensagens mais inesperadas. É certo que estes laivos de introspecção dão ao livro um ritmo um pouco mais lento. Mas também o tornam mais interessante.
Ficam perguntas sem resposta - e não são poucas. Mas também isso parece ser propositado, pois uma das lições aprendidas pelo protagonista é a de que as perguntas levam a mais perguntas - e não necessariamente a respostas. E, por isso, apesar da inevitável sensação de uma certa curiosidade insatisfeita (sobre Valdemar, sobre a vida de Gabriela no Japão, sobre algo tão simples como de onde apareceu o gato), faz todo o sentido que essas questões sejam deixadas em aberto.
A impressão que fica é, pois, a de uma história de coisas simples e bizarras, coisas que, do mais pequeno dos gestos, podem fazer uma grande revelação. Cativante, divertido e invulgar, um livro surpreendente e enternecedor. E uma boa leitura, claro. 

Título: Amor em Minúsculas
Autor: Francesc Miralles
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 20 de março de 2017

A Magia do Oráculo dos Anjos (Patrícia Jarimba)

Seres de luz, comuns a vários sistemas de crenças, organizados numa hierarquia que tem como objectivo a concretização do potencial divino - e, como tal, entidades das quais é possível obter auxílio, desde que solicitado. Assim se poderão definir os anjos, segundo o sistema apresentado neste livro: um livro que é, antes de mais, um guia prático, mas que pode também responder a algumas perguntas de simples curiosos.
Acompanhado de um baralho de cartas e centrado, acima de tudo, na possibilidade de pedir auxílio e orientação aos anjos, este é um livro que, não se cingindo a uma religião concreta, assenta, ainda assim, numa base de crença. Assim, e sendo, antes de mais, um guia prático para procurar essa orientação, será provavelmente um livro mais útil a quem tiver algum tipo de relação com a espiritualidade. Ainda assim, não deixa de ser uma leitura interessante para simples curiosos: primeiro, porque as linhas gerais da teoria estão presentes; e, segundo, porque não deixa de ser interessante conhecer novos métodos e formas de viver a espiritualidade, acredite-se ou não.
Grande parte do livro consiste na explicação das várias cartas e no modo de as usar,  acrescentando-se depois a isto com algum contexto e informações complementares. Mas há um aspecto que se destaca desta leitura: é a forma simples e clara como tudo é explicado, permitindo uma leitura sempre interessante e acessível, para crentes e para curiosos. Claro que, para estes, fica uma certa curiosidade em saber mais do contexto (das origens históricas deste tipo de crenças, das várias fontes...) mas o essencial está lá. 
Quanto à eficácia do método... bem, é uma questão de crença. E é inevitável, se não se partilhar deste tipo de crenças, a sensação de que a abordagem de alguns aspectos é, no mínimo, sensível, particularmente no que diz respeito à saúde. Ainda assim, e viva-se ou não ligado à espiritualidade, é possível retirar da leitura algumas ideias interessantes e pensamentos positivos. E isso basta para despertar um pouco mais a curiosidade, por mais dúvidas que se possa ter quanto a algumas abordagens.
A impressão que fica é, pois, a de um livro que pretende ser, acima de tudo, um guia na busca por uma orientação espiritual. Ainda assim, viva-se ou não com base neste tipo de crenças, há neste livro várias ideias interessantes e uma base, ainda que sucinta, de contexto que não deixa de despertar uma certa curiosidade em saber mais. Tudo isto construído de uma forma simples, organizada e agradável de ler. E bastante interessante, em suma. 

Título: A Magia do Oráculo dos Anjos
Autora: Patrícia Jarimba
Origem: Recebido para crítica

Passatempo Filhos do Vento e do Mar

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Editorial Presença, tem para oferecer um exemplar do livro Filhos do Vento e do Mar, de Sandra Carvalho. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Filhos do Vento e do Mar dá continuidade à série Crónicas da Terra e do Mar. Qual é o título do primeiro volume?
2. Como se chama a outra série de Sandra Carvalho?


Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 26 de Março. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- O vencedor será contactado por e-mail e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

sábado, 18 de março de 2017

Arte no Sangue (Bonnie MacBird)

Quando recebe a notícia de um incêndio no 221B de Baker Street, Watson teme o pior. E o que realmente encontra não está muito longe disso. Abatido pela falta de trabalho, Holmes voltou aos velhos vícios e Watson já não sabe como o ajudar. Mas eis que chega uma carta codificada de Paris, escrita por uma cantora famosa que precisa da ajuda do grande detective para recuperar o filho. O caso é complexo, e funde-se com outros interesses. E isso basta para devolver Holmes à sua bela energia. Mas há também muitos perigos à espreita nesta investigação. E, quando ninguém é o que parece e há quem tenha mais poder do que devia, até o mais pequeno erro pode revelar-se fatal.
Não são precisas grandes apresentações no que diz respeito aos protagonistas deste livro. São, eles, aliás, um dos primeiros pontos a despertar curiosidade - e também a surpreender - neste Arte no Sangue. Curiosidade, porque sendo personagens intemporais, surge desde logo o interesse em saber se a autora os representa à altura da sua lenda. E surpresa, pela forma como a resposta a esta pergunta se vai revelando.
Sherlock Holmes é neste livro o mesmo que nos casos originais de Sir Arthur Conan Doyle? É, sem dúvida. E é também mais, pois este caso, e a forma como a autora o constrói, revelam uma outra faceta do grande detective. Sem nada negar da sua identidade - as lendárias capacidades dedutivas, a racionalidade e o pragmatismo incontornáveis, a falta de paciência para formalidades e conversas de circunstância que o façam perder tempo - a autora apresenta um outro lado de Sherlock: o lado vulnerável, frágil, falível. Que também não é inteiramente novo (nem poderia ser, pois faz parte da personagem), mas que ganha um destaque particularmente marcante na construção deste muito intrigante caso. 
O que me leva ao caso em si e à forma como a autora constrói uma teia de mistérios complexa e fascinante, em tudo à altura do seu protagonista. O caso da estátua, a criança desaparecida e todos os outros novos enigmas que vão surgindo com o desenrolar da narrativa, conjugam-se num equilíbrio delicado e sempre intrigante, em que, a cada passo, há algo de novo a descobrir, novos perigos a enfrentar e consequências... por vezes inimagináveis. E, assim, à racionalidade impiedosa de Sherlock Holmes junta-se uma intensidade emocional surpreendente. E a soma das partes torna-se assim mais vasta, mais intensa, mais impressionante. 
É sempre um prazer regressar a estas personagens, principalmente pela mão de um autor que lhes faça justiça. E é isso mesmo que acontece neste livro, que, intrigante desde as primeiras páginas e surpreendente até ao fim, cativa desde muito cedo e fica na memória bem depois de lidas as últimas linhas. Recomendo. 

Título: Arte no Sangue
Autora: Bonnie MacBird
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Anjo da Morte (M. J. Arlidge)

Depois de muito lhes fugir, os fantasmas do passado apanharam Helen Grace e, agora, terá de sofrer as consequências. A aguardar julgamento na prisão de Holloway e sem grandes defensores da sua causa, excepto a sempre leal Charlie, Helen sabe que tem de manter a esperança, mas que só um milagre poderá tirá-la dali. Mas essa não é a sua única razão para temer, como não tarda a descobrir quando outra reclusa é encontrada morta na sua cela. Do assassino, não há qualquer sinal, mas tudo indica que não se trata de uma simples vingança. E, assim sendo, é bem possível que não seja caso único. A Helen, só lhe resta fazer todos os possíveis para descobrir o responsável - antes que também ela se torne uma vítima. 
Uma das coisas mais impressionantes nesta série (em que não faltam coisas impressionantes) é a forma como o autor consegue sempre criar uma teia de surpresas, que, relacionando o percurso pessoal das personagens com um caso para lá dessa mesma história, é todo um mundo de mistério e de acção. Há sempre alguma pista a descobrir, algo de negro a acontecer, um passo que se revelará importante ou fatal. E, a cada capítulo curto, a cada novo desenvolvimento, o autor abre novos caminhos, sem necessariamente fechar os que ficam para trás. O resultado é uma teia complexa e intrincada, mas sempre fascinante e absolutamente viciante. 
Claro que parte do que contribui para este fascínio crescente é a história cada vez mais complexa de Helen Grace e dos que mais de perto a acompanham. Aqui, mais do que nunca, é Helen no centro de toda a tensão, pois tem de lidar, ao mesmo tempo, com um caso tenebroso, e com as barreiras acrescidas das suas próprias circunstâncias. Mas tudo se conjuga num todo mais amplo: a lealdade de Charlie e o que a sua persistência motiva tornam a situação de Helen tão relevante (ainda que de presença mais discreta) como o próprio caso de Holloway. E a conjugação dos dois casos, pessoal e profissional (bem, tão profissional quanto pode ser dada a situação da protagonista), aumenta em muito a intensidade do enredo.
O resto é o conjunto das qualidades que, presentes desde o primeiro livro, se reforçam cada vez mais a cada novo volume: o ritmo intenso, a escrita que transmite na perfeição a aura de tensão e mistério que pauta todo o enredo, o delicado equilíbrio entre o desenvolvimento das personagens, a nível pessoal e profissional, os crimes mais ou menos macabros e as intrigas e jogos de poder no seio da investigação, e as muitas e impressionantes surpresas ao virar de cada página. Tudo num equilíbrio perfeito e mais intenso a cada nova revelação.
Ao quinto livro, esta série atingiu um pico difícil de ultrapassar. Mas O Anjo da Morte revela-se à altura das altíssimas expectativas geradas. Intenso, viciante, surpreendente e, acima de tudo, capaz de despertar todas as reacções certas em todos os momentos necessários, um livro que não desilude em nenhum aspecto. Brilhante, claro. Como sempre. 

Título: O Anjo da Morte
Autor: M. J. Arlidge
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Grande Livro Paw Patrol (Nickelodeon)

Sempre que há problemas, os habitantes da Baía da Aventura sabem que podem contar com a Patrulha Pata, pois Ryder e os seus cachorros estão sempre prontos para qualquer missão. Mas em que consiste, afinal, a Patrulha Pata? Bem, este livro é uma boa forma de descobrir.
Para quem não conhecer os desenhos animados, este livro é o ponto de partida ideal para conhecer as personagens. E se, tendo já lido anteriormente duas aventuras deste curioso grupo, tinha ficado com muitas perguntas em aberto, bem, com este livro fiquei a conhecer um pouco melhor a Patrulha Pata. Claro que não pertenço ao público preferencial deste livro, mas, se das leituras anteriores tinha ficado muita curiosidade insatisfeita, agora há coisas que já fazem mais sentido.
Este livro não é propriamente uma aventura em si, mas antes uma explicação geral sobre quem é a Patrulha Pata. Mas não deixa de ser uma leitura interessante. Primeiro, por dar a conhecer as personagens. E, segundo, por, através deste conhecimento, despertar curiosidade para as suas aventuras - em livro e em desenho animado.
É também um livro bonito, já que as ilustrações são tão ou mais importantes que o próprio texto. E contribuem também para despertar a curiosidade, pois há qualquer coisa de adorável na ideia de um grupo de cachorros heróis e as imagens reforçam esse lado encantador.
Não deixa de ser um livro pensado para crianças e, particularmente, para os seguidores da série de desenhos animados. Ainda assim, esta quase que apresentação das personagens, não deixa de cativar e despertar interesse. E isso não se aplica só aos mais novos...

Título: O Grande Livro Paw Patrol
Autor: Nickelodeon
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Guerra e Paz

De Platão a Obama, deixe-se guiar pela história ouvindo a voz dos seus grandes protagonistas, homens e mulheres que juntaram a mais sincera emoção à mais refinada arte oratória. Descubra o exemplo de não-violência de Gandhi, o espírito de resistência de Churchill, que prometia sacrifícios ao povo britânico para o livrar da barbárie nazi ou a indomável Passionaria, Dolores Ibárruri, gritando nas barbas dos fascistas: No Passarán! Viva alguns dos momentos mais dramáticos e importantes da longa caminhada da humanidade.
O mundo seria outro se o Sermão da Montanha não tivesse sido proferido, pregando a bondade entre os homens, ou se Urbano II se tivesse calado, abstendo-se de pregar as ignóbeis cruzadas.
A história é assim feita de palavras – das que nos inspiram, mas também das que nos causam repulsa: importa conhecê-las.
Organizada por Henrique Monteiro, reconhecido jornalista e cronista, esta é uma selecção das melhores peças de oratória que séculos e séculos de luta política legaram à humanidade. Uma leitura necessária para um leitor informado.

Henrique Monteiro. 60 anos, é jornalista profissional há quase 40. Foi repórter em mais de 30 países, incluindo cenários de guerra em Moçambique, Angola e Irão. Foi ainda repórter político e parlamentar. É cronista, assinando desde 1990, na revista do Expresso, a coluna Cartas do Comendador; faz, desde 1995, comentário político no caderno principal do mesmo jornal e, desde 2011, comentários diários na sua versão digital.
É ainda comentador na SIC Notícias e na Rádio Renascença. Foi subdirector do Expresso de 1995 a 2005 e depois disso director até 2011. Actualmente, é Director Geral Adjunto de Informação do Grupo Impresa, que inclui a SIC, o Expresso e a Visão, entre outras publicações.
Publicou cinco livros, entre os quais duas colectâneas das Cartas do Comendador e ainda os romances Papel Pardo, Toda uma Vida e O Repórter do Kiribati.

Divulgação: Novidade Porto Editora

No coração da histórica Medina de Marraquexe, entre os animados souks e bazares, encontra-se um grupo de europeus, desfrutando a tranquilidade de um riad. Ali dão os primeiros passos no conhecimento da inebriante gastronomia marroquina. Entre eles, Nell, uma jovem que sonha abrir um restaurante na sua Cornualha natal e Amy, uma fotógrafa que reúne material para editar um livro de cozinha e pretende levar a cabo uma exposição sobre Marrocos na sua galeria de arte, no Dorset.
Nell procura dar sentido à sua vida, depois da morte da mãe; Amy procura Glenn, um primo americano, cujo último paradeiro conhecido é algures em Marrocos. E, assim, ambas embarcam numa viagem de descoberta das suas próprias raízes que surpreendentemente se encontram ligadas.
Em O feitiço de Marraquexe, os coloridos souks e bazares são descritos por Rosanna Ley com tal vivacidade que provocam no leitor uma irresistível vontade de deambular pela histórica Medina de Marraquexe.

Rosanna Ley é professora de Escrita Criativa e é autora de inúmeros artigos e histórias publicados em diversas revistas no Reino Unido. Os seus romances estão publicados em 15 países.
Rosanna Ley passa férias em locais que lhe servem de inspiração e quando não está a viajar, vive no West Dorset, junto ao mar.

terça-feira, 14 de março de 2017

Divulgação: Novidade Topseller

E se o seu filho, sem nunca falar, lhe ensinasse a maior lição da sua vida?
Os Jewell podiam ser uma família comum, mas as suas relações disfuncionais e as sombras de um passado desconhecido não o permitem.
Ben Jewell bateu no fundo do poço. O seu filho de dez anos, Jonah, sofre de autismo profundo, e tanto ele como Emma, a mãe exausta, começam a não conseguir lidar com a doença. Para que o filho seja aceite numa escola adaptada às suas necessidades, decidem forjar uma separação. As lembranças de um casamento feliz são agora meras memórias, perdidas por entre os silvos e os ataques de Jonah.
Ben muda-se para casa do seu pai Georg e leva Jonah consigo. E a partir desse momento, o silêncio que habitava entre as três gerações de homens desaparece. A aura quase mágica de Jonah vai mudar o triste fado da sua família para sempre.

Jem Lester iniciou a sua carreira como jornalista. Nove anos depois optou pelo ensino de Inglês e Jornalismo.
É pai de Eloise e Jonah, o segundo severamente autista. Jem Lester encontrou na sua própria vida o mote perfeito para escrever um livro. Silêncios de Amor é a sua primeira obra.
Actualmente, Jem Lester vive em Londres com a sua companheira e os filhos desta. Os seus próprios filhos já saíram do ninho: ela estuda na Universidade de Manchester e Jonah vive, finalmente, numa incrível escola residencial para autistas.

Divulgação: Novidade Guerra e Paz

Corre o ano de 1807 e Portugal é invadido pelos exércitos francês e espanhol. À cabeça das tropas invasoras vem Junot, militar francês que sonha com a glória. A Corte portuguesa, com medo, foge para o Brasil, e o país vê-se ocupado durante quase um ano. À volta de Junot agrupa-se uma nova corte, chega-se a projectar aclamá-lo como rei. Às atrocidades dos invasores sucedem-se violações, mortes, roubos. Mas o povo revolta-se e juntamente com forças inglesas, Junot é derrotado.
Esta é a história de um dos episódios mais dramáticos de Portugal, narrado por um dos seus melhores escritores. Mais do que um livro de História, mais do que romance, este é um livro único. Um clássico quase esquecido que importa recuperar.

Raul Brandão. Nasceu no Porto, em 1867, numa família de pescadores, e morreu em Lisboa, em 1930. Chegou a estudar no Curso Superior de Letras, mas acabou por se inscrever na Escola do Exército, em 1889, seguiu a carreira militar como oficial e reformou-se com o posto de major em 1812. Impressões e Paisagens, publicado em 1890, é o seu primeiro livro. Colaborou regularmente com a imprensa ao longo de toda a vida, sendo um dos fundadores da Seara Nova. Foi também sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.
Escreveu um dos maiores clássicos da língua portuguesa, Húmus, em 1917, bem como outros títulos igualmente importantes, nomeadamente A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore e Os Pescadores, entre outros. Autor de uma obra multifacetada, tendo publicado romances, contos, teatro, história e memórias.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Os Dias em que Portugal foi Feliz (Elizabete Agostinho)

Do nascimento do reino de Portugal à restauração da independência, passando pelas grandes batalhas e revoluções. Dos pontos altos da cultura - do cinema, da música, da literatura - e do desporto nacionais. Das pequenas e das grandes conquistas, dos grandes feitos e dos passos de uma evolução gradual. Muitos foram os dias para celebrar o orgulho de se ser português. E são esses dias que a autora congrega neste livro.
Uma das primeiras ideias que ficam ao folhear este livro é a de que, se fôssemos procurar a fundo, muitas outras efemérides mais ou menos pertinentes se poderiam incluir neste calendário de grandes datas. E, assim, ao ler o livro, fica, talvez, a evocação de alguns dias relevantes que acabaram por ficar de fora. Mas, por outro lado, e isto capta-se ao primeiro olhar, é inevitável a percepção de que alguns teriam sempre de ser excluídos - ou o livro teria de ser muito mais extenso.
Depois, começa-se a ler e logo sobressai um outro aspecto: a diversidade. Há datas de todo o tipo ao longo deste livro: momentos fulcrais da história de Portugal, grandes batalhas, revoluções, conquistas de direitos, sucessos literários, futebolísticos, cinematográficos e mais. E para cada momento, mais ou menos marcante consoante a percepção do leitor (mas, ainda assim, de importância inegável), um pequeno, mas cativante, texto a explicar, em linhas essenciais, o porquê da inclusão desse momento numa lista de felicidades. 
O que me leva a outro ponto. É verdade que muitos dos momentos evocados neste livro justificariam, talvez, uma explicação mais extensa, para compreender em pleno o seu contexto e impacto. Mas também é verdade que não é esse o objectivo do livro. Aqui, reúnem-se, acima de tudo, motivos de orgulho e alegria. E a forma como a autora os apresenta, de forma sucinta e cativante, com um toque, até, da sua perspectiva pessoal a realçar-lhes a emoção, permite ficar com uma ideia muito clara do essencial. Para o resto, há outros livros mais adequados. O objectivo, esse, cumpre-se em pleno.
A impressão que fica é, portanto, a de um livro para recordar alegrias e orgulhos passados. E também de uma leitura leve, cativante e agradável, capaz não só de fazer lembrar os grandes momentos, como também de transmitir, em poucas frases, a sua relevância actual. Sucinto, interessante e esclarecedor, um bom livro. 

Título: Os Dias em que Portugal foi Feliz
Autora: Elizabete Agostinho
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Topseller

Cameron Mackenzie é um afamado libertino com apenas dois interesses na vida: cavalos e mulheres — e se estas forem casadas, melhor ainda!
Ainsley Douglas é uma mulher com a missão de salvar a Rainha de Inglaterra de um escândalo, resgatando as suas cartas comprometedoras — mesmo que para isso tenha de se infiltrar nos aposentos privados de um homem de reputação duvidosa.
O problema é que, ao apanhá-la em flagrante, Lorde Cameron não quer saber das explicações de Ainsley para tal ousadia. O único interesse dele é tê-la finalmente à sua mercê, agora que ela está viúva e novamente disponível.
Todavia, este jogo de sedução acarreta também os seus perigos. Apesar de tudo, Lorde Cameron Mackenzie é um homem com um passado conturbado e razões para não confiar em nenhuma mulher…
Conseguirá Ainsley convencê-lo a quebrar as suas próprias regras?

Jennifer Ashley é uma autora norte-americana, bestseller do New York Times e do USA Today, que já conta com mais de 80 obras publicadas.
Os seus livros têm recebido vários elogios e prémios, incluindo o Prémio RITA para Melhor Romance, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Romance, e o Prémio Romantic Times Reviewer’s Choice, entre muitos outros.
Os seus livros já venderam mais de cinco milhões de exemplares, tendo sido traduzidos para dez línguas.
Os Pecados de Lorde Cameron é o terceiro livro da série The Mackenzies & McBrides.

sábado, 11 de março de 2017

Divulgação: Novidade Presença

FILHOS DO VENTO E DO MAR
Crónicas da Terra e do Mar - Livro II
Sandra Carvalho
Colecção: Via Láctea n.º 137
Tema: Ficção e Literatura
Páginas: 328

Forçadas a fugir de Águas Santas para escapar à fúria de Tomás Rebelo, Leonor e Guida chegam ao porto de Lisboa e confrontam-se com Corvo, o famoso pirata sobre o qual se contam tantas lendas. Horrorizada com a descoberta de que é filha de Diogo, o Açor, Leonor decide disfarçar-se de rapaz quando Corvo a obriga a embarcar no seu navio, protegendo-se assim dos impulsos masculinos. Inconformada com o seu destino, Leonor resolve fazer tudo para escapar aos piratas. Porém, com o passar do tempo, sente a herança do Açor a despertar dentro dela. O segredo que ensombra o passado de Corvo começa a inflamar a sua curiosidade , enquanto estabelece amizade com os homens que tanto temia. Conseguirá ela regressar a Águas Santas e desmascarar a perversidade de Tomás Rebelo, ou o apelo da liberdade e da aventura, conjugado com a vontade de conhecer o seu verdadeiro pai, tornar-se-á irresistível?

Sandra Carvalho é uma das autoras portuguesas mais conceituadas do romance fantástico. A Saga das Pedras Mágicas, que a Presença publicou também na colecção «Via Láctea», e que é constituída pelos títulos A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo, Os Três Reinos, A Sacerdotisa dos Penhascos, O Filho do Dragão e Sombras da Noite Branca, conquistou um vasto número de fãs entre os apreciadores do género. Depois de O Olhar do Açor, Filhos do Vento e do Mar é o segundo volume das Crónicas da Terra e do Mar, ao qual se seguirá o terceiro e último volume.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Masha e o Urso - O Urso Ensina a Masha (O. Kuzovkov)

Passa o tempo, as peripécias sucedem-se... o que não muda é a traquinice da Masha. Mas, quando todos se preparam para voltar à escola, também a Masha quer aprender. E quem melhor para a ensinar que o seu amigo de sempre? O Urso sabe muitas coisas e, por isso, Masha decide que é ele a escolha certa para a ensinar. Mesmo que ele não esteja assim tão interessado.
Depois de lidas umas quantas aventuras destes dois amigos, a impressão que fica, à partida, é a de que talvez não haja muito a acrescentar, pelo menos sem contar a história. Mas, tendo isto em vista, há dois aspectos curiosos nestes pequenos livros: primeiro, as histórias nunca cansam; segundo, não deixa de ser particularmente cativante ver uma protagonista que se caracteriza pela traquinice incessante mostrar também interesse pela aprendizagem. E é isso precisamente que acontece neste livro: a Masha procura o Urso para aprender com ele. E, claro, escusado será dizer que também há muita traquinice envolvida.
Mas voltando ao primeiro ponto. As histórias nunca cansam, porque, apesar das linhas essenciais serem sempre as mesmas, também constante é a ternura destas histórias leves, simples e divertidas. E é por isso que é sempre agradável voltar a estas personagens, que, protagonistas de histórias para crianças, conseguem, ainda assim, cativar leitores como eu, que há muito deixaram a infância para trás.
E importa, ainda e sempre, referir, o aspecto visual, que, tratando-se de um livro para crianças, acaba por ser tão importante como o texto em si. Mais uma vez, texto e imagem complementam-se na perfeição, o que, sendo estas duas histórias particularmente imaginativas dentro do universo das histórias da Masha, acaba por fazer sobressair alguns momentos bastante surpreendentes. 
Da soma das partes, fica a ideia do costume: uma história leve e divertida, contada de forma simples e sempre cativante. E uma boa leitura, para os mais novos e não só. 

Título: Masha e o Urso - O Urso Ensina a Masha
Autor: O. Kuzovkov
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 9 de março de 2017

O Leitor do Comboio (Jean-Paul Didierlaurent)

Guylain Vignolles vive num dilema permanente: gosta de livros, mas trabalha numa fábrica que os destrói. E a única forma que tem de lidar com a situação é resgatar umas poucas páginas da máquina destruidora e lê-las, em voz alta, no comboio, para quem o quiser ouvir. Mas tudo muda quando, no banco que todos os dias ocupa, encontra uma pen perdida com o que parece ser o diário de uma desconhecida. Então, a leitura ganha outro significado. É que, ao ler as palavras de Julie, a vida começa a parecer-lhe um pouco melhor. E Guylain sabe que precisa de encontrar essa mulher - mesmo que as poucas pistas no diário lhe dêem apenas uma parca esperança.
Bastante breve, com uma história essencialmente simples e, porém, com uma estranha proximidade emocional, pode dividir-se este livro em duas facetas distintas e complementares: primeiro, a relação do protagonista com a leitura, em contraste com a profissão que escolheu para si; segundo, os textos de Julie e a descoberta do seu quotidiano. São duas partes que contrastam e se completam, pois se a vida de Guylain na destruição de livros e solitária e dividida, também a de Julie o é à sua maneira. E, assim, há duas partes que se completam, ainda que outros aspectos acabem por passar para segundo plano.
É na vida de Guylain que estão os elementos mais interessantes da história: as suas leituras, quase como que num acto de revolta contra a destruição constante a que preside; a forma como lida com o acidente do seu antecessor e a amizade que prevalece para lá de tudo; e, por fim, a abertura gradual a um mundo mais amplo, primeiro, nas visitas a um novo público e, depois, na descoberta do diário de Julie. É como se houvesse uma certa evolução a acontecer, uma abertura à vida, e a forma simples e pessoal como este percurso é contado torna tudo mais próximo, mais emocionante. Mais enternecedor.
Ficam perguntas sem resposta, sim. Ao acompanhar fundamentalmente o percurso pessoal do protagonista, há partes da história e pequenos mistérios que ficam por aprofundar. Ainda assim, a alma essencial da história é o próprio Guylain e a forma como passa do leitor tímido, que dá voz às palavras salvas para lidar com as que destrói, a um novo Guylain que descobre novas experiências, novas amizades... e mais. E, tendo isto em conta, é o mais simples que acaba por ter mais impacto: os pequenos gestos do protagonista, a forma como ganha coragem para se atrever um pouco mais, a ternura transbordante que, bem escondida, de início, parece ser, afinal, a base fulcral da sua natureza. Tudo isto em menos de duzentas páginas cheias de surpresas, de momentos enternecedores e, sim, também de pequenas e deliciosas bizarrias.
Breve, simples e de uma ternura invulgar: assim se poderá definir, pois, este O Leitor do Comboio. Um livro em que não há, de facto, todas as respostas - mas em que, tal como na vida, a verdadeira magia está nas pequenas coisas. Gostei. 

Título: O Leitor do Comboio
Autor: Jean-Paul Didierlaurent
Origem: Recebido para crítica

Vencedor do Passatempo O Novo Livro do Pêndulo

Chegámos ao fim de mais um passatempo. E, como sempre, é hora de anunciar quem vai receber em casa um exemplar do livro O Novo Livro do Pêndulo.

E o vencedor é...

23. Jorge Almeida (Lisboa)

Parabéns e boas leituras!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Divulgação: Novidade Quinta Essência

Aqui Entre Nós é uma comédia de enganos que nos leva a reflectir sobre a grande questão: existe alguém em quem possamos confiar verdadeiramente?

Desde sempre que Tamsin e Michelle são inseparáveis. Claro que Tamsin quer o melhor para a amiga. Quando lhe chega aos ouvidos o boato de que Patrick, o marido de Michelle, lhe é infiel, ela põe em prática um plano ousado: utiliza a sua assistente, Bea, como engodo, para ver o que acontece… Não lhe ocorreu, todavia, que a fiel Bea pudesse ter outras intenções. Além disso, a farsa parece ter ganho vida própria e, de repente, Tamsin dá por si enredada numa grande teia de mentiras. Consumida por sentimentos de culpa, Tamsin encontra-se perante uma situação delicada: conseguirá ela contar a verdade a Michelle sem arruinar a vida de todos?

Jane Fallon nasceu em Londres e trabalhou como produtora de TV até 2007, altura em que publicou o seu primeiro romance. Após o estrondoso sucesso da sua estreia literária, Jane não mais deixou de escrever, e as suas obras, conhecidas por terem sempre um inesperado lado negro, foram já traduzidas para mais de vinte línguas. 

terça-feira, 7 de março de 2017

How to Get a (Love) Life (Rosie Blake)

Nicola Brown não é uma mulher aventureira. Alguns anos antes, o namorado partiu-lhe o coração e, desde então, habituou-se a estar sozinha. Mas quando uma colega a desafia a arranjar um encontro para o dia de São Valentim, Nicola começa a perguntar-se se é realmente assim tão feliz sozinha. E portanto, abre a mente e começa a sair… sem parecer dar-se conta, por entre uma série de encontros desastrosos, que a pessoa certa para ela pode estar mais perto do que pensa.
Parte do encanto desta história leve e engraçada é o facto de fazer lembrar uma comédia romântica, com os seus episódios bizarros, procura desesperada da felicidade e… bem, passos desastrosos em direcção a ela. Nicola está relutante em aceitar o desafio, depois em conhecer os homens que a amiga e o irmão lhe querem apresentar… e parece ter razão, ainda que pelas razões erradas. Esta é a parte mais engraçada deste livro – os encontros estranhos, as personagens peculiares e a forma como a protagonista reage a tudo isto e persiste.
Mas, claro, também há romance à espera de acontecer. E, ainda que a solução para o problema de Nicola seja, de facto, um pouco previsível – não é assim tão difícil adivinhar quem é, na verdade, a pessoa certa para ela – as coisas por que tem de passar para lá chegar e todas as circunstâncias que rodeiam as suas aventuras são bastante cativantes. E, sim, talvez o fim seja um pouco apressado, mas funciona, deixando o suficiente à imaginação e, de alguma forma, compensando por todas as aventuras falhadas na vida da protagonista.
Quanto às personagens, o traço mais cativante está no sentido de humor. Mark, e a sua adorável e surpreendente relação com a irmã. Caroline, com toda a sua exuberância. James, aparentemente tão sério, mas com um óbvio coração de ouro. E, claro, Nicola, insegura, mas finalmente disposta a seguir em frente e a ir por aí. São todos personagens interessantes e, juntos, fazem uma boa história.
Portanto, com boas personagens, muita diversão e a medida certa de romance à espera de acontecer, tudo se conjuga numa leitura leve, engraçada e cativante. E um bom livro para animar um dia mau.

Título: How to Get a (Love) Life
Autora: Rosie Blake
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 6 de março de 2017

Divulgação: Novidade Topseller

Um rei em busca da vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.​​
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados, do Império Arruinado, reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.

Mark Lawrence um escritor britânico, casado, pai de quatro filhos e, além de romancista, é também investigador no campo da inteligência artificial, tendo já colaborado com os governos norte-americano e britânico.
Estreou-se na escrita com Príncipe dos Espinhos, em 2011, também publicado pela Topseller. Esta obra foi finalista dos prémios Goodreads Choice Award, na categoria de Melhor Livro Fantástico 2011, entre outras importantes nomeações.
Traduzido em mais de 20 línguas, Mark Lawrence é ainda autor de outras séries bestseller como The Red Queen’s War.

domingo, 5 de março de 2017

Cidade sem Alma (Ransom Riggs)

Desde que descobriu a sua peculiaridade, Jacob mal teve tempo de assimilar a teia de enigmas em que, sem querer, se envolveu. E as coisas não estão prestes a ficar mais calmas. A Senhora Peregrine foi raptada e eles conseguiram recuperá-la - mas agora ela não consegue voltar à sua forma humana, e as crianças peculiares precisam de encontrar ajuda. Mas os errantes e os sem-alma estão em todo o lado. A única pista que têm aponta para Londres, mas, para lá chegar, precisam de evitar não só os errantes, mas também as vicissitudes da guerra em curso no tempo em que agora se movem. Peculiares e poderosos, não são, ainda assim, invulneráveis - mas não há alternativa. Para salvarem a Senhora Peregrine, precisam de enfrentar os perigos que os esperam ao longo do caminho. E o tempo está a esgotar-se para todos eles...
À semelhança do sucedido com o volume anterior, este é um livro que prende, em primeiro lugar, pelo aspecto visual. As muitas e invulgares fotografias que surgem a acompanhar a história chamam desde logo a atenção para um enredo que promete mistérios - e que os apresenta, de facto. E, além de funcionarem em si mesmas como um aspecto apelativo, reforçam e muito a aura misteriosa que parece acompanhar toda esta série, dando rostos às personagens e uma paisagem aos vários locais por onde estas se movimentam. 
Sendo certo que é este o primeiro aspecto a cativar, também o é que está muito longe de ser o único. E, mais uma vez, volto ao mistério para referir o que parece ser um delicado equilíbrio entre continuidade e evolução. Continuidade, pois continua a acompanhar a mesma história e as mesmas personagens do volume anterior. Evolução, pois prossegue com a expansão que começava já a notar-se na fase final do primeiro livro, expandindo a história, as lendas e o modo de vida dos peculiares a um mundo muito mais vasto e complexo do que à primeira vista seria de esperar. 
E há muito para descobrir neste estranho mundo, desde os vários tipos de peculiaridade, aos planos e intenções dos errantes, passando pelas possíveis ligações entre ambos e ao tipo de coisas que são capazes de fazer. Mas, além deste fascinante mundo peculiar, também a forma como ele é desenvolvido cativa: ao ritmo de um enredo que é uma corrida contra o tempo e em que há sempre uma reviravolta à espera de acontecer. A curiosidade surge facilmente e, a cada nova revelação, o fascínio cresce. E tanto mais porque, além dos perigos, das descobertas e da necessidade premente de agir, há também neste enredo um conjunto de situações caricatas e emotivas que lhe conferem uma maior intensidade. 
Tudo somado, a imagem que fica deste Cidade sem Alma é a de uma evolução notável a partir de um primeiro livro já muito bom. Intenso, misterioso, surpreendente, eleva ainda mais a fasquia para o que virá a seguir. E fica na memória, quer pela história, quer pelas personagens que a povoam. Recomendo. 

Título: Cidade sem Alma
Autor: Ransom Riggs
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 3 de março de 2017

Divulgação: Novidade Topseller

Ele espia. Ele aguarda. Ele mata.
Ninguém está em segurança...
Um corpo não identificado, do sexo feminino, é trazido para a morgue. A causa da morte está longe de ser clara. O corpo não tem outras marcas, excepto o pormenor macabro de a boca e as partes íntimas terem sido costuradas. A autópsia revela, no entanto, outra descoberta chocante: o assassino deixou algo dentro do corpo da vítima! Algo tão aterrador que o detective Robert Hunter, da Unidade Especial de Homicídios da Polícia de Los Angeles, é de imediato chamado para tomar conta do caso.
A investigação de Hunter acaba por se cruzar com a da sua colega Whitney Meyers, e torna-se claro para ambos que o criminoso é um impiedoso e perfeccionista serial killer de mulheres, obcecado com os segredos do passado.

Chris Carter nasceu no Brasil mas cedo se mudou para os Estados Unidos, onde se formou em Psicologia, com especialização em Comportamento Criminal, na Universidade de Michigan.
Foi psicólogo criminal durante vários anos antes de se mudar para Los Angeles e depois para Londres, onde tocou com artistas conhecidos, até que deixou tudo para se tornar escritor a tempo inteiro. Hoje, aplica na escrita a sua experiência de vários anos enquanto psicólogo criminal e já publicou seis volumes da série policial Robert Hunter, todos eles bestsellers internacionais.
Os seus livros já foram traduzidos para 14 línguas e são autênticos êxitos de vendas na Dinamarca e na Alemanha. Neste último país, Chris Carter já vendeu mais de um milhão de exemplares.

Divulgação: Novidade Porto Editora

Portugal, início do século XIX: John Zarco Stewart, filho de uma judia portuguesa e de um escocês, é uma criança endiabrada, sensível e profundamente curiosa, herdeira sem o saber de uma fé amortalhada em três séculos de secretismo. Mas um período de perda e amargas revelações põe um fim abrupto à sua inocência, e só a misteriosa intervenção de um carismático curandeiro, trazido de África para o Porto pelo pai, consegue salvá-lo. Profundo conhecedor da sabedoria milenar do seu povo e antigo escravo, Meia-Noite tornar-se-á o maior amigo de John e determinará o curso do seu destino.
Quando as tropas de Napoleão invadem Portugal, a violência vem perturbar a frágil paz de John. À medida que tudo em volta parece ruir, John desvenda as verdades e mentiras escondidas por aqueles que mais amava e em quem mais confiava. E, já adulto, descobre o ato de imperdoável traição que em última instância devastou a sua família - e que ameaça destruir a sua fé. Para redimir crimes passados, John percebe que deve fazer uma viagem longínqua e perigosa aos Estados Unidos da América.

Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heights, um subúrbio de Nova Iorque. Fez um bacharelato em Religião Comparada na Duke University e um mestrado em Jornalismo na Stanford University. Trabalhou como jornalista durante oito anos, principalmente na região de São Francisco. Em 1990 foi viver para o Porto, onde leccionou Jornalismo, primeiro na Escola Superior de Jornalismo e depois na Universidade do Porto. Tem actualmente dupla nacionalidade, americana e portuguesa. Depois do grande sucesso de O último Cabalista de Lisboa, o seu primeiro romance, Richard Zimler publicou mais de dez livros, entre os quais romances, livros para crianças e uma colectânea de contos.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Palavra de Rato (James Patterson e Chris Grabenstein)

Ao ver o Isaías pela primeira vez, o que a maioria das pessoas faz é gritar. Primeiro, porque ele é um rato. E, além disso, porque é azul. Mas não é essa a única diferença do Isaías: é invulgarmente esperto e sabe ler e escrever. Qualidades que lhe serão bastante úteis, quando, após a tentativa de fuga da sua família, ele se vê sozinho no exterior, depois de todos os seus muitos irmãos terem sido novamente capturados e levados para o  laboratório. Ora, o Isaías não é propriamente corajoso - ou, pelo menos, é isso que pensa. Mas, com muitos perigos pela frente e bons amigos à espera de serem descobertos, o pequeno ratinho talvez esteja prestes a descobrir que ser corajoso é muito, muito diferente de não ter medo. 
Num registo completamente diferente (mas não propriamente invulgar) daquilo que eu conhecia de James Patterson, uma das primeiras coisas a chamar-me a atenção neste livro é que continua a ser fácil reconhecer os habituais traços característicos: capítulos curtos, escrita directa, acção constante. E é interessante, desde logo, reparar que este estilo de escrita resulta tão bem neste tipo de história como nas suas muitas séries de thrillers viciantes. Mas, se da escrita não há muito mais a mencionar, além deste estilo directo e simples que se ajusta perfeitamente também a este tipo de história, sobre o enredo em si há certamente mais a dizer.
A história deste Palavra de Rato é, na sua essência, muito simples: um rato de laboratório que descobre a liberdade - e os perigos - do mundo exterior, encontra inimigos e aliados e tem de escolher entre fugir para longe do perigo ou enfrentá-lo e salvar a família que ficou para trás. E basta esta visão sucinta para reconhecer os elementos que sobressaem: primeiro, a importância da coragem face aos perigos e dificuldades, e segundo, a importância da amizade e da família. Mas há mais: a situação da família de Isaías levanta a questão do que se passa nos laboratórios em que se fazem experiências com animais. E a cor de Isaías, bem como a reacção geral dos humanos aos ratos, realçam a importância de lidar com a diferença, reconhecendo, acima de tudo, o seu valor e a existência de pontos comuns. 
Mas há mais. É que todas estas questões pertinentes vão surgindo ao longo de um enredo em que há sempre qualquer coisa a acontecer, seja uma fuga pela vida, uma situação inusitada (e divertida) ou a descoberta de um qualquer sentimento inesperado. E é isso que torna a história tão interessante, pois as ideias transmitem-se melhor pelo exemplo que pela palavra. E a forma como a história é narrada (e ilustrada, neste caso, pois as ilustrações acrescentam também envolvência à história) torna essa mensagem mais clara. Demasiado simples, às vezes? Sim, fica a vontade de saber mais sobre algumas das personagens. Mas o essencial está lá - e é mais do que suficiente. 
A impressão que fica é, portanto, a de uma história leve e divertida, mas com muitas questões relevantes em pano de fundo. Uma história de amizade e de coragem para lá do medo e da diferença, que vale bem a pena ler. Gostei. 

Título: Palavra de Rato
Autores: James Patterson e Chris Grabenstein
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 1 de março de 2017

Entrevista a João Reis

Se já me visitam há algum tempo, é provável que já me tenham visto falar sobre a escrita do João Reis - e sabem que sou fã. E, tendo em conta o lançamento mais recente - que, como já devem saber pelo post anterior, adorei - que melhor altura para me estrear com uma entrevista? Aceite o desafio, deixo-vos com as respostas - esperando que gostem de conhecer um pouco melhor o autor.

1. Olá, João. Começo pela pergunta óbvia: como é A Avó e a Neve Russa visto pelos olhos do autor?
Olá, Carla. Para mim, o A Avó e a Neve Russa é um livro que queria realmente escrever, é o desafio de escrever um romance de inocência e de otimismo face à adversidade sem que, com isso, se tape com a peneira as dificuldades da vida como ela é. Guardo-o com ternura e o narrador/ protagonista é a criança que gostaria de ser enquanto adulto. Numa visão do mundo que, todavia, jamais sobrevive ao choque com a realidade. 

2. Este livro foi escrito no decurso de uma residência literária. Como foi essa experiência e em que medida achas que influenciou o teu processo de escrita?
Foi a minha primeira residência literária e, embora não tenha, para já, termo de comparação, adorei a experiência. A estadia de 2 meses em Montreal foi crucial para escrever este livro, tanto pelo tempo que passei afastado das minhas rotinas, quanto pelas vivências que adquiri no Canadá. Como a ação do livro decorre na sua maioria em Montreal, retirei a inspiração das ruas da cidade: as personagens, os sítios, a melancolia, a alegria, o medo da solidão. Além de toda esta envolvência, e apesar de ter também feito algumas traduções nessa minha estadia, creio que a residência também me instigou a terminar o romance dentro do prazo, algo deveras importante tendo em conta a minha agenda. Em suma, sem a residência literária, este livro não teria sido escrito. 

3. Há um contraste neste teu novo livro que é especialmente marcante: entre a inocência do protagonista e a crueldade global da vida. O que te levou a escolher este ponto de vista para contar esta história?
O ponto de vista é essencial para o romance e molda toda a narrativa. Parti do princípio que escreveria sob a perspetiva de uma criança, e que tentaria ao máximo ver o mundo dos adultos - e todas as agruras, crueldade e indiferença que este contém - com os olhos ingénuos de um menino de 10 anos. Embora seja uma opção difícil e até arriscada, uma vez que o escrevi com 30 anos e, portanto, estando já longe da minha infância, pareceu-me necessária para escrever esta história e desenvolvê-la como queria. Nada melhor do que o olhar inocente e por vezes irónico de uma criança para criar o contraste entre o belo e o feio, entre o bom e o mau, entre o sonho e a realidade. 

4. Se tivesses de indicar influências e autores favoritos, quais seriam os teus?
É difícil cingir-me a alguns nomes, mas aponto, em linhas gerais, Knut Hamsun, Louis-Ferdinand Céline, Fiódor Dostoiévski, Nadine Gordimer, Bohumil Hrabal, Saul Bellow, Gabriel Chevallier, Pär Lagerkvist, Patrick White. 

5. Mudemos um pouco de assunto. Além de autor, também és tradutor. De que forma se conjugam para ti essas duas facetas do mundo literário?
Bem, nem sempre é fácil conjugá-las... A tradução ocupa a maior parte do meu tempo, visto ser o meu ganha-pão. Assim, resta-me bem menos tempo para escrever do que aquele que desejaria, pois não consigo escrever enquanto traduzo (vejo-me obrigado a entrar no estilo e no tom do autor que estou a traduzir e não o consigo conjugar com o meu). Esta situação leva-me a aproveitar os poucos dias livres para escrever, ao mesmo tempo que me faço sempre acompanhar por um caderno, no qual anoto as minhas ideias. Algumas perdem-se... Felizmente, sou rápido a escrever assim que a ideia amadurece. 
Por outro lado, a tradução de certos livros é uma mais-valia, na medida em que me encontro mais próximo dos textos e posso daí retirar, ainda que inconscientemente, certas lições. 

6. E como vês o panorama literário nacional, enquanto  autor e enquanto tradutor?
O panorama literário nacional tem um pouco de tudo: bons autores/ autoras, outros que não trazem nada de novo... Creio que as dificuldades para aparecer não se restringem aos autores portugueses, mas também aos autores estrangeiros traduzidos para Português. Aposta-se quase sempre nos mesmos nomes, há pouco espaço para a novidade. A edição portuguesa em geral é bastante conservadora e parte-se do princípio que se é novo, é mau. E não é fácil vender-se livros no nosso país. 
Penso que se lê mais do que se lia, sem dúvida, e que há alguma esperança. Contudo, gostaria de ver um pouco mais de ousadia na edição portuguesa. Os autores e os livros estão aí: resta aos editores dar um passo em frente e não viver no constante «medo» de chocar, de não agradar. A arte é feita de riscos. 

7. Agora que este livro anda à solta por aí, quais são os  teus próximos projectos?
Dado o ritmo de trabalho enquanto tradutor a que estou sujeito, não sei ao certo dizer quando apresentarei um novo livro. Escrevi um romance que submeti ao meu editor, apesar de ter ainda de lhe acrescentar vários capítulos e limar certas arestas. É um romance cuja ação decorre na Primeira Guerra Mundial, sendo narrado por um oficial português que se vê aprisionado num campo para não-oficiais e é posteriormente transferido para uma fábrica de munições. Posso dizer que é um tanto-quanto picaresco e que recorre ao humor negro. Pretendo terminá-lo assim que possível e garantir a sua edição.
Além disso, conto realizar mais algumas residências literárias ainda este ano (tenho uma agendada para 2018). 

8. E termino também com uma pergunta óbvia: o que te inspira?
Ora aí está uma pergunta difícil... Creio que um pouco de tudo: os livros que leio, as observações que faço quando viajo ou caminho pelas ruas, a minha experiência de vida, os filmes que vejo. De um modo sucinto, a vida em geral, conquanto apreendida pelo meu ponto de vista. E, claro, todas estas ideias passam pelo crivo daquilo que na minha opinião deve ser a literatura. 

Resta-me agradecer ao João a paciência e as respostas interessantíssimas, e acrescentar que fico desde já à espera de novos livros para descobrir. Até lá, espero que tenham gostado da entrevista e que descubram também o maravilhoso A Avó e a Neve Russa