quinta-feira, 17 de março de 2011

3ª Convenção Nacional de BookCrossing


Novidade Sextante

«As narrativas que integram este livro falam de indivíduos que não pertencem à categoria dos mártires nem dos anacoretas nem dos santos influentes. Em rigor, não são santos ou são-no numa terceira categoria que a Igreja não reconhece e até condena.
A maioria destes santos que o não são parte de uma ideia equivocada, de um trauma psicológico. Como a sua luta é interior e ninguém se interessa pelo seu aspecto, quase não têm representação gráfica. Em contrapartida, são os favoritos da literatura, por razões óbvias. Dom Quixote, Hamlet e o capitão Ahab são exemplos válidos, a literatura russa alimenta-se deles.» (Do Prólogo)

Eduardo Mendoza nasceu em Barcelona em 1943. Escreveu entre outros romances A verdade sobre o caso Savolta (1975, Prémio da Crítica), O mistério da cripta assombrada, O labirinto das azeitonas, A cidade dos prodígios (1986, Prémio Cidade de Barcelona), Uma comédia ligeira (1996, Prémio de Melhor Livro Estrangeiro em Paris em 1998), A aventura do cabeleireiro de senhoras (2001, Prémio para o «Livro do Ano» do Grémio dos Livreiros de Madrid) e Maurício ou as eleições sentimentais (2006, Prémio de Romance da Fundação José Manuel Lara). Com Riña de gatos venceu o Prémio Planeta 2010. A Sextante Editora iniciou em 2010, com A assombrosa viagem de Pompónio Flato, a publicação regular em Portugal das obras de Eduardo Mendoza

quarta-feira, 16 de março de 2011

Os Contos Completos de Ambrose Bierce - terceira parte

Retomo, mais uma vez, esta longa opinião no ponto onde a deixei no último post dedicado a este livro. E o conto que se segue é Uma Senhora de Redhorse, onde uma algo peculiar atracção amorosa é contada pela voz de uma mulher. Estranho nalgumas partes, este conto é particularmente intrigante e cativante nas relações estabelecidas com o passado.
Em Chickamauga, a história é a de uma criança perdida e de uma visão perturbadora, num conto particularmente impressionante pela forma como um imaginário inicialmente idílico vai cedendo lugar à negrura, num intenso contraste entre inocência e macabro. Já em O Viúvo Turmore, o protagonista é um homem sem escrúpulos, que descobre que o seu plano de assassinar a mulher não é, afinal, tão infalível como julgara. Intrigante e algo sombrio, o mais marcante neste conto acaba, contudo, por ser o lado peculiar de toda a situação.
Uma Mensagem sem Fios trata de uma visão premonitória ligada a um acontecimento terrível, sendo uma história que, apesar da sua brevidade, abala pela nitidez das imagens. Em A Cidade dos que Partiram, por outro lado, são os malefícios do trabalho que servem de base a um peculiar e enigmático conto, em jeito de reflexão sobre a morte e os seus sagrados rituais.
Uma Corrida Inacabada, que, como o título indica, trata de uma corrida com um final inesperado, surge também como uma ideia bastante interessante, mas que peca pela brevidade. Já o conto seguinte, O Vale Assombrado, é bem mais detalhado. Esta história de um indivíduo peculiar, com um ódio visceral por asiáticos, começa de forma algo confusa, mas torna-se marcante pelas grandes revelações associadas aos motivos de tal ódio, bem como pela conclusão estranhamente tocante.
Segue-se Três Mais Um são Um, uma história de abandono motivado por ideais e de um regresso tardio. Um conto onde a guerra é apenas a base de uma história sobre escolhas e as suas consequências.
Uma Sepultura de Fundo fala de como a morte súbita de um inventor altera as vidas da sua estranha família. Invulgar, improvável, mas estranhamente divertido, um conto negro, mas invulgarmente leve. Bem mais sério, O Amo de Moxon trata da história de uma máquina de xadrez, bem como da possibilidade de consciência nos autómatos. Reflexões interessantes, uma história envolvente e um final de impacto são as principais forças deste conto que é, na sua totalidade, magnífico.
Haïta, o Pastor conta a história de um jovem pastor e da sua relação com as divindades. Impressionante pela quase terna ingenuidade do protagonista, pela visão dos deuses caprichosos e pela natureza associada à inconstância da felicidade. Toda uma mensagem sob a forma de narrativa.
O Pequeno Conto resume-se à história de um conto e suas sucessivas alterações, numa ideia intrigante e bastante peculiar, ainda que talvez pudesse ter sido mais longamente explorada.
Segue-se Um Carregamento de Gatos, conto sobre um navio que transportava uma vasta quantidade de felinos e dos incidentes que nessa viagem ocorreram. Um conto estranho, marcado por uma certa crueldade, mas onde os aspectos mais improváveis do enredo são o que, de facto, chama a atenção.
Mais um conto particularmente marcante. Um Incidente nos Postos Avançados apresenta a história de um homem que, movido pelo simples desejo de morrer, se alista no exército. Intenso nas descrições de guerra, profundo nas emoções, um conto de profunda beleza e muitíssimo bem escrito.
De uma janela e do que atrás dela se esconde fala A Janela Entabulada, um conto de ritmo bastante pausado, mas de final intenso, numa interessante visão da morte e do luto. E ainda sobre morte, mas num ponto de vista bem diferente, O Relógio de John Bartine, onde um relógio, a sua história e uma superstição talvez justificada estão na origem de um conto envolvente, de ritmo progressivamente mais intenso e final marcante.
Um dos Desaparecidos traz a história de um soldado corajoso numa situação extrema. Neste conto, é o crescendo de intensidade que torna a evolução do enredo progressivamente mais angustiante, tornando a iminência da morte numa presença quase palpável.
Por último (para já), Um Vigilante Junto ao Morto fala de uma aposta invulgar... de concretização sinistra. Mais um conto de ritmo pausado, mas onde o principal ponto de interesse reside no constraste entre os diferentes momentos da narrativa.

A minha opinião sobre este livro continuará num futuro post.

Novidade Gailivro

Com material inédito, nunca antes publicado, o “Guia Oficial Ilustrado da Saga Twilight” reúne toda a informação indispensável à descoberta do inesquecível mundo criado por Stephenie Meyer ao longo de “Crepúsculo”, “Lua Nova”, “Eclipse”, “Amanhecer” e “A Breve Segunda Vida de Bree Tanner”.
O guia vem cheio de extras e inclui uma entrevista com Meyer, cerca de 100 belíssimas ilustrações e fotografias a cores, descrições exaustivas das personagens, bastidores, árvores genealógicas, mapas, paralelismos com universos literários similares e outro material exclusivo. O seu objectivo é completar todo o puzzle da história, sem deixar nenhuma ponta solta.
As expectativas da autora em relação a este novo livro são auspiciosas. “Fico sempre surpreendida com a quantidade de questões pertinentes que os leitores colocam sobre as minhas personagens e o mundo que as rodeia na Saga Crepúsculo”, diz Meyer com entusiasmo.
“Espero ter incluído no “Guia Oficial Ilustrado da Saga Twilight” o máximo de informação detalhada sobre a série, nomeadamente histórias associadas a determinadas personagens, como o passado de Alice, por exemplo. E estou fascinada com as ilustrações conseguidas por Young Kim (ilustrador do primeiro volume de “Crepúsculo: A Novela Gráfica”, bestseller do New York Times) e outros talentosos artistas, com destaque para o vestido de noiva de Bella. Espero que todos os leitores sintam que valeu a pena esperar!”

Novidade Porto Editora

Quando faleceu, a 2 de fevereiro de 2010, Rosa Lobato de Faria deixou inacabado este Vento Suão. Pôs-se então a hipótese de pedir a um(a) autor(a) das suas relações que imaginasse um desenvolvimento para a história que a morte não deixara chegar ao fim e terminasse o livro inacabado. Depressa se concluiu, no entanto, que tal não era a melhor solução – primeiro, porque não se tinha a certeza de que a autora aprovasse essa inclusão de uma voz alheia no interior do seu próprio fluir narrativo; depois, porque, apesar de inacabado, o romance tinha o desenvolvimento suficiente para se deixar ler como um todo com sentido. Aqui fica, pois, este Vento Suão tal e qual como Rosa Lobato de Faria o deixou. E como derradeira homenagem a uma escritora cuja obra teve como eixos fundamentais “a força da vida, o conhecimento profundo da realidade e do meio em que se agitam os seus fantoches ficcionais, o domínio das minúcias, o fôlego narrativo, a irrupção imparável de um vento negro de violência que impõe uma aura de tragédia intemporal ao que parece quase inócuo”. [Eugénio Lisboa]

Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em 20 de abril de 1932 e na mesma cidade faleceu em 2 de fevereiro de 2010. Poeta e romancista, o essencial da sua poesia está reunido no volume Poemas Escolhidos e Dispersos, de 1997. O seu primeiro romance, O Pranto de Lúcifer, veio a público em 1995. Publicou em vida doze romances, o último dos quais, As Esquinas do Tempo, já na Porto Editora. Foi também autora de vários livros infantis.
Está publicada no Brasil e traduzida em Espanha, França e Alemanha. Em 2000, obteve o Prémio Máxima de Literatura.

Com Quem Não Casar (Padre Pat Connor)

Tenho de admitir, antes de mais, que esperava o pior deste livro. Primeiro, porque estou bastante longe do seu público alvo. Segundo, porque a ideia de regras estritas aplicáveis a seja o que for relacionado com sentimentos me parece algo irreal. E terceiro, porque, sendo o autor um padre, esperava, talvez, algo demasiado vocacionado para uma perspectiva religiosa.
O que encontrei, contudo, foi algo de bastante diferente e, por isso, uma surpresa agradável. E isto deve-se em grande parte ao facto de os conselhos apresentados pelo autor não surgirem como linhas definidas e inalteráveis, mas também pelo facto de muitas das ideias apresentadas e fundamentadas com exemplos reais (alguns deles retirados das vivências familiares do próprio autor) serem aplicáveis não só a questões de casamento, como a relações de amizade e até de simples convivência.
Quanto à questão da religiosidade, é algo que é referido de forma muito passageira, não sendo, de modo algum, influência nas histórias e sugestões que o autor apresenta ao longo do livro. E, se é certo que cada caso é um caso (e até as histórias deste livro o demonstram), há também uma boa série de sinais que podem, de facto, ser tidos em conta, tanto em relações amorosas como pessoais e profissionais.
Interessante e de leitura bastante simples, este livro acabou por se revelar, mais que um guia sobre casamentos e relações a evitar, uma visão interessante sobre os elementos que constituem as forças e fraquezas de cada relação. E é por isso que, apesar de não ser propriamente o género de leitura que acho mais apelativa, posso dizer que foi um livro que apreciei.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ghostgirl - O Regresso (Tonya Hurley)

Concluído o Ensino para Mortos, Charlotte Usher estava longe de imaginar que o que iria encontrar depois da passagem seria... uma central telefónica. Mais concretamente, uma linha de apoio a adolescentes com problemas. E, enquanto todos os seus colegas parecem enquadrar-se bastante bem no seu novo ambiente, Charlotte dá por si a ser, mais uma vez, praticamente invisível. Mas o verdadeiro problema começa quando Petula, a infame irmã de Scarlet, contrai uma infecção que a deixa em coma. E é então que, mais uma vez, o mundo dos vivos e o mundo dos mortos se cruzam.
Tal como no primeiro volume desta série, um dos primeiros factores a chamar a atenção é o tom descontraído com que toda a história é apresentada. Com laivos de humor negro e um ambiente estranhamente leve (para um livro que tem como tema algo de tão sério e complexo como a morte), este regresso continua a surpreender pela visão suave de um mundo para lá da vida - e, principalmente, de um mundo intimamente ligado ao dos vivos. Permanece também a grande importância dada à popularidade, agora mais centrada na história de Petula (e, principalmente, nas atitudes das suas supostas amigas), mas também presente na forma como Charlotte parece ser manipulada durante grande parte da história.
O que me leva a Maddy. A introdução desta personagem introduz um novo elemento de interesse no enredo, desde a sua faceta misteriosa, ao seu lado manipulador e algo maquiavélico, culminando na revelação da sua verdadeira natureza. Por outro lado, este é um aspecto que talvez pudesse ter sido um pouco mais explorado, já que, para guardar o segredo até à fase final do livro, a interacção entre Maddy e Charlotte acaba por parecer, talvez, demasiado simples.
A história é, no fundo, bastante simples. Mas, tendo em conta não só o principal público alvo, mas também o desafio de conjugar um tema sério com um enredo divertido, o resultado é uma história envolvente, descontraída, e com alguns momentos particularmente interessantes. Para quem gostou do primeiro Ghostgirl, será, provavelmente, uma boa leitura.