segunda-feira, 4 de abril de 2011

Novidade Sextante

O improvável sumiço de Guernica, quadro maior de Pablo Picasso, parece indiciar um novo tempo histórico na Península Ibérica. Zigor confirmá-lo-á ao vasculhar as suas raízes bascas: enreda-se numa enigmática teia de contornos milenaristas. Num movimento espiritual que se autodenomina «Iberiana». Engolido pelos ideais salvíficos da pseudo-religião, rumará às mais recônditas entranhas iberianas. À mítica Ibéria do Cáucaso, situada na actual Geórgia. Iberiana explora os mistérios da origem dos povos peninsulares. Uma viagem no tempo que é, sobretudo, uma reflexão irónica, por vezes caricatural, sobre a permanente tensão entre o poder temporal e o poder espiritual.

Jornalista freelancer, estreou-se na ficção em 2007 com o romance O homem que queria ser Lindbergh, logo seguido de Terra Java (Oficina do Livro). Além de crónicas para a revista Rotas & Destinos e o semanário Eesti Ekspress, escreve os guiões do programa Cuidado com a Língua!, na RTP.
É apaixonado por microcontos, de que a sua saga-maratona-inferno Circo Vicioso é reflexo. Nasceu em Lisboa, a 29 de Agosto de 1971, embora o seu auto-infligido exílio o retenha em Tallinn, também a capital de um belo país chamado Estónia. Ali publicou três livros: Minu ilus eksiil Eestis, Mees, kes tahtis olla Lindbergh e, mais recentemente, Minu väga ilus eksiil Eestis

domingo, 3 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Heróico Major Fangueira Fagundes (Luís Novais)

Ano dois mil e tal. Ocidental Praia. O major Fangueira Fagundes, com uma pequena força militar, toma posse dos Paços do município de Cidade Grande. O objectivo é "repor a justiça". Mas o que começa como uma pequena revolta, motivada por nada mais que a necessidade de agir em benefício de alguém e a vontade de estar à altura de um ilustre antepassado, cedo se transforma em revolução. Porque há toda uma teia de interesses em Cidade Grande, e as verdadeiras mudanças (se verdadeiras mudanças existem) dão-se na sombra.
É de uma certa estranheza a primeira impressão deixada desta leitura, em parte por um estilo muito próprio de escrita, mas também devido à multiplicidade de personagens que se cruzam e que, inicialmente, não parecem propriamente estar relacionadas. Isto muda, contudo, e a partir do momento em que se torna claro o elo que une não só a história passada e presente do protagonista, mas principalmente as múltiplas vidas cruzadas na história (e nas intrigas) de Cidade Grande, surge na leitura uma nova envolvência, potenciada também pelas semelhanças que existem entre este país imaginário e a realidade.
Há, na verdade, uma visão completa e apurada do sistema por detrás deste livro, uma grande reflexão sobre as regras e aqueles a quem estas beneficiam. Isto reflecte-se na própria revolução do major (que acaba por ser manipulada por motivos bens diferentes dos iniciais), nas oscilações que esta provoca no poder político (onde as coisas parecem mudar, mas, em conteúdo, tudo permanece igual) e na visão de uma massa mais fraca que é sempre, inevitavelmente, quem acaba por sofrer as consequências.
Com uma visão dura e realista do (seu) mundo, um estilo de escrita muito próprio e algo de marcante e surpreendente em cada um dos intervenientes desta narrativa, este é um livro que, passada a inicial impressão de estranheza, conquista facilmente um lugar na memória do leitor. Actual, interessante e com o equilíbrio perfeito entre seriedade e humor, um livro que vale a pena descobrir.

Novidade Bertrand

Imardin é uma cidade escura e de intrigas políticas, onde aqueles que detêm a magia detêm o poder. Depois de adoptada pela Guilda dos Mágicos, a vida de Sonea mudou para sempre – mas para melhor ou para pior? Ela sabia que iria enfrentar um momento difícil na sua formação dentro da Guilda, mas não fazia ideia da animosidade que iria encontrar por parte dos seus companheiros noviços.
Mas, ao aceitar a protecção do Senhor da Guilda, Sonea pode ter abraçado um destino ainda mais temível, pois o Senhor Akkarin guarda um segredo muito mais negro do que as vestes de mago.

Trudi Canavan vive em Melbourne, Austrália. Além do seu trabalho na área de design, tem-se dedicado à criação de histórias sobre pessoas e locais inexistentes desde que se lembra.
Após ser premiada com um Aurealis Award na categoria de Best Fantasy Short Story, em 1999, com Whispers of the Mist Children, começou a trabalhar no seu livro – que acabou por tornar-se na Black Magician Trilogy, composta por The Magicians’ Guild, The Novice e The High Lord, seguida de outra, Age of the Five.
Foi várias vezes vencedora e nomeada para o Aurealis Award e o Ditmars Award, prémios que distinguem obras literárias australianas de fantasia e ficção científica.

Os Contos Completos de Ambrose Bierce - quinta parte

Longa que vai esta opinião, começo esta quinta (e última) parte com o conto Em Casa do Velho Eckert, breve aventura no local de um desaparecimento. Uma história misteriosa, envolvente e que, como parece ser típico do autor, deixa bastante em aberto.
O Candidato apresenta os meandros do funcionamento de um lar de idosos, em alturas de um regresso... especial. Com bastante de divagação e um tom algo amargo, uma poderosa reflexão sobre caridade e gratidão (ou falta de). Já George Thurston, reflecte valores bem diferentes, ao apresentar, nos principais factos da vida de um homem invulgar, uma marcante visão de coragem, má sorte e firmeza perante o fim.
Segue-se Jupiter Doke, Brigadeiro-General, onde uma nomeação invulgar, múltiplas manobras de guerra e uma correspondência elaborada estão na base de um conto que começa por ser algo confuso, mas que apresenta vários detalhes interessantes.
Ilusionismo, hipnose e encontros indesejados são a essência de O Reino do Ilusório, um conto intrigante e surpreendente, onde as aparências iludem. Em Duas Execuções Militares, por sua vez, os elementos centrais estão na inexperiência militar e suas consequentes falhas disciplinares como base para uma execução precipitada. Aqui, o mais marcante é precisamente o contraste entre inocência e inevitabilidade que transparece ao longo de todo o conto.
Vaca Escovada é a história de uma vaca temperamental. Curioso, improvável, mas cheio de estranhas peripécias, um conto divertido contado num tom estranhamente sério. Um Homem com Duas Vidas, história de uma missão fatal e de uma existência impossível, é também um conto intrigante, com algo de agradavelmente enigmático, ainda que pudesse, talvez, ganhar forças num maior desenvolvimento da história.
Já aqui comentado anteriormente, O Meu Homicídio Favorito apresenta a história de uma morte cruel como defesa para um outro crime, num conto que tem como principais pontos de impacto a visão de uma justiça incapaz e a completa insensibilidade do narrador perante os seus actos.
História de morte contada a três vozes, A Estrada Iluminada pelo Luar é um intrigante conto de tensões, medos e suspeitas, contado num tom sombrio e perturbador.
Segue-se A Dificuldade de Atravessar um Campo, mais um conto breve, este sobre um desaparecimento onde, mais uma vez, muito é deixado por explicar. Também breve, Os Outros Hóspedes relata uma noite de hospedagem num local de frequentadores... estranhos. Um conto intenso e arrepiante.
Viagens marítimas, leituras invulgares e visões improváveis caracterizam Um Naugrágio Psicológico, conto intrigante e envolvente, com (ainda mais uma vez) muito em aberto na sua conclusão. Já O Homem e a Serpente, conto sobre o magnetismo no olhar das serpentes (e suas aplicações práticas), surge como um texto bastante desenvolvido e descritivo, num tom intrigante e com um final surpreendente.
Também bastante descritivo e de final impressionante, segue-se O Estranho, história de um visitante com algo para contar. Ao qual sucede Um dos Gémeos, um conto sobre a relação profunda entre gémeos e sua manifestação nas mais adversas circunstâncias. Intenso, de seriedade crescente e com um final marcante.
A História do Major apresenta, simplesmente, uma partida no tempo em que estas estavam na moda. De ritmo pausado e com uma certa dispersão, marca essencialmente pela voz narrativa intrigante. O Baptismo de Dobsho, por sua vez, trata de uma estratégia mirabolante para impedir um baptismo. Estranho e improvável, mas cativante e divertido.
Muito breve, mas de grande intensidade, Um Cumprimento Frio traz uma saudação do mundo dos mortos. E, ainda sobre mortos, Uma Luta Violenta apresenta uma vigília nocturna na companhia de um cadáver, num conto sombrio, bastante descritivo e de conclusão surpreendente.
Uma Trepadeira Numa Casa junta uma casa assombrada, uma planta imponente e uma raiz... invulgar, numa ideia bastante interessante, mas que deixa também muito por explicar.
E continuando nas assombrações, também em O Dedo Médio do Pé Direito temos uma casa assombrada como cenário essencial, desta vez para um duelo na escuridão. Mais um conto que abre em tom de divagação, mas com uma ideia bastante cativante e uma conclusão... imprevista.
O último conto do livro é O Homem que Saía do Nariz e tem como pontos centrais uma casa em forma de rosto e a história dos seus habitantes. Impressionante pela forma como um gesto quotidiano se revela, afinal, como a marca de uma tragédia pessoal, um conto particularmente marcante.

Em jeito de conclusão... Uma leitura demorada, tanto pela quantidade de contos incluídos nesta edição como pelo próprio estilo de escrita do autor, bastante exigente em termos de atenção. Ainda assim, um livro em que, alternando entre tons sombrios, profunda amargura e um certo humor negro, cada um dos contos tem algo de interessante para mostrar. Um livro, em suma, para apreciar aos poucos, mas que vale cada hora que lhe seja dedicada. Fazia falta uma edição assim.

Convite

Conversas Imaginárias - programa


Conversas Imaginárias 2011 @Porto
http://conversas-imaginarias.blogspot.com/

Local: CLP - Clube Literário do Porto
http://clubeliterariodoporto.co.pt/

Organização: Rogério Ribeiro, Rui Baptista, Inês Botelho, Rui Ramos e Madalena Santos.
Colaboração na org.: Isabel Damião (CLP)


Sábado, 16 de Abril

10:30 – Ponto de Encontro: Piano-Bar do CLP.

Sessões no Auditório:
11:30 – Novas formas de publicação em Portugal (debate com Pedro Ventura, Carla Ribeiro, Diana Sousa e Ana Cláudia Silva; moderação de Rogério Ribeiro).
12:30 – Intervalo.
14:00 – Arte Fantástica: Ilustração, Fotografia e Banda Desenhada (apresentações por Ana Cruz, André Coelho, Pedro Miranda, Manuel Alves e Diogo Carvalho; moderação de Rui Ramos).
15:30 – Marionetas do Porto (apresentação por Isabel Barros e Shirley Resende; moderação de Rui Ramos).
16:00 – O Porto Fantástico e o Fantástico no Porto: À conversa com Beatriz Pacheco Pereira (moderação de Rogério Ribeiro).
17:00 – Intervalo.
17:30 – Contos: O Fantástico em dose concentrada (debate com João Ventura, Jorge Palinhos e João Reis; moderado por Inês Botelho).
18:30 – Projectos multimédia (apresentações de Nocturnus (Rafael Loureiro-escritor+Alexandre Cebrian Valente-cineasta), Yoshi (João Pedro Sousa-mangaka+Pedro Andrade-músico), Noidz e UnderSiege; moderação de Rogério Ribeiro).

20:30 – Encontro em restaurante a anunciar. Jantar com a participação especial da contadora de histórias Clara Haddad.


Domingo, 17 de Abril

10:30 – Ponto de Encontro: Piano-Bar do CLP.
Demonstrações de roleplaying games.

Sessões no Auditório:
11:30 – Literatura Fantástica Portuguesa (debate com João Barreiros, Ana Cristina Alves, Luís Filipe Silva e João Seixas; moderação de Madalena Santos).
13:00 – Intervalo.
14:30 – Utopias e Distopias (debate com Fátima Vieira, Luís Filipe Silva e João Seixas; moderação de Inês Botelho).
15:30 – Cinema Fantástico (debate com José Pedro Lopes, Pedro Leite, Artur Serra Araújo; moderação de Rui Baptista).
17:00 – Intervalo.
17:30 – Gravação ao vivo do podcast Jogador-Sonhador (por Ricardo Tavares).