terça-feira, 6 de novembro de 2012

Novidades Planeta para Novembro


A nossa História não carece de sensacionalismos para demonstrar que os factos ultrapassam a ficção: basta contá-los! 
Sabia que a lenda da Dama Pé de Cabra, que Alexandre Herculano imortalizou, teve por base uma dama real, que por acaso até foi nossa rainha?  
Sabia que, no início do século XV, tivemos um rei que sofreu de depressão e nos conta o que sentia, tendo escrito sobre isso? 
Sabia que uma das nossas rainhas dava imensos erros de ortografia, mas ficou para a História como A Educadora? 
Com a seriedade, o rigor e o estilo vivo e irónico que lhe são característicos, Sérgio Luís de Carvalho dá-nos uma visão da História de Portugal como nunca tivemos – através dos esplendores e pequenas misérias das vidas reais  da nossa realeza.
 Organizado em pequenos episódios históricos e curiosidades dentro de cada reinado, permite uma leitura animada e estimula a curiosidade do leitor. 
  Fazendo-nos seguir, cronologicamente, as peculiaridades e estranhezas de cada um dos nossos reis e rainhas, acaba por ser uma espécie de «História de Portugal sem as partas chatas», levando-nos a compreender as motivações  e os cenários que levaram a que muitas coisas se passassem como se passaram. 
Inclui um último capítulo sobre os vários pretendentes ao trono português hoje: sabia que D. Duarte Nuno não é o único pretendente ao nosso trono?

Sérgio Luís de Carvalho nasceu em Lisboa em 1959.  Licenciou-se em História (1981) e é mestre em História Medieval (1988). Profissionalmente é director científico do Museu do Pão.  
Publicou os romances Anno Domini 1348 (1990; Prémio Literário Ferreira de Castro 1989; finalista do Prémio Jean Monnet de Literatura Europeia, Cognac 2004 e finalista do Prémio Amphi de Literatura Europeia Lille 2005), As Horas de Monsaraz (1997), El-Rei-Pastor (2000), Os Rios da Babilónia (2003), Retrato de S. Jerónimo no Seu Estúdio (2006), O Destino do Capitão Blanc (Planeta, 2009), Nas Bocas do Mundo (Planeta, 2010),  O Caminho dos Reis de Portugal (Planeta, 2010) e O Caminho dos Presidentes da República (Planeta, 2011).  
Alguns dos seus romances estão traduzidos e publicados em França  e Espanha. É autor de vários livros de investigação histórica e literatura juvenil.  


Na terra de Alban, onde o jugo tirânico de Keldec reduziu  o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell.  
Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão. 
E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o poder de comunicar com  os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas  do Outro Mundo.  
Será Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? 
Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer? 
Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber  em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem  é um teste e que a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos. 

Juliet Marillier nasceu na Nova Zelândia, em Dunedin, uma cidade com fortes raízes na tradição escocesa.  
Licenciou-se com distinção em Linguística e Música, na Universidade de Otago, e tem tido uma carreira variada que inclui o ensino, a interpretação musical e o trabalho em agências governamentais. 
Actualmente, Juliet vive numa casa de campo centenária, perto do rio, em Perth, na Austrália, onde escreve a tempo inteiro.  
É membro da ordem druídica OBOD. Partilha a sua casa com dois cães e um gato. 
Juliet Marillier é uma autora internacionalmente reconhecida e os seus romances já conquistaram vários prémios.  


Da mesma autora espanhola do best-seller O Último Catão, este romance histórico de aventuras, fruto de uma minuciosa e fidedigna investigação,  evoca as vozes de tempos de aventura, de um mundo dominado pelas aparências, pela corrupção e leis do sangue. 
Tempo de grandes riquezas e de grande miséria, quando Espanha  era o centro do mundo. 
Esta trilogia Martín, Olho de Prata é protagonizada pela intrépida Catalina Solís que, depois de embarcar rumo às ilhas do Caribe, se converterá num dos muitos contrabandistas que na época navegavam naqueles mares. 
Sobrevivendo numa ilha deserta durante dois anos, Catalina começa uma nova vida sob o nome de Martín, Olho de Prata.   Nada podia levar Catalina Solís a suspeitar, quando embarcou na frota espanhola Os Galeões, com destino ao Caribe, que do outro lado do mar iria encontrar um Novo Mundo cheio de perigos e desafios.  
Após escapar a uma abordagem de piratas e sobreviver numa ilha deserta durante dois anos, iniciará uma nova vida sob o nome  de Martín Nevares.  
Com o pai adoptivo e os marinheiros do Chacona, tornar-se-á num dos contrabandistas que sulcavam os mares no início do século XVII. 

Matilde Asensi nasceu em Alicante. Em 1999, publicou o seu primeiro romance, El Salón de Ámbar, que se encontra traduzido em várias línguas. O seu romance seguinte, Iacobus (2000), chegou aos primeiros lugares das listas dos livros mais vendidos e O Último Catão (2001) confirmou-a como a autora da sua geração com maior êxito de crítica e de público. 
Em 2003, com El Origen Perdido, Matilde Asensi reinventou o género do romance de aventuras. E em Peregrinatio (2004), recuperou as personagens de Iacobus e levou-as ao Caminho de Santiago. Tudo debaixo do Céu (2006) transportou os seus leitores à China do Grande Imperador. 
Matilde Asensi foi finalista dos Prémios Literários Ciudad de San Sabastián (1995) e Gabriel Miró (1996) e ganhou o primeiro prémio de contos no XV Certamen Literario Juan Ortiz del Barco (1996), de Cádiz, e o XVI Premio de Novela Corta Felipe Trigo (1997), de Badajoz. 
Como reconhecimento dos seus romances históricos ganhou o Prémio de Honor de Novela Histórica Ciudad de Zaragoza. 


George R. R. Martin junta-se ao conhecido romancista Daniel Abraham e ao ilustrador Tommy Patterson para dar uma nova vida à obra-prima da fantasia heróica A Guerra dos Tronos, como nunca foi visto em graphic novels a cores, dando uma visão única do mundo idealizado por Martin.  
George R. R. Martin trabalhou dez anos em Hollywood como escritor e produtor de diversas séries  e filmes de grande sucesso.  
Autor de muitos best-sellers, foi em meados dos anos 90 que começou a sua mais famosa obra:  A Guerra dos Tronos, que se tornou na saga de fantasia mais vendida dos últimos anos.  

Nasceu em 1948, em New Jersey. Trabalhou dez anos em Hollywood como argumentista e produtor de diversas séries e filmes de grande sucesso.  
Em meados de anos 90 que começou a sua obra mais famosa,                         As Crónicas de Gelo e Fogo. Com cinco volumes já publicados, é o maior sucesso do escritor e a saga de fantasia mais vendida dos últimos anos.                                                  
A primeira obra da colectânea, A Guerra dos Tronos, publicada em 1996,                           
foi adaptada para formato televisivo, pelo canal norte-americano HBO, em 2011.  
Além da série de televisão, os livros de George R. R. Martin foram adaptados para um grande número de formatos, como jogos de computador ou livros de banda-desenhada. 
George R.R. Martin é tido como um dos escritores de literatura fantástica de maior sucesso da actualidade, considerado pela revista Time como um dos 100 homens mais influentes do mundo.  
O autor tem as suas obras traduzidas em 20 línguas e cerca de 15 milhões de livros vendidos em todo o mundo.


Alexandra Adornetto tem todos os ingredientes neste livro:  o Bem e o Mal, anjos, demónios, romance, decepção e corações partidos. 
Três anjos – Gabriel, o guerreiro; Ivy, a curandeira; e Bethany, a mais jovem e humana de todos – são enviados para levar o Bem a um mundo que sucumbe ao poder das trevas.  
Neste segundo livro, o anjo Bethany Church está prestes a cometer um grande erro e não tem qualquer razão para o fazer. 
Neste momento tem uma vida tranquila com o amor do namorado Xavier Woods e dos irmãos Gabriel e Ivy, mas decide que todos devem ter uma segunda oportunidade e é aliciada por Jake Thorn, para um perigoso passeio de mota. 
Nem Xavier nem os irmãos conseguem impedir Bethany de ir para a frente com o seu plano e tarde de mais ela percebe que o passeio acaba no Inferno.  
Uma vez lá, Jake Thorn negoceia a libertação de Beth para que esta possa voltar à Terra. Mas o que ele lhe pede em troca não só a vai destruir, como também, os seus entes queridos.  

Alexandra Adornetto tinha 18 anos quando escreveu este best-seller, e 14 quando publicou o primeiro livro, e The Shadow Thief, na Austrália.  
Filha de professores de inglês, confessa-se uma compradora de livros compulsiva que, ao ver-se sem espaço nas estantes, amontoa as suas leituras  «em pilhas instáveis, no chão do quarto».  
Alex vive em Melbourne, na Austrália. Halo marca a sua estreia nos Estados Unidos e na Europa. 
Pode visitar Alex e a sua extensa rede de amigos no Facebook. 


«É difícil acreditar como tanta coisa mudou para nós em poucos meses.  De cinco rapazes que nem sequer se conheciam uns aos outros até à final  do X Factor, à nossa primeira tournée, à gravação do nosso primeiro álbum  e a lançar a nossa música, nós escrevemos este livro para que possas conhecer quem realmente somos, de onde viemos e para onde vamos. 
Esta é a nossa história de vida como One Direction até agora e estamos  muito orgulhosos de partilhar tudo convosco! Não é exagero dizer que estamos a ter o momento das nossas vidas agora, e isso não aconteceria se não fossem vocês. Obrigado pelo vosso apoio inacreditável.»  -- One Direction 

Formados em 2010, os londrinos One Direction são um quinteto composto por Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Zayn Malik e Niall Horan.  
 O primeiro álbum, Up All Night, foi o n.º 1 em doze países, incluindo os Estados Unidos, onde foi a primeira banda europeia a entrar directamente para o 1.º lugar do top dos mais vendidos. 

Passatempo Estrada Vermelha, Estrada de Sangue


O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Editorial Presença, tem para oferecer um exemplar do livro Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, de Moira Young. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Como se chama a protagonista deste livro?
2. Em que país nasceu Moira Young?
3. Que prestigiado prémio foi atribuído a Estrada Vermelha, Estrada de Sangue?

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 12 de Novembro. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- Os vencedores serão contactados por email e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Amor e Liberdade de Germana Pata-Roxa (Fernando Évora)

Histórias que começam e terminam em si mesmas, mas que se ligam através de um mesmo narrador para definir um ponto em comum fazem com que este livro seja, mais que simplesmente um livro de contos, uma visão em episódios da história de um narrador que é também protagonista de muitos eles. Representando diferentes momentos da vida desta figura central, são contos que têm também em comum a memória e a reflexão sobre o passado, com algo de nostalgia a surgir, por vezes, em certas circunstâncias. Disto resulta um conjunto de histórias que, independentes por si só, até porque em cada uma delas surgem pormenores mais que suficientes para as individualizar, ganham outra força vistas como episódios de uma narrativa mais vasta, como parece ser o objectivo, explicado nas Palavras Prévias e Desnecessárias, breve introdução à origem do livro e às razões para a ligação entre as histórias.
Tendo isto em conta, é curioso notar que é o conto de abertura o que mais se distancia deste objectivo. Com um ambiente diferente e laivos de ficção científica, Cérebro conta a história de um homem que, ante uma descoberta de valor incalculável, se sente invadir pela nostalgia. Bastante introspectivo, mas com uma interessante (ainda que bastante sombria) visão de um futuro possível, trata-se de um conto pausado, mas de leitura agradável, e que levanta várias questões interessantes.
Segue-se Caricas Roxas, história que percorre memórias de infância para desvendar o mistério do desaparecimento das tais caricas. Também pausado, mas envolvente e com uma boa descrição de como podem ser estranhas as prioridades de um miúdo, incluindo até a percepção do contexto político, trata-se de um conto que, não sendo propriamente surpreendente na resolução do mistério, apresenta, ainda assim, uma boa história.
Sempre tendo em vista o passado e as memórias, Na Casa da Dona Alzira apresenta um reencontro com antigos companheiros de casa e as recordações desse tempo partilhado. Mais um conto bastante descritivo, parece dispersar um pouco na exposição do passado das diferentes personagens. Há, ainda assim, vários momentos interessantes, o que mantém a envolvência da leitura.
Um dos contos que servem de base aos pontos de ligação do livro e mais um que tem as memórias como elemento central é Natal, história de um desvio de percurso e de um reencontro em época natalícia. De ritmo lento e com o narrador a perder-se, por vezes, em longas divagações, este conto cativa principalmente pelo passado cativante, evocando com um tom de nostalgia e certa tristeza, bem como pela curiosa situação em torno de o nome de um amigo. Também uma boa história, portanto.
Segue-se Liberdade, história de uma estranha e vasta família e de como o narrador se cruza com alguns dos seus elementos. Pausado e bastante descritivo, dispersa também em pormenores que parecem ser pouco relevantes para o enredo. Trata-se, ainda assim, de um conto bem escrito, apesar do tom distante, e cativante quanto baste, surpreendendo ainda pelo impacto do final.
Jogos e birras de rapazes de outros tempos servem de base a Sucesso, também um conto pausado, mas cativante e com algumas situações surpreendentes. Caricato e com alguns momentos nostálgicos, tem como aspecto mais curioso a evolução das prioridades dos protagonistas ao longo do seu percurso de crescimento.
Por fim, surge o Epílogo, por si só uma história cativante, mas principalmente por ser o ponto de ligação onde as histórias se completam. Envolvente, de ritmo bem menos pausado que os restantes contos, traz de volta o mais cativante de algumas figuras dos episódios anteriores, unindo os pontos da história do narrador. Cativante ainda pela evocação de alguns dos dilemas de escritor, tem também os seus momentos caricatos, mas resulta, no geral, como uma história bem conseguida.
Fica, na conclusão desta leitura, a ideia de um livro que, com o seu ritmo pausado e as muitas divagações e pormenores descritivos, está longe de ser uma leitura compulsiva. Mas há também os momentos curiosos, a escrita cativante e o tom de nostalgia de quem olha para um passado de boas memórias, tudo elementos que contribuem para que todos os contos tenham algo de bom para revelar. São boas histórias, portanto, as deste livro. Valeu a pena ler.

domingo, 4 de novembro de 2012

Predestinados (Josephine Angelini)

Helena passou a vida a esforçar-se para ficar longe das atenções dos que a rodeiam. Nunca quis ser a melhor em nada, mesmo sabendo que podia facilmente fazê-lo, por temer que isso revelasse as suas diferenças e, por isso, nunca foi propriamente popular. Mas as suas tentativas de se manter discreta terminam abruptamente quando Lucas Delos chega à escola e Helena se descobre com uma vontade incontrolável de o matar. Com ela chegam as visões de três estranhas figuras e o despertar de poderes que, no fundo, sempre soube que tinha. E ainda a descoberta de que não é completamente humana, mas antes descendente dos deuses e, por isso, elemento de uma guerra entre Casas que perdura há milhares de anos. Tudo começa com um ódio irracional por Lucas... mas os verdadeiros problemas surgem quando esse ódio dá lugar a algo bem diferente.
Envolvente e com uma escrita acessível e agradável, este livro tem na caracterização do sistema o seu ponto de maior interesse. As ligações à guerra de Tróia e consequente reconstrução de uma guerra entre diferentes semideuses servem de base para toda uma vastidão de poderes e para um sistema de Casas que, não sendo exaustivamente desenvolvido, revela, ainda assim, bastante de interessante. Além disso, o papel das Fúrias na história dá à fase inicial e mais previsível da história um surpreendente toque sombrio, o que contribui também para que a leitura se mantenha cativante.
Há bastante a acontecer neste livro e muitas reviravoltas ao longo do enredo. E, ainda que a história se centre na relação entre Helena e Lucas, há um conflito a decorrer para lá deles (e, em parte, devido a eles). Isto leva a que outras personagens, e algumas delas simplesmente humanas, tenham um papel importante a desempenhar na história, sendo, por vezes, essas figuras aparentemente secundárias o centro de alguns dos momentos mais marcantes do enredo. Importa ainda o facto de os verdadeiros contornos do conflito - e as regras e crenças a ele associadas - serem revelados de forma gradual, apresentando sempre novos problemas quando o anterior parece aproximar-se da resolução. Isto faz com que os pontos de mudança, quer na situação global, quer no percurso pessoal de Helena e Lucas, despertem novos momentos de acção e conflito, definindo um ritmo intenso, ainda que com algumas soluções algo apressadas para partes da história.
Também no que diz respeito à caracterização de personagens, há figuras secundárias que acabam por se destacar tanto ou mais que os protagonistas. É o caso de Noel, com a sua presença discreta, mas de autoridade inegável, ou dos amigos humanos de Helena. Quanto aos protagonistas, têm algumas boas características e a forma como reagem a algumas situações cria vários momentos cativantes, mas têm também alguns pontos fracos. Lucas numa tendência dominante algo excessiva, Helena na forma como ora defende impetuosamente as suas ideias, ora renuncia a elas por simples insegurança, ambos na forma como criam mal-entendidos por simples falta de vontade de falar um com o outro. Isto cria algumas situações de estranheza, ainda que algumas dessas características façam sentido no contexto dos seus papéis no enredo, mas põe também em destaque as suas qualidades, quando se revelam em oposição aos defeitos.
No meio de tudo isto, acaba por ser o romance o que menos marca, já que, entre a facilidade com que uma guerra com os deuses pode ser desencadeada, as intrigas e segredos familiares (num contexto de família bastante diferente do normal) e a simples necessidade da protagonista de assimilar as regras do mundo de que faz parte, a parte romântica acaba por parecer, por vezes, o menor dos problemas dos protagonistas. Há momentos intensos, é certo, e inclusive uma leve tendência para a obsessão na relação entre ambos, mas acabam por ser apenas um ponto numa história de decisões mais importantes.
Não sendo particularmente complexo, e apesar de alguns momentos mais bruscos e das várias perguntas ainda sem resposta, Predestinados apresenta, ainda assim, uma história leve e envolvente, com vários bons momentos e uma interessante reconstrução de alguns aspectos da mitologia. Uma leitura agradável, portanto, e que deixa em aberto muitas possibilidades para o volume seguinte. Gostei.

sábado, 3 de novembro de 2012

A Cidade da Saúde (Artur Portela)

Uma nova política para a saúde, figuras importantes e revoltas sem rosto. Doentes, psiquiatras e psicólogos que se perguntam se são médicos ou não. Um lugar onde todas as ruas têm nomes de figuras importantes da saúde e onde pessoas de todo o tipo se cruzam e se relacionam, sem conhecer o que há para além dos seus interesses individuais. E, no meio de tudo isto, o Inquilino, aliás Sr. O Inquilino, que ninguém está certo de ter visto, mas que foi avistado até em múltiplos de si próprio. Assim é o ambiente da Cidade de Saúde. Assim é a sua história.
Narrado em capítulos curtos e com uma história e um cenário com bastante de peculiar, este é um livro que evoca, em primeiro lugar, impressões de estranheza. Estranheza pelas figuras que o protagonizam, muitas delas sem nome e definidas essencialmente pelas suas características mais vincadas, bem como pelas situações caricatas que parecem definir todo o enredo. 
Há, ao longo de toda a história, a ideia de um contexto com algo de surreal, mas que se aproxima das questões dominantes da conjuntura actual. Isso evidencia-se em situações como a sempre invocada Nova Política de Saúde Mental, e no que a define, bem como na presença das agências de rating e na revolta aparentemente discreta d'O Inquilino. O enredo é, todo ele, feito de situações bizarras que, no seu estilo muito próprio, representam de forma cativante, embora peculiar, alguns dos grandes problemas do mundo actual. E é provavelmente essa aproximação à realidade que faz com que esta estranha sátira resulte tão bem. É que, apesar de toda a estranheza de personagens e situações, há, em toda a construção do enredo, algo de estranhamente viciante, para o qual contribui também o estilo de escrita, directo na exposição de cada situação e cada um dos seus protagonistas.
Sendo tão abundantes as situações improváveis, não surpreende que o enredo esteja longe de ser linear. Não há propriamente uma conclusão muito definitiva e há várias questões que ficam sem resposta, até porque a linha que separa a identidade própria de cada personagem daquilo que pretende representar nem sempre é bem definida. Há antes uma série de situações que se cruzam, relacionando de forma mais ou menos próxima os seus protagonistas, para dar forma ao que é, mais que o percurso individual dos seus habitantes, a estranha história de um lugar.
O que fica pois deste livro é a ideia de uma história improvável e caricata, que, apesar da persistente impressão de estranheza, cativa pela forma como as suas peculiaridades representam algo maior que a simples história narrada. Trata-se, pois, de uma leitura estranha, mas estranhamente viciante. E, por tudo isto, de uma boa leitura.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Última Duquesa (Daisy Goodwin)

Cora Cash é uma das mais ricas herdeiras da América e tudo o que a mãe quer para ela é um marido com um título sonante. É isso que as leva a partir para Inglaterra, onde há bastantes aristocratas arruinados dispostos a dar o seu nome em troca de uma fortuna que lhes permita recuperar o velho luxo. Há também diferenças colossais no que se considera socialmente aceitável e, inevitavelmente, a jovem herdeira sente-se deslocada no ambiente do velho mundo. Mas há um marido à sua espera e, ainda que acabem por se conhecer da forma menos convencional, o mais invulgar na sua união é que parece resultar de genuíno amor. Mas será esse amor verdadeiro tanto para Cora como para o duque de Wareham? E será garantia de felicidade num ambiente em que as convenções sociais servem de base a todo o tipo de intriga?
Ainda que a narrativa se defina essencialmente pela relação entre Cora Cash e Ivo, duque de Wareham, antes e depois de casamento, este livro não poderia estar mais longe do clássico enredo romântico. Não há grande ênfase na conquista ou no crescimento do amor entre os protagonistas, até porque o percurso até ao casamento acaba por ser relativamente breve, e a história centra-se antes no que vem depois. O romance é uma parte da história, é certo, mas uma parte relativamente discreta, sendo o papel das normas sociais nas intrigas e segredos de Ivo e nas mágoas pessoais de Cora o que realmente importa. E, tendo esses segredos e intrigas como parte dominante do enredo, todas as evoluções são possíveis, excepto o esperado final feliz da união sem barreiras.
Esta não é uma história de amor, pelo menos no sentido romântico do sentimento que tudo vence. A história de Cora é complexa e difícil, marcada tanto por erros e desilusões como pelo sonho com que parte para o seu casamento. Nada é a preto e branco. Para Cora, nenhuma das escolhas é fácil e virar costas à decisão é impossível. Mas é precisamente a complexidade da sua situação que a torna verdadeira cativante, mesmo quando é o pior do seu temperamento se revela na reacção aos que a rodeiam. 
O retrato social aqui apresentado é tudo menos harmonioso, revelando, muitas vezes, o pior das suas figuras principais. Há, portanto, várias personagens que inspiram essencialmente sentimentos negativos com os seus comportamentos revoltantes. Mas o que falta a estas personagens em empatia - e isto aplica-se ao próprio Ivo, com o seu secretismo e necessidade de seguir em tudo as convenções sociais - é compensado pelo seu contributo para o cenário global, quer pelo realismo do que representam (mesmo quando é a mesquinhez que sobressai), quer pela intensidade que dão ao papel de Cora no centro de tudo, ela sim uma personagem carismática, falível nos seus piores momentos, mas completa e profunda.
Importa ainda referir que a caracterização completa e detalhada não se aplica apenas ao carácter das personagens. Também os lugares, os eventos, os trajes e os objectos são descritos ao pormenor. Disto resulta que toda a narrativa tenha um ritmo relativamente pausado, mas também uma maior facilidade em imaginar o ambiente e a época em que decorre a acção. Além disso, esse ritmo mais lento não prejudica a envolvência, uma vez que esta caracterização torna mais nítido, e mais completo o retrato da sociedade apresentada, enfatizando também a relevância de questões como a diferença entre classes e as restrições do socialmente aceitável.
Cativante, com vários momentos intensos e um enredo bastante maior que o de uma simples história de amor, este é também um livro com muitos pormenores para assimilar e que, por isso, está longe de ser uma leitura compulsiva. Ainda assim, a história envolvente e o retrato detalhado das complexidades e tribulações da sociedade da época revelam também o muito de interessante que há para descobrir nesta leitura e tornam mais marcante o seu enredo. Trata-se, pois, de um livro com muito de bom para descobrir e que, por tudo isto, vale a pena ler.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Seraglio (Janet Wallach)

Raptada por piratas quando regressava a sua casa na Martinica, Aimée du Buc é avaliada como um bom presente e, por isso, enviada para o harém do sultão. Chega como uma jovem assustada e que se recusa a acreditar que ninguém a poderá salvar daquele lugar estranho. Mas, à medida que os dias passam e a jovem se habitua ao seu novo nome, Nakshidil, bem como ao papel que ali desempenha e pode conquistar, ela guarda o passado num canto da sua mente e empenha-se em subir da hierarquia da única forma possível: atraindo as atenções do sultão. O problema é que tornar-se favorita pode ser apenas o início e, num império que vive tempos de mudança, a queda em desgraça pode estar à distância de um passo em falso.
Centrado, em grande parte, na vida da protagonista e narrado, quase na totalidade, pelo chefe dos seus eunucos, a história de Seraglio decorre, em grande medida, no harém. Isto significa que, apesar das grandes mudanças a decorrer no Império Otomano, estas são vistas, em grande medida, de forma parcial, limitada pela percepção de Nakshidil e dos que a rodeiam. Não há nada de essencial que fique por dizer e há inclusive alguns momentos particularmente intensos, até porque, ainda que apresentada de forma discreta, a intriga é um elemento bem presente nesta história. Há, pois, situações de grande tensão, principalmente na fase final do livro, e o contexto apresentado é suficiente para compreender os acontecimentos. O contexto global, contudo, é desenvolvido de forma relativamente sucinta, ficando a impressão de que um pouco mais poderia ser dito.
É, pois, a vida no harém o que é mais desenvolvido e, neste aspecto, a caracterização é bastante completa, desde a hierarquia no seu interior aos costumes e rituais, passando ainda por uns quantos pormenores de vestuário e decoração. Cria-se, assim, um ambiente bastante fácil de visualizar, o que contribui para a envolvência de uma história que, tendo os seus pontos fortes na história da protagonista e na empatia que esta desperta, cativa também pela aura de encanto e de estranheza que rodeia o seu cenário.
Quanto a Nakshidil, que é, afinal, o centro de toda a história, cativa a construção da sua personalidade, em simultâneo vulnerável e determinada, bem como a sua evolução ao longo do enredo. Desde a entrada num mundo onde tudo lhe parece estranho até ao momento em que, com a excepção de pequenas ligações ao passado e à memória, parece pertencer, desde sempre, ao lugar, Nakshidil cresce para revelar o seu melhor a cada obstáculo que enfrenta, pequeno ou aparentemente intransponível. E, no fundo, é essa persistência o que torna a sua personalidade tão cativante. Para além, é claro, da sua invulgar noção de lealdade e amizade, num ambiente onde o interesse e a intriga parecem dominar.
Envolvente desde as primeiras páginas e com uma história que, apesar de ter como cenário um império em mudança, se centra mais nas mudanças operadas sobre a sua protagonista, Seraglio proporciona uma leitura cativante, com um cenário bem construído (ainda que mais pudesse ser explorado quanto à vida para lá do harém) e personagens fortes e empáticas. Uma boa leitura, portanto.