quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Novidade Europa-América


Título: Não Deixes Que Me Levem
Autora: Catherine Ryan Hyde
Colecção: Contemporânea
Preço: 22.26€
Pp.: 312

E se abandonar a sua mãe… for a única forma de a salvar?
«Lembras-te de me dizer que conseguirias sempre encontrar-me? Bem, nunca te esqueças disso. Por favor.»

GRACE
Grace é uma menina de dez anos que sabe que é amada pela mãe. Mas a mãe também ama as drogas. Grace não conseguirá evitar por muito mais tempo as ameaças da «senhora dos Serviços Sociais», que a quer colocar numa instituição. A sua única esperança é…
BILLY
Billy Shine é um adulto que não sai do seu apartamento há anos. Tem muito medo das pessoas. E assim, dia após dia, leva uma vida perfeitamente planificada e silenciosa dentro de sua casa. Até agora…
O PLANO
Grace invade a vida de Billy com uma voz bem alta e um plano para libertar a mãe daquele martírio. Mas não será fácil, pois para salvar a mãe terão de arrancar-lhe a única coisa de que ela realmente precisa: Grace.

Catherine Ryan Hyde é autora de vários best-sellers, entre os quais se destaca Favores em Cadeia, livro que contou com uma adaptação cinematográfica, protagonizada por Kevin Spacey e Helen Hunt. Depois de mais um sucesso com Coração em Segunda Mão, a autora deslumbra-nos agora com uma visão terna do amor e da humanidade que nos une, neste livro comovente.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Memórias de Adriano (Marguerite Yourcenar)

A viver os seus últimos dias e finalmente com tempo para considerar a vida e a forma como viveu, Adriano escreve para aquele que, espera, ocupará um dia o seu lugar. E recorda. Recorda as suas batalhas e as intrigas tecidas em seu redor, aqueles que amou e os que o desprezaram. Recorda, acima de tudo, o que foi, o que quis ser e o que viram dele. É esse longo registo de memórias o que este livro apresenta. E, com elas, mais que um retrato do império e do seu imperador, é a figura do homem que se torna mais visível.
Denso, divagativo e com uma forte componente descritiva, este não é nem um livro fácil de seguir nem uma leitura rápida. Todos os eventos são narrados do ponto de vista do homem que recorda, e, como tal, é através dos olhos dele que todos os protagonistas dos acontecimentos são caracterizados, o que cria uma impressão de distância. Além disso, basta um pequeno gesto para inspirar uma longa reflexão, filosófica ou emocional. Os pensamentos têm, portanto, tanto ou mais protagonismo que as acções, o que não deixa de ser surpreendente num livro cujo narrador se apresenta mais como homem de acção.
Trata-se, portanto, de um livro que exige atenção constante, quer pelos muitos pormenores relativos à época histórica e às figuras que a povoam, quer, e principalmente, pela forma como a vida de Adriano se entrelaça na sua forma de pensar. O resultado é um livro de ritmo pausado, claro, com uma linha narrativa que se dispersa um pouco nas longas divagações, mas que surpreende principalmente pelo retrato complexo do imperador que recorda.
E é neste ponto que importa referir o grande ponto forte deste livro: a beleza da escrita. Tanto nas longas reflexões como nos momentos mais descritivos, o que mais sobressai ao longo da leitura é a harmonia das frases, a forma como as palavras evocam, da forma mais adequada, os sentimentos e as impressões do imperador. Isto é, naturalmente, mais evidente no presente, quando Adriano se encontra face a um fim próximo, mas prevalece ao longo de todo o livro, tanto na forma como questiona as suas decisões ou avalia o que fez pelo império como na inesperada intensidade da sua recordação de Antínoo e do que os unia.
Não é, de forma alguma, uma leitura compulsiva e, com a profundidade e a complexidade da forma como pondera sobre a mortalidade e a passagem do tempo, será tudo, menos um livro leve. Há, ainda assim, muito de fascinante nestas Memórias de Adriano, em parte devido ao retrato preciso e completo que traça para o seu protagonista, mas principalmente pela quase poesia de uma escrita que tanto encanta pela beleza como apela à reflexão. Trata-se, por tudo isto, de um livro a ser apreciado com calma, pois exige a máxima atenção. Mas é também tudo isto que faz com que valha a pena.

Vencedor do passatempo Estrada Vermelha, Estrada de Sangue

Chegados ao fim de mais um passatempo, é, como habitual, altura de anunciar o vencedor. Desta vez, o total de participações foi de 118. Obrigada a  todos os que enviaram as suas respostas.

E o vencedor é...

88. Alice Rodrigues (Elvas)

Parabéns e boas leituras!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Maximum Ride - O Resgate de Angel (James Patterson)

Maximum Ride - ou simplesmente Max - é a líder de um grupo de crianças geneticamente alteradas que são capazes de voar. Há quatro anos, fugiram da Escola - um laboratório onde eram realizadas estranhas experiências - e viveram uma existência discreta. Mas a Escola ainda tem planos para ele, como se torna evidente quando um grupo de Erasers chega e leva Angel, a mais pequena do grupo. Max e os seus companheiros não hesitam. Cientes do tipo de prisão que é a Escola, e do tipo de testes a que foram sujeitos, sabem que têm de resgatar Angel o mais depressa possível. Mas não é assim tão simples. Os Erasers são mais e mais fortes. E, como se não bastasse, a tentativa de resgate é apenas o início e há revelações inesperadas a surgir a cada passo. Não há tempo para parar nem para pensar. Mas como lidar com todas as mudanças, quando não há certezas sobre ninguém, nem mesmo Max?
O grande ponto forte deste livro é, sem dúvida, o ritmo viciante. Capítulos curtos, acção constante e uma série de mudanças surpreendentes mantêm viva a curiosidade em saber mais e a escrita acessível, sem grandes elaborações, contribui também para a intensidade quase compulsiva do enredo. Isto faz com que, mesmo na fase inicial, em que a escrita simples e a escassa descrição deixam a impressão de que mais poderia ter sido explorado a nível de contexto, a história nunca perca a envolvência, mantendo-se sempre a vontade em saber o que virá a seguir. A história não é particularmente complexa e é a acção o centro da narrativa, mas a tensão evidente em toda a linha de história - ou não estivessem os protagonistas em fuga - confere à história uma intensidade estranhamente cativante.
Sendo a descrição uma componente discreta em todo o livro, a caracterização surge, inevitavelmente, de forma gradual, e isto ocorre tanto com as personagens como com as experiências que lhes deram origem. Resulta, talvez, daí a impressão inicial de estranheza, já que as características do sistema (a Escola, as suas condições e as experiências aí realizadas) e das personagens (com os dons que conhecem e desconhecem, as suas origens e o caminho que os levou às circunstâncias em que se encontram) surgem aos poucos, na medida em que são necessárias. Mas há também um lado positivo para tudo isto e esse é que a revelação gradual dos pontos mais relevantes torna a história mais intrigante e dando intensidade aos momentos em que surge a revelação.
Quanto às personagens, também a caracterização é gradual, daí que surja, inicialmente, a mesma estranheza que relativamente ao sistema. Uma vez assimilados os seus traços essenciais, contudo, e adquirida uma certa familiaridade, são as suas características mais cativantes que se revelam, despertando uma empatia que cresce também pela situação vulnerável em que se encontram. São figuras fortes, quando é preciso, mas são também miúdos, e os momentos de fragilidade servem para recordar isso de forma bastante marcante.
Com uma escrita simples e uma história envolvente, este é um livro que cativa, inicialmente, pelo ritmo de acção compulsiva, mas que, aos poucos, vai revelando outras características interessantes, tanto sobre as personagens como sobre o enredo. Ficam, naturalmente, muitas perguntas sem resposta, mas fica também muita curiosidade em ler o próximo volume. Um bom ponto de partida, portanto. Gostei.

Novidade Quetzal


Livro-sensação e livro-revelação do enorme talento de Dave Eggers, Uma Obra Enternecedora de Asssombroso Génio redefine a família e a narrativa para o século vinte e um: as memórias de uma família normal, que, num ápice, com a morte violenta dos pais no espaço de um mês, se desfaz (ou, pelo menos, se torna tudo menos normal); e as de um jovem em idade universitária que tem de criar um irmão de oito anos. 
Uma  história verdadeira contada como uma ficção ou uma ficção que pretende o estatuto de verdade, a estreia literária de Eggers consegue ser como a vida: pungente, triste, truculenta, hilariante, dramática, selvagem e extraordinariamente inventiva.

Dave Eggers nasceu em  Boston, em 1970, numa família com quatro irmãos. Depois da morte dos seus pais, em 1991, mudou-se com o irmão mais novo, de quem ficou tutor legal, para a Califórnia, onde frequentou a Universidade de Berkeley.
Escritor galardoado, Eggers recebeu também várias distinções pela sua actuação junto das comunidades, nomeadamente, pelo trabalho que desenvolve em 826 Valencia - um projecto educativo sem fins lucrativos que promove as competências linguísticas e literárias de jovens dos seis aos dezoito anos  – e, mais recentemente, pela denúncia do fracasso da administração americana no rescaldo do Katrina, através do seu envolvimento no caso Zeitoun e 
subsequente relato em livro (Quetzal, 2010). Dave Eggers é fundador da editora independente McSweeney’s e da revista homónima.

Novidade Oficina do Livro


Baseando-se em factos reais, graças a cartas e documentos cedidos por várias famílias, Cristina Norton conta-nos neste romance comovente uma história abafada por ordem régia durante mais de duzentos anos.
Eugénia de Meneses, neta do marquês de Marialva e nascida em Guimarães, foi, segundo uma crónica da época, uma mulher de tão triste destino.
Depois de passar os anos mais felizes da sua infância no Brasil, volta a Portugal e, já adulta, é escolhida para dama da corte, onde conhece um amor impossível que a leva a optar pelo celibato. Bela, inteligente, culta, alegre e independente, Eugénia vê a sua vida tornar-se um pesadelo quando a impiedosa princesa Carlota Joaquina a acusa de um crime que não cometeu e D. João VI, «o rei clemente», não fez jus ao seu cognome perante a única mulher que amou.

Cristina Kas Norton nasceu em 28 de Fevereiro de 1948, em Buenos Aires, Argentina, e reside em Portugal há mais de 30 anos.
Estudou História da Civilização Francesa na Sorbonne, Belas-Artes na ESBAL e História de Arte na ESARES, cursos que deixou incompletos. Desde os 17 anos que colabora em revistas e jornais literários de diversos países.
A sua obra está publicada em Portugal, no Brasil, no Chile e em Espanha, e engloba a poesia, o romance e o conto. Dos vários títulos que publicou, para além de O Segredo da Bastarda, destacam-se O Afinador de Pianos, O Lázaro do Porto, O Barco de Chocolate (contos infantis, Prémio Adolfo Simões Müller, 2002), A Casa do Sal e O Guardião de Livros.

domingo, 11 de novembro de 2012

Juliana - Condessa Stroganoff (José Norton)

Filha da marquesa de Alorna e presa a um casamento feito para cumprir a vontade da mãe, Juliana de Almeida Oeynhausen viu-se, na sequência das invasões francesas, obrigada a deixar o país e a família, dando início a um longo ciclo de adversidades. Ligada a um marido cujas posições a comprometiam, a sua vida parecia destinada à má sorte. Mas Juliana, culta e determinada, nunca deixou de lutar contra o infortúnio e o seu longo percurso pelo mundo levou-a a travar conhecimento com muitas grandes figuras da sua época. E a encontrar o amor, desafiando todas as convenções para conquistar o direito à sua vontade. A memória que dela ficou foi, em muitos aspectos, negativa. Mas este livro apresenta uma história diferente.
Ainda que este livro seja essencialmente uma biografia de Juliana, sendo, portanto, esta a figura no centro de tudo o que é narrado, importa referir que nem só a ela dizem respeito os temas e episódios aqui desenvolvidos. Há, desde logo, uma boa exposição da situação global e das mudanças ocorridas ao longo da vida de Juliana, bem como das movimentações políticas, quer dos que a rodeavam, quer ainda do conde Stroganoff e do país por este representado. Há, também, alguns episódios que, dizendo respeito a Juliana de forma muito vaga, acabam por surgir como particularmente interessantes, com particular destaque para o caso de Pushkin, que, com muito pouca intervenção por parte dos protagonistas desta biografia,, acaba por ser, ainda assim, um momento particularmente interessante, em grande parte pela tensão emocional que representa, mas também pela colisão de interesses divergentes.
Mas é Juliana o centro deste livro e, como tal, importa destacar principalmente o retrato que dela se apresenta. Citando, muitas vezes, a sua correspondência, mas também diários e cartas dos que com ela conviveram, o autor apresenta aqui uma visão bastante completa da sua biografada. E fá-lo não apenas no que respeita à posição de Juliana ante a sociedade, com a descrição de como a viam e do que fazia, mas também do seu lado mais íntimo e pessoal, explorando as dores e alegrias dos seus sucessos e misérias. As cartas são, aliás, muito eloquentes no que respeita à sensibilidade de Juliana, sendo, por isso, uma mais valia para a criação de um retrato humano e completo do seu carácter.
Ao desenvolver tanto o percurso de Juliana como a contextualização da época, é inevitável que este livro apresente uma longa sucessão de nomes e eventos para assimilar, já que não só os tempos eram de mudança, como a própria Juliana esteve presente na sociedade de vários países. Assim, e ainda que o livro seja bastante acessível em termos de escrita, há muitos pormenores para assimilar, o que torna o ritmo de leitura bastante pausado. Para isto contribui também o facto de, a fim de manter presentes as mudanças a decorrer em Portugal, o foco da narrativa se afastar, por vezes, da sua figura central. Tudo isto torna a leitura mais lenta, é certo, mas torna-a também mais completa, já que permite uma visão mais clara do contexto em que se movem as suas figuras principais.
Cativante, ainda que de ritmo pausado, trata-se, em suma, de uma leitura envolvente e interessante, que apresenta um retrato bastante completo do carácter e, principalmente, da vida de Juliana, bem como da época em que decorreu. Uma boa leitura, portanto.