segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Tauri - Um Novo Mundo (Joel Magalhães)

Daniel sempre teve uma grande imaginação e a secreta vontade de viver uma aventura. Mas a sua vida é simples rotina. Até ao dia - o mesmo dia em que é dispensado do emprego - em que, ao avistar um fenómeno estranho, é puxado para outro mundo. Tauri é um universo paralelo e um mundo onde os seres imaginários são reais. Tal como a magia. E, entre o bem e o mal, há uma profecia que fala de um escolhido, vindo de outro mundo para trazer a destruição ou uma paz duradoura. Aparentemente, Daniel é esse escolhido. Mas tem muito que aprender...
O mais interessante neste livro é a ideia que lhe serve de base. Não é propriamente algo de novo e também o sistema não é nada de nunca visto. Ainda assim, a ideia da viagem a outro mundo - e da inevitável missão a desempenhar - tem as suas possibilidades e o potencial para ser cativante, principalmente se houver um bom desenvolvimento das personagens.
Infelizmente, isso não acontece. A história é desenvolvida de forma muito sucinta e centrada essencialmente na acção. Tudo acontece demasiado depressa, desde a aprendizagem de Daniel aos momentos de combate e às decisões fundamentais das personagens. Além disso, não há grande caracterização das personagens, sendo difícil sentir preocupação ou empatia para com as suas circunstâncias. Daniel entra num mundo completamente novo, mas a sua confusão face a essa situação mal se percebe. As relações que estabelece justificam algum afecto, mas tudo acontece depressa de mais para que se crie esse elo emocional. A impressão que fica é a de uma história contada a um ritmo demasiado apressado, faltando um desenvolvimento dos pormenores para completar o básico.
Também a nível de escrita há bastantes fragilidades. A linguagem é bastante simples, o que permite que a leitura seja, apesar de  tudo, relativamente leve, mas os frequentes erros ortográficos, a pontuação confusa e os diálogos demasiado simples prejudicam o ritmo de leitura e, nalguns casos, tornam difícil a percepção do que as personagens pretendem dizer.
Falta referir, por último, que este livro é, apenas o início de uma história maior, pelo que ficam inúmeras perguntas sem resposta. Fica, também, apesar de tudo, alguma curiosidade em saber que desenvolvimentos se seguirão na história de Daniel e dos habitantes de Tauri.
Tudo somado, a impressão que fica deste Tauri - Um Novo Mundo é a de uma leitura que, não sendo penosa, se evidencia, ainda assim, pelas várias fragilidades. E é pena, porque há, de facto, alguns momentos interessantes no enredo e um maior desenvolvimento dos acontecimentos e das personagens, acrescido de um maior cuidado na revisão, teriam melhorado substancialmente a história.

Novidade Bertrand


Aquiles, «o melhor dos gregos», filho da cruel Tétis e do lendário rei Peleu, é forte, veloz e belo  – irresistível  para todos aqueles que o conhecem. Pátroclo é um jovem príncipe inábil, exilado na sequência de um ato de grande violência. Criados juntos por uma questão de circunstâncias, constroem uma ligação inseparável, mas arriscam a ira divina. São treinados pelo centauro Quíron nas artes da guerra e da medicina, mas, quando chegam os rumores de que Helena de Esparta foi raptada, todos os heróis da Grécia são convocados para cercarem a cidade de Troia. Seduzido pela promessa de um destino glorioso, Aquiles junta-se à causa e Pátroclo, dividido entre o medo e o amor pelo seu amigo, segue-o. Mal sabem eles o que as cruéis Moiras lhes reservam…
O livro de Madeline Miller, que conquistou o prestigiado Orange Prize 2012, é uma releitura fascinante da lenda  do guerreiro Aquiles. 

Madeline Miller cresceu em Filadélfia e fez Estudos Clássicos na Universidade de Brown. Há nove anos que ensina Latim e Grego Antigo. Vive em Cambridge, no Massachusetts. Este é o seu romance de estreia.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Passageiro do Fim do Dia (Rubens Figueiredo)

Terminada mais uma semana de trabalho, Pedro apanha um autocarro para a zona onde mora a namorada, com a qual passará o fim-de-semana. Mas a viagem afigura-se longa, principalmente a partir do momento em que se fala de tumultos na área de destino. Fechado no autocarro cheio, e, contudo, sozinho com a companhia do rádio a pilhas e de um livro que lhe traz memórias do passado, Pedro percorre a longa viagem, ao mesmo tempo que, em pensamento, recorda histórias de vidas que conhece. Histórias de pobreza, de opressão e de desânimo.
História da viagem de Pedro e, ao mesmo tempo, de todas as histórias que lhe surgem no pensamento durante esta viagem, o enredo deste livro é tudo menos linear. Não só as histórias de diferentes personagens se cruzam sem que haja uma relação efectiva entre elas, como estas histórias parecem surgir ao ritmo a que surgiriam na memória do protagonista. Não há uma linha temporal definida, tal como não há uma série sequencial de acontecimentos. As histórias surgem, simplesmente, ao ritmo da memória, sejam elas vividas por Pedro ou contadas por alguém com quem ele se cruzou.
Tendo isto em conta, é fácil prever que a leitura não será leve nem fácil. É, na verdade, um livro bastante exigente em termos de atenção, de modo a que seja possível assimilar as diferentes histórias, onde começam e terminam e de que forma se cruzam na vida de Pedro e na visão geral daquilo que ele observa. E é também aqui que se encontra o mais interessante deste livro. É que, apesar da ocasional confusão resultante do cruzamento de todas estas histórias, essa conjugação é também o que permite uma visão completa das questões mais relevantes do livro. A pobreza e a falta de condições - por vezes, perpetuadas pelo próprio sistema - e a impressão de indignidade que, por vezes, se sucede às dificuldades estão muito bem representadas nas memórias de Pedro, proporcionando, por isso, muito e bom material para reflexão.
Também a escrita é bastante cativante, sem grandes elaborações, apesar do tom algo divagativo com que os acontecimentos são apresentados - mas, afinal, é das memórias do protagonista que trata, e as memórias nem sempre surgem de forma linear. E há, ainda dessas memórias, um outro aspecto interessante: as referências ao trabalho de Darwin - e ao tal livro associado às memórias pessoais - acabam por insinuar uma perspectiva curiosa para os acontecimentos narrados, criando um interessante (ainda que discreto) cruzamento entre a teoria da sobrevivência dos mais fortes (da selecção natural) e os casos narrados, que são, afinal, das tentativas de subsistência dos mais fracos.
Se nem os acontecimentos nem as memórias são lineares, também o final é ambíguo. Não há finais definitivos nem para o presente, nem para as histórias recordadas. Este é, na verdade, o final mais adequado, pois, além de deixar em aberto muitas possibilidades para o que terá acontecido depois do que é apresentado, acaba por recordar o facto de que a vida não acaba no fim da história.
Complexo e, por vezes, um pouco confuso, este é, pois, um livro bastante exigente, mas também muito compensador, principalmente pelo retrato global que traça para o problema de viver na desigualdade e na pobreza. Não é uma leitura fácil, portanto, e exige o seu tempo para assimilar todas as questões. Mas não deixa por isso de ser muito interessante.

Novidades Saída de Emergência para Fevereiro


“Saudações do mundo dos mortos”, declara Maxwell Broadbent na cassete de vídeo que deixou para trás depois do seu misterioso desaparecimento. Notório caçador de tesouros e ladrão de túmulos, Broadbent acumulou muitos milhões de dólares em arte, jóias e artefactos antes de desaparecer — juntamente com toda a sua colecção — da sua imensa mansão.
No início, suspeitou-se de assalto, mas a verdade provou ser bastante mais estranha: como desafio final para os seus três filhos, Broadbent enterrou-se a si e ao seu tesouro algures no mundo, escondido como um faraó egípcio da Antiguidade. Se os filhos quiserem reivindicar a sua fabulosa herança, terão de encontrar o túmulo cuidadosamente ocultado pelo pai.
Os dados estão lançados, mas os três irmãos não são os únicos a competir pelo tesouro. Com tantos milhões de dólares em jogo, bem como um antigo codex maia que pode conter a cura para o cancro, em breve outras pessoas se juntam à caçada... e nada fará parar algumas delas para conseguirem o que está na sepultura.

O TOQUE TERNO DE UMA MULHER
Ele nascera num clã de guerreiros de força sobrenatural, mas Gavrael McIllioch abandonara o seu nome e o seu castelo nas Highlands, determinado a escapar ao sombrio destino dos seus antepassados. Ocultando a sua identidade do implacável clã rival que o perseguia, adotou o nome de Grimm para proteger as pessoas de quem gostava, jurando jamais admitir o seu amor pela arrebatadora Jillian St. Clair. Contudo, mesmo de longe, ele velava por ela, e quando o seu pai o intimou com urgência, “Vem por Jillian”, ele correu para o seu lado — a competir pela sua mão em casamento.
O CORAÇÃO DE AÇO DE UM GUERREIRO
Porque fugira ele dela há tantos anos? E para quê retornar agora para a ver oferecida como prémio no jogo manipulador de seu pai? Furiosa, Jillian jurou jamais se casar. Mas Grimm era o homem que ela amava, aquele mesmo que a incitava a desposar outro. Ele procurava simular indiferença enquanto ela o tentava, mas não pôde negar os ferozes desejos que o impeliram a arrebatá-la à força do altar.
Ela era a única mulher capaz de domar a besta enraivecida dentro dele — ainda que inimigos mortais maquinassem enquanto isso para os destruir a ambos…

 Do melhor…
«O povo português, além da bondade de coração, da brandura de costumes, da alegria, da lealdade e bom humor, possui ainda duas outras qualidades: a docilidade e a paciência. Não é possível que exista gente mais tranquila, mais dócil, mais resignada.»
Ao pior...
«Se os portugueses apenas tivessem os vícios de serem impostores e vaidosos seria agradável vê-los e conviver com eles […] Mas são também extraordinariamente altivos, orgulhosos, arrogantes, velhacos, traiçoeiros e desonestos. Poucos há que tenham escrúpulo de matar um inimigo à traição.»
Este é o Reino de Portugal resulta de uma profunda investigação aos mais importantes relatos de estrangeiros que viajaram por Portugal.
Focando-se principalmente nos últimos três séculos, oferece-nos um colorido únicos desse período, retratando as várias camadas sociais que compunham a nossa sociedade, do povo aos governantes, e admirando ou criticando copiosamente os seus hábitos, tradições, mentalidades e comportamentos.
Com testemunhos de quase três dezenas de personalidades tão extraordinárias ou malévolas como William Beckford, Carl Israel Ruders, Giuseppe Baretti, Arthur William Costigan, José Pecchio, Hans Christian Andersen, Maria Rattazzi ou Miguel Unamuno, Este é o Reino de Portugal é uma oportunidade única para descobrir o que mudou no nosso país nos últimos três séculos. Ou talvez surpreender-se com o que, afinal, continua exactamente na mesma…

Entre num mundo emocionante, voluptuoso, e tão ameaçador quanto belo. Onde dominam paixões ardentes de seres imortais, outrora adorados como deuses ou demónios.
 Os mais supremos seres sobrenaturais são fadas Sidhe, uma raça tão bela e poderosa que foi em tempos adorada como os deuses. Não só são luxuriosos, como incrivelmente bons amantes. Quando têm sangue real... são literalmente viciantes. Fadas de sangue puro não toleram as cidades e raramente vivem entre os humanos. Mas Meredith Gentry não é de puro-sangue. Ela tem sangue humano e por isso é mortal. Talvez também por isso, sinta que não pertence a lugar nenhum.
Meredith Gentry, princesa da corte real das Fadas, faz-se passar por humana em Los Angeles, onde trabalha como detective privada. Mas, agora, o carrasco da rainha foi enviado para a levar de volta para casa – quer ela queira quer não. Subitamente, Meredith vê-se como um mero peão encurralado nos terríveis planos da sua tia. A tarefa que a aguarda: desfrutar da companhia constante dos homens imortais mais bonitos do mundo. A recompensa: a coroa – e a oportunidade de salvar a sua vida. O castigo por fracassar: a morte.

Prepare-se para conhecer o clássico da fantasia Dragonlance que influenciou gerações de leitores com um novo mundo cheio de paixão e aventura.
Anos após terem optado por seguir caminhos diferentes, um grupo de companheiros reencontra-se na sua terra natal apenas para descobrir que o mundo de Krynn mudou. Rumores de guerra e sombras dominam as conversas de estalagem e monstros e criaturas míticas que só existiam em lendas voltaram a ser avistados. E nenhum companheiro se atreve a confidenciar os segredos que oculta no coração e que descobriu em viagens cheias de perigo.
Até ao dia em que um encontro ocasional com uma bela mulher, que detém em seu poder um bastão de cristal, arrasta os companheiros para o caos e muda as suas vidas para sempre. Ninguém esperava que se revelassem heróis. Muito menos eles. Mas conseguirão arranjar a força, honra e coragem para enfrentar os Deuses da Luz e Trevas no momento em que a Guerra da Lança está prestes a começar?

 Para Fox, Caleb e Gage o número sete representa tragédia. Há muitos anos, um ritual inocente entre eles libertou um mal antigo na sua terra natal.
Como resultado, sete dias de loucura repetem-se a cada sete anos. Agora, já homens, sentem esse mal a regressar.
Visões de morte e destruição atormentam-nos. Mas este ano, três mulheres juntaram-se à batalha: Layla, Quinn e Cybil. Será que também elas estão ligadas a essa maldição?
Desde criança que Fox tem a capacidade de ler outras mentes, um talento que partilha com Layla. E para combater a escuridão que ameaça a cidade, Fox precisa de ganhar a confiança de Layla. Infelizmente ela não consegue aceitar esse misterioso talento e a nova intimidade com Fox apavora-a. É que Layla sabe que quando abrir a sua mente não terá qualquer defesa perante o desejo que ameaça consumi-los a ambos…

 Izzy um dia vai ser famosa. A indústria da música é que ainda não a descobriu. A irrepreensível Izzy tem um talento fascinante, dois namorados perfeitos e uma filha para lhe organizar a vida. Basicamente, uma vida de sonho.
Já a vida de Gina não podia ser mais infernal. O cretino do marido acaba de fugir com a amante grávida. E ela sente-se destroçada quando derruba acidentalmente Izzy da sua moto. Porém, não é propriamente o fim do mundo, pois não? Apenas uma perna partida.
Mas o mundo de Gina, como ela o conhece, está prestes a ficar de pernas para o ar. Izzy e a filha Kat foram catapultadas para dentro da sua vida, antes tão metódica. Pior, Izzy está de olho no melhor amigo de Gina, Sam, que é lindo de morrer. Como acabará tudo? Numa torrente de lágrimas ou num beijo inesquecível?

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sonhos Proibidos (Lesley Pearse)

Aos quinze anos, e apesar de ter sido criada num bordel, Belle é ainda muito inocente, protegida, pelos cuidados da ama, dos segredos da casa onde cresceu. Mas tudo muda na noite em que adormece no quarto de uma das raparigas e acaba por assistir à sua morte às mãos de um homem perigoso. A mãe, Annie, acha que é melhor não contar a verdade e que, se se calar, estarão seguras. Mas não é isso que acontece. Belle é raptada e vendida a uma mulher em França, que a inicia no papel de que a mãe e a ama sempre a protegeram. Frágil e ingénua, a jovem Belle começa aí um percurso de sofrimento e de dificuldades, mas encontra também o início da vontade de lutar. E, em Seven Dials, o lugar onde cresceu, há quem não desista de a procurar, por mais tempo que passe...
Um dos aspectos mais cativantes deste livro é a forma como a autora retrata o ambiente de pobreza de Seven Dials e como, partindo desse cenário, consegue criar momentos de impacto abordando questões como o tráfico de mulheres ou a indiferença (e corruptibilidade) das autoridades na época em que decorre o enredo. A viagem de Belle é, ao mesmo tempo, o caminho da superação das dificuldades e más experiências vividas e uma jornada através do mundo das "damas da noite", desde os ambientes mais pobres aos casos de aparente prosperidade. Mas o percurso é, principalmente, pessoal, do crescimento e da aprendizagem de Belle através das suas difíceis circunstâncias.
Talvez, por isso, surja uma certa estranheza ao notar que, apesar de todos os enganos e perturbações, a ingenuidade de Belle persiste ao longo de toda a história, deixando-se, por vezes, levar por manipulações fáceis de reconhecer. É este, talvez, o ponto fraco da sua caracterização, já que é difícil conceber esse tipo de confiança inocente depois de tantos traumas. Ainda assim, esta é apenas uma das suas características e esta fraqueza é compensada por outros traços da sua personalidade. Além disso, há outras personagens importantes - e interessantes - no enredo, pelo que, mesmo quando as acções de Belle são difíceis de entender, há outros acontecimentos a decorrer que fazem com que a história se mantenha envolvente.
Ficam algumas questões em aberto, principalmente no que diz respeito a Étienne Carrera e à forma talvez demasiado segura como as coisas se resolvem entre ele e Belle. Mas a história continua num outro livro e essas questões contribuem para despertar curiosidade também para essa sequela. Até porque, tendo em conta o seu papel na vida de Belle, há partes da sua história que não foram completamente exploradas e que, talvez, possam vir a encontrar resposta mais tarde.
Cativante e de leitura agradável, Sonhos Proibidos apresenta um enredo envolvente, com personagens bem construídas (apesar de alguns traços de estranheza nas acções da protagonista) e um cenário interessante para uma história com bastante emoção. Uma boa história, portanto, e uma boa leitura.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Claridade (A.M. Catarino)

De regresso à terra onde cresceu, mas da qual se afastou há alguns anos, um homem encontra na indolência e na solidão uma forma de recuperação. Mas a tranquilidade não muda e basta uma visita ao cemitério para o lançar no encalço de um mistério... e de um amor inexplicável. É aí que vê Clara pela primeira vez, desenhando o túmulo de um dos seus amigos de infância, e cedo descobre ter sentimentos fortes por essa mulher. Mas Clara tem um passado conturbado e alguns segredos sombrios. E a vida pode ser o preço a pagar para os desvendar.
De início relativamente pausado, mas sempre intrigante, este é um livro que começa por cativar pelo ambiente de tranquilidade que apresenta, bem como pelo contraste entre este ambiente e a vida do protagonista antes do acidente que o levou até ali. A fase inicial tem os seus momentos mais descritivos e alguns laivos de divagação que se prolongarão ao longo de todo o enredo - ou não fosse  a tendência para a introspecção uma das características mais evidentes do protagonista.
O que mais surpreende neste livro, ainda assim, é a forma como, desta tranquilidade aparente, a história evolui para um ritmo bastante mais intenso, partindo da entrada em cena da misteriosa Clara e seguindo através de conflitos e mistérios até culminar num final particularmente forte. Sem saber bem como, o protagonista passa da indolência para a necessidade de acção, numa mudança que abre caminho para mistérios que envolvem tanto questões sobrenaturais como simplesmente criminosas - ou até mesmo uma mistura de ambas. Os segredos - o segredo de Clara, principalmente - parecem estar no centro de tudo e as revelações surgem de forma gradual, partes do mistério surgindo aos poucos para despertar curiosidade para as explicações finais. Também isto sustenta o interesse e a intensidade do enredo.
Há muito de interessante nesta história, mas fica, ainda assim, a impressão de alguns aspectos pouco desenvolvidos, principalmente nas questões sobrenaturais. Todas as explicações essenciais são apresentadas, mas questões como a história dos gémeos e o mistério de Carlos (com a existência ou não dos elementos espirituais associados) poderiam, talvez, ter sido explorados de forma mais profunda, enfatizando mais a sua presença no passado - e, talvez, no futuro - de Clara.
Com uma evolução surpreendente desde a tranquilidade inicial até ao final intenso, passando por um crescendo de mistério e de acção à medida que novos enigmas e revelações vão surgindo, esta é, em suma, uma história de amor e de morte, com um lado sombrio particularmente intrigante e um bom desenvolvimento das personagens. Cativante e com vários momentos muito bons, uma boa leitura.

Vencedor do passatempo Na Cama dos Reis

E chegou ao fim o passatempo. Desta vez, o total de participação foi de 122 participações. Agora, como habitual, resta-me agradecer a todos os que participaram e anunciar quem irá receber o livro Na Cama dos Reis.

E o vencedor é...

66. Sílvia Botelho (Famões)

Parabéns e boas leituras!