quinta-feira, 14 de março de 2013

Novidades Porto Editora


Em 1943, Milão está sob as bombas dos Aliados, e nas proximidades da via Padova, uma criança extraordinariamente curiosa, inicia a sua aprendizagem de vida. Chama-se Sveva e tem 5 anos. É este o contexto de O Diabo e a Gemada, um relato autobiográfico em que a autora percorre os anos da Segunda Guerra Mundial, que se desenrolam entre a casa de família em Milão e uma quinta, nos arrozais de Trezzano sul Naviglio, na Lombardia. A comida é o fio condutor que atravessa os episódios deste relato, em que se entrelaçam memórias e emoções, sabores e receitas e cujos acontecimentos estão sempre ligados à elaboração de um prato ou a uma refeição partilhada.
Com uma descrição cuidada e rigorosa de pessoas, sabores e costumes, Sveva Casati Modignani devolve-nos um mundo, não tão longínquo, mas do qual estamos a perder a memória.

Reconhecida como a grande signora do bestseller italiano, com mais de 11 milhões de exemplares vendidos, Sveva Casati Modignani está traduzida em 17 países e é hoje uma das autoras mais populares em Portugal. No catálogo da Porto Editora figuram já os seus romances Feminino Singular, Baunilha e Chocolate, O Jogo da Verdade,Desesperadamente Giulia, O Esplendor da Vida, A Siciliana, Mister Gregory, A Viela da Duquesa e Um Dia Naquele Inverno.


O Colecionador de Erva é o título do aguardado novo romance de Francisco José Viegas e chega às livrarias no dia 25 de Março, na companhia de Longe de Manaus, vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005, agora numa edição da Porto Editora.
O novo livro do autor é protagonizado pelo incomparável inspector Jaime Ramos e a acção passa pelos quatro cantos do mundo, onde residem personagens peculiares como o próprio coleccionador de marijuana. O Colecionador de Erva vai ser apresentado por Pedro Marques Lopes no dia 26 de Março, às 18:30, na livraria Bertrand do Chiado. Seguir-se-ão outras sessões de apresentação noutras cidades do país.

Francisco José Viegas nasceu em 1962. Professor, jornalista e editor, foi também director das revistas Ler e Grande Reportagem – e da Casa Fernando Pessoa. De 28 de junho de 2011 a 25 de Outubro de 2012 exerceu o cargo de Secretário de Estado da Cultura do XIX Governo Constitucional. Colaborou em vários jornais e revistas, e foi autor de vários programas na rádio (Antena Um) e televisão (Livro Aberto,Escrita em Dia, Ler para Crer, Primeira Página, Avenida Brasil, Prazeres, Um Café no Majestic, Nada de Cultura). Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da Vida, O Puro e o Impuro, Se Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um Rio, Morte no Estádio, As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Um Crime na Exposição, Lourenço Marques, Longe de Manaus (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005) e O Mar em Casablanca. Os seus livros estão publicados na Itália, Alemanha, Brasil, França e República Checa.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O Mistério do Infante Santo (Jorge Sousa Correia)

Irmãos unidos numa época gloriosa, os filhos de D. João I parecem viver em harmonia. Mas nem tudo é tranquilo nas relações entre os elementos da Ínclita Geração. D. Henrique ambiciona louvor e glória na conquista de África e pretende avançar contra Tânger. Para conseguir o apoio do seu irmão, o rei, está disposto a usar toda a influência que detém, recorrendo inclusive à ingénua ambição do seu irmão mais novo. Convencer D. Duarte, contudo, é apenas o início dos conflitos e a partida para Tânger cedo revela ser o primeiro passo de uma batalha perdida. D. Fernando, o mais frágil de entre os irmãos, vê-se entregue a uma provação que testará a sua fé. E os conflitos iniciados com a investida irão apenas agravar-se com o fracasso...
Bastante interessante a nível de desenvolvimento do contexto histórico, mas também pelo retrato que traça para os infantes, este é um livro que, não sendo propriamente de leitura compulsiva, tem, ainda assim, bastante de cativante para descobrir. O ritmo pausado deve-se principalmente a uma considerável componente descritiva, mas também a um estilo de escrita bastante particular, com mudanças de tempo verbal e ocasionais avanços na linha narrativa a exigir uma maior atenção ao pormenor. Estilo de escrita que, em parte devido ao uso algo errático do plural majestático, cria, inicialmente, uma impressão de estranheza, mas que, uma vez assimiladas as suas peculiaridades, se torna também bastante cativante.
Relativamente ao enredo, sobressai a caracterização bastante completa da época e dos diferentes cenários em que decorre, sendo de destacar as diferenças entre o que se passa em Portugal e o ocorrido em Tânger. Mas também a caracterização das personagens surpreende, já que, apesar de alguma distância no tom da narração dos acontecimentos, o retrato construído para D. Henrique acaba por despertar emoções, ainda que grandes delas se devam aos traços menos abonatórios da caracterização desenvolvida.
Tendo em conta os factos históricos que servem de base ao romance, não há nos acontecimentos propriamente ditos nada de muito surpreendente. É mais a caracterização dos infantes e das intrigas existentes na sua relação que realmente surpreende na evolução do enredo, realçando quer as consequências da derrota, quer as mudanças e conflitos consequentes a esse fracasso. Fica-se, assim, com uma ideia diferente das principais personalidades envolvidas, ao mesmo tempo que se aprende um pouco mais sobre alguns dos grandes acontecimentos da época.
Fica, assim, deste livro, a impressão global de uma narrativa que, não sendo propriamente viciante, apresenta, ainda assim, uma boa base histórica para um enredo cativante, cujos protagonistas são figuras conhecidas, mas apresentadas como bem diferentes do que seria de esperar. Uma boa leitura, portanto, interessante e agradável. Gostei.

terça-feira, 12 de março de 2013

Não Me F**** o Juízo (Colin McGinn)

Tendo em conta o subtítulo deste livro - Crítica da Manipulação Mental -, não é muito difícil adivinhar o tema que serve de base a este breve, mas muito interessante ensaio. O conceito é o que, no título original, é designado como Mindfucking e, tendo em conta o termo, o primeiro impacto é o de alguma estranheza face à linguagem, principalmente porque qualquer tradução deste termo e similares terá um impacto bastante mais forte em português. Ainda assim, este choque inicial face à linguagem rapidamente se desvanece, deixando aos conceitos e respectiva abordagem o devido destaque.
Comparando a manipulação mental a conceitos como a treta e a mentira, o autor considera, em primeiro lugar, os pontos que separam estes três aspectos, bem como o que têm em comum e a forma como, por vezes, se confundem. Ainda assim, uma das ideias que, desde logo, diferenciam a manipulação mental é a possibilidade de, por vezes, ter algo de positivo - como é demonstrado em alguns dos exemplos explorados pelo autor.
Mas, exemplos à parte e tendo em conta que a aplicação do conceito é maioritariamente negativa, o autor precede a um desenvolvimento mais aprofundado, ainda que sempre no seu estilo bastante sucinto e directo, do que implica esta manipulação e da forma como esta é exercida, recorrendo inclusive a elementos literários e da história da filosofia para demonstrar o que pretende. E é esta análise o que este livro tem de mais interessante: a forma como entre os exemplos que apresenta e a sua própria análise e reflexão, o autor considera essa manipulação, considerando as suas características de agressão e dominação (na vertente negativa, naturalmente) e comparando-as com outro tipo de agressões, de modo a realçar o seu impacto psicológico.
Haveria, talvez, mais a dizer sobre o tema. Este pequeno ensaio - que não chega às cem páginas - apresenta, essencialmente, as ideias básicas e desenvolve-as de uma forma que, apesar de transmitir uma ideia bastante completa do conceito, deixa espaço para um aprofundamento do tema. Fica, por isso, também a curiosidade em saber mais sobre o assunto, até porque este tipo de manipulação, exercida a nível global ou individual, é uma força presente no mundo, de forma mais ou menos evidente.
Trata-se, portanto, de um livro que, simples e acessível na sua brevidade, apresenta, ainda assim, as linhas essenciais de um tema bastante pertinente e que pode servir de base a muita reflexão. Uma leitura interessante, em suma. 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Anoitecer (Karen Marie Moning)

MacKayla Lane levava uma vida despreocupada, na terrinha provinciana onde sempre vivera. Mas tudo mudou quando um telefonema lhe trouxe a notícia de que a irmã, a estudar em Dublin, fora assassinada. Contra a vontade da família e o conselho das autoridades - que parecem dar pouca importância ao caso - Mac virou costas à sua vida normal e descontraída e partiu para a Irlanda, em busca de respostas. Mas o que encontrou foi algo de bem diferente. Agora, está ligada a um aliado que a deixa seriamente desconfortável, movido por prioridades duvidosas, mas que é a sua melhor hipótese de sobrevivência. É que Mac, tal como a irmã, é uma vidente de sidhe, o que a torna um alvo a abater para a vasta maioria dos Fae. E, como se não bastasse, há uma grande mudança a preparar-se no mundo sobrenatural... e o dom de Mac pode ser fulcral para impedir uma catástrofe.
Apesar de ter alguns pontos em comum com a outra série da autora (começando, desde logo, pela presença dos Fae), este é, em tudo o resto, um livro muito diferente. Primeiro, os elementos sobrenaturais surgem de uma forma mais desenvolvida, e com uma caracterização bastante mais sombria (e, em certos aspectos, ameaçadora). Além disso, a própria construção do enredo é bastante diferente: menos centrada no romance, e partindo de um núcleo de personagens principais que manterão o seu papel de destaque ao longo de toda a série, esta é uma série que, a julgar por este primeiro livro, se centrará mais na acção que propriamente numa relação entre o casal protagonista. 
Sendo estas diferenças visíveis desde o início, é de esperar que todo o desenvolvimento da história seja bastante diferente, e é, de facto, isso que acontece. A história centra-se essencialmente no mistério em torno da morte de Alina e no mundo sobrenatural com que Mac colide assim que chega à Irlanda. O seu percurso centra-se, portanto, na procura de uma pista e na simples necessidade de sobreviver, o que leva a que os elementos dominantes no enredo sejam a acção e o mistério, não havendo grandes sinais de romance e apenas ocasionais - mas bastante cativantes - momentos de sensualidade.
Este ritmo de acção intensa é uma de várias características que tornam a leitura viciante, sendo as restantes o interessante desenvolvimento dos elementos sobrenaturais e a caracterização e evolução das personagens. Quanto ao sistema, surpreende a diversidade de criaturas Fae (e a presença curiosa e não totalmente explicada de alguns elementos divergentes), bem como a forma gradual como Mac assimila cada revelação, diga ela respeito ao seu poder, aos possíveis aliados e aos evidentes (e em número considerável) inimigos. Da caracterização das personagens, e ainda que também algumas figuras secundárias revelem um certo potencial, sobressaem os protagonistas. Completamente diferentes em natureza e temperamento, Mac e Barrons parecem ser os mais improváveis aliados, até porque realçam os defeitos um do outro.  Curiosamente, contudo, esta oposição de personalidades acaba por tornar a sua relação mais interessante, quer porque, em primeiro lugar, não a podem evitar, quer pela forma como a sua convivência forçada acaba por revelar as suas melhores características. 
De referir, por último, que, ao narrar a história de Mac na primeira pessoa, a autora consegue criar uma maior empatia para com a sua protagonista, bem como transmitir melhor a sua evolução da inocência com que chega à Irlanda à forma como encara as coisas na fase final do enredo. Também esta perspectiva pessoal abre muitas possibilidades - e perguntas - para o livro seguinte, o que cria vontade de ler mais.
Viciante, com uma boa história e personagens carismáticas, Anoitecer abre em beleza uma série com muito potencial, proporcionando uma leitura envolvente, com um ambiente sombrio e misterioso e uma abordagem particularmente interessante ao sobrenatural. Cativante, surpreendente e de leitura compulsiva... um óptimo início. 

Novidade Topseller


Passaram 24 horas desde que Max e o seu bando escaparam do Instituto, em Nova Iorque. Os seis amigos com poderes extraordinários — são 98% humanos e 2% pássaros — continuam a emocionante procura dos seus pais e da verdade sobre quem realmente são.
Embora perseguidos pelos medonhos Erasers, os seis amigos tentam levar uma vida normal, com a ajuda de uma agente do FBI. É assim que voltam a estudar e que Max se apaixona por um rapaz, tentando a todo o custo não desvendar os seus poderes…
Mas para este bando não existem dias normais. Max apercebe-se de que estão a ser alvo de uma emboscada e que terão de abandonar a escola. E a situação é ainda mais grave — ela e os cinco amigos devem, supostamente, salvar o mundo. Mas salvá-lo de quem? Quando? E como?

James Patterson é o autor que mais livros teve até hoje no topo da lista de bestsellers do New York Times, figurando no Guinness World Records. Desde que o seu primeiro romance venceu o Edgar Award, em 1977, os seus livros venderam mais de 250 milhões de exemplares.
Patterson escreveu diversos bestsellers de grande êxito, entre os quais estão Alex Cross, editado igualmente pela Topseller, Middle School (Escola) e I Funny (Eu Cómico), estas duas editadas pela Booksmile (ambas chancelas da 20I20 Editora).

Projecto Adamastor


Chegou-me hoje a informação relativa a esta interessante iniciativa, que não posso deixar de divulgar. Para conhecer melhor através da informação abaixo e em http://projectoadamastor.org


O mercado do livro digital, que nos últimos anos tem vindo a crescer significativamente no estrangeiro, começa agora a desenvolver-se no nosso país, beneficiando da descida de preço dos eReaders e da proliferação dos smartphones e tablets. No entanto, estratégias editoriais à parte, tal desenvolvimento está limitado pela insuficiente oferta de títulos em português, num formato apropriado para leitura nesses dispositivos electrónicos.
Neste sentido, o Projecto Adamastor tem como principal objectivo atenuar essa escassez através da criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público, obras essas que serão disponibilizadas de forma gratuita e em formato EPUB, sem qualquer tipo de restrição.
Tal não significa que o projecto se resuma à mera conversão de textos disponíveis online, bem pelo contrário: os colaboradores do Projecto Adamastor procuram acrescentar valor através de uma revisão cuidada de cada obra, de modo a minimizar o número de erros e a atingir uma versão fiel ao original, actualizada de acordo com a ortografia vigente. Tudo isto acompanhado por um design atractivo.
Uma iniciativa desta natureza depende de trabalho voluntário, pelo que se estiverem interessados em colaborar podem entrar em contacto connosco através do email geral@projectoadamastor.org, ou do formulário de contacto.

domingo, 10 de março de 2013

Tormento (Rafael Bernardes)

Um olhar às sombras do mundo e da existência individual, num conjunto de poemas pessoais e introspectivos, mas evocando também um ambiente um pouco sombrio e com laivos de surreal. Assim é este pequeno livro, onde as imagens evocadas por cada poema se conjugam com um interessante conjunto de ilustrações. O resultado é uma edição bastante bonita e uma leitura cativante, já que, se as emoções expressas nos poemas são bastante pessoais, não deixam, por isso, de ter algo de comum e de familiar, evocando estados de espírito fáceis de reconhecer.
Construídos numa estrutura relativamente livre, apesar do recurso à rima, os poemas deste livro parecem definir-se por um ritmo particular, sem elos comuns a nível de métrica, mas deixando a impressão de que as imagens fluem ao ritmo do pensamento. Há, por isso, bastantes diferenças na construção dos poemas, sendo alguns relativamente extensos, enquanto que, noutros, sobressai a brevidade, havendo inclusive alguns que se aproximam um pouco da prosa. Em comum, têm o contraste entre a expressão bastante directa dos sentimentos e as imagens mais sombrias e elaboradas dos ambientes.
Apesar deste ritmo bastante livre, a utilização da rima na quase totalidade dos poemas parece impor algumas limitações, não propriamente a nível de fluidez do texto, mas na impressão de que algumas ideias poderiam ter sido mais desenvolvidas. Isto aplica-se principalmente à tal expressão de sentimentos, que parece, por vezes, demasiado simplificada. Ainda assim, o inesperado dos ambientes  complementa essa simplicidade, tornando os poemas mais interessantes e um pouco mais complexos.
Este curioso equilíbrio é ainda reforçado pelas ilustrações, que, também evocando cenários bastante sombrios e algo surreais, reflectem e expandem o imaginário dos poemas, contribuindo, ao mesmo tempo, para tornar mais interessante o aspecto visual do livro. A imagem adequa-se aos poemas, mas não se limita às ideias que estes apresentam. Poemas e ilustrações apresentam, assim, ambientes que se completam e se expandem mutuamente, resultando num todo maior e mais cativante que cada uma das partes considerada individualmente.
Conjugando uma expressão pessoal de sentimentos com um ambiente sombrio e peculiar, fica, deste conjunto de poemas, a impressão de uma unidade sólida e de leitura cativante, em que comum e surreal se equilibram nas medidas certas, para um todo interessante e, mesmo nos momentos em que mais haveria a dizer, bastante bem conseguido. Gostei, portanto.