sexta-feira, 31 de outubro de 2014

No Limiar da Eternidade (Ken Follett)

Muitas coisas mudaram com o fim da Segunda Guerra Mundial, mas continuam a ser muitas as batalhas a travar. Na Alemanha, dividida pela construção do muro, alguns vivem a aurora da liberdade, enquanto outros permanecem sob um regime repressivo. Nos Estados Unidos, luta-se pelos direitos civis, ao mesmo tempo que as relações externas se tornam cada vez mais complicadas, com as tensões da Guerra Fria a ditar o sentido de todos os passos. Na União Soviética, dividem-se os pensamentos entre um conservadorismo a toda a prova e alguns ímpetos reformistas prontamente silenciados. E, um pouco por todo o mundo, os descendentes das cinco famílias que já aprendemos a conhecer, travam as suas lutas pela vida que desejam e pelos ideias que querem tomar como seus.
Sendo esta a conclusão de uma trilogia com bastantes pontos fortes, é apenas natural que as expectativas para esta leitura sejam bastante elevadas. Expectativas essas a que o livro corresponde inteiramente. Com bastantes pontos comuns com os anteriores - como, de resto, seria de esperar - mas também com umas quantas diferenças, No Limiar da Eternidade dá seguimento ao percurso através da história do século XX com a mesma envolvência e o mesmo impacto dos volumes anteriores.
E um dos pontos fortes deste livro é, de facto, comum aos restantes volumes. Trata-se, claro, da capacidade de o autor conjugar um sólido desenvolvimento do contexto histórico com as histórias pessoais dos seus protagonistas. Esta é tanto a história de Tanya e Dimka, George e Maria, Cam, Beep, Jasper, Walli, Dave e todos os outros, como a de um mundo em constante mudança. E este equilíbrio torna-se particularmente interessante tendo em conta que, neste livro em particular, não há um único conflito para o qual todas as circunstâncias convergem, mas uma série de situações que, apesar de situadas em diferentes pontos do espaço e do tempo, acabam por ter uma grande influência no cenário global.
Ora, a coexistência dos diferentes temas, associada ao grande número de personagens relevantes, cria a ideia de um maior dispersão de temas e de histórias. Cada personagem tem as suas convicções e as suas lutas pessoais, bem como um contexto particular em que se move. Ainda que, na totalidade, haja um cenário global em que cada um dos grandes acontecimentos tem algum impacto em todos os outros, as linhas de acção das personagens são agora mais separadas. E é daqui que surge um outro ponto forte. É que, apesar desta maior dispersão, continua a manter-se a mesma envolvência e a mesma vontade de saber mais sobre as personagens e o tempo em que se movem.
Quanto às personagens, sobressaem alguns aspectos particularmente fortes. O primeiro prende-se com as emoções que conseguem despertar, nos seus comportamentos mais nobres ou nos mais revoltantes, e na forma como reagem tanto aos grandes momentos como às pequenas coisas. O segundo está na forma como estas personalidades bem definidas contrastam ou encaixam com as dos seus antepassados (conhecidos, naturalmente, dos volumes anteriores, e alguns deles ainda presentes neste último livro). E o terceiro está nas relações que, de forma mais ou menos inesperada, contribuem também para reforçar a ideia de uma união global a emergir dos casos particulares.
Por último, e ainda, de certa forma, falando das personagens, uma nota para a forma como as suas histórias são concluídas, num final que não dá todas as respostas e em que nem todos os heróis têm a sua recompensa nem todos os vilões o seu castigo. Um final em aberto, quanto a certos aspectos, que deixa a impressão de que mais poderia ser dito em jeito de conclusão, mas que acaba por ser, apesar de tudo, o mais adequado. Afinal, os finais só acontecem quando a vida acaba...
Somadas todas as partes que definem esta história, a impressão que fica é a de uma leitura extensa, mas sempre envolvente, com personagens cativantes e um muito bem conseguido equilíbrio entre contexto histórico e histórias pessoais. Uma conclusão mais que adequada para uma longa, mas gratificante viagem. Muito bom.

Para mais informações sobre o livro No Limiar da Eternidade, clique aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Novidade Topseller

Kate O’Hare, a implacável agente especial, e Nick Fox, um dos criminosos mais procurados do mundo e agora aliado do FBI, são destacados para uma missão de alto risco.
O alvo da missão é Carter Grove, ex-chefe de gabinete da Casa Branca e líder de uma agência de segurança privada. Há 10 anos, Grove roubou um raro artefacto chinês do Smithsonian, o qual foi secretamente substituído por uma peça falsa. Agora, o governo chinês exige a sua devolução. É preciso recuperar a verdadeira obra de arte sem levantar suspeitas, para evitar o corte de relações entre os EUA e a China.
Em contrarrelógio, Kate, Nick e a sua peculiar equipa de vigaristas têm apenas duas semanas para pôr em prática um plano ousado e mortal. De Washington a Xangai, passando pela Escócia, Canadá, Los Angeles e Nova Iorque, esta dupla improvável embarca numa emocionante aventura repleta de suspense e reviravoltas imprevisíveis.

Janet Evanovich é a autora de policiais mais vendida em todo o mundo, com 75 milhões de livros vendidos. Os seus livros são bestsellers consecutivos do New York Times.
Os policiais das séries Stephanie Plum, Lizzy & Diesel e Fox & O’Hare estão continuamente no top dos mais vendidos do New York Times e do USA Today.

Novidade Porto Editora

Uma lenda medieval ensombra a pequena cidade de Ordebec, na região francesa da Normandia: uma horda de cavaleiros mortos, descarnados, sem braços nem pernas, o Exército Furioso, erra à noite por um trilho na floresta, espalhando o terror entre os habitantes. Segundo reza a lenda, o exército de mortos-vivos vem anunciar a morte aos pecadores e, regra geral, os eleitos são os habitantes mais odiados: os assassinos e os ladrões.
Quando o estranho exército, fazendo jus à sua fama, colhe mais uma vítima, o comissário Adamsberg, a pedido de uma estranha mulher, vem de Paris e, juntamente com a sua equipa, os tenentes Danglard, Retancourt e Veyrenc, terá de investigar a crença nessa horda sinistra, desafiar superstições ancestrais e descobrir onde termina a lenda e onde começam os planos macabros de assassinatos em série.

Fred Vargas (pseudónimo de Frédérique Audouin-Rouzeau) nasceu em Paris em 1957. Estudou História e Arqueologia e publicou vários romances policiais que estão traduzidos em trinta e cinco países. 
Unanimemente reconhecida como a rainha francesa do polar, os seus livros foram galardoados com inúmeros prémios: o Prix Mystère de la Critique (1996 e 2000), o Grande Prémio da Novela Negra do Festival de Cognac (1999), o Trofeo 813, o Giallo Grinzane (2006) e o CWA International Dagger (2006, 2007, 2009 e2013). Só em França, as suas obras venderam já mais de cinco milhões de exemplares.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Tentação Perfeita (Lisa Kleypas)

Rafe Bowman aprendeu da maneira mais difícil que tentar conquistar a aprovação do pai seria sempre um esforço vão. Mas, interessado em conquistar um lugar na empresa, Rafe sabe que tem de aceder à vontade do pai e aceitar um casamento indesejado. É essa a razão que o leva a Inglaterra para conhecer a encantadora Lady Natalie, destinada a ser a sua futura esposa. O que Rafe não sabe é que ele, que nunca amou, pode ver as suas atenções dirigidas noutro sentido. E rodeado das sempre criativas atenções das Encalhadas, poderá descobrir que, mais que um casamento vantajoso, a vontade do seu coração pode ser o seu verdadeiro sucesso.
Mais breve que os volumes anteriores e com uma forte presença dos seus protagonistas, este livro funciona, em certa medida, como um epílogo para a série, até porque apresenta, de forma relativamente sucinta, mas cativante, a vida dessas personagens depois da conclusão das suas histórias. Além disso, a convergência de todas estas figuras para um mesmo lugar para celebrar o Natal cria um muito agradável ambiente de harmonia, ambiente esse que é, por si só, motivo mais que suficiente para apreciar a leitura.
Mas também este livro tem um casal protagonista e uma história que vale por si mesma. Uma história que tem também os pontos fortes das anteriores e que, por isso, não pode deixar de surpreender. Rafe e Hannah surgem de meios completamente diferentes e têm também perspectivas diferentes acerca da vida e do amor, ao que acresce, no caso de Rafe, há já conhecido o passado complicado que tem em comum com as irmãs. E o que acontece é que, como é, à partida, de esperar, destas diferenças surgem os traços complementares e o já expectável caminho da aversão ao afecto. Isto de forma relativamente sucinta, mas com uma fluidez e uma elegância que tornam tudo natural.
É, claramente, o romance o elemento dominante. E, apesar disso, não há exageros na expressão dos afectos nem nos momentos de sensualidade. Aliás, há algo de genuíno na relação entre os protagonistas, o que complementa de forma particularmente interessante o lado não muito simpático da família de Rafe.
Por último, quanto à conclusão, sobressai o facto de que, apesar da forma muitíssimo sucinta como são apresentados alguns dos acontecimentos (principalmente no que diz respeito a Natalie, mas também relativamente aos pais de Rafe), não parece que nada tenha sido deixado em falta. Tudo o que é essencial está lá e as coisas têm precisamente a importância de que precisam, num final que, simples, mas emotivo nas medidas certas, acaba por ser a melhor forma de encerrar a história.
Marcante nos afectos e surpreendente na forma como estabelece ligações com as restantes personagens da série, acrescentando também para elas algo mais, eis, pois, mais uma leitura cativante, com personagens fortes e uma relação que flui com naturalidade. Com belos momentos de afecto e, claro, a medida certa de emoção, um muito bom final.

Novidade Livros de Bordo

A Antiga Rota do Chá e dos Cavalos é uma viagem que percorre uma das mais antigas rotas comerciais no mundo. Partindo de Shangri-La, na província de Yunnan, no Sudoeste da China, Jeff Fuchs, juntamente com cinco tibetanos, segue em direcção a Lhasa, no Tibete, por um caminho atravessado durante séculos por caravanas comerciais que levavam produtos chineses, nepaleses e indianos para o Tibete.
Essas caravanas eram guiadas por lados, o nome dado aos antigos muleteiros tibetanos que percorriam os trilhos entre as montanhas transportando até centenas de quilos de chá em mulas. A vontade de registar as memórias de vida desses homens e de traçar de novo esse caminho por terra até Lhasa foi o que levou Jeff Fuchs, junto com outros cinco montanhistas tibetanos, a refazer a velha rota para recuperar a sua história. Foram milhares de quilómetros percorridos, passando pelas mais remotas aldeias tibetanas num contacto inesquecível com a cultura tradicional dos povos dos Himalaias.

Jeff Fuchs foi o primeiro ocidental a percorrer a Antiga Rota do Chá e dos Cavalos em toda a sua extensão. Canadiano com raízes húngaras, há mais de uma década que vive na Ásia, onde fez do Shangri-La a sua base. Ao explorar caminhos quase esquecidos nos Himalaias, Jeff Fuchs mostra a sua paixão pela cultura do chá, pelos conhecimentos e pela tradição oral dos povos indígenas das montanhas. Com vários artigos publicados em três continentes, foi a vontade de não deixar cair no esquecimento as palavras e as histórias dos últimos muleteiros dos Himalaias que o levou a passar a escrito a viagem pela Rota do Chá e dos Cavalos. Em 2011 foi escolhido como Explorador do Ano pela agência «Wild China», em reconhecimento pelo seu trabalho pela exploração sustentável das rotas comerciais dos Himalaias. A Antiga Rota do Chá e dos Cavalos é o seu primeiro livro.

sábado, 25 de outubro de 2014

Orgulho e Prazer (Sylvia Day)

Apesar das suas tentativas de manter uma presença discreta, Eliza Martin tornou-se alvo da atenção de muitos pretendentes, em grande parte devido à sua vasta fortuna. E por mais que Eliza esteja convicta de que não quer casar, isso não parece ser razão suficiente para dissuadir os seus pretendentes, ao ponto de ser possível que um deles esteja por detrás de uma série de acidentes. A preocupação leva Eliza a contratar um caçador de ladrões. O que ela está longe de imaginar é que o misterioso Jasper Bond não é só um homem atraente e eficiente no seu trabalho. É alguém tão diferente de todos os que conhece que talvez seja possível que lhe conquiste o coração....
Cruzando romance e sensualidade com uma bastante intrigante aura de mistério, este livro tem como principal ponto forte a história e a relação dos protagonistas. Ambos com um passado que moldou as suas escolhas e ambos perante o perigo e o romance, Eliza e Jasper surgem como duas figuras que, à primeira vista, são diferentes em tudo, mas que, com o evoluir do enredo, se revelam como complementares. E isso, apesar das diferenças sociais e dos mundos diferentes em que se movem, torna naturais as suas interacções.
Outro ponto interessante é, claro, o passado dos protagonistas. Neste aspecto em particular, o percurso de Jasper é o que se destaca, quer porque todas as revelações a seu respeito são feitas de forma muito espaçada, de modo a prolongar o mistério, quer porque as suas razões acabam por o colocar perante alguns dilemas. Ora, são esses mesmos dilemas que estão na origem de alguns dos momentos mais emotivos do livro e, por isso mesmo, acabam por ser um dos elementos mais marcantes na história dos protagonistas.
Quanto à situação dos acidentes e ao mistério que lhe está associado, fica a impressão de que alguns aspectos poderiam ter sido um pouco mais explorados, já que, por vezes, a situação se desvanece um pouco por entre a tensão e o romance. Ainda assim, as revelações inesperadas e o final especialmente intenso compensam o que é deixado por dizer e, no fim de tudo, todas as respostas essenciais estão lá.
Por último, importa ainda referir o bom equilíbrio que se cria entre leveza e tensão, sensualidade e emoção e, ainda, um muito agradável toque de humor. Tudo elementos que fazem desta história uma leitura cativante e surpreendente.
E é essa, precisamente, a impressão que fica desta leitura: a de uma história leve, com personagens carismáticas e um enredo que, apesar da aparente simplicidade, consegue surpreender e nunca deixa de cativar. Uma boa leitura, portanto.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Novidades Bizâncio para Outubro

Título: 150 Anos de Arte Moderna
Subtítulo: Num piscar de olhos
Autor: Will Gompertz
Págs.: 480
Preço: Euros 21,75 / 22,00
Colecção: Fora de Colecção

O que é a Arte Moderna?
Por que motivo a amamos ou a detestamos?
E por que motivo custa assim tanto dinheiro?
Junte-se a Will Gompertz, editor de arte na BBC, numa digressão estonteante que mudará para sempre a maneira como olha para a arte moderna.
Dos nenúfares de Monet aos girassóis de Van Gogh, das latas de sopa de Warhol ao tubarão em formol de Hirst, ouça as histórias por trás das obras-primas, conheça os artistas como eles eram realmente e descubra a autêntica magia da arte moderna.
 Depois de ler o livro, a sua próxima visita a uma galeria ou a um museu será muito menos intimidatória e muitíssimo mais interessante.

«Will Gompertz é o professor que nunca teve.» – The Guardian

Título: O País Debaixo da Minha Pele
Subtítulo: Memórias de amor e guerra
Autor: Gioconda Belli
Págs.: 432
Preço: Euros 16,04 / 17,00
Colecção: Vidas

«Um talento original e maravilhosamente livre. Inesquecível.» - Harold Pinter
Numa linguagem simples e directa, Gioconda Belli narra na primeira pessoa os acontecimentos que marcaram a sua história, desde a infância no seio de uma família burguesa de Manágua aos tempos de resistência sandinista e de intensa actividade política após a queda da ditadura de Somoza. Frontal, sem meias medidas, Gioconda Belli expõe convicções e dúvidas, acertos e erros, triunfos e derrotas, amores e desamores, ajudando-nos a perceber a história conturbada da América Latina.

«A melhor autobiografia que li em anos: Um relato poético, apaixonado e sem concessões de uma vida extraordinária. Um livro para desfrutar, ler e reler. Inolvidável.» – Salman Rushdie
«Melhor do que um romance…Uma história verdadeira de paixão, insurreição e morte. Um relato apaixonante contado com ternura, honestidade e humor.» – Los Angeles Times