sábado, 29 de novembro de 2014

Vencedor do passatempo Gata Branca

Terminado mais um passatempo, desta vez com 98 participações, no total, é chegada a altura de anunciar quem vai receber um exemplar do livro Gata Branca.

E o vencedor é...

46. Elisabete Marques (Sintra)

Parabéns e boas leituras!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A Prova do Ferro (Holly Black e Cassandra Clare)

Passar na Prova do Ferro e entrar no Magisterium como aprendiz de mago é o sonho de quase todos os miúdos chamados a realizar o teste. Mas, para Callum Hunt, o objectivo a cumprir é precisamente o oposto. Desde sempre que o pai lhe ensinou os perigos da magia e a necessidade de se manter longe do Magisterium. E é por isso que Callum tudo faz para fracassar na prova, mas o facto é que, apesar disso, não consegue. Contra a vontade do pai - e contra a sua própria - Call vê-se obrigado a partir para o Magisterium, onde o espera um mundo completamente novo, a descoberta de um potencial que nunca julgou ter e o início de um caminho em direcção à verdade sobre quem é.
Com um ambiente a fazer lembrar, em certa medida, o mundo das séries Harry Potter, de J.K. Rowling ou Círculo de Magia, de Debra Doyle e James D. Macdonald, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pela forma como equilibra a sensação de familiaridade (causada pelas semelhanças com este mundo) com a sua própria identidade, gradualmente afirmada com cada novo desenvolvimento. Em comum, surge o ambiente de escola de magia, bem como a forte amizade que se estabelece entre os protagonistas, e são precisamente estas características que primeiro cativam para a leitura. Mas cedo surgem também as diferenças, com especial destaque para a personagem de Call que, tudo menos heróico, mas com uma vulnerabilidade especialmente cativante, facilmente desperta empatia.
Mas nem só dessa empatia vive a personalidade de Call e o seu percurso virá a revelar novas e cativantes características. Além disso, há em seu redor todo um mistério, cujas primeiras pistas surgem logo no início, mas com contornos que estarão na base de muitas e boas surpresas. O primeiro ano de Call enquanto aprendiz de mago é uma viagem de descoberta da magia, mas também de conhecimento de si mesmo. E este percurso, cheio de surpresas e de bons momentos, é parte do que mantém viva a vontade de saber sempre mais.
Também muito interessante neste livro é o desenvolvimento do próprio ambiente. Da história e funcionamento do Magisterium às origens do Inimigo da Morte, há toda uma base que, desenvolvida de forma gradual e ainda com muitas possibilidades em aberto, faz deste primeiro volume um muito interessante início para uma história com muito potencial. Claro que ficam muitas perguntas no ar, tendo em conta a forma como tudo termina, mas sendo este apenas o início de uma história maior, é apenas natural que isso aconteça.
Por último, mas não menos importante, falta falar do ritmo da narrativa. Também neste aspecto o que sobressai é o equilíbrio, já que as autoras conseguem apresentar toda a informação relevante em termos de contextualização sem que nada se perca em termos de evolução do enredo. Há sempre alguma coisa a acontecer, seja uma grande revelação, seja um breve momento de humor, seja ainda um episódio mais emotivo. E assim, há sempre uma boa razão para continuar a ler um pouco mais.
O que fica, então, deste A Prova do Ferro é, acima de tudo, a ideia de um início muito promissor. Com personagens fortes, um sistema interessante e um bom equilíbrio entre acção, emoção e um muito agradável sentido de humor, cativa do início ao fim e promete muito de bom para o que se seguirá. Vale a pena ler, portanto. Sem dúvida.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Novidades Planeta

Guarde sempre uma linha para o amor: afinal todos os dias são dias para amar. Na correria dos dias, essa linha fará toda a diferença, a si e à pessoa amada. 
Não precisa de o marcar aqui – só na agenda do coração -, mas, pelo que ler nestas páginas, perceberá como o amor é indispensável aos 365 dias de cada ano. 
Em cada semana há uma citação literária sobre o amor. E no final de cada mês há um separador com uma ilustração e um pensamento. 
A fechar esta agenda um espaço para registar os aniversários, mês a mês, e um calendário até 2020.

Este é o livro que as verdadeiras fãs vão querer ler antes de assistir ao concerto da banda, a 4 de Maio do próximo ano, na maior sala de espectáculos do País, o Meo Arena, em Lisboa. 
Se ainda não ouviu falar deste quarteto australiano, prepare-se. Chegaram há pouco mais de um ano ao site de vídeos do YouTube e já somam mais de 88 milhões de visualizações.
O futuro parece risonho para Luke Hemmings, Michael Clifford, Calum Hood e Ashton Irwin, que vão fazer a sua primeira grande digressão pela Europa, e Portugal é a primeira paragem.
O homónimo e primeiro álbum da banda foi o n.o 1 do top iTunes em mais de 70 países, incluindo Portugal. 
O quarteto australiano já havia conquistado o mundo com o lançamento do único single editado She Looks so Perfect, o qual já tem mais de 1 milhão de unidades vendidas e as visualizações do vídeo no You Tube já ultrapassaram os 24 milhões.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Um Anjo da Guarda (James Patterson e Gabrielle Charbonnet)

Michael é um amigo imaginário e, como tal, deve ser um apoio para as crianças que precisam de ajuda. E dizem as regras que, quando a criança atinge os nove anos, o amigo imaginário deve desaparecer e ser esquecido, passando para uma nova missão. Mas não foi isso que aconteceu com Jane Margaux, a criança solitária e magoada que, além de permanecer nos pensamentos de Michael, o guardou também nos seus. E agora, vinte e três anos passados, quando os caminhos de ambos se voltam a cruzar, ambos sentem que algo de estranho pode estar para acontecer. Jane continua a não ser feliz, apesar do sucesso e do suposto namorado atraente. E Michael, numa pausa entre missões, dá por si perdido em memórias do que foi. Ambos parados num ponto em que nada é como deveria ser, Michael e Jane reencontram-se para que tudo mude. Mas será possível que, da imaginação, possa nascer um verdadeiro amor?
Num registo bastante diferente dos habituais policiais de ritmo intenso e acção constante, este é um livro que tem, ainda assim, alguns pontos em comum com outros de James Patterson. Mantêm-se os capítulos curtos, a escrita directa e pouco descritiva, o desenvolvimento do contexto à medida que a informação vai sendo necessária. Mas, bem distante das histórias de perigo e tensão que caracterizam muitas das séries de Patterson, este é também um livro que surpreende pelo que tem de diferente.
Também uma boa surpresa é a forma como as tais características familiares se adaptam também a este registo. Os capítulos curtos e a escrita directa mantêm a história focada nos acontecimentos principais, alimentando a vontade de saber um pouco mais sobre o que vem a seguir. Além disso, uma boa parte da história é narrada pela voz de Jane, o que cria uma sensação de proximidade, enquanto os restantes capítulos, narrados na terceira pessoa, permitem conhecer o ponto de vista de Michael, permitindo ver o outro lado da história. E claro, a simplicidade da escrita acrescenta uma certa leveza, algo que, tendo em conta o lado emocional da história, é também especialmente cativante.
Mas o lado mais interessante de toda esta história é precisamente a premissa invulgar e a forma como esta é desenvolvida. A ideia de uma relação real entre Jane e o seu amigo imaginário surpreende, em primeiro lugar, pelo que tem de improvável, mas rapidamente se torna cativante, na forma quase inocente como reflecte o afecto e a ternura que definem a relação entre os protagonistas. Além disso, tendo em conta as outras figuras centrais na vida de Jane, o papel de Michael enquanto refúgio na sua vida proporciona momentos especialmente marcantes.
Quanto a Michael e às suas circunstâncias peculiares, ficam algumas perguntas em aberto no que diz respeito àquilo que o humaniza. Neste aspecto, fica, talvez, a impressão de que mais poderia ser dito. Ainda assim, e tendo em conta o rumo da história, contam mais os sentimentos que as explicações e, nesse aspecto, não falta nada de essencial. Desde os primeiros momentos ao final comovente, não ficam na memória as coisas que ficam por contar, mas o afecto que é, no fundo, o cerne de toda esta história.
Enternecedora e envolvente, esta pode ser, no essencial, uma história simples. Mas, repleta de emoção e de afecto, com um casal protagonista que facilmente cativa e vários momentos de surpreendente ternura, é também uma viagem que fica na memória. Uma boa leitura, portanto.

sábado, 22 de novembro de 2014

O Meu Nome É... (Alastair Campbell)

Com uma infância conturbada e uma personalidade sempre menos empática que a da irmã, Hannah nunca se sentiu completamente feliz com a sua vida. Mas estava longe de imaginar que o álcool, o amigo que procurava para a fazer sentir-se bem, seria o caminho para uma infelicidade maior, para si e para todos o que tinha por próximos. É através dos olhos destes que a sua história é contada, desde os primeiros dias de vida e até ao ponto de viragem final, numa luta que nunca é fácil para nenhum dos intervenientes... mas que pode ser, a cada novo desenvolvimento, uma grande lição.
Um dos primeiros elementos a chamar a atenção para este livro é a forma como a narrativa está estruturada. Em termos de escrita, o registo é o habitual no autor, pausado e relativamente introspectivo, com tanta atenção ao que se passa na cabeça das personagens como ao que está a acontecer. Mas o elemento surpreendente é que, apesar de esta ser a história de Hannah, não é a sua voz que conta a história e, na verdade, só chegamos a ouvir Hannah no momento final. Tudo é narrado na primeira pessoa, sim, mas das perspectivas das diferentes pessoas que, de alguma forma, interagiram com a protagonista: pais, amigos, profissionais de saúde, autoridades... Todos têm algo a dizer sobre Hannah e é através dos olhos dele que a sua história toma forma. Uma forma que, curiosamente, em nada distancia a caracterização da protagonista, mas antes reforça a sua complexidade, já que é vista de todas as perspectivas possíveis.
Outro grande ponto forte dos vários que tornam esta leitura marcante é a forma como o autor transmite a sua mensagem - e é uma mensagem importantíssima - sem nunca cair num registo moralista ou em tons de dissertação. O problema do álcool, bem como mais umas quantas questões que, no caso de Hannah, lhe estão associadas, é sempre o grande tema no centro da narrativa, mas, e apesar da necessidade de desenvolver as grandes questões - o que alimenta o vício, as consequências, a necessidade de procurar ajuda - , a mensagem é sempre transmitida mais pelo exemplo do que por palavras. O percurso de Hannah fala, melhor que qualquer sermão, de todas as questões relevantes. E a forma como esta jornada afecta os vários narradores da história reforça bem a relevância de todo o assunto.
Ainda um outro aspecto que importa referir é que, das perspectivas das múltiplas personagens, surge uma percepção mais ampla, não só do carácter de Hannah, mas também das suas relações. Isto é particularmente interessante quando temos personagens em aparente desacordo, ou com ideias bastante diferentes, porque permite ver mudanças para lá de Hannah. No caso dos Harper, em particular, há toda uma série de ideias e alguns preconceitos que são abalados pela entrada de Hannah nas suas vidas. E, também por isso, mas, acima de tudo, pelos elos que se vão estabelecendo, há um lado emocional que surge de forma ténue, mas que se intensifica ao longo da narrativa, criando laços de proximidade que culminam num final impressionante.
Com um tema complexo e um lado muito sombrio, esta não é propriamente uma leitura fácil. Mas, sempre interessante, muito bem conseguido na sua abordagem à questão do alcoolismo e com uma protagonista complexa e empática, é, sim, um livro que chama a atenção, que marca sempre um pouco mais e que, no fim, fica na memória. Muito bom.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Novidade Bertrand

Duas famílias em luta contra o destino – uma família judaica que foge da Rússia do século XIX trava amizade com família palestiniana.
São Petersburgo, Jerusalém, Varsóvia, Paris, Madrid, Toledo servem de cenário a esta saga familiar.
Um romance extraordinário sobre o conflito israelo-árabe com personagens inesquecíveis, cujas vidas se entrelaçam com os momentos-chave da história, a partir do final do século XIX a meados do século XX, recriando a vida em cidades emblemáticas como São Petersburgo, Paris e Jerusalém. Aqui, Julia Navarro conduz o leitor através de relações duras entre homens e mulheres que lutam por um pedaço de terra onde possam viver em paz.

Julia Navarro nasceu em 1953 e é jornalista há mais de trinta anos, tendo trabalhado nos principais meios de comunicação espanhóis. É autora de diversos livros de actualidade política, mas foram os romances que a tornaram conhecida internacionalmente. Está publicada em mais de trinta países e conta com mais de três milhões de exemplares de livros vendidos. É detentora de diversos prémios literários, como o Premio Qué Leer, o VIII Premio de los Lectores de Crisol, o Premio Ciudad de Cartagena, o Pluma de Plata de la Feria del libro de Bilbao, o Protagonistas de Literatura e o Premio Más que Música de los Libros.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Maze Runner - A Cura Mortal (James Dashner)

Depois do que viveu no Labirinto e na Terra Queimada, Thomas sabe que não pode acreditar naquilo que a CRUEL lhe diz. E agora que lhe dizem que as Experiências estão perto do fim e que acabaram as mentiras, Thomas só tem mais razões para desconfiar. Nas mãos da CRUEL mais uma vez, ele sabe que não basta voltar costas e fugir. A única escolha possível é procurar uma oportunidade e construir um plano a partir do pouco que sabe. Mas é possível que a fuga seja apenas o início de uma nova sequência de provações, num cenário em que, com o Fulgor a ganhar terreno, as circunstâncias parecem cada vez mais desesperadas.
Retomando os acontecimentos basicamente no ponto onde foram deixados no volume anterior, este é um livro que segue, em grande medida, as mesmas características dos anteriores. Mais uma vez, o ritmo de constante acção e as frequentes reviravoltas fazem deste livro uma leitura viciante, ao mesmo tempo que o percurso das personagens através de um caminho cada vez mais complicado mantém acesa a curiosidade em saber mais. Não surpreende, por isso, que, tal como os anteriores, também este último volume seja de leitura compulsiva.
O que surpreende, sim, é o caminho das personagens e a forma como, ao longo do percurso, as suas interacções se alteram. Traições passadas e relações de confiança surgem agora de uma perspectiva diferente, à medida que certos factos e intenções são revelados. E, neste aspecto, importa referir que, ainda que nada de essencial seja deixado por dizer, ficam, de facto, algumas perguntas sem resposta, principalmente no que diz respeito às memórias de Thomas.
E é também uma surpresa a forma como, apesar do que é deixado por explicar, o impacto do caminho das personagens em nada é diminuído. Há sempre alguma coisa a acontecer e o perigo é uma constante no percurso de Thomas. Mas, apesar de todos os acontecimentos marcantes no passado das personagens e de toda a manipulação associada à CRUEL, há uma construção de ligações genuínas - de amizade, acima de tudo - que acrescentam ao enredo um lado emocional especialmente cativante. E tão mais surpreendente por ser neste livro que acontecem as situações de maior impacto.
Por último, importa também referir um elemento que, apesar de discreto, tem também um grande papel na forma como torna cativante a jornada das personagens. É que, num cenário cada vez mais sombrio e em que há perigo e morte à espera em cada passo, há laivos de humor e de cumplicidade que, além de acrescentarem um muito agradável toque de leveza, reforçam também a relação entre as personagens e a empatia que despertam.
Viciante e surpreendente, mesmo sem dar todas as respostas, Maze Runner - A Cura Mortal apresenta uma conclusão à altura das expectativas criadas pelos volumes anteriores. Uma boa história, com personagens fortes e alguns momentos realmente brilhantes. Muito bom, em suma.

Para mais informações sobre o livro Maze Runner - A Cura Mortal, clique aqui.