terça-feira, 2 de maio de 2017

Passatempo Amor às Claras

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a O Castor de Papel, tem para oferecer um exemplar do livro Amor às Claras, de Laura Kaye. Para participar basta responder à seguinte questão:

1. Amor às Claras é a sequela de um outro livro. Como se chama esse livro?

Convidamo-los também a visitar e seguir a página de Facebook bem como o blogue e o site da editora. 

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 17 de Maio. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- Os vencedores serão contactados por e-mail e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

Vencedor do passatempo O Livro dos Chacras

Chegou ao fim mais um passatempo e, como sempre, é tempo de anunciar quem vai receber em casa um exemplar de O Livro dos Chacras.

E o vencedor é...

23. Mariana Pena (Aveiro)

Parabéns e boas leituras!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Kit de Construção de Dinossauros - T. Rex (Susie Brooks e Jonathan Woodward)

Dinossauros. Criaturas de um passado distante e fonte de fascínio para muitas crianças. Inspiração para brinquedos, filmes, desenhos animados... e, claro, livros. Livros como este, que, além de apresentar uma exposição simples e didáctica sobre o que se sabe dos dinossauros - e, em particular, sobre o T. Rex - permite ainda construir um desses dinossauros. Divertido? Sem dúvida.
Não há propriamente muito a dizer sobre um livro como este, em que, provavelmente, o aspecto mais interessante para o público a que se destina é a construção do dinossauro em si. Ainda assim, há alguns aspectos que importa realçar, além, é claro, do interesse do modelo propriamente dito. E o primeiro é precisamente o aspecto visual. Cheio de cor e de imagens cativantes, desperta curiosidade para o conteúdo ao primeiro olhar, o que, aliado a um tema que desperta interesse em muitas crianças, pode contribuir em muito para despertar a vontade de ler. Além disso, as muitas imagens dos dinossauros permitem uma melhor compreensão do conteúdo, já que representam os seus aspectos essenciais.
O outro aspecto fulcral é a exposição do dito conteúdo, de forma simples e organizada, tendo em vista o público jovem a que de facto se destina. Sendo um livro para os mais novos, não se perde em pormenores desnecessários, reforçando antes as informações essenciais - e também as mais interessantes. Assim, torna-se mais divertido aprender e mais fácil reter toda a informação.
Bem, mas também importa falar no modelo, não é? E nesse aspecto destaca-se a simplicidade da construção, que torna o desafio divertido, mas não demasiado complexo mesmo para uma criança bastante pequena. Além disso, esta conjugação dos dois aspectos - o livro e o modelo - faz com que tudo se torne mais interessante, pois consegue representar na perfeição o tão famoso conceito de "aprender brincando".
A impressão que fica é, pois, a de um livro interessante e divertido, com o qual é possível aprender de forma cativante e também construir algo de novo. Uma ideia criativa e um belo desafio para os mais novos.

Título: Kit de Construção de Dinossauros - T. Rex
Autores: Susie Brooks e Jonathan Woodward
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade O Castor de Papel

Assombrado por uma tragédia na infância e pela perda da família, ele nunca pensou a vir encontrar o amor que partilha agora com Makenna. Mas quanto mais se enamora, mais receia o caos que certamente ocorrerá se também a perder. Quando o encontro com a família dela não corre bem, Caden coloca a si mesmo a questão de Makenna merecer alguém melhor, mais forte e pura e simplesmente mais…normal.


Continuação do livro:


sábado, 29 de abril de 2017

Escrito na Água (Paula Hawkins)

Nel tinha uma obsessão pelo Poço das Afogadas e pelos mistérios a ele associados. Estava longe de imaginar que se tornaria também parte do mistério. Mas quando o seu corpo é retirado das águas, as perguntas começam a surgir - e com elas os segredos. Nel podia não ser a pessoa preferida dos habitantes da vila, mas tinha uma boa vida e um projecto que a entusiasmava. Por isso, a hipótese de suicídio não parece ser muito provável. Mas, num meio tão pequeno e onde tantos têm tanto a esconder, as dúvidas e as suspeitas não tardam a manifestar-se - não só na mente de quem investiga a morte, mas também das pessoas mais chegadas a Nel. Afinal, o Poço das Afogadas guarda segredos antigos. E esse tipo de segredos não se revelam sem graves consequências...
Sendo este livro da mesma autora de A Rapariga no Comboio, há, à partida, algumas características que eram expectáveis: a pouca fiabilidade das memórias e declarações das personagens, a teia de segredos e reviravoltas em que cedo se torna claro que ninguém é o que parece, o desvendar de segredos pessoais que implicam consequências perigosas. Tudo isto fazia parte de A Rapariga no Comboio e faz também parte deste novo livro. Mas há um novo elemento - ou talvez uma evolução - que também se torna claro desde muito cedo: o crescendo de complexidade, e ao mesmo tempo de intensidade, que parece definir toda a narrativa deste livro e que, despertando a curiosidade desde muito cedo, não deixa de surpreender até às últimas linhas.
São muitas as personagens que está história acompanha e, assim sendo, muitas as perspectivas para o mistério que lhe serve de base. E, claro, nem tudo o que uma personagem pensa é corroborado pela seguinte, pois cada uma tem interesses próprios a defender. É isto, em parte, que torna a história tão fascinante, pois, não se podendo à partida acreditar no que uma determinada personagem conta ou pensa, o mistério adensa-se, não só quanto ao que realmente aconteceu, mas ao que move cada um dos intervenientes. E, à medida que as respostas vão surgindo, novas perguntas emergem, abrindo caminho a um percurso de descoberta que nunca deixa de fascinar.
Mas, se grande parte da história vive, de facto, do mistério e da surpresa, também na construção das personagens e do ambiente em que se move tem muito de intrigante, não só pelas características mais ou menos peculiares, capazes de despertar empatias e ódios (às vezes, e em diferentes fases, pela mesma personagem), mas também pela forma como as suas motivações lhes moldam os actos. Há todo um conflito de mentalidades latente na base deste mistério e também esse contribui para acrescentar à complexidade do enredo. E, sendo certo que as pessoas talvez não mudem, as possibilidades que estas diferenças representam vêm também tornar tudo mais interessante, fazendo com que, mesmo quando a resposta para o sucedido não é clara, seja possível imaginar a parte que fica por dizer.
E claro, depois há a escrita e a forma como a autora consegue entrar na mente das suas várias personagens, dando a cada uma delas uma voz única e pessoal. Isto é particularmente notório nas partes narradas na primeira pessoa, mas, mesmo nos restantes capítulos, em que a voz não é a da personagem que os protagoniza, há no desvelar dos seus pensamentos uma identidade própria que a distingue de todos os outros. 
Intenso, complexo e cheio de surpresas: assim se pode descrever este Escrito na Água, história de um lugar cheio de mistérios e de gente tão misteriosa como os meandros em que se movem. Intrigante desde as primeiras páginas e surpreendente do início ao fim, um mais que digno sucessor para A Rapariga no Comboio. Muito bom. 

Título: Escrito na Água
Autora: Paula Hawkins
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Metanoia (Tiago Moita)

Vidas para além da presente e um passado que parece perpetuar-se nas evocações do sonho. E palavras, palavras que querem ser poema e que parecem moldar-se ao ritmo de um quase misticismo. São estes os elementos base deste conjunto de poemas que, unidos num todo coeso, mas em que cada parte é também ela uma unidade, dão forma a uma viagem através da mente e dos seus labirintos.
Não é fácil falar sobre este livro sem desvendar demasiados dos seus mistérios. Breve no conjunto e nas unidades que o compõem, é um livro onde a simplicidade aparente dá lugar ao que parece ser uma vasta viagem mística pelos meandros dos sonhos. E o mais interessante é que, sem grandes imposições de ritmo ou métrica, quase que deixando as palavras falarem por si mesmas, o autor consegue conferir aos poemas uma fluidez estranhamente cativante. 
Fluidez esta que parece ajustar-se na perfeição às imagens que evoca, como que de um transe onírico em que o mundo se desdobra em múltiplas realidades. E é aqui que entra o misticismo, pois as referências a conceitos esotéricos estão bem presentes em quase todos os poemas. Referências estas que realçam um outro contraste: o da vontade de introduzir estes elementos com a naturalidade com que os apresenta, sem que o poema se torne demasiado rebuscado ou perca a simplicidade natural. 
E tudo isto converge num equilíbrio maior. A simplicidade da forma, a estranheza das imagens evocadas, a forma como tudo parece natural, mesmo quando o cenário é, no mínimo peculiar. E, claro, a forma como parece haver um elo comum entre todos os poemas, sem que, por isso, eles se tornem repetitivos. Como se cada poema fosse um objecto individual e completo, mas todos formassem a trama do estranho mundo a que pertencem. 
No fim, fica uma imagem de contrastes: de um todo feito de múltiplas pequenas partes, em que cada uma evoca um cenário único e intransmissível. De uma viagem por tempos e mundos - interiores e exteriores, presentes, passados e futuros. E, acima de tudo, do equilíbrio entre a vastidão do todo e a simplicidade das pequenas coisas. Um todo em que tudo cativa e nada parece estranho - por mais distantes da realidade quotidiana que estes mundos interiores pareçam estar. Muito bom. 

Título: Metanoia
Autor: Tiago Moita
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Convite