terça-feira, 6 de junho de 2017

Divulgação: Novidade Presença

Sandra Carvalho
Colecção: Via Láctea n.º 138
Tema: Ficção e Literatura
ISBN: 978-972-23-5980-1 
Páginas: 256

Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais longe de saquear o ouro da galé castelhana Niña del Mar devido aos estragos causados pela violenta tempestade que se abateu sobre o barinel. A descoberta da identidade de Leonor faz com que Corvo queira regressar de imediato aos Açores, para entregá -la à guarda do pai. Porém, a tripulação discorda e o caos instala-se a bordo. O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo. No entanto, Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar o propósito funesto que o levou a assenhorear-se de Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à misteriosa ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã, ou acabará abandonada por Corvo, à mercê dos caprichos do abominável Tomás Rebelo?

Sandra Carvalho é uma das autoras portuguesas mais conceituadas do romance fantástico. A Saga das Pedras Mágicas, que a Presença publicou também na colecção «Via Láctea», e que é constituída pelos títulos A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo, Os Três Reinos, A Sacerdotisa dos Penhascos, O Filho do Dragão e Sombras da Noite Branca, conquistou um vasto número de fãs entre os apreciadores do género. Depois de O Olhar do Açor e Filhos do Vento e do Mar, O Grito do Corvo é o último volume das Crónicas da Terra e do Mar.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

Divulgação: Novidade 4 Estações

Medo: Um caso de sucesso internacional
O sucesso do medo é fácil de explicar. Não conheço nada que seja mais eficaz. Os governos, as organizações, os líderes há muito que compreenderam isso. O medo é mais forte do que qualquer um dos melhores sentimentos humanos. É disso que nos fala a história contemporânea: de uma civilização assustada, tentando sobreviver entre o medo e o assombro de tudo o resto. Onde medo e ignorância andam, sempre, de mãos dadas. 
Encontraremos os fundamentos históricos para a civilização do medo de forma mais pronunciada e globalizada após a Segunda Guerra Mundial.
É o medo, e não o ódio, que nos torna irracionais. O oposto do amor não é o ódio. É o medo. Por isso, enquanto houver medo, não haverá paz, dignidade, amor, liberdade… nem humanidade.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A Educação de Eleanor (Gail Honeyman)

Eleanor Oliphant não tem problemas com a solidão. Vive calmamente no seu canto, sem ninguém que a incomode, e está perfeitamente bem assim. Ou... será que não? Sempre se habituou a viver com os seus hábitos e as suas peculiaridades, com a interacção social reduzida ao mínimo indispensável (ou não fossem todos aqueles com quem contacta um pouco bizarros aos seus olhos). Mas tudo muda no dia em que precisa de ajuda com o computador do trabalho e conhece Raymond, que não parece perceber os seus sinais de que deseja estar sozinha. E quando se vêem na necessidade de ajudar um idoso que desmaiou em plena rua, Raymond e Eleanor acabam por conhecer novas pessoas. Eleanor começa a descobrir um outro lado de si mesma. Mas, para superar o passado que tão habilmente escondeu, precisará de pôr de parte todos os planos - e todos os preconceitos.
Há ao longo de todo este livro, e em reflexo da vida da sua protagonista, uma dualidade complexa, assente num equilíbrio delicado. Por um lado, Eleanor, com a sua aversão à vida social e as suas manias peculiares, proporciona vários momentos caricatos e divertidos. Por outro, há um lado negro à espera de emergir, não só no passado que ela carrega consigo (e cujos mistérios ela própria não compreende) como nas consequências que este tem sobre o presente. O contraste dificilmente podia ser maior e a delicadeza com que a autora equilibra estas duas facetas, proporcionando momentos de humor e de emoção, arrancando gargalhadas ou fazendo com que o coração se aperte um bocadinho, é um dos aspectos mais memoráveis nesta leitura.
Isto significa que é no aspecto emocional que este livro é mais marcante. Mas não fica por aí. Há muito de cativante na construção das personagens e na forma como, através dos olhos de Eleanor, a autora as retrata no que têm de mais marcante, realçando-lhe, mais que os traços essenciais, as acções em que esses traços se revelam. E há um pouco de tudo: das mais invulgares aos simplesmente malévolas, passando por todos os tons de cinzento que moldam as várias personalidades. E, numa história em que ninguém é perfeito, cativa a perfeição com que essa falibilidade é construída.
Quanto à história, surpreende, é claro, o percurso de Eleanor e a forma como a mudança tanto pode acontecer com grandes revelações como com pequenos gestos. E surpreende também o facto de, apesar de ficarem algumas perguntas no ar, a forma como tudo se encerra, algures entre a esperança e as óbvias possibilidades, parecer perfeitamente adequada ao que é, afinal, um percurso rumo a uma vida melhor. E a vida continua sempre, não é?
Tudo somado, fica a imagem de uma história de superação e de descoberta, em que todos os caminhos se abrem (mas nunca da forma mais fácil) para uma nova Eleanor Oliphant. E é tão bom acompanhar esta tão invulgar (mas tão cativante) protagonista! Muito bom. 

Autora: Gail Honeyman
Origem: Recebido para crítica

domingo, 4 de junho de 2017

Eu e os Outros (Anna Vivarelli e Pedro Aires Pinto)

Política. À primeira vista, não é o mais interessante dos temas para os mais novos. Mas, se a virmos de outra forma, considerando os muitos factores essenciais que a envolvem - liberdade, democracia, igualdade, diversidade - é impossível negar-lhe a relevância e a necessidade de aprender desde muito cedo. E é essa a premissa deste livro - ensinar aos leitores mais novos as ideias essenciais que movem o mundo, preparando-os para uma vida em liberdade, mas com a responsabilidade que esta implica. 
Relativamente breve e escrito de forma bastante acessível, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pela forma simples e clara como consegue abordar um tema que muitos achariam aborrecido. Recorrendo às ideias de vários filósofos, mas também ao senso comum, apresenta uma visão global e organizada dos conceitos essenciais da vida em sociedade. E fá-lo de uma forma cativante, a começar, desde logo, pelas pequenas ilustrações que abrem cada capítulo, ilustrando-o de uma maneira simples e peculiar, passando depois a um texto muito claro, mas nunca simplista, onde as ideias essenciais são explicadas de uma maneira fácil de entender. 
Para isso, são também importantes os exemplos, que tornam simples conceitos que, às vezes, parecem mais complexos do que realmente são. Mas, mais do que isso, há ainda um outro aspecto que sobressai: a capacidade de percorrer, de forma sucinta, mas bastante esclarecedora, os diferentes aspectos da vida social e política e da evolução que esta sofreu ao longo do tempo. A definição de direitos e liberdades, as vantagens e desafios da tecnologia, os vários tipos de regime e a importância de coisas como a separação de poderes são apenas alguns dos aspectos relevantes abordados neste pequeno livro. Além disso, um olhar ao passado e às mudanças sucedidas ao longo do tempo abrem caminho a uma perspectiva mais ampla - que se completa com um breve olhar às possibilidades futuras.
Simples, acessível e agradável de ler, trata-se, portanto, de uma boa leitura para despertar consciências desde muito cedo. E não apenas nas jovens mentes de que a capa fala. Gostei.

Título: Eu e os Outros
Autores: Anna Vivarelli e Pedro Aires Pinto
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Nimona (Noelle Stevenson)

Lorde Ballister Coração Negro pode ser um supervilão, mas sempre cumpriu algumas regras. Mas isso está prestes a mudar. Tudo começa quando Nimona lhe aparece à frente, oferecendo-se para ser o seu braço direito. E se, de início, Ballister não está muito interessado, tudo muda quando ela lhe revela os seus poderes de transmutadora. Nimona pode muito bem ser a ajuda de que Ballister precisava para expor os verdadeiros desígnios que a Instituição esconde sob uma fachada de heroísmo. Mas, quando todos os planos começam a falhar e a verdadeira dimensão dos poderes de Nimona começa a manifestar, Ballister percebe que o que tem em mãos é um problema muito maior do que esperança. Até porque as atenções da Instituição também caíram sobre o seu novo braço direito...
Não é fácil explicar o que tem este livro que o torna tão deliciosamente fascinante - pelo menos não sem contar demasiado. Há, ainda assim, algumas características que sobressaem e a principal é o equilíbrio de contrastes que parece moldar esta história na perfeição. Contraste entre a simplicidade de uma história que se cinge ao essencial, tanto nas personagens como na história, mas de onde há muito de importante a retirar; entre os conceitos conhecidos de heroísmo e vilania e o verdadeiro papel que estes assumem neste livro; entre a simplicidade de um enredo onde não há grandes reviravoltas, mas onde todos os momentos, do mais divertido ao mais comovente, têm importância. Tudo isto num equilíbrio tão bem conseguido que cada momento desperta precisamente a emoção certa - venha ela no brotar de uma gargalhada ou no coração que fica um bocadinho apertado.
Sendo este um livro de banda desenhada, não é preciso pensar muito para perceber que a imagem é tão importante como o texto. É através das imagens e do diálogo - e nada mais - que se vive o enredo e se conhecem as personagens. E é precisamente aqui que quero chegar. Sem descrições, sem grandes momentos de introspecção por parte dos protagonistas, sem monólogos interiores nem nada que se lhe pareça, é, ainda assim, perfeitamente possível ficar a conhecer as personagens - e sentir com elas. Ballister, Ambrosius e Nimona são uma trindade fascinante - não só pela história que têm, mas por aquilo que representam. E retirar tanto de uma história tão simples é algo de simplesmente memorável.
Há muita magia neste livro. E não, não me refiro só aos estranhos poderes de Nimona. Há magia na forma como a história está construída, como o mais simples dos momentos se pode gravar na memória, na forma como tudo neste livro se conjuga para traçar um percurso memorável sem nunca perder de vista a simplicidade que tanto cativa. No fim, também é isto que fica desta leitura: a beleza das coisas simples, em contraste com a vastidão de possibilidades de a transmitir.
Não há muito mais a dizer sobre este livro - pelo menos sem apagar o impacto dos muitos bons momentos desta história. Por isso, fica apenas o essencial: a imagem de uma leitura memorável, surpreendente e, em muitos aspectos, deliciosa. Recomendo.

Título: Nimona
Autora: Noelle Stevenson
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Rei dos Espinhos (Mark Lawrence)

Aos catorze anos, Jorg Ancrath vingou-se do assassino da mãe e conquistou um trono para si. Agora, passados quatro anos, tem um inimigo às portas e a desvantagem numérica é devastadora. Jorg sabe que nunca poderá vencer uma guerra limpa - mas jogar limpo também nunca esteve na sua natureza. Ele tem um plano. Mas, quando há sombras que movem reis como peças num tabuleiro, esse plano tem de ser bem guardado até ao momento de o pôr em prática. E, para isso, nem ele pode recordá-lo. Travar a batalha que lhe falta poderá aproximá-lo do lugar de Imperador que tanto ambiciona - mas há memórias que se escondem por um bom motivo. E, se recorrer aos segredos que decidiu guardar bem longe, Jorg poderá ganhar terreno - mas tem também muito a perder.
De tudo o que de bom se pode dizer sobre este livro - e há tanto de bom a dizer - a primeira coisa que importa destacar é a escrita. Narrado, em grande parte, pela voz do protagonista, este é o tipo de livro que dá vontade de ter um caderno ao lado para apontar citações. E isto é surpreendente, desde logo, porque Jorg não é, à primeira vista, feito da matéria dos eruditos, mas principalmente porque é possível ver o que se passa nos intrincados meandros da cabeça do protagonista sem nunca se perder de vista a intensidade do ritmo dos acontecimentos.
O que me leva a passar da escrita às personagens. Jorg é fascinante. Já o era no volume anterior, mas a notável evolução que acontece ao longo das páginas deste segundo volume torna-o ainda mais complexo e marcante. E o mesmo se pode dizer de várias das figuras que o rodeiam, com o inevitável destaque para Makin e Katherine, claro, mas também para figuras aparentemente mais discretas, como Gog, Chella e o tão predestinado Príncipe da Flecha. Há em todas estas personagens algo de cativante a descobrir. E vê-las pelos olhos de Jorg... bem, acrescenta-lhes uma dimensão diferente.
Quanto ao enredo, tudo é interessante, desde o intercalar entre os desenvolvimentos do dia da batalha iminente e o passado que levou Jorg àquela posição aos pequenos e grandes momentos que lançam uma nova luz sobre este estranho herói que às vezes mais parece um vilão. E, claro, não esquecendo as grandes reviravoltas dos sempre arriscados planos de Jorg, as muitas revelações sobre a estranha magia que molda o mundo deste livro e as descobertas de um passado que podia muito bem ser um futuro real. Tudo cativa nesta história e mesmo o que é deixado por dizer - guardado, talvez, para o derradeiro volume - apenas contribui para aumentar a expectativa quanto ao que poderá vir a seguir.
Que mais dizer, então, sobre este livro? Que surpreende, que vicia, que fascina tanto pelo que tem de negro como pelos inesperados raios de humanidade. Que vale a pena, da primeira à última página. E que promete ainda mais e melhor para a conclusão de uma trilogia até agora fascinante. Intenso, sombrio e surpreendente, não posso deixar de recomendar este Rei dos Espinhos.

Título: Rei dos Espinhos
Autor: Mark Lawrence
Origem: Recebido para crítica

Vencedor do passatempo A História Secreta de Twin Peaks

E chegámos ao fim de mais um passatempo. Agora, falta saber quem é o sortudo que vai receber um exemplar do livro A História Secreta de Twin Peaks.

E o vencedor é...

35. Rita Lopes (Frazão)

Parabéns e boas leituras!