sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Espião do Vaticano (Luther Blissett)

1517. Tudo começa quando Martinho Lutero afixa as suas teses na catedral de Wittenberg. Então, ainda são poucos os que sabem que se aproximam grandes mudanças no seio de quem define a fé dos homens. E é também esse o tempo em que se começam a escolher partidos. De um lado, um jovem estudante que se deixa absorver pela causa dos oprimidos e miseráveis, defendendo, como os seus novos mestres, uma fé livre do jugo dos poderosos. Do outro, a figura nas sombras, o misterioso Q, espião de um poder maior no Vaticano e capaz de tudo para cumprir as tarefas de que é incumbido. No fundo, seguem ambos o mesmo percurso, ainda que de lados opostos das barricadas. Mas, quando tantos enfrentam a morte em nome das ideias ou do poder de outrem, todos os resultados são derrotas... e o derradeiro ajuste de contas terá de ser entre os que se movem na sombra.
Extenso e complexo, tanto no contexto em que decorre como nas personagens que o povoam, este não é um livro fácil de descrever. Não é um livro fácil, aliás, ponto final. Porquê? Porque são tantos os pormenores, é tão longo o caminho e são tantas as figuras e as intrigas em torno das histórias do protagonista que tudo exige tempo e concentração para assimilar. A começar, é claro, pelo próprio protagonista, ele que, com muitos nomes e um papel tão importante, assume-se como figura central de um enredo apesar de ser uma figura secundária no contexto histórico em que se move. 
É também fascinante, este protagonista. Chamemos-lhe Gert. Fascinante pela complexidade, mas, acima de tudo, pela forma como, partindo de uma posição de alguma distância, acaba por se entranhar na memória de quem acompanha as suas aventuras, mais marcante a cada nova batalha travada. E, sim, esta distância inicial torna o ritmo da narrativa mais pausado, exigindo algum tempo, principalmente na fase inicial, para entrar no ambiente em que Gert se move. Mas, aos poucos, é como se tudo se intensificasse e há momentos nesta história que são simplesmente devastadores.
Mas há mais para além de Gert. Também os que o rodeiam são fascinantes, seja pela estranheza das suas bizarrias, seja, num sentido mais amplo, pelo papel que desempenham nos rumos da história. E na própria história há muito de fascinante: a complexidade das intrigas e do contexto histórico, os momentos delicados em que, muitas vezes as personagens se encontram, o próprio final, que pode não ser o mais desejado, mas é, sem dúvida alguma, o mais adequado. Tudo converge num equilíbrio quase perfeito e, ao fim de seiscentas páginas de leitura, a impressão que fica é a de algo simplesmente memorável. E assim, o que começa por ser uma narrativa pausada termina a um ritmo quase compulsivo.
Brilhante na construção de uma narrativa em que as complexidades do contexto histórico se aliam a uma teia de intrigas igualmente complexa, trata-se, portanto, de um livro que acaba por surpreender em todos os aspectos. Desde o fascínio que as personagens exercem aos grandes - e dolorosos - momentos, no fim, tudo se torna memorável. E, quando tudo se conjuga com tanta mestria, o resultado não pode ser senão algo de muito, muito bom. 

Autor: Luther Blissett
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Tempo das Catedrais - Reminiscências sobre uma Trindade Perfeita

Passou muito tempo desde que os li - a todos - e me apaixonei por um mundo de construtores de catedrais... e vidas que iam muito para além disso. Os pormenores, esses, fugiram com o tempo, mas ficou sempre aquela sensação de espanto ante a leitura, a maravilha de olhar para o passado, ou um passado possível, com todo o fascínio de quem entra num novo mundo. E eis que, este ano, dois dos braços desta minha trindade perfeita - a minha trindade das catedrais - vêm publicados novos volumes. E surge-me o pretexto ideal para relembrar a magia que me tocou ao ler estes livros: Os Pilares da Terra, A Árvore do Céu e A Catedral do Mar.


Comecei com A Árvore do Céu e apaixonei-me às primeiras páginas. Porquê? Harry Talvace, a personagem perfeita, a figura que tantas emoções fortes desperta no primeiro volume desta magnífica trilogia. Pelo caminho, há grandes mudanças, novas personagens a ganhar o protagonismo... surpresas capazes de abalar as fundações da alma. E, no fim, uma saudade que permanece... mesmo passados tantos anos desde a leitura.


Foi também este livro que me levou até aos outros, pois a premissa "construtores de catedrais" nunca mais deixou de me fascinar. E em Os Pilares da Terra encontrei aquilo que procurava: personagens fortes, uma história marcante, todo o fascínio que nunca mais deixei de sentir. Sim, neste caso já há uma sequela antes do livro que está para chegar. E não, ainda não a li. Mas isso... ah, isso é apenas uma questão de tempo.


E quanto a A Catedral do Mar? Bem, a mesma coisa. Comecei-o pela premissa e fiquei por todos os motivos de fascínio que nele encontrei. E, escusado será dizer, saber que há um livro novo à minha espera (apesar da imensa pilha de outros livros que tenho para ler) é algo que me faz muito feliz. Porque não há nada como voltar a um lugar - e a um tempo, neste caso - em que fomos felizes.

Conhecem a sensação? De uma história que, apesar de ser "apenas" ficção, deixou uma marca tão profunda que continua presente, mesmo apesar do passar dos anos? Bem, eu tenho-a com estes livros e é algo de mágico. Por isso, esqueça-se o tempo (ou a falta dele). Se há sequelas à minha espera, eu quero saber o que acontece a seguir. E voltar a perder-me nestas páginas tão mágicas... e tão fascinantes. 

Como Ser um Explorador do Mundo (Keri Smith)

Explorar. Investigar. Criar. São estas as bases essenciais deste livro criativo inesperado. A ideia é ver o mundo com outros olhos, reparar e aproveitar o inesperado e, a partir das pequenas descobertas ou de uma simples mudança de perspectiva, recolher informações potencialmente úteis e construir coisas novas. E não, este não é um livro de teorias, mas todo ele um desafio a fazer coisas. Coisas que possivelmente nunca nos passariam pela cabeça.
Uma das primeiras coisas a chamar a atenção neste género de livros, e em particular nos de Keri Smith, é o aspecto visual. Criativo, inesperado, com um toque de cor que torna tudo ainda um pouco mais apelativo, desperta, desde logo, curiosidade para as actividades que, ao longo das páginas, nos vão ser propostas. E, na sua peculiaridade, insinua também já a peculiaridade que virá a caracterizar os próprios desafios.
Também muito interessante é que o próprio livro surge como matéria de criação, ainda que não de forma tão óbvia como, por exemplo, em Destrói Este Diário. Há páginas para preencher, espaços para tomar notas ou fazer desenhos ou até para guardar coisas. E isto permite fazer do livro um objecto único e intransmissível - o que não deixa de ser, também, uma ideia particularmente cativante.
Quanto às várias possibilidades de exploração, o que sobressai é, claro, a tal peculiaridade. E, nalguns casos, é difícil evitar a sensação de que tentar fazer aquilo pode provocar um ou outro momento potencialmente embaraçoso. Mas, sentimentos ambíguos à parte, não deixa de surgir também uma ideia interessante sobre isto: fazer o inesperado sem medo do que os outros pensam não será também um bom ponto de partida para viver de uma forma mais livre e criativa?
A impressão que fica é, acima de tudo, a de um desafio. Um desafio a olhar para as coisas de forma diferente e, a partir dessa nova perspectiva, construir ainda mais coisas novas. A ideia, portanto, dificilmente poderia ser mais cativante. Quanto à concretização... bem, fica à criatividade de cada um.

Título: Como Ser um Explorador do Mundo
Autora: Keri Smith
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O Preço da Fama (Suzanne Redfearn)

Mãe de três filhos e abandonada para o marido, Faye sabe que mal se consegue manter à tona entre tantas dificuldades e que a única opção que lhe resta é voltar para casa da mãe. Mas é aí que a sorte está prestes a bater-lhe à porta. Um momento divertido protagonizado pela filha mais nova em plena rua faz de Molly um sucesso na internet. E, a esse sucesso, não tarda a seguir-se um anúncio e depois um papel numa série. Mas a vida em Hollywood está longe de ser um conto de fadas. As exigências do trabalho roubam tempo à vida familiar. E, à medida que a fama de Molly cresce, também os problemas não tardam a manifestar-se - e de muitas formas. Faye começa a entender que a fama também tem um lado negro. E que, para salvar os filhos do mundo em que os meteu, terá de pôr de parte os seus escrúpulos.
Centrado na figura de Faye enquanto mãe e na sua luta pelo bem-estar da sua família, este é um livro do qual se espera, à partida, uma boa medida de emoção. E é precisamente isso que proporciona. Primeiro, com as dificuldades que levam Faye à mudança, depois com a forma como estas se transformam num aparente conto de fadas, depois ainda com a revelação do lado mais complexo e sombrio deste novo mundo. Ao longo de todo este caminho há muitos momentos intensos, emoções fortes e revelações inesperadas. E, numa história em que as intenções podem ser sempre melhores, mas em que a realidade é sempre bem mais complicada, o impacto destes momentos não pode deixar de ser memorável.
Um outro aspecto interessante - ainda que, a espaços, desperte sentimentos ambíguos - tem a ver com a construção das personagens. Não há, em toda esta história, uma única personagem perfeita - tal como não as há na vida real. Mas, mais do que isso, a posição das personagens, o que parecem defender, varia consoante a situação em que se encontram, revelando facetas aparentemente contraditórias, mas também a sua falibilidade humana. Claro que isto é especialmente evidente na própria Faye, cujo percurso a molda numa pessoa diferente. Mas ninguém de entre os que a rodeiam - amigos, adversários, aliados - é apenas alguém que defende uma linha estrita. A posição que tomam varia consoante as circunstâncias. E isso torna-os mais complexos, mesmo nos momentos em que conseguem ser um bocadinho irritantes.
E depois, claro, há as grandes questões subjacentes a toda esta história: o lado sombrio da fama, que tanto pode vir dos fãs obcecados, como da perseguição da comunicação social ou dos próprios segredos e rivalidades entre os vários elementos do meio. Há em tudo isto um lado que nem sempre é tão claro como deveria ser e, sendo, neste caso, a famosa uma criança, todas estas questões ganham uma nova dimensão, levantando questões muito pertinentes sobre qual é, afinal, o tal preço da fama que dá título a este livro.
Emotivo, complexo e relevante: são estes, portanto, os principais traços deste livro que, olhando do interior para as dificuldades de uma vida de celebridade, consegue despertar emoções fortes ao mesmo tempo que realça ambas as facetas - o sonho encantado e as sombras da realidade - do mundo da fama. Cativante e intenso, uma boa leitura. 

Título: O Preço da Fama
Autora: Suzanne Redfearn
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 4 de julho de 2017

José Matias /Bartleby (Eça de Queiroz / Herman Melville)

Da recusa e das suas consequências: é este, talvez, o cerne deste livro e o ponto para onde os dois contos, à partida tão distintos, parecem convergir. Recusa do sentimento ou recusa da acção. Recusa, independentemente do seu objecto específico, do que se consideraria ser a conduta normal. É este o ponto central que une os dois contos deste Livro Amarelo. Mas não é o único.
Sendo esta uma colecção que tem como premissa as relações possíveis entre obras aparentemente muito diferentes, é claro que é precisamente por este aspecto que tenho de começar a falar neste livro. É fácil identificar o principal ponto em comum - a recusa dos dois protagonistas. Mas há um outro aspecto a sobressair desta leitura: é que, escritos por autores diferentes, com estilos diferentes e vindos de contextos diferentes, ambos os contos - e ambos os protagonistas - parecem juntar-se num conjunto harmonioso. O estilo de escrita, de alguém que testemunha o sucedido com o protagonista e tenta tirar do que sabe alguma réstia de compreensão, é comum aos dois contos. Também comum é a estranheza que os protagonistas despertam ao contrariar o que parece ser a norma. E, assim, sem nunca perderem a sua identidade própria, as duas histórias no mesmo livro parecem dar forma um todo que é maior do que a soma das partes - sendo que para isso contribuem também os muito interessantes textos que acompanham os contos.
Mas, passando especificamente a cada conto. José Matias, de Eça de Queiroz, fala da história de um amor espiritual e de um homem que, a tudo renunciando em nome desse amor, acaba por causar a sua própria destruição. Aqui, a recusa é, acima de tudo, sentimental, ainda que as consequências se manifestem de uma forma muito prática. E é precisamente isso que torna o conto tão marcante, pois, ante um narrador filósofo, que tudo parece querer racionalizar, os actos acabam por falar mais alto que as palavras, fazendo da renúncia de José Matias algo de absolutamente memorável.
Quanto ao Bartleby de Herman Melville, a situação parece ser bastante mais estranha, pois o protagonista é um homem que primeiro aceita um emprego para, depois, e de forma gradual, se firmar numa recusa do mais educada que pode haver - firmada na frase "preferia não o fazer" - mas que dificilmente poderia ser mais terminante. Há em tudo isto uma boa dose de estranheza, pois o próprio narrador não entende as motivações do protagonista. Mas há também muita matéria para reflexão: por um lado, na inesperada força de uma resistência passiva; por outro, no potencial subversivo que, inconscientemente, parece mover a recusa de Bartleby. 
E, consideradas estas duas histórias, bem como os textos que as acompanham, fica ainda mais em que pensar, pois as recusas dos protagonistas ganham outra dimensão vistas desta perspectiva mais ampla - com todas as consequências associadas. Fica, além disso, uma estranha e cativante proximidade relativamente às personagens, o que não deixa de ser também uma surpresa, pois, apesar de serem ambos figuras tão peculiares, é difícil ignorar a surpreendente simpatia que as suas situações despertam.
A impressão que fica é, por isto, por tudo isto, a de um livro cheio de qualidades, não só pelas histórias que lhe servem de base, mas pela forma como tudo se harmoniza num equilíbrio maior. Cativante, surpreendente e memorável em todos os aspectos, um belíssimo acréscimo aos Livros Amarelos.

Título: José Matias / Bartleby
Autores: Eça de Queiroz / Herman Melville
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O Caçador (Mason Cross)

Uma emboscada oportuna, da qual ele parece não ser o alvo, faz com que Caleb Wardell, conhecido como o Sniper de Chicago, fuja de uma carrinha de transporte de prisioneiros poucos dias antes da data da sua execução. E, inesperadamente devolvido à liberdade, Wardell só pensa em fazer o que melhor sabe: matar. É preciso que a alguém o trave antes que a contagem de mortos comece, uma vez mais, a subir. E, para isso, o FBI recorre, ainda que com alguma relutância, a Carter Blake, um indivíduo misterioso cuja profissão é encontrar pessoas que não querem ser encontradas. Integrado na equipa criada para dar caça a Wardell, Blake procura pistas no passado e no rasto que Wardell começa a construir, tentando adivinhar qual será a próxima jogada. Mas, à medida que se aproxima da sua presa, a caça ao homem começa a revelar-se como algo bem mais complexo. Há uma conspiração nas sombras - e Wardell, por mais mortífero que seja, é apenas um peão.
Com um enredo que decorre em poucos dias e um ritmo que, por ser a história de uma caça ao homem, não pode deixar de ser de acção constante, este é um livro que prende desde muito cedo e não larga mais até ao fim. E por várias razões, a primeira das quais é, desde logo, a forma como está escrito. Com capítulos curtos, centrados no essencial, e um conjunto de pontos de vista que permitem uma visão abrangente do que está a acontecer, é fácil entrar no ritmo deste livro, sentir o peso da corrida contra o tempo e acompanhar os raciocínios - e perplexidades - das várias personagens a cada nova revelação. O resultado é uma história intensa, sempre intrigante e cheia de surpresas.
É também o início de uma série, o que significa, inevitavelmente, perguntas sem resposta. Não sobre o caso Wardell, entenda-se. Este tem princípio, meio e fim (e que belo fim), o que significa que não fica nada de essencial em aberto para o que virá a seguir. Já quanto a Carter Blake, a história é bem diferente. Blake é um mistério - sendo, aliás, isso que o torna tão intrigante. E há várias pequenas pistas sobre um passado ainda por explorar, sobre uma história que o moldou na figura discreta e esquiva que surge para resolver um problema que está a criar dificuldades às mais altas autoridades. É aqui que fica a tal curiosidade insatisfeita. Blake é intrigante, Blake tem um potencial vastíssimo. Mas, no fim deste primeiro livro, ainda se sabe muito pouco sobre Blake. Claro que há uma contrapartida nestas respostas que ficam por dar: mais vontade fica de ler os livros seguintes.
Voltando ao caso - e às personagens centrais - deste livro. Claro que a acção é o elemento dominante, mas há ainda um outro aspecto que sobressai: a capacidade do autor de, ao entrar na mente das várias personagens, construir uma intriga que é, não só mais complexa do que parecia, mas também pontuada por picos de inesperada emoção. A história pessoal da Agente Banner, os motivos aparentemente inexplicáveis dos que se movem nas sombras e as inevitáveis consequências de cada escolha acrescentam às decisões e às descobertas um impacto que a simples exposição da acção não lhes poderia dar. E, assim, a história ganha mais vida e mais intensidade - reforçando o impacto das respostas que são dadas... e o potencial das que ficam ainda por dar.
Intenso, intrigante e cheio de revelações, trata-se, portanto, de um livro que cativa desde o início e nunca deixa de surpreender. Não, não dá todas as respostas e há muito potencial que fica em aberto para os próximos livros.  Mas, com um protagonista como Carter Blake, é inevitável a impressão de que o melhor ainda está para vir... 

Título: O Caçador
Autor: Mason Cross
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Vogais

Primeiro governada por reis, Roma tornar-se-ia uma república. Mas no fim, após conquistar o mundo, a república desmoronou-se. Roma afogou-se em sangue. As guerras civis foram tão terríveis, que o povo romano acolheu de bom grado o governo de um autocrata que lhes poderia dar a paz. «Augusto», o seu novo senhor, intitulava-se «O Divino Favorito».
O fantástico esplendor da dinastia fundada por Augusto nunca esmoreceu. Nenhuma outra família se compara em fascínio com a sua galeria de personagens: Tibério, o grande general que acabou os seus dias como um recluso amargurado, célebre pelas suas perversões; Calígula, o mestre da crueldade e humilhação; Agripina, a mãe de Nero, cujas manobras levaram o filho ao poder, e que acabaria por morrer por ordem dele; Nero, que pontapeou a mulher grávida até à morte, que se casou com um eunuco, e que ergueu um palácio de prazer no centro dos escombros de uma Roma destruída pelo fogo.

Tom Holland é autor de Rubicão, O Triunfo e a Tragédia da República Romana (ed. Aletheia, 2008), que ganhou o prémio Hessell-Tiltman for History e fez parte da shortlist do prémio Samuel Johnson. Persian Fire, a sua história das guerras Greco-Pérsicas, ganhou o Prémio Anglo-Hellenic League’s Runciman em 2006.
Já adaptou obras de Homero, Heródoto, Tucídides e Virgílio para a BBC. Em 2007, foi o vencedor do prémio Classical Association, atribuído ao «indivíduo que mais fez pela promoção do estudo da língua, literatura e civilização das antigas Grécia e Roma». É apresentador do programa Making History na BBC Radio 4.