sábado, 11 de novembro de 2017

O Aniversário do Adrien (ZAG)

O Adrien faz anos, mas o pai, rígido e ausente, recusa-se a deixá-lo fazer uma festa. Ora, o seu melhor amigo não acha que isso seja justo e isso torna-o vulnerável à influência do Falcão-Traça. Surge assim o Bolhas, que quer livrar o mundo dos adultos... e de todos os que não quiserem divertir-se. E embora esta seja para o Adrien a oportunidade de ter a festa que sempre quis, mais cedo ou mais tarde, o Bolhas tem de ser travado. E só a Ladybug e o Gato Noir podem fazê-lo.
Sendo este já o quarto livro da série - e sendo a fórmula essencial em tudo semelhante à dos anteriores - a verdade é que não há nada de muito novo a dizer sobre este livro. O que há é um aspecto comum que nunca deixa de ser uma surpresa: é que, apesar de ser o quarto livro, e de seguir precisamente a mesma linha narrativa, a aventura nunca deixa de cativar. É fácil entrar no espírito da história, torcer pelas personagens, sentir os dilemas, mesmo tendo sempre presente a ideia de que, no fim, tudo acabará bem e, no geral, desfrutar de mais uma aventura descontraída do Gato Noir e da Ladybug. E, se tivermos em conta o público preferencial deste livro, esta capacidade de cativar sempre do início ao fim - e quer miúdos, quer graúdos - torna-se um aspecto particularmente notável.
Além disso, há uma pequena e interessante evolução de livro para livro. É que, à medida que se começam a conhecer melhor as personagens, a empatia também cresce um bocadinho mais. Neste caso, a vida familiar de Adrien faz com que lhe seja mais difícil tomar a decisão certa, o que, além de tornar a história mais empolgante, acaba por transmitir também uma mensagem positiva: a da importância de fazer a escolha certa, quando se está entre fazer o que está certo e o que é mais fácil.
E depois, claro, há os aspectos do costume: as imagens, cheias de cor e que complementam os diálogos na perfeição; a história sempre cheia de acção, que ganha outra vida nas imagens; e o divertido contraste entre um par de heróis sempre prontos para tudo - e as figuras por trás da máscara... não tão prontos assim.
Tudo somado dá a habitual mistura de acção e diversão, numa história cativante e descontraída capaz de surpreender jovens e adultos, fãs da série e quem nunca a viu. Cheio de cor, cheio de diversão e muito cativante, um bom livro para leitores de todas as idades.  

Título: O Aniversário do Adrien
Autores: ZAG
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

As Duas Vidas de Sofia Stern (Ronaldo Wrobel)

Nascida na Alemanha em 1919, Sofia Stern fugiu para o Brasil quando a guerra estava prestes a começar e nunca mais de lá saiu. Agora, a memória começa a falhar-lhe - ou a trazer-lhe fantasmas do passado - e, preocupado com ela, o neto decide investigar. Mas as respostas que encontra são tudo menos as esperas e um telefonema de uma juíza alemã leva-o a convencer a avó a voltar ao lugar onde cresceu. Lá, esperam-na a história de uma amiga perdida, os restos de de um amor inacabado... e uma verdade difícil de confessar.
Oscilando entre diferentes vozes e períodos temporais distintos, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pela aura de mistério. Há todo um segredo escondido no passado de Sofia Stern e a forma como a história se desenrola, evocando diferentes momentos do seu percurso ao mesmo tempo que vai mantendo em suspenso as respostas para as grandes perguntas, mantém sempre viva a curiosidade em saber o que vem a seguir. Além disso, se Sofia é um enigma, é-o pelas acções e pelos segredos que guarda e, assim sendo, a relativa simplicidade com que tudo é contado acaba por criar um contraste interessante entre a simples fluidez da escrita e as complexidades imprevistas da história.
Claro que, embora esta seja uma história particular, são inevitáveis as considerações gerais, tendo em conta o período em que decorre. E também neste aspecto emerge o mesmo contraste: por um lado, tudo é contado com a máxima simplicidade, focando-se nas personagens principais e contextualizando à medida que vai sendo necessário. Por outro, é do próprio percurso que emergem as perguntas centrais, com a delicada posição de Sofia a enfatizar o tipo de atrocidades cometidas na época em que a história decorre.
Mas voltando ao mistério. Ou mistérios, pois, na verdade, há vários elos entrelaçados ao longo desta história: Hugo, Klara, a própria Sofia, a delicada situação do processo judicial. De tudo surgem perguntas e até mesmo de cada resposta dada. E é aqui que surgem alguns sentimentos ambíguos, pois, se a grande resposta é efectivamente dada - e dificilmente poderia sê-lo de forma mais intensa - ficam, ainda assim, várias questões em aberto, algumas delas deixando uma certa sensação de insatisfação, pois há na história quem merecesse um final um pouco diferente. Não deixa de fazer um certo sentido, ainda assim - ou não fosse aquele um tempo de perdidos e desaparecidos para sempre.
A impressão que fica é, portanto, a de uma história de aparente simplicidade, mas de relações complexas e grandes mistérios revelados. Cativante, intrigante e surpreendente, um livro que é, acima de tudo, a história das suas personagens, mas nunca esquecendo o contexto em que se movem. Gostei.

Autor: Ronaldo Wrobel
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Rapaz que Contava Histórias (Zana Fraillon)

Subhi não conhece outro mundo que não o delimitado pelas cercas do campo de refugiados. Ainda assim, traz consigo todos os sonhos do mundo e, embora vivendo com muito pouco, encontra nas histórias um sentido para a sua vida. Até que, um dia, o tamanho do mundo expande-se. Um buraco na vedação leva-o a conhecer Jimmie, que vive do outro lado do campo e tem um caderno deixado pela mãe que está cheio de histórias que ela não consegue ler. E, a cada nova história partilhada, cria-se uma proximidade mais forte que todas as cercas que o separam - e a certeza da liberdade ali tão perto.
Pese embora a relativa brevidade e a inocência que a voz de Subhi confere a todo o enredo, este não é propriamente um livro fácil de digerir. Primeiro, porque a impressão inicial é de alguma confusão. Confusão essa que faz todo o sentido, entenda-se, tendo em conta as circunstâncias do protagonista, mas que, ainda assim custa um bocadinho a assimilar, de início. E depois porque o tema em si, e a realidade que reflecte, é em si mesmo muito duro - tal como são os episódios que lhe dão forma.
Dito isto, dificilmente poderia ser um livro mais relevante. A fazer lembrar um pouco O Rapaz do Pijama às Riscas, na medida em que apresenta também dois mundos em colisão, este livro põe em destaque as verdades mais simples e mais cruéis de uma das questões mais relevantes do nosso tempo. As dificuldades da vida de Subhi no campo de refugiados e o caos em que por vezes se move tornam bem claros os obstáculos levantados à diferença. E a forma como o enredo evolui apenas põe mais em evidência estas barreiras, seja nas simples diferenças que separam Subhi e Jimmie, seja nos obstáculos externos que se contrapõem à amizade de ambos.
E assim surge um contraste impressionante: o da inocência do protagonista face à crueldade da situação. Contraste que se nota, desde logo, na voz que conta a história e que vai ganhando intensidade à medida que as dificuldades se sucedem, culminando num final de abalar a memória... e ficar de coração apertado.
Pertinente, actual, repleto de emoções fortes e com uma visão maravilhosa do valor da amizade mesmo nos tempos mais negros, pode não ser propriamente a mais leve das leituras. Mas uma coisa é certa: passada a confusão inicial, as qualidades que moldam uma leitura marcante estão todas bem presentes neste livro. Gostei.

Título: O Rapaz que Contava Histórias
Autora: Zana Fraillon
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Patrulha Pata: Todos Juntos! (Nickelodeon)

Nada é impossível para a Patrulha Pata. E talvez seja esse um dos motivos porque esta série é tão cativante para os mais novos. Daí que faça todo o sentido expandir o universo dos desenhos animados para outros meios - até porque reencontrar personagens de que se gosta num livro pode ser um belíssimo incentivo à leitura. E se houver algo de novo? Melhor ainda.
É precisamente isso que acontece neste livro, que junta a duas histórias simples e divertidas um belo conjunto de actividades para os mais novos. Labirintos, páginas para colorir, jogos de atenção e de procura das diferenças... há uma muito agradável diversidade de opções neste livro, tendo sempre como base os simpáticos cachorros da Patrulha Pata. E, assim sendo, a impressão que fica é a de uma boa forma de ocupar o tempo - e passar bons momentos de brincadeira - com os mais novos.
Além disso, ao ser, ao mesmo tempo, um livro de histórias e um conjunto de actividades, este livro acaba por juntar o melhor dos dois mundos, apelando à criatividade e à energia de fazer coisas novas ou simplesmente brincar e à (também criativa) tranquilidade de entrar no mundo de uma boa história. Em ambas as facetas, há muita cor e diversão à espera dos jovens leitores - daí que a imagem global seja precisamente a de um todo muito cativante.
Claro que será um livro mais interessante para os pequenos leitores que já conheçam bem a série de desenhos animados. Mas, caso não conheçam, é também possível ficar a conhecer as personagens a partir das breves apresentações e das duas histórias contidas neste livro. O que, mais uma vez, acaba por conjugar o melhor de dois mundos: para quem conhece, é um reencontro. Para os que ainda não conhecem, é uma descoberta.
Mistura de desafio e de entretenimento, a impressão que fica deste livro é, pois, a de uma boa oportunidade de estimular a curiosidade dos mais novos - ao mesmo tempo que se desperta o sempre valioso gosto pela leitura. Para fãs (e futuros fãs) da Patrulha Pata, um belo livro para acrescentar à colecção.

Título: Patrulha Pata: Todos Juntos!
Autor: Nickelodeon
Origem: Recebido para crítica

domingo, 5 de novembro de 2017

O Espírito da Ilha (Rodrigo Caiado)

Dividido entre regressar a um manuscrito que deixou de fazer sentido e enterrá-lo de vez, Pedro escolhe tomar a decisão através de um jogo de xadrez. Para tal, preparou-se com as jogadas de um grande mestre e decidiu que, caso vença a memória do seu falecido amigo, se livrará, de uma vez por todas, daquele manuscrito. Mas eis que, quando a vitória está próxima, o sono o domina, levando-o de volta às longas conversas com o amigo e às aventuras de um grupo de velhos conhecidos. Em tempos, eles descobriram uma ilha onde fenómenos estranhos acontecem. E essas histórias, que eles partilharam com Alberto e Alberto partilhou com Pedro, continuam a querer ser contadas - mesmo que Pedro não queira fazê-lo.
Muitíssimo descritivo e centrado, em grande medida, nas paisagens e fenómenos peculiares que caracterizam a ilha, este é um livro que exige o seu tempo para assimilar todos os pormenores. Primeiro, porque há uma profusão de elementos nos cenários que só gradualmente se tornam perceptíveis. E, depois, porque o próprio entendimento das personagens vai sendo moldado por uma sucessão de acontecimentos inexplicáveis, por vezes confusos, que fazem do cenário de toda esta narrativa um ambiente estranho e sobrenatural.
Assim sendo, custa um bocadinho entrar no ritmo da história, até porque, no início, tudo está envolto em mistério. Mas é também este mistério que mantém acesa a curiosidade, mesmo quando tudo parece demasiado estranho. E, à medida que se assimilam as peculiaridades da narrativa e se começa a entrar na senda do mistério, tudo se torna mais cativante, surgindo como que um crescendo de intensidade que culmina num final tão surpreendente quanto adequado.
Mas, se a história em si vive muito dos fenómenos estranhos e da beleza sobrenatural da paisagem, há, ainda assim, um outro aspecto a emergir de todo este percurso. É que, da oscilação entre crença e cepticismo de Pedro e Alberto e, depois, da percepção da estranha realidade das coisas, emerge também um tema relevante: o da destruição de locais que não são apenas belos, mas também fundamentais, em nome da simples ambição. O espírito da ilha - e a protecção da natureza nela contida - levantam uma questão muito pertinente: quando se sacrifica a natureza ao lucro, o que restará quando a última árvore tiver sido cortada?
Não é propriamente uma leitura compulsiva. O ritmo pausado e a vastidão de pormenores exigem tempo para que tudo se assimile devidamente. Ainda assim, a impressão que fica é a de um enredo cativante, com uma mensagem pertinente e uma aura de mistério e de magia que dá lugar a umas quantas boas surpresas. 
Tudo somado, a imagem que fica é muito simples: a de uma história que leva o seu tempo, mas que não deixa de proporcionar uma boa leitura.

Título: O Espírito da Ilha
Autor: Rodrigo Caiado
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Vidas Finais (Riley Sager)

Dez anos depois do massacre no Chalé dos Pinheiros, Quincy Carpenter, a única sobrevivente, julga ter, tanto quanto possível, uma vida normal. Mas a relativa estabilidade da sua vida está prestes a ser abalada. Primeiro, chega a notícia de que Lisa Milner, também ela única sobrevivente de um massacre e alguém que, em tempos, a tentou ajudar, terá cometido suicídio. E depois surge-lhe à porta a terceira Última Vítima. Samantha Boyd vem com a intenção de conhecer Quincy - e, acima de tudo, de descobrir se é verdade que ela não se lembra do que aconteceu. E, incapaz de compreender as verdadeiras intenções de Sam, mas guiada por um conhecimento de que há algo de errado a acontecer, Quincy dá por si a fazer o que nunca fez - e a voltar inexoravelmente ao passado que nunca desejou recordar...
Narrado em grande parte pela voz de Quincy - embora com as ocasionais interrupções para uma viagem ao passado esquecido - este é um livro que prende, em primeiro lugar, pela intensidade. Intensidade na forma como dá voz aos pensamentos da protagonista, intensidade no choque entre o passado tenebroso e as tentativas mais um menos falhadas de o superar e, acima de tudo, intensidade numa teia de acontecimentos em que cada revelação abre espaço a novas perguntas e todos os acontecimentos constituem uma escalada de emoção que culmina num final poderosíssimo.
Ora, o resultado de toda esta intensidade é... viciante, para dizer o mínimo. É absurdamente fácil entrar na cabeça de Quincy e acompanhar o seu percurso rumo ao passado. Sentir-lhe a relutância, a confusão, a perplexidade, a fúria. Compreender-lhe a vontade de agir ou a impotência face às acções dos que a rodeiam. E, à medida que as verdadeiras intenções - ou os segredos longamente guardados - vão surgindo à superfície, também os acontecimentos ganham um novo impacto. Junte-se a isto a fortíssima aura de mistério que tudo cobre - mistério sobre o que aconteceu no Chalé dos Pinheiros E sobre as verdadeiras intenções de Samantha - e o resultado é um livro quase impossível de largar.
Mas há mais. Há a capacidade de construir um enredo onde história e personagens escondem elementos complexos, mas onde há um instinto praticamente irresistível de descobrir o que acontece a seguir. Há também o contraste entre a Quincy vulnerável do passado e a Quincy do presente que, pese embora as circunstâncias, se tornou alguém diferente. E há ainda o delicado equilíbrio entre elementos profundamente sinistros, rasgos de relativa emotividade e até mesmo um pequeno toque de leveza (principalmente na fase inicial) a contrastar com os tais segredos sombrios enterrados (ou não) bem fundo no passado.
E as páginas voam com uma naturalidade tal que dá vontade de parar o mundo para continuar a ler mais um bocadinho. E, no fim, fica-se com a impressão de uma aventura impressionante e perigosa, cheia de segredos e de surpresas e de revelações. E com vontade de ler mais, mas também com a muito satisfatória sensação de que tudo termina exactamente como devia.
Intenso, explosivo, cheio de surpresas e de mistérios, mas, acima de tudo, com um olhar deveras impressionante sobre os tipos de monstros escondidos na mente de cada um, eis, pois, um livro a não perder para quem gosta de enredos sombrios e de histórias - e personagens - conturbadas. Brilhante em todos os aspectos, um livro que recomendo incondicionalmente. Leiam, sim?

Título: Vidas Finais
Autor: Riley Sager
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Divulgação: Novidade Topseller

Um homem enforcado, uma mulher brutalmente assassinada, um denominador comum.
Após ter descoberto uma verdade perturbadora e violenta sobre o seu passado, Olivia Rönning decide adiar o que poderia ser uma promissora carreira na Polícia. É então que o pai da sua amiga Sandra Sahlmann, um funcionário da alfândega em Estocolmo, aparece enforcado em casa.
À primeira vista, tudo aponta para suicídio. Olivia, porém, sente que algo não bate certo. Ela sabe que não se deve envolver, mas o caso torna-se demasiado pessoal.
Em simultâneo, uma mulher é brutalmente assassinada em Marselha, França. Trata-se de Samira Villon, uma ex-artista de circo cega que fazia filmes pornográficos para sobreviver. Sem saber o que o espera, Tom Stilton, um ex-inspector da Polícia com quem Olivia colaborou no passado, é arrastado para este caso.
Duas mortes aparentemente desligadas entre si juntam novamente Olivia Rönning e Tom Stilton numa investigação de contornos surpreendentes. Conseguirão eles resolver ambos os casos e impedir que mais pessoas tenham destinos trágicos?

Cilla e Rolf Börjlind são um casal de autores bestsellers suecos, cujas obras retratam uma  sociedade repleta de conflitos sociais.
Figuram entre os argumentistas mais aclamados da Suécia, sendo autores de 26 guiões de policiais e thrillers para cinema e televisão.
Maré Viva, o primeiro thriller dos autores que a Topseller lançou, recebeu arrebatados elogios por parte da crítica, tendo os seus direitos sido vendidos para 30 países.
A Topseller orgulha-se agora de dar a conhecer aos leitores portugueses A Terceira Voz, o thriller seguinte desta dupla maior da literatura escandinava.