quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Na Boca do Lobo (M. J. Arlidge)

Em pleno Baile Anual, o grande evento de uma discoteca frequentada pela comunidade sadomasoquista, um homem é encontrado morto de forma macabra. Nitidamente, não foi um acidente, pois teria sido possível libertar a vítima, se fosse essa a vontade do agressor. E, mais do que isso, há uma mensagem subjacente ao crime, isso é certo. Mas qual é essa a mensagem já não é assim tão claro. Cabe a Helen Grace e à sua equipa encontrar as respostas. Mas, assim que vê o rosto da vítima, Helen sabe que o caso será diferente. Ela conhece-o enquanto parte do lado secreto da sua vida. E, se quer fazer justiça ao seu amigo, então esse lado secreto tem de ficar escondido enquanto persegue o assassino. Ou as consequências poderão ser terríveis.
Crime, tensão, acção e mistério. Vidas duplas, grandes segredos, elementos macabros e relações pessoais passadas. Tudo isto são elementos característicos dos livros desta série. Mas este... Este é o livro que eleva esta imensa teia a um outro nível, o livro em que todos os elos passados se conjugam para grandes - e terríveis - revelações. E, num crescendo de intensidade perfeitamente equilibrado, este é o livro que eleva a série à perfeição, ao mesmo tempo que cria ainda mais expectativas para o que se seguirá.
E, claro, um dos primeiros elementos de que importa, ainda e sempre, falar, é a construção das personagens. Helen Grace, fascinante e conturbada, encontra aqui o mais temível dos seus adversários. E, nesse duelo, as forças e fragilidades da protagonista cristalizam-se num todo complexo, revelando tanto o seu potencial, como as possíveis complicações que os seus segredos podem trazer. Helen é, mais do que nunca, a alma do enredo. E é também nela que convergem não só as linhas essenciais deste novo caso, como as várias pontas soltas do passado que aqui regressam em toda a sua força.
É, aliás, quase impossível diferenciar o caso da história pessoal de Helen, tal é o grau de proximidade que se atinge neste livro. Tudo o que está a acontecer - a forma como Helen lida com o caso, o conhecimento que tem das vítimas, os seus próprios problemas no seio da equipa - molda o rumo da investigação e as consequências de cada passo. E é isso mesmo que cria o tal equilíbrio perfeito - a história de Helen e a história do caso fundem-se num equilíbrio delicado, conferindo a cada nova reviravolta e a cada pico de tensão uma força que, sendo já característica desta série, atinge agora todo um novo nível.
E quanto ao final... Bem, sobre o final não há muito que se possa dizer, além de que é uma grande e brilhante surpresa. E que deixa toda a vontade e mais alguma de deitar as mãos ao livro seguinte o mais depressa possível.
Tudo é bom neste livro, portanto. E mais do que isso, pois, no crescendo de intensidade que define o ritmo da investigação, na sequência de revelações pessoais e na relevância que estas adquirem para este caso em que Helen Grace assume o centro do labirinto, tudo se funde nas medidas certas para atingir o ponto da perfeição. Brilhante, pois. Simplesmente brilhante. 

Título: Na Boca do Lobo
Autor: M. J. Arlidge
Origem: Recebido para crítica

2 comentários:

  1. Adorei o livro. O final foi uma surpresa total. Nunca pensei que a Helen caísse mesmo na Boca do Lobo. Para quando o novo livro? Espero ver Helen Grace a ultrapassar tanto "passado" e adorava ver a Gravanita na Boca do Lobo.

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    Respostas
    1. É fantástico, não é? Aquele final... mal posso esperar para deitar a mão ao próximo. Espero que saia em breve.

      E sim, a Emilia é tão enervante! Espero que lhe aconteça qualquer coisinha num dos próximos livros.

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