quinta-feira, 21 de setembro de 2017

The Last Night (Cesca Major)

Tudo começa quando Irina recebe na sua oficina uma escrivaninha que precisa de ser restaurada. O cliente já lhe enviou muitas peças interessantes, mas nenhuma como aquela. Não tarda a que Irina comece a ter sensações estranhas e, à medida que o trabalho evolui, também a estranheza aumenta. Há objectos escondidos na escrivaninha, restos de uma vida diferente. Pois, décadas antes, outra jovem, Abigail, mudou-se para casa da irmã na esperança de uma vida melhor após a morte da mãe, apenas para descobrir que há muitos obstáculos ao amor. E muitos desses vêm de quem devia protegê-la.
História de duas mulheres em busca do seu lugar no mundo – uma superando o passado, a outra encontrando a solução para uma sombra que há muito paira sobre ela, este é um livro que leva o seu tempo a ler. Porquê? Porque há muitos elementos para assimilar, não só que diz respeito ao cenário e suas mudanças, mas também na teia de pequenas revelações que parece definir a história das protagonistas. Assim, o ritmo começa por ser um pouco lento. Mas a parte interessante é que isto não retira impacto à história. Há uma aura de mistério em torno de Irina e de Abigail – e isso, essa sensação de que há algo prestes a ser revelado e que, depois disso, tudo mudará – confere à narrativa um tom deveras intrigante.
Também muito intrigante é o elemento sobrenatural – as coisas que acontecem quando Irina está a trabalhar na escrivaninha. E, embora essa parte da história pareça ficar um pouco para trás na fase final, também contribui para o mistério que rodeia toda a narrativa. Seria interessante, talvez, ficar a saber um pouco mais sobre as razões dos estranhos fenómenos. Ainda assim, há o suficiente para reforçar o enigma por trás da história de Abigail.
Ainda um outro aspecto que se destaca: a construção das personagens. Há algo de particularmente fascinante em ler uma história em que se sente a bondade das personagens, mas em que as más não são propriamente vilões óbvios. É fácil sentir solidariedade para com as dificuldades de Abigail ou sorrir ante o encanto de Richard e a inocência de Mary. Mas, no que diz respeito a Connie, Larry, a mãe de Irina… bem, têm posições bastante mais complexas, pois as suas escolhas são, por vezes, a fonte de muitos problemas. (E, bem, Larry é Larry.) Mas há vestígios de algo mais, algo no passado, algo que poderia ter sido. E isso aumenta a complexidade na teia dos relacionamentos… dando origem a uma história muito mais intrigante.
E, sim, há romance, mas um tipo de romance que parece fluir naturalmente, sem se impor demasiado aos outros aspectos da narrativa, mas antes complementando-os com emoções bem mais fortes. Romance que parece surgir como uma muito merecida recompensa depois de todo o caos passado.
No fim, tudo faz sentido, ainda que fiquem algumas perguntas sem resposta. E é este equilíbrio delicado entre todos os aspectos da história que faz deste livro uma leitura muito intrigante e cativante. Uma boa leitura.

Título: The Last Night
Autora: Cesca Major

Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade 4 Estações

O relacionamento apresentado neste livro mostra uma realidade que inúmeras mulheres enfrentam na vida quotidiana, tanto real como virtual, ao encontrarem parceiros portadores da Síndrome de Peter Pan. A história mostra as dificuldades vividas pelo homem Peter Pan e, também, pelas pessoas que se relacionam com ele. No desenrolar da trama, verá que este comportamento é muito mais comum do que se imagina, e provavelmente identificará alguém do seu convívio que possui o perfil do homem Peter Pan.
Se este comportamento traz sofrimento as pessoas directamente envolvidas, muito maior é o dano quando estas atitudes se multiplicam e passam a dominar o comportamento de uma sociedade.
E é, precisamente o que vivemos hoje, uma sociedade carente de adultos, de referências maduras e de verdadeiros líderes, mas, saturada de comportamento adolescente. Uma sociedade de Peter Pans vive à margem do mundo real, caminhando sem rumo e sem propósito, resultando na estagnação de toda uma geração.

Eliana Guimarães Pyhn: Graduada em Psicologia Clínica e Naturolgia. Especialista em Iridologia e pós-graduada em Medicina Integrativa e Medicina Metabólica.
Autora de diversos livros.

Divulgação: Novidade Clube do Autor

Galerie Monier, Paris. Uma mulher é apanhada de surpresa por três homens armados que assaltam uma joalharia em plena galeria de lojas dos Campos Elísios. A mulher chama-se Anne Forestier. Trata-se nada mais nada menos do que a companheira do comissário Camille Verhœven, responsável pela Brigada Criminal. Fazendo tábua rasa da lei e correndo o risco de perder o posto de trabalho, o comissário esconde dos demais polícias o facto de conhecer Anne e toma a investigação a seu cargo. É o primeiro passo de uma manipulação orquestrada por um assassino vingativo. Na realidade, quem dá caça a quem? E quem é a verdadeira presa?
Gravemente ferida e coberta de cicatrizes, Anne fica internada no hospital, até que Camille a esconde na casa isolada que herdou da mãe. Perseguida por um dos atacantes, esta misteriosa mulher manterá o comissário na corda bamba, tanto a nível pessoal como profissional. Digno herdeiro de Sherlock Holmes e Hercule Poirot, com uma costela de Philip Marlowe, o comandante é um mestre na arte de bem investigar, mas este caso revela-se uma manipulação com requintes de vingança pessoal.
Como habitualmente acontece na escrita de Lemaitre, as aparências enganam, e Camille acabará por compreender que é vítima de uma intriga que remonta ao passado, vendo-se obrigado a recorrer a todos os expedientes e mais algum para descobrir o responsável, bem como as razões que motivam o enigmático assassino.

Pierre Lemaitre nasceu em Paris, em 1951. Deu aulas de Literatura francesa e americana durante vários anos e actualmente dedica-se à escrita e ao teatro.
Os cinco thrillers que escreveu, premiados pela crítica e aplaudidos pelos leitores, fizeram dele um dos grandes nomes das letras francesas e granjearam-lhe o reconhecimento internacional. 
A trilogia do comandante Camille Verhoeven recebeu, entre outros, os prémios Dagger, Prix du Premier Roman Policier de Cognac, the Prix du Meilleur Polar Francophone e Melhor Romance Policial Europeu. Até nos vermos lá em cima, a sua primeira incursão fora do romance «negro», foi galardoado com o Prémio Goncourt de 2013, o Prix du roman France Télévision, o Prix des lycéens en toutes lettres, o Prix des librairies Nancy/Le Point e o Prix littéraire de la ville de Brignoles.
As suas obras estão traduzidas em trinta línguas, e várias foram adaptadas ao cinema e ao teatro.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Longevidade à La Carte (Helena Mendes da Maia)

A procura da imortalidade ou da fórmula da eterna juventude é algo que data de um passado distante e que, tomando diversas formas, sempre se manifestou. Mas a verdade é que o envelhecimento é algo inevitável. O que se pode moldar é a forma como se lida com esse processo, recorrendo aos meios disponíveis e que passam essencialmente por um estilo de vida saudável, bem como pelo chamado envelhecimento activo. São estes dois aspectos que a autora aborda neste livro, que, mais que um caminho estrito, apresenta conselhos e orientações úteis (principalmente no âmbito alimentar, mas não só) para quem aspira a viver mais tempo e sempre com qualidade de vida.
Um dos problemas que mais surgem neste tipo de livros é que, muitas vezes, a ideia de dieta corresponde a um regime de regras precisas, sendo necessário seguir todos os passos um a um. Não é o caso deste livro, até porque o método da autora não ocupa assim tanto espaço na totalidade da obra. O foco está, acima de tudo, na exposição de conhecimentos úteis - os benefícios dos diferentes tipos de alimentos, o funcionamento dos mecanismos que provocam o envelhecimento, os factores de risco e de protecção para determinadas doenças. Tudo isto permite ao leitor criar o seu próprio sistema, ajustando-se a um estilo de vida mais saudável, sem ter de se cingir a um percurso rígido e repetitivo. E, assim, os benefícios assimilam-se muito mais facilmente, pois é mais fácil ajustar cada elemento às particularidades da vida de cada um.
Também a forma como o livro está escrito contribui para uma fácil assimilação do conteúdo. Agradável e acessível, sem demasiados termos ou números (mas com todos os elementos essenciais a uma compreensão básica dos mecanismos), é de fácil compreensão independentemente da existência ou não de conhecimentos prévios. Além disso, a estrutura simples e organizada faz com que seja fácil voltar atrás - ou relembrar mais tarde - uma parte específica do livro, pois é fácil localizar aquilo que se procura.
Há provavelmente aspectos que poderiam ser mais aprofundados, nomeadamente no que toca às interacções, ou aos possíveis regimes específicos para determinados tipos de doença. Ainda assim, o objectivo parece ser traçar uma visão geral e, nesse sentido, o livro cumpre bastante bem aquilo a que se propõe.
A impressão que fica é a de um livro sobre alimentação saudável que, de forma simples e sem determinar regras demasiado rígidas, permite ao leitor retirar conselhos úteis e muita informação relevante no que diz respeito a uma vida mais saudável. Interessante, pertinente e de leitura agradável, um bom guia para um melhor estilo de vida. 

Título: Longevidade à La Carte
Autora: Helena Mendes da Maia
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidades Topseller

LEONOR DE AQUITÂNIA
Uma das mulheres mais poderosas da História
Estamos em Inglaterra, no ano 1176, e Leonor de Aquitânia foi aprisionada pelo marido, o Rei Henrique II, por recusar submeter-se às suas ordens. Desesperada com os esforços do rei por mantê-la longe dos filhos, Leonor não tem outro remédio senão aguardar.
Com a morte do rei, tudo muda. Leonor torna-se rainha-mãe e ganha finalmente liberdade para tentar reparar todos os danos que Henrique causou. Os seus filhos vêem-se envolvidos numa perigosa rivalidade acicatada pelo pai, enquanto as suas filhas foram afastadas das posições de poder que lhes cabiam.
Leonor vai precisar de toda a sua coragem e força para os poder proteger de si mesmos. Para tal, terá de viajar continuamente por uma Europa medieval em guerra, e até mesmo cruzar os Alpes durante o inverno. Conseguirá Leonor manter a paz entre os filhos? E estará ela à altura de todas as provas que o destino lhe reserva?

O que acontece quando mãe e filhas são separadas?
Malásia, 1955. Lydia Cartwright regressa a casa, onde apenas o vazio a espera. Os criados, o marido e, o pior de tudo, as filhas foram-se embora sem deixar rasto. Desesperada e sem rumo, ela contacta o patrão do marido à procura de pistas. Eles estão bem, diz-lhe. Estão noutra região do país. Mas algo não bate certo. Porque é que não esperaram por ela? Porque é que não lhe deixaram uma carta a explicar a mudança?
Seguindo a sua única pista, Lydia embarca numa perigosa viagem por um país em guerra. E é então que, enquanto atravessa a selva minada de grupos de guerrilheiros, se vê forçada a pedir ajuda a Jack Harding, o homem que amou no passado e que abandonou.
Com o coração de mãe apertado, Lydia sabe que terá de sacrificar tudo para reencontrar as filhas. Mas será que está preparada para a terrível traição que a aguarda e para as consequências devastadoras?
O relato comovente de uma família dividida pela mentira, e de como o amor de uma mãe ultrapassa a barreira do tempo e atravessa continentes.

O que será que se esconde por trás de uma fachada de normalidade?
Há dois tipos de profissionais que se ocupam do futuro: os estrategistas de tendências, que procuram organizar as cidades para sobreviver ao inevitável colapso da sociedade, e os previsores de estratégias, mais preocupados em preparar cada um dos seus clientes. Os primeiros são pagos por caridades e ONG, os segundos por empresas de segurança e corporações.
Estas são profissões de desgaste rápido, impossíveis de manter durante muito tempo. A depressão instala-se e, se o «olhar de abismo» se instala, há apenas um lugar para onde ir. O Cabo Normal.
Quando Adam Dearden, estrategista de tendências, chega ao Cabo Normal, está preparado para relaxar e aceitar o tratamento. Pouco depois, no entanto, um dos outros pacientes desaparece, deixando para trás apenas uma pilha de insectos. Uma investigação arranca, e a vigilância torna-se total. À medida que o mistério se vai desvendando, Adam começará a pôr em causa a forma como vemos o futuro... e também o passado e o agora.

Uma história de amor encantadora, inteligente e espirituosa.
Lady Cassandra Monroe esperou sete longos anos para que o homem dos seus sonhos, o Capitão Julian Swift, voltasse da guerra. Escreveu-lhe durante todo o tempo em que ele esteve fora e agora, por fim, ele regressou. Infelizmente, Julian está comprometido com Penelope, prima de Cassandra…
Julian regressa com a intenção de romper o seu compromisso com Penelope e procurar Cassandra, mas esta não o sabe, julgando que Julian nunca poderá ser seu. É então que a sua amiga Lucy tem a ideia de apresentar Cassandra a Julian como Patience Bunbury, de modo a aproximá-los.
Patience não existe, é apenas uma amiga que Penelope inventou para escapar a obrigações sociais. Só que Julian fica encantado com esta bela e sensual dama, não percebendo que se trata, na verdade, da mulher que realmente ama.
Poderá uma grande farsa conduzir ao verdadeiro amor?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Divulgação: Novidade Porto Editora

Sofia Stern nasceu na Alemanha em 1919 e fugiu para o Brasil nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Filha de um judeu cego afinador de pianos e duma enfermeira que a abandonou ainda bebé, Sofia terá sido sempre tratada com o desprezo e humilhação que os alemães reservavam aos judeus.
Ronaldo é neto de Sofia, vive em Copacabana e, certo dia, recebe o telefonema de uma juíza alemã às voltas com um processo judicial que o pode tornar multimilionário.
Com a descoberta do diário da avó, Ronaldo reconstitui a juventude da pacata senhora e da sua conturbada amizade com Klara Hansen, revelando peças de um passado que envolve paixões, inveja, traições, dinheiro e a morte de Klara, em 1938.
Quando outros factos surpreendentes e inesperados vêm à tona, Ronaldo depara-se com uma série de dilemas morais.

Ronaldo Wrobel nasceu em 1968 no Rio de Janeiro, é escritor e advogado. Tem cinco livros publicados: três romances, uma colectânea de contos e um título infantojuvenil.
Publicado em oito países, o seu romance Traduzindo Hannah (Record, 2010) foi finalista do Prémio São Paulo de Literatura, na categoria de melhor livro do ano.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Beijo da Madame Ki-Zerbo (Adriano Mixinge)

Cultura nas suas múltiplas formas e nos também múltiplos modos de encarar: poder-se-ia definir assim o elo comum a este conjunto de 36 textos, que, escritos e publicados ao longo de vários anos, a partir de Espanha e França, consideram o impacto cultural de várias obras e referências culturais. Textos breves, mas cheios de referências particulares, que percorrem uma vasta gama de elementos para traçar, enfim, um retrato amplo do que é a cultura: tanto a das raízes como a que se vai aprendendo a conhecer. E é esta vasta diversidade também o cerne do que mais fica na memória, pois, com tantos nomes e tantas obras, abre-se um amplo espaço para a descoberta.
Uma das primeiras coisas que importa dizer sobre este livro é que, apesar da brevidade, nem sempre é fácil entrar no âmbito das crónicas que o compõem. Porquê? Porque são muitas as referências invocadas, vasto o contexto que elas têm associado. E, assim, o que acontece é que, havendo embora nomes e obras familiares, são também muitos os perfeitos desconhecidos. Ora, o primeiro impacto cria uma certa confusão - pois quem são todas estas figuras? Mas esta impressão logo se dissolve e, uma vez assimilado o ritmo das palavras, fica uma imagem bastante mais intrigante: a de um mundo com laivos de familiaridade, mas que é também um ponto de partida para coisas a descobrir.
Também a escrita contribui para este despertar de curiosidade, pois ao acrescentar laivos de uma perspectiva pessoal ao conhecimento das obras e dos objectos, o autor transmite a quem o lê uma impressão de maior proximidade. Ora, ao ler-se sobre algo desconhecido, mas que deixou uma marca na memória, fica uma certa curiosidade em ver e saber mais. E, sendo certo que, destes pequenos textos, o que se tira (no que toca às referências desconhecidas) é essencialmente uma primeira impressão, fica também a vontade de aprofundar conhecimentos - até porque, de muitas dessas referências, fica também a sensação de haver uma história maior para descobrir.
A impressão que fica é, acima de tudo, a de um princípio de descoberta (com laivos de reencontro, quando se fala de obras já conhecidas). De uma descoberta que nasce de textos bastante sucintos, mas mais que capazes de despertar a vontade de saber mais. E como, no que toca à cultura, a curiosidade nunca é demasiada, é este incentivo à busca que se grava na memória - e que chega perfeitamente para que valha muito a pena esta leitura. 

Título: O Beijo da Madame Ki-Zerbo
Autor: Adriano Mixinge
Origem: Recebido para crítica