sexta-feira, 21 de julho de 2017

Passatempo Maresia e Fortuna

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Coolbooks, tem para oferecer um exemplar do livro Maresia e Fortuna, de Andreia Ferreira. Para participar, basta responder à seguinte questão:

1. Como se chamam os protagonistas deste romance?

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 30 de Julho. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar a resposta para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- O vencedor será contactado por e-mail e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

Monstress - Despertar (Marjorie Liu e Sana Takeda)

Maika Meiolobo precisa de respostas. E, para as obter, está disposta a fazer novamente o que jurou que nunca faria: deixar-se escravizar de modo a entrar no complexo das Cumaea, as poderosas freiras bruxas que parecem deter grande parte do poder do lado humano. Maika é arcânica, mas, apesar da guerra entre o seu povo e os humanos, também os arcânicos parecem ter nela um interesse pouco benevolente. É que o passado fez com que Maika tivesse em si uma força poderosa, capaz de mudar o mundo para melhor ou de o destruir por completo. E, assim, o que começa por ser uma procura por respostas não tarda a deixar Maika na posição de perseguida e sem saber ao certo em quem pode confiar...
Basta olhar para a capa deste livro para descobrir o que será um dos grandes pontos fortes ao longo de todo este volume: a imagem. Escusado será dizer que, num livro de banda desenhada, em que a parte da informação que não é transmitida pelo diálogo depende essencialmente da parte visual, este é um elemento particularmente relevante, mas, neste livro em particular, há algo de mais notável do que isso. É que as imagens em si são, em si mesmas, todo um mundo, já que cenários, personagens e momentos são retratados com uma vitalidade espantosa. E, ao conjugar isto com uma história cheia de pormenores, com um mundo complexo e um conjunto de personagens carismáticas e surpreendentes, o resultado não podia deixar de ser uma leitura fascinante.
E, sim, basta a componente visual - belíssima, diga-se de passagem - para fascinar. Mas o texto complementa-a para dar forma a um todo que é maior que a soma das partes. Todo esse que é, no fundo, um enredo cheio de qualidades, a começar pelas particularidades do mundo, passando, é claro, pelos grandes momentos de conflito e as várias revelações surpreendentes, e culminando numa visão das personagens - enquanto indivíduos e no seio do grupo a que pertencem - que deixa marcas bastante fortes na memória.
Claro que a figura mais marcante é Maika, com todos os mistérios que a rodeiam e o grande poder que contém dentro de si, mas também com os laivos de vulnerabilidade que denunciam a humanidade para lá desse poder. Mas é também muito interessante o facto de, apesar de várias personagens terem papéis bem definidos, e de os escrúpulos morais raramente serem a força que os faz mover, nem tudo ser tão linear, em termos de valores, como parece à partida. E, tendo em conta que este é apenas o primeiro volume e que ficam várias perguntas sem resposta, as muitas surpresas ao longo do caminho, tanto no rumo dos acontecimentos, como na posição de certas personagens face ao que se está a passar, aumentam também a curiosidade em saber o que acontecerá a seguir.
Intenso, empolgante e belíssimo em todos os aspectos, trata-se, portanto, de um primeiro volume que cativa à primeira vista e que não deixa de fascinar até ao último ponto da última página. Complexo, cativante e repleto de potencial, um início maravilhoso para uma história que promete ainda mais. Genial.

Autores: Marjorie Liu e Sana Takeda
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Divulgação: Novidade Coolbooks

O que é o verdadeiro amor?
Para Eduardo, de 17 anos, é a mãe e o irmão mais velho, Simão. Este, porém, tem um segredo que o empurra para a bebida e Eduardo receia que o seu irmão se suicide, tal como o pai de ambos o fizera, dez anos antes.
Júlia acredita que passou ao lado de um grande amor. Em busca da verdade que mudará a sua vida, regressa à vila de Apúlia para reconstruir um passado de que não se consegue recordar. O caminho desta mulher perturbada está prestes a cruzar-se com o de Eduardo, trazendo à tona segredos, paixões agressivas e remorsos intemporais, com consequências devastadoras sobre a vida da outrora pacata vila piscatória. Uma alegoria moderna de um clássico, onde os humanos se destroem sem precisarem de intervenção divina.

Nascida e criada em Braga, Andreia Ferreira orgulha-se muito do seu sotaque.
Escreve nos cafés, roubando histórias ao mundo de cada um para se inspirar.
Licenciou-se em Línguas e Literaturas Europeias, tem duas pós-graduações e agora está a frequentar a licenciatura em Direito. É casada e tem um filho.
É autora da trilogia Soberba e administra o blogue “d311nh4” desde 2010.
Desde os 11 anos, abre o correio na expectativa de ter à sua espera uma carta para Hogwarts.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Imperador dos Espinhos (Mark Lawrence)

Agora rei de sete territórios e ciente de que algo de negro - mais negro do que ele, até - o persegue, o Rei Jorg Ancrath está decidido a conquistar finalmente no Congresso o lugar que sempre foi o seu objectivo máximo: o de imperador. Mas o caminho é perigoso, não só pelos vários inimigos que fez ao longo da vida, e alguns dos quais parecem querer voltar a manifestar-se, mas principalmente por uma entidade mais antiga que, de olhos postos nele há anos, se prepara agora para a derradeira investida. O Rei Morto parece pronto a dominar o império e, caso o faça, há forças mais antigas prontas a pôr, de uma vez por todas, fim ao mundo como todos o conhecem. E Jorg, com a sua astúcia ilimitada, parece ser o único capaz de lhe fazer frente. Mesmo que isso implique mergulhar ainda mais fundo nas trevas do passado e encontrar-se como realmente é para enfrentar o inimigo.
Deixem-se ser o mais directa possível: não sei por onde começar a falar sobre este livro. Não sei, porque, depois de dois volumes intensos e muito, muito marcantes, este Imperador dos Espinhos elevou tudo a um nível ainda mais alto e acho que devo ter deixado uma parte do coração pelo caminho, tantos foram os momentos devastadores que ao longo da estrada encontrei. Por isso, permitam-me antes de mais este excesso de entusiasmo para vos dizer isto: leiam esta trilogia. Leiam, leiam, leiam. Não a vão esquecer tão cedo.
Mas vamos por partes. O que tem este derradeiro volume que o torna tão impossivelmente marcante? Bem, para começar, tem tudo o que os anteriores já tinham em abundância: uma escrita brilhante, um mundo complexo e cheio de surpresas, personagens carismáticas e tão fascinantes como o contexto conturbado em que parecem mover-se. E isto bastou para tornar muito, muito bons os livros anteriores. Mas aqui... Ah. Aqui, quando tudo se encaminha para o fim, tudo se intensifica. As revelações são poderosíssimas, as verdades difíceis tornam-se ainda mais impiedosas, o caminho rumo ao trono torna-se ainda mais tenebroso... E o fim... O fim é brilhantemente devastador.
Mas permitam-me ainda um momento para falar das maravilhas dessa tão sombria e fascinante figura que é Jorg Ancrath. No início, era um jovem marcado pelo passado, forjado nas lições dos espinhos numa matéria absolutamente impiedosa. E agora, se olharmos para ele a partir do fim, vemos toda uma jornada de crescimento, tão intensa, tão forte, tão cruel, que fez dele algo mais do que o príncipe capaz de tudo para vencer. O Jorg do Congresso é um homem mais completo que o que começou esta jornada. E, ainda que talvez ele mesmo se recusasse a admiti-lo, é também um homem melhor. E isto - esta transformação, esta renovação sem perda de identidade - é talvez o mais brilhante do muito (mesmo muito) que de brilhante este livro tem.
Apaixonante, então. É uma boa palavra para definir esta viagem através de um mundo de homens e lugares arruinados. Uma viagem que tanto consegue despertar sorrisos com os seus laivos de humor negro como desfazer um coração em pó nos momentos mais devastadores. E que culmina num final tão absurdamente doloroso, mas tão incrivelmente perfeito, que mundo e personagens gravam-se a fogo na memória. E por lá ficarão durante muito tempo.
Descreva-se, pois, tudo numa só palavra. E repita-se as vezes que forem necessárias. Porque, no fundo, basta dizer isto para caracterizar este livro: brilhante, brilhante, brilhante. 

Título: Imperador dos Espinhos
Autor: Mark Lawrence
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 18 de julho de 2017

The Call (Peadar O'Guilin)

Quando chegam à adolescência, todos os jovens da Irlanda sabem que têm pela frente a mais perigosa experiência das suas vidas, pois, quando menos esperarem, serão Chamados. Durante três minutos e quatro segundos, desaparecerão na Terra Cinzenta, onde o tempo passa a um ritmo diferente e os Sídhe não desistirão de os caçar até lhes deitarem as mãos. E, caso isso aconteça, sabem que o que regressará ao mundo serão restos destroçados. O objectivo dos Sídhe é simples: reduzir a nada o povo que os encarcerou na Terra Cinzenta - e recuperar o que perderam. Mas a Nação deve sobreviver e, por isso, nos colégios de sobrevivência, todos os jovens são meticulosamente treinados para o momento do Chamado. A taxa de sobrevivência tem até vindo a aumentar - mas os Sídhe não desistiram. E há algo de estranho nos últimos regressos - como que um plano escondido prestes a acontecer. Os Sídhe não desistem. E, por isso, sobreviver nunca foi tão importante.
Um dos primeiros aspectos a chamar a atenção neste livro - e o seu principal ponto forte até aos últimos capítulos - é a forma como o autor equilibra um registo leve e bastante sucinto com um enredo que é, em tudo, bastante sombrio. Desde a crueldade dos Sídhe àquilo de que alunos e instrutores são capazes enquanto se preparam para o Chamado, há muito de brutal nos caminhos desta história. E, porém, tudo é narrado com uma leveza surpreendente, que, apesar de, a espaços, dar a sensação de que mais haveria a dizer (principalmente no que toca à caracterização das personagens) acaba também por reforçar a intensidade dos acontecimentos.
No fundo, o cerne desta história é uma corrida contra o tempo... dentro de uma outra (e mais vasta) corrida contra o tempo. Os três minutos do Chamado - e a aparente eternidade a que correspondem - põem as personagens a correr pelas suas vidas. Mas o plano secreto dos Sídhe, esse, pode pôr em causa toda a população. E, à medida que as ligações entre os dois pontos se tornam mais claras, sucedem-se as surpresas e as reviravoltas, num enredo que é, todo ele, um grande crescendo de intensidade.
Ah, mas a história não acaba aqui e, sendo assim, é apenas natural que fiquem perguntas em aberto. Ainda assim, e apesar de ficar algo por dizer sobre as personagens e aquilo que as move, a impressão que fica é a de que a história acaba precisamente num ponto certo: o fim de uma batalha que parece poder ser o princípio de uma nova guerra. E este culminar ambíguo, mas não demasiado, deixa muita, muita curiosidade em saber o que se poderá seguir.
Intenso e sombrio, mas de uma leveza surpreendente, trata-se, portanto, de um bom ponto de partida para uma história que parece ter ainda muito mais potencial para desvendar. Cativante, surpreendente e com um cenário muito, muito intrigante, um início de série deveras promissor.

Título: The Call
Autor: Peadar O'Guilin
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Inteligência Emocional 2.0 (Travis Bradberry e Jean Greaves)

Num mundo em que o stress parece ser cada vez mais uma constante e os ritmos da vida são cada vez mais acelerados, nem sempre é fácil lidar com as emoções. E, contudo, a capacidade de as entender em gerir, no próprio e nos outros, parece ser uma parte essencial do sucesso pessoal e profissional de uma pessoa. É essa, pelo menos, a ideia sobre a qual assenta o conceito de inteligência emocional e também o tema deste livro, que, através de um conjunto de estratégias aparentemente simples - e evidentemente úteis - pretende orientar o leitor sobre as formas de aumentar o seu Quociente Emocional. E, se é esse o objectivo - explicar e orientar no sentido de uma melhor aplicação da inteligência emocional - então, ao que tudo indica, missão cumprida.
Apesar de se centrar mais nas estratégias de melhoramento do que nos conceitos e teorias propriamente ditos, é bastante fácil assimilar as bases deste livro, tenham-se ou não conhecimentos prévios acerca do que é - e de como funciona - a inteligência emocional. E este é também um dos principais pontos fortes deste livro, pois é muito fácil assimilar o essencial dos conceitos, sem nunca perder de vista o objectivo de melhoria que parece ser a sua base. E, claro, a informação essencial está lá, não só na introdução sucinta e esclarecedora, mas também no desenvolvimento das várias estratégias que vão sendo sugeridas ao leitor. No fim, fica-se com uma ideia bastante mais clara e com alguns conselhos muito pertinentes a seguir.
Também bastante relevante é a estrutura do livro que, apesar de organizado segundo um método específico, é também de fácil consulta caso se procure, por exemplo, uma das competências específicas da inteligência emocional, ou caso se pretenda regressar, numa segunda ou terceira leitura, ao ponto que mais precisa de melhoramento. É fácil regressar a algo que se pretende relembrar, reencontrar uma ideia que se deseje rever ou, se se estiver a seguir o método como um todo, encontrar, após o trabalho numa primeira competência, o ponto que se pretende explorar a seguir. 
O que me leva ao método e às muitas estratégias que o constituem. Claro que, neste tipo de livro, é sempre inevitável uma certa sensação - pelo menos num primeiro contacto - de que, em teoria, é tudo muito interessante, mas que, na prática, nunca será assim tão simples. Mas a verdade é que isso está implícito em todo o texto: não será simples. E, independentemente dos pontos de vista discordantes ou de se querer ou não seguir o método na globalidade, há em todas estas estratégias algo de relevante a considerar. E isso pode ser algo tão simples como um aviso (aparentemente óbvio) para prestar mais atenção às emoções. Tão simples que nunca pensámos realmente nisso, talvez.
Acessível, esclarecedor e de leitura agradável, trata-se, portanto, de um bom livro para descobrir como funciona, afinal, a inteligência emocional e de que formas aplicar este conhecimento no sentido de uma vida melhor e mais equilibrada. Muito interessante.

Título: Inteligência Emocional 2.0
Autores: Travis Bradberry e Jean Greaves
Origem: Recebido para crítica

sábado, 15 de julho de 2017

Café Amargo (Simonetta Agnello Hornby)

Maria é filha de um advogado que, por ser socialista, foi perdendo todos os clientes, apesar da sua competência. E, por isso, sabe que as dificuldades financeiras são um obstáculo considerável ao seu futuro, seja como professora, o seu sonho de sempre, seja como esposa e mãe. Mas um visitante inesperado muda o rumo da sua vida. Pietro Sala é um homem do mundo, culto, com boas ligações, e apaixonou-se por Maria à primeira vista, ao ponto de estar disposto a casar sem dote. E, apesar de todas as reticências, suas e da família, Maria sabe que essa é a melhor solução para os problemas de todos. Aceita - e descobre no marido um homem de encantos secretos, mas também de vícios e vulnerabilidades. E, num país em mudança e em que o papel da mulher na sociedade parece ainda muito limitado, Maria dará por si com o futuro nas mãos... e uma ligação do passado à espera de desabrochar em pleno.
Acompanhando grande parte da vida da protagonista, mas com um enredo que é muito mais vasto do que a sua história pessoal, este é um livro que tem como primeiro de vários pontos fortes o equilíbrio entre o percurso pessoal das personagens e o muito relevante contexto histórico em que se movem. As questões políticas, as mudanças de pensamento e de regras sociais, a guerra e as suas consequências na vida das pessoas são apenas alguns dos aspectos bem presentes ao longo desta história. E isto é um ponto forte precisamente porque, ao desenvolver estes temas ao ritmo da vida das personagens, torna-se mais fácil assimilar o ambiente da época e aprender algo ao mesmo tempo que se acompanha a história principal.
E a história principal é a de Maria. Maria, mulher do seu tempo, mas com uma força que não permite resignações. Maria forte, capaz de fazer frente ao mundo quando assim tem de ser, mas vulnerável quando todas as pressões se voltam contra ela. Maria humana, complexa, falível, fascinante, que aprende tanto com a vida como aqueles que a acompanham. E a sua história é mais que a de um casamento aceite por necessidade. É a história do seu crescimento, da sua evolução ao ritmo do mundo. De sentimentos que, vindos da infância, se transmutaram em algo maior, ao mesmo tempo que o mundo, também ele, mudava. E, claro, de descobertas de todo o tipo - venham elas das crueldades da vida ou dos labirintos do coração.
Tudo isto cativa e até as mais pequenas coisas despertam a curiosidade em saber o que se seguirá. E a forma como a autora constrói a história, equilibrando as medidas certas de tensão, de mistério, romance outros afectos e ainda de esperança, mesmo no seio do desespero, faz com que tudo pareça adquirir o registo certo, o de uma história que cresce e se expande de forma gradual, num ritmo que vai crescendo em intensidade e que culmina num final particularmente marcante.
Vale a pena? Mas claro que vale a pena. Desde o carisma das personagens ao equilíbrio entre os segredos guardados e as grandes revelações, passando ainda pelo contexto delicado que dá a todo este percurso ainda uma nova dimensão, não há nada neste livro que não tenha algo de cativante para oferecer. E, nos momentos de ternura e nos de medo, nos de encanto e nos de desespero - nas pequenas coisas, como nas grandes mudanças de um tempo conturbado - há muito nesta história para guardar na recordação. Vale a pena, sim. Muito, muito mesmo. 

Título: Café Amargo
Autora: Simonetta Agnello Hornby
Origem: Recebido para crítica