sexta-feira, 24 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Amor em Minúsculas (Francesc Miralles)

Samuel é um homem solitário, habituado à calma de uma vida dividida entre as suas aulas de Literatura Alemã e os seus pequenos prazeres tranquilos. Mas tudo muda quando um gato sem dono lhe aparece à porta e Samuel lhe dá um prato de leite. Primeiro, pensa em arranjar um dono para o gato, mas descobre que isso vai levar algum tempo. E Mishima, o irrequieto felino, parece ter planos para o seu dono. Primeiro, leva-o à porta de um vizinho que precisa de ajuda. E este, por sua vez, leva-o a outro encontro fortuito com uma pessoa do seu passado que Samuel nunca esqueceu. Passaram trinta anos desde a última vez que a viu, mas basta um olhar para reconhecer Gabriela. E, subitamente acompanhado por mais amigos do que alguma vez julgou ter, Samuel dá por si numa estranha missão: fazer-se recordar a Gabriela, mesmo que a sua própria vida se tenha tornado um turbilhão.
Estranha mistura de leveza e de estranheza, contada de uma forma muito simples e pessoal e, porém, com uma boa dose de filosofia à mistura: assim se poderia definir este livro. Um livro onde a normalidade não é propriamente um traço abundante e onde, apesar disso, tudo parece fazer sentido de uma forma natural. E isso nota-se, desde logo, no protagonista: Samuel parece levar uma vida normal, ainda que solitária, mas a vastíssima capacidade de pensar - e pensar, e pensar - em tudo o que pode acontecer conferem-lhe um certo toque de loucura que se revela nos momentos mais inesperados. E tendo em conta que essa mesma loucura está também presente em várias outras personagens, o resultado é um conjunto de peripécias muito simples, mas muito estranhas... e cativantes.
Há também um lado curioso na forma como o autor equilibra este lado caricato e divertido do enredo com a parte filosófica. As introspecções do protagonista, as suas divagações literárias, a estranha e inspiradora obra do seu vizinho, o excêntrico Valdemar... há em tudo isto um lado quase místico, e esse estende-se aos próprios acontecimentos, pois faz com que as personagens acabem por desencantar as mensagens mais inesperadas. É certo que estes laivos de introspecção dão ao livro um ritmo um pouco mais lento. Mas também o tornam mais interessante.
Ficam perguntas sem resposta - e não são poucas. Mas também isso parece ser propositado, pois uma das lições aprendidas pelo protagonista é a de que as perguntas levam a mais perguntas - e não necessariamente a respostas. E, por isso, apesar da inevitável sensação de uma certa curiosidade insatisfeita (sobre Valdemar, sobre a vida de Gabriela no Japão, sobre algo tão simples como de onde apareceu o gato), faz todo o sentido que essas questões sejam deixadas em aberto.
A impressão que fica é, pois, a de uma história de coisas simples e bizarras, coisas que, do mais pequeno dos gestos, podem fazer uma grande revelação. Cativante, divertido e invulgar, um livro surpreendente e enternecedor. E uma boa leitura, claro. 

Título: Amor em Minúsculas
Autor: Francesc Miralles
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 20 de março de 2017

A Magia do Oráculo dos Anjos (Patrícia Jarimba)

Seres de luz, comuns a vários sistemas de crenças, organizados numa hierarquia que tem como objectivo a concretização do potencial divino - e, como tal, entidades das quais é possível obter auxílio, desde que solicitado. Assim se poderão definir os anjos, segundo o sistema apresentado neste livro: um livro que é, antes de mais, um guia prático, mas que pode também responder a algumas perguntas de simples curiosos.
Acompanhado de um baralho de cartas e centrado, acima de tudo, na possibilidade de pedir auxílio e orientação aos anjos, este é um livro que, não se cingindo a uma religião concreta, assenta, ainda assim, numa base de crença. Assim, e sendo, antes de mais, um guia prático para procurar essa orientação, será provavelmente um livro mais útil a quem tiver algum tipo de relação com a espiritualidade. Ainda assim, não deixa de ser uma leitura interessante para simples curiosos: primeiro, porque as linhas gerais da teoria estão presentes; e, segundo, porque não deixa de ser interessante conhecer novos métodos e formas de viver a espiritualidade, acredite-se ou não.
Grande parte do livro consiste na explicação das várias cartas e no modo de as usar,  acrescentando-se depois a isto com algum contexto e informações complementares. Mas há um aspecto que se destaca desta leitura: é a forma simples e clara como tudo é explicado, permitindo uma leitura sempre interessante e acessível, para crentes e para curiosos. Claro que, para estes, fica uma certa curiosidade em saber mais do contexto (das origens históricas deste tipo de crenças, das várias fontes...) mas o essencial está lá. 
Quanto à eficácia do método... bem, é uma questão de crença. E é inevitável, se não se partilhar deste tipo de crenças, a sensação de que a abordagem de alguns aspectos é, no mínimo, sensível, particularmente no que diz respeito à saúde. Ainda assim, e viva-se ou não ligado à espiritualidade, é possível retirar da leitura algumas ideias interessantes e pensamentos positivos. E isso basta para despertar um pouco mais a curiosidade, por mais dúvidas que se possa ter quanto a algumas abordagens.
A impressão que fica é, pois, a de um livro que pretende ser, acima de tudo, um guia na busca por uma orientação espiritual. Ainda assim, viva-se ou não com base neste tipo de crenças, há neste livro várias ideias interessantes e uma base, ainda que sucinta, de contexto que não deixa de despertar uma certa curiosidade em saber mais. Tudo isto construído de uma forma simples, organizada e agradável de ler. E bastante interessante, em suma. 

Título: A Magia do Oráculo dos Anjos
Autora: Patrícia Jarimba
Origem: Recebido para crítica

Passatempo Filhos do Vento e do Mar

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Editorial Presença, tem para oferecer um exemplar do livro Filhos do Vento e do Mar, de Sandra Carvalho. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Filhos do Vento e do Mar dá continuidade à série Crónicas da Terra e do Mar. Qual é o título do primeiro volume?
2. Como se chama a outra série de Sandra Carvalho?


Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 26 de Março. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- O vencedor será contactado por e-mail e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

sábado, 18 de março de 2017

Arte no Sangue (Bonnie MacBird)

Quando recebe a notícia de um incêndio no 221B de Baker Street, Watson teme o pior. E o que realmente encontra não está muito longe disso. Abatido pela falta de trabalho, Holmes voltou aos velhos vícios e Watson já não sabe como o ajudar. Mas eis que chega uma carta codificada de Paris, escrita por uma cantora famosa que precisa da ajuda do grande detective para recuperar o filho. O caso é complexo, e funde-se com outros interesses. E isso basta para devolver Holmes à sua bela energia. Mas há também muitos perigos à espreita nesta investigação. E, quando ninguém é o que parece e há quem tenha mais poder do que devia, até o mais pequeno erro pode revelar-se fatal.
Não são precisas grandes apresentações no que diz respeito aos protagonistas deste livro. São, eles, aliás, um dos primeiros pontos a despertar curiosidade - e também a surpreender - neste Arte no Sangue. Curiosidade, porque sendo personagens intemporais, surge desde logo o interesse em saber se a autora os representa à altura da sua lenda. E surpresa, pela forma como a resposta a esta pergunta se vai revelando.
Sherlock Holmes é neste livro o mesmo que nos casos originais de Sir Arthur Conan Doyle? É, sem dúvida. E é também mais, pois este caso, e a forma como a autora o constrói, revelam uma outra faceta do grande detective. Sem nada negar da sua identidade - as lendárias capacidades dedutivas, a racionalidade e o pragmatismo incontornáveis, a falta de paciência para formalidades e conversas de circunstância que o façam perder tempo - a autora apresenta um outro lado de Sherlock: o lado vulnerável, frágil, falível. Que também não é inteiramente novo (nem poderia ser, pois faz parte da personagem), mas que ganha um destaque particularmente marcante na construção deste muito intrigante caso. 
O que me leva ao caso em si e à forma como a autora constrói uma teia de mistérios complexa e fascinante, em tudo à altura do seu protagonista. O caso da estátua, a criança desaparecida e todos os outros novos enigmas que vão surgindo com o desenrolar da narrativa, conjugam-se num equilíbrio delicado e sempre intrigante, em que, a cada passo, há algo de novo a descobrir, novos perigos a enfrentar e consequências... por vezes inimagináveis. E, assim, à racionalidade impiedosa de Sherlock Holmes junta-se uma intensidade emocional surpreendente. E a soma das partes torna-se assim mais vasta, mais intensa, mais impressionante. 
É sempre um prazer regressar a estas personagens, principalmente pela mão de um autor que lhes faça justiça. E é isso mesmo que acontece neste livro, que, intrigante desde as primeiras páginas e surpreendente até ao fim, cativa desde muito cedo e fica na memória bem depois de lidas as últimas linhas. Recomendo. 

Título: Arte no Sangue
Autora: Bonnie MacBird
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Anjo da Morte (M. J. Arlidge)

Depois de muito lhes fugir, os fantasmas do passado apanharam Helen Grace e, agora, terá de sofrer as consequências. A aguardar julgamento na prisão de Holloway e sem grandes defensores da sua causa, excepto a sempre leal Charlie, Helen sabe que tem de manter a esperança, mas que só um milagre poderá tirá-la dali. Mas essa não é a sua única razão para temer, como não tarda a descobrir quando outra reclusa é encontrada morta na sua cela. Do assassino, não há qualquer sinal, mas tudo indica que não se trata de uma simples vingança. E, assim sendo, é bem possível que não seja caso único. A Helen, só lhe resta fazer todos os possíveis para descobrir o responsável - antes que também ela se torne uma vítima. 
Uma das coisas mais impressionantes nesta série (em que não faltam coisas impressionantes) é a forma como o autor consegue sempre criar uma teia de surpresas, que, relacionando o percurso pessoal das personagens com um caso para lá dessa mesma história, é todo um mundo de mistério e de acção. Há sempre alguma pista a descobrir, algo de negro a acontecer, um passo que se revelará importante ou fatal. E, a cada capítulo curto, a cada novo desenvolvimento, o autor abre novos caminhos, sem necessariamente fechar os que ficam para trás. O resultado é uma teia complexa e intrincada, mas sempre fascinante e absolutamente viciante. 
Claro que parte do que contribui para este fascínio crescente é a história cada vez mais complexa de Helen Grace e dos que mais de perto a acompanham. Aqui, mais do que nunca, é Helen no centro de toda a tensão, pois tem de lidar, ao mesmo tempo, com um caso tenebroso, e com as barreiras acrescidas das suas próprias circunstâncias. Mas tudo se conjuga num todo mais amplo: a lealdade de Charlie e o que a sua persistência motiva tornam a situação de Helen tão relevante (ainda que de presença mais discreta) como o próprio caso de Holloway. E a conjugação dos dois casos, pessoal e profissional (bem, tão profissional quanto pode ser dada a situação da protagonista), aumenta em muito a intensidade do enredo.
O resto é o conjunto das qualidades que, presentes desde o primeiro livro, se reforçam cada vez mais a cada novo volume: o ritmo intenso, a escrita que transmite na perfeição a aura de tensão e mistério que pauta todo o enredo, o delicado equilíbrio entre o desenvolvimento das personagens, a nível pessoal e profissional, os crimes mais ou menos macabros e as intrigas e jogos de poder no seio da investigação, e as muitas e impressionantes surpresas ao virar de cada página. Tudo num equilíbrio perfeito e mais intenso a cada nova revelação.
Ao quinto livro, esta série atingiu um pico difícil de ultrapassar. Mas O Anjo da Morte revela-se à altura das altíssimas expectativas geradas. Intenso, viciante, surpreendente e, acima de tudo, capaz de despertar todas as reacções certas em todos os momentos necessários, um livro que não desilude em nenhum aspecto. Brilhante, claro. Como sempre. 

Título: O Anjo da Morte
Autor: M. J. Arlidge
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Grande Livro Paw Patrol (Nickelodeon)

Sempre que há problemas, os habitantes da Baía da Aventura sabem que podem contar com a Patrulha Pata, pois Ryder e os seus cachorros estão sempre prontos para qualquer missão. Mas em que consiste, afinal, a Patrulha Pata? Bem, este livro é uma boa forma de descobrir.
Para quem não conhecer os desenhos animados, este livro é o ponto de partida ideal para conhecer as personagens. E se, tendo já lido anteriormente duas aventuras deste curioso grupo, tinha ficado com muitas perguntas em aberto, bem, com este livro fiquei a conhecer um pouco melhor a Patrulha Pata. Claro que não pertenço ao público preferencial deste livro, mas, se das leituras anteriores tinha ficado muita curiosidade insatisfeita, agora há coisas que já fazem mais sentido.
Este livro não é propriamente uma aventura em si, mas antes uma explicação geral sobre quem é a Patrulha Pata. Mas não deixa de ser uma leitura interessante. Primeiro, por dar a conhecer as personagens. E, segundo, por, através deste conhecimento, despertar curiosidade para as suas aventuras - em livro e em desenho animado.
É também um livro bonito, já que as ilustrações são tão ou mais importantes que o próprio texto. E contribuem também para despertar a curiosidade, pois há qualquer coisa de adorável na ideia de um grupo de cachorros heróis e as imagens reforçam esse lado encantador.
Não deixa de ser um livro pensado para crianças e, particularmente, para os seguidores da série de desenhos animados. Ainda assim, esta quase que apresentação das personagens, não deixa de cativar e despertar interesse. E isso não se aplica só aos mais novos...

Título: O Grande Livro Paw Patrol
Autor: Nickelodeon
Origem: Recebido para crítica