terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sangue Frio (Robert Bryndza)

A descoberta de um cadáver desmembrado dentro de uma mala deixa Erika Foster preocupada. Já lidou com muitos casos difíceis e basta um primeiro contacto para perceber que este será mais um. Só que aquele corpo é apenas o primeiro e as poucas pistas parecem não levar a lado nenhum. Certezas tem apenas duas: a de que há um assassino cruel à solta e de que precisa de resolver o caso. Mas, quando mais precisava de se concentrar, uma traição vinda de onde menos espera resulta num ataque que a deixa fragilizada. E o caso tem de ficar para segundo plano - pelo menos até poder regressar.
É sempre um prazer regressar à companhia de Erika Foster. É, aliás, uma das grandes qualidades desta série, a forma como, apesar dos diferentes casos e das relações que acabam ou se alteram, surge sempre uma agradável sensação de reencontro ao mergulhar na leitura de um novo volume. É que as coisas vão mudando: Erika rejeitou uma promoção, o relacionamento que começava a desabrochar mudou e até mesmo a segurança de trabalhar com uma equipa de confiança pode ser abalada. Mas Erika continua a mesma: feroz, determinada, com a cabeça no lugar.
Quem já leu os outros volumes da série, saberá, claro, que Erika tem muitas qualidades, mas está longe de ser perfeita - o que só a torna mais interessante. Isto é particularmente evidente neste livro, em que um ataque pessoal e alguns fios vindos da história anterior fazem com que o mundo pessoal de Erika ganhe um maior destaque. Claro que o caso continua a ser o elemento fundamental, e é no trabalho que o melhor de Erika se revela, mas conhecer o seu lado vulnerável torna tudo muito mais intenso e maior a curiosidade acerca do que poderá vir a seguir.
Quanto ao caso em si, é cheio de surpresas - sendo que só isto é que não é uma surpresa. O autor divide-se entre o percurso da investigação e o percurso dos criminosos, o que, por um lado, permite uma visão mais próxima do que está a acontecer de ambos os lados e, por outro, evidencia desde muito cedo que nunca nada será tão simples como parece. E assim, a história vai-se desenrolando, numa sequência de pistas, revelações e mudanças de rumo cuja intensidade vai em crescendo e culmina num final especialmente poderoso. Marcante não só pela resolução do mistério, mas porque não é só Erika quem tem questões pessoais a explorar - e a forma como os dois mundos se conjugam (ou, de certa forma, colidem) torna tudo bastante mais avassalador.
Com a sua protagonista notável e complicada, um caminho difícil e um caso cheio de surpresas e reviravoltas, trata-se, pois, de mais um volume que corresponde inteiramente às expectativas criadas pelos anteriores. Intenso, surpreendente e muito, muito viciante, um livro a não perder. Recomendo.

Título: Sangue Frio
Autor: Robert Bryndza
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Ansiedade dos Nossos Dias (Diogo Telles Correia)

Vivemos num mundo frenético, competitivo e com cada vez menos espaço para o erro. Não surpreende, por isso, que a ansiedade seja um mal que tem vindo a aumentar. Mas o que é isso da ansiedade? Em que consiste? É toda igual? Há outras questões associadas? Como se diagnostica? E, mais importante ainda, como se trata? É a estas perguntas - e a mais algumas delas decorrentes - que este livro pretende dar resposta.
Uma das primeiras coisas que importa realçar acerca deste livro é que não é um livro de auto-ajuda. Não vai sugerir soluções, muito menos desencadear mudanças milagrosas. Não. É um livro que explica, que permite compreender e que, com as suas explicações esclarecedoras e os exemplos dos vários casos relatados, permite compreender melhor o que é a ansiedade e como se manifesta. As soluções, essas, partem sempre da procura de ajuda especializada.
Como todas as doenças, e principalmente as do foro mental, trata-se de um tema complexo e que envolve múltiplos factores. O interessante neste livro é a forma como o autor consegue simplificar, explicando o essencial de uma forma acessível - mesmo a quem não tenha grandes conhecimentos prévios sobre o tema - e realçando o mais importante: a necessidade de compreender o que se passa e de procurar ajuda para combater os problemas. Abordando os diferentes tipos de ansiedade de uma forma organizada, das causas ao diagnóstico e tratamento, e usando depois casos práticos, contados de forma aberta e cativante, para dar exemplos práticos, o autor abre portas a uma mais ampla compreensão deste problema.
É, curiosamente, um livro relativamente breve e é inevitável a sensação - até porque muito haveria a dizer sobre a complexidade dos mecanismos envolvidos - de que muito mais haveria a explorar sobre o tema. Ainda assim, o registo sintético parece, neste caso, ser bastante adequado, realçando os elementos essenciais sem se dispersar em demasiados detalhes, o que permite uma compreensão global do problema e das possíveis soluções.
Relevante, esclarecedor e de leitura agradável, trata-se, portanto, de um bom livro para começar a entender esta doença que, num mundo capaz de pôr a prova os nervos de qualquer um, tem vindo a tornar-se cada vez mais presente. Muito interessante. 

Autor: Diogo Telles Correia
Origem: Recebido para crítica

sábado, 15 de setembro de 2018

As Ondas do Destino (Sarah Lark)

Apesar da sua história delicada, Deirdre Fortnam leva uma vida alegre e protegida na plantação dos pais. O seu crescimento, porém, desperta algumas preocupações sobre o seu futuro. Por isso, quando o jovem médico Victor Dufresne entre na vida de Deirdre, parece ser uma solução caída dos céus. Victor e Deirdre amam-se e o facto de o futuro de ambos ter de ser em Saint-Domingue parece até uma bênção disfarçada. Mas também aí se vivem tempos de mudança e rebeliões começam a ganhar forma. E Deirdre encontrará paixão onde menos espera - uma paixão que não poderá continuar...
Apesar das evidentes ligações (e das personagens comuns) com A Ilha das Mil Fontes, esta é uma história essencialmente independente da anterior. Ainda assim, ganha um novo impacto conhecendo à partida o passado de algumas personagens. Deirdre e Jefe têm elos comuns e esses terão um papel fulcral na evolução dos acontecimentos. Além disso, é também interessante reparar nos paralelismos e nas divergências entre as histórias de Nora e Deirdre: caminhos diferentes, personalidades muito distintas, mas ambas em pleno ponto de viragem do mundo a que pertencem.
Os paralelismos não se ficam por aqui, claro, pois também nesta história o tema da escravatura desempenha um papel dominante. E é interessante a forma como a autora consegue acrescentar algo que diferencia às duas histórias ao mesmo tempo que realça as mesmas - e sempre pertinentes - questões. A vida em Saint-Domingue é diferente da da Jamaica, mas estão presentes o mesmo desprezo, a mesma crueldade... e as mesmas consequências, ainda que assumindo uma forma distinta. Tudo isto está subjacente à história central e reforça-lhe o impacto - pois compreender a vida das personagens e compreender também as condições e o contexto da época.
Mas passando à história. Uma das grandes qualidades dos livros de Sarah Lark é a naturalidade com que tudo parece fluir, ao ponto de nem as descrições mais extensas retirarem intensidade ao ritmo da narrativa. E também aqui há um cenário novo e regras novas, revelados de forma gradual e ao ritmo da percepção das próprias personagens. Há, pois, uma beleza e e uma fluidez naturais que facilmente nos transportam para o interior da história. E depois... Depois os acontecimentos fazem o resto.
O cenário pode ser idílico, mas nada - nem ninguém - é perfeito. E aqui está outra das grandes surpresas deste livro. Deirdre e Victor (e Jefe) estão muito longe de ser Nora e Doug. E, às vezes, não é tão fácil compreender as suas motivações. O impressionante é que, mesmo quando as escolhas são imperfeitas, quando não é difícil adivinhar que aquilo não vai correr bem, a história nunca perde a magia. A imperfeição humaniza as personagens. As consequências, essas, aumentam o impacto emocional. E no fim fica a sensação de uma longa e árdua jornada, feita tanto de sonhos e de esperanças como de queda e da redenção... possível.
Fica, pois, a mesma magia e o mesmo encanto, resultado de um mergulho profundo feito igualmente de beleza, de amor e de brutalidade. Uma história notável, em suma, com personagens marcantes e uma escrita que encanta desde as primeiras linhas. Belíssima. 

Autora: Sarah Lark
Origem: Recebido para crítica

Para mais informações sobre o livro As Ondas do Destino, clique aqui.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Divulgação: Novidade Asa

Na noite em que a mãe lhes foi arrancada, os gémeos Maisy e Duncan perceberam que só podiam contar um com o outro. Se até então a vida deles não fora fácil, a partir desse momento piora dramaticamente pois o pai decide enviá-los para casa da avó, a ríspida Violet.
Os gémeos sentem-se mais abandonados do que nunca. Mas a negligência da avó tem um lado positivo: Maisy e Duncan passam a desfrutar de uma liberdade inesperada e podem explorar o campo e fazer novas amizades sem terem de se justificar a ninguém. Até ao dia em que Duncan desaparece sem deixar rasto.
À medida que os dias dão lugar a semanas, perante a ineficácia da polícia e a indiferença da avó, Maisy decide descobrir por si própria o que aconteceu à única pessoa que verdadeiramente ama. E vai começar por Grace Deville, a excêntrica amiga do irmão. Grace vive isolada na floresta... e tem segredos por revelar…
O Dia Em Que Te Perdi explora ternamente temas delicados e actuais. Lesley Pearse, uma contadora de histórias nata, fala-nos de perda, de esperança, de força interior, e dos inquebráveis laços de família.

Lesley Pearse é autora de uma vasta obra publicada em todo o mundo e uma das escritoras preferidas do público português. A sua própria vida é uma grande fonte de inspiração para os seus romances. Quer esteja a escrever sobre a dor do primeiro amor, crianças indesejadas e maltratadas, adopção, pobreza ou ambição, ela viveu tudo isto em primeira mão. Lesley é uma lutadora, e a estabilidade e sucesso que atingiu na sua vida deve-os à escrita. Com o apoio da editora Penguin, criou o Women of Courage Award para distinguir mulheres comuns dotadas de uma coragem extraordinária.

Divulgação: Novidade Saída de Emergência

Shadow Moon sai da prisão e descobre que a sua mulher morreu. Derrotado, falido e sem saber para onde ir, conhece o misterioso Sr. Wednesday, que o emprega como guarda-costas, empurrando Shadow para um mundo mortífero onde fantasmas do passado regressam da morte e onde uma guerra entre deuses está iminente. O romance vencedor de prémios Hugo, Bram Stoker, Locus, World Fantasy e Nebula que deu origem ao sucesso televisivo da Starz, com autoria de Neil Gaiman, é adaptado como novela gráfica pela primeira vez!Compilando os primeiros nove números da série de banda desenhada Deuses Americanos, juntamente com arte adicional, esboços de personagens e capas de David Mack, Glenn Fabry, Becky Cloonan, Skottie Young, Fábio Moon, Dave McKean e mais!

NEIL GAIMAN é um autor galardoado de romances, novelas gráficas, contos e filmes para todas as idades. Os seus títulos incluem Mitologia Nórdica, A estranha vida de Nobody Owens, Coraline, O que se vê da última fila, O oceano no fim do caminho, Neverwhere: Na Terra do Nada e a série de novelas gráficas The Sandman, entre outras obras. A sua ficção recebeu os prémios Newbury, Carnegie, Hugo, Nebula, World Fantasy e Will Eisner. A adaptação cinematográfica do seu conto Como falar com raparigas em festas e a segunda temporada da adaptação televisiva aclamada e premiada com Emmy do seu romance Deuses Americanos estreará em 2019. Nascido no Reino Unido, vive actualmente nos Estados Unidos.

Formado em pintura pela Universidade de Cincinnati, P. CRAIG RUSSELL fez de tudo na banda desenhada. Depois de se distinguir ao serviço da Marvel pelo trabalho com Killaraven e Doctor Strange, tornou-se um dos pioneiros no desbravar de novos rumos para esta forma de expressão subestimada com, entre outros esforços, adaptações de óperas de Mozart (A Flauta Mágica), Strauss (Salomé) e Wagner (O Anel dos Nibelungos). Craig é autor dos cinco volumes da adaptação em banda desenhada dos Contos de Fadasde Oscar Wilde e deu vida de forma soberba a personagens tão diversos como Batman, Conan, Hellboy, The Spirit, Morte e Sandman. O seu trabalho mais recente inclui adaptações em banda desenhada de Coraline e The Graveyard Book de Neil Gaiman.

SCOTT HAMPTON nasceu em 1959 em High Point, Carolina do Norte, e cresceu embrenhado em literatura clássica, romances de horror e banda desenhada. O seu irmão mais velho, Bo, foi responsá-vel por alimentar um enorme apetite por banda desenhada em Scott.
Foi natural que, quando Bo se tornou ilustrador de banda desenhada, o irmão mais novo lhe seguisse o exemplo (ambos estagiaram com Will Eisner em 1976!) Scott tornou-se um dos mais respeitados artistas e contadores de histórias no meio da banda desenhada. O seu trabalho em Silverheels (Pacific Comics, 1983) é considerado o primeiro título de banda desenhada pintado com continuidade. Além de ilustrar as suas histórias, Scott ilustrou livros de alguns dos melhores autores de fantasia, incluindo Neil Gaiman (Books of Magic, Robert E. Howard (Pigeons from Hell), Clive Barker (Tapping the Vein), Archie Goodwin (Batman: Night Cries) e David Brin (The Life Eaters).

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Chamar as Coisas pelos Nomes (Vânia Beliz)

Sexualidade. Para muitas pessoas, é um autêntico palavrão. E, no entanto, é um elemento essencial do desenvolvimento humano e deve ser abordada desde cedo - não só para uma maior consciencialização, mas também para prevenir potenciais riscos. Este livro, que pretende orientar a família para a abordagem a este tema durante as diferentes fases do crescimento, é um guia útil para compreender o que fazer, o que explicar e de que forma lidar com os possíveis constrangimentos. 
Simples, acessível e muito, muito útil, este é um livro nitidamente pensado para os pais que precisam de começar a pensar na abordagem das questões da sexualidade com os filhos. E, assim sendo, uma das primeiras qualidades a destacar-se é a ausência de tabus: escrito de forma clara e abordando com naturalidade todas as questões, pode funcionar como uma base orientadora para quem precisa de discutir estes temas com um filho ou familiar. Mas há mais: a linguagem acessível e os esquemas e exercícios permitem um trabalho em conjunto e, consequentemente, funcionam como estímulo ao tão necessário diálogo.
Apesar de ser um livro relativamente breve, todos os elementos essenciais estão presentes e a forma estruturada com que a autora aborda os diferentes elementos - considerando os tempos certos, mas também as diferenças existentes - faz com que o livro seja uma boa ferramenta de consulta. Além disso, ao não se esquivar a nenhum assunto, transmite também, de certa forma, a compreensão e confiança que se espera que, depois, os pais venham a manifestar ao falar sobre o tema. O que acontece é, pois, que o livro acaba por ser uma espécie de exemplo, não só de abrangência, mas também de registo.
Haverá naturalmente questões a aprofundar, além da base essencial aqui apresentada. Mas é interessante notar que também nesse sentido a autora aponta caminhos, não só através dos vários projectos referidos no final, mas também no possível recurso a aconselhamento especializado. 
É um ponto de partida, acima de tudo - e um ponto de partida muito claro. Acessível e esclarecedor, desmistifica algumas ideias sobre o que é realmente a sexualidade e de que formas deve ser abordada ao longo do crescimento - abrindo deste modo caminho a relações mais confiantes, conscientes e seguras. Uma boa leitura para pais e educadores, em suma.

Autora: Vânia Beliz
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Clube do Autor

Sertã, Estoi, Arzila: parecem lugares pequenos para palco de um romance épico onde se narram grandes façanhas, batalhas que marcaram a história da nação e ajudaram Portugal a descobrir o mundo. Não são. Lopo Barriga, o herói desconhecido das páginas deste livro, nasceu na Sertã e viveu em Lisboa mas foram as lutas que travou no Norte de África que o tornaram conhecido e inspiraram a narrativa que invoca os nomes maiores dos Descobrimentos.
Lisboa, 1471: Lopo Barriga e o seu fiel amigo Nuno Fernandes de Ataíde embarcam numa expedição rumo a África. Aí protagonizam e saem vitoriosos de sangrentas batalhas, feitos que depressa chegam ao reino e conduzem Lopo Barriga a adail de uma das principais praças do Norte de África.
Alcunhado “o terror dos mouros”, Lopo Barriga foi todavia esquecido pela História. Neste livro, o autor recupera a bravura do destemido e audaz cavaleiro português e oferece ao leitor um romance rico e envolvente que nos transporta para as ruas de Lisboa no tempo dos Descobrimentos, evoca o cheiro dos mares bravios, as brisas quentes do deserto, a emoção e a inclemência dos campos de batalha em África.
Abrir este livro é viajar no tempo, embarcar nas caravelas que ajudaram Portugal a descobrir o mundo e ao mesmo tempo mergulhar numa história de amor, aventura e luta. Tudo Em Nome D’El Rey.