domingo, 4 de dezembro de 2016

As Raparigas (Emma Cline)

Tudo começa quando Evie vê as raparigas. Tão soltas, tão diferentes, tão despreocupadas. A curiosidade é imediata e as limitações do seu próprio mundo adolescente só ajudam à atracção. Depois, o seu caminho volta a cruzar-se com o de Suzanne - e a atracção torna-se fascínio. Evie vê-se atraída para o rancho, onde uma estranha comunidade parece ter-se formado em torno de Russell, o seu estranho e carismático líder. Aí, tudo é novo e as regras são poucas. Quase tudo é permitido. Mas, quando as aspirações do líder são contrariadas, as consequências podem ser imprevisíveis. E Evie, ainda e sempre fascinada por Suzanne, não vê - ou escolhe ignorar - os sinais de alerta.
Não é propriamente fácil encontrar palavras para descrever este livro sem revelar demasiado. Há um crime no cerne do enredo, mas a história não é a do crime, mas da vida antes e depois desse ponto de viragem. Há um grupo, uma espécie de seita, mas a protagonista ocupa um papel como que no limiar entre o seu núcleo e o mundo exterior. E, assim sendo, tudo se constrói num equilíbrio delicado, em que a história que a protagonista conta surge, por vezes, como testemunho e, noutras, como fruto da sua imaginação.
Ora, isto confere à história um ritmo algo peculiar. A narradora, uma Evie adulta, vive um presente enquanto recorda o passado - e é possível ver as marcas desse passado no presente. Mas a história central é precisamente a do passado e a forma como Evie a conta, entre introspecções e visões de si mesma no que poderia ter sido, faz com que algumas partes do enredo pareçam ser contadas de forma algo vaga. Não é que fique algo de essencial por dizer, mas antes a impressão que fica de que os grandes acontecimentos são deixados para bastante tarde, surgindo como que na senda de uma viagem interior que - para Evie, pelo menos - é mais importante do que o crime em si.
O resultado é a sensação de que, ainda que a história de Evie seja completa, haveria mais a dizer sobre a comunidade e os seus outros elementos. Pequenas coisas que, não sendo essenciais ao enredo, poderiam, talvez acrescentar-lhe uma perspectiva mais ampla. Ainda assim, sendo a história narrada na primeira pessoa por alguém que chegou a meio e que estava ausente em alguns dos acontecimentos mais relevantes, não deixam de fazer sentido essas perguntas sem resposta. Pois talvez a própria Evie nunca as tenha descoberto.
Não é propriamente uma leitura compulsiva. Tanto o estilo de escrita como o tom do próprio enredo conferem à narrativa um ritmo relativamente pausado. Mas é interessante, ainda assim, notar como, aos poucos, o fluxo dos pensamentos de Evie se vão tornando mais próximo, conferindo à história que conta uma maior intensidade. E assim, da estranheza inicial surge uma envolvência crescente - que culmina na impressão final de uma boa história... e de um livro que vale a pena descobrir.

Título: As Raparigas
Autora: Emma Cline
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Masha e o Urso: O Dia da Compota (O. Kuzovkov)

Desde que deixou de ser um artista de circo, o Urso passou a levar uma vida mais tranquila. Pelo menos, até ao dia em que a Masha entrou na sua vida! Agora, uma das suas ocupações preferidas é fazer compota, mas também aí a irrequieta Masha não está disposta a dar-lhe descanso. Quer brincar, seja com a fruta que o Urso apanhou, seja com os frascos da compota... enfim, com o que estiver mais à mão. Mas, quando a traquinice causa estragos, é inevitável que o Urso fique zangado... e a pequena Masha vai ter de arranjar uma maneira de o compensar. 
Masha e o Urso... duas personagens curiosas e cativantes. Tão cativantes que, ainda que, depois de lidas umas quantas das suas aventuras, não haja, na verdade, muito de novo a acrescentar, continua a ser um prazer voltar a uma destas histórias. Simples, divertidas, com ilustrações muito bonitas e uma história sempre cheia de peripécias, são sempre uma pequena delícia estas pequenas e atribuladas aventuras. 
São também histórias bastante breves e, por isso, é difícil falar da história sem contar demasiado. Desta vez, é a compota o centro dos acontecimentos e basta dizer que o resultado é bastante... doce. O resto é a viagem do costume: um regresso simpático e agradável a uma visão mais inocente do mundo, em que todos os que podem ajudam e a traquinice também serve para aprender uma ou outra lição. E, claro, importa sempre mencionar o facto de ser um livro bonito, em que as imagens dão mais vida o texto, complementando-o e tornando a leitura mais apelativa.
Mais uma vez, e sem surpresas, a impressão que fica deste livro é a de uma história divertida para os mais novos - e de um agradável regresso à infância para quem, como eu, já a deixou para trás há algum tempo. Uma boa história, portanto, e uma boa leitura.

Título: Masha e o Urso - O Dia da Compota
Autor: O. Kuzovkov
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Sangue Infernal (James Rollins e Rebecca Cantrell)

Algo se passa no mundo. Os strigoi, criaturas poderosas, mas habituadas a mover-se nas sombras, tornaram-se mais fortes, mais ousados, e os ataques sucedem-se. Não parece haver uma explicação evidente para isso, mas há pessoas a morrer às mãos dele - inclusive sanguinistas. E o tempo aproxima-se de realizar o que falta da profecia, mas por onde deve o trio começar? Erin procura respostas em lugares proibidos. Jordan e Rhun regressam a campos de batalha do passado. Mas a resposta vem de uma fonte inesperada. E, lançados uma vez mais numa demanda, o Homem Guerreiro, a Mulher Sábia e o Cavaleiro de Cristo precisam de impedir que Lúcifer seja libertado. Ou o reinado do homem chegará ao fim.
Último volume da trilogia e sequência quase directa dos acontecimentos do livro anterior, este é um livro que surpreende, em primeiro lugar, pela mudança de ritmo. Continua a haver acção em abundância, perigos a enfrentar e inimigos poderosos a combater, o que significa que há sempre algo de interessante a acontecer na narrativa, mas há também um maior desenvolvimento em termos de explicações e contexto, talvez pelo papel de destaque de Erin. Isto torna o enredo um pouco mais pausado, até porque há novas pistas a assimilar. Mas é interessante reparar que este fluxo mais lento nada retira à envolvência da história.
E não posso falar desta história sem referir as personagens, também elas em constante evolução e revelando novas facetas que as tornam mais complexas e fascinantes. Mais uma vez, o maior impacto vem de Rhun Korza, cada vez mais intrigante na sua natureza atormentada, mas também num novo lado de si que vem à tona com a presença de um certo (e muito relevante) felino que surge pela primeira vez neste livro. Mas também Erin e Jordan crescem, à sua maneira, bem como, inesperadamente, Bathory, protagonista de uma das maiores mudanças desta história. 
Quanto ao enredo, tem basicamente as características (se bem que nem sempre o rumo) que seria de esperar de uma conclusão para este tipo de história: intenso, cheio de acção, com muitas reviravoltas. Tem também algumas perguntas sem resposta, sendo que, no caso concreto de Bernard, fica alguma curiosidade insatisfeita quanto ao seu futuro e o que lhe deveria acontecer. Ainda assim, no que diz respeito à linha central da narrativa, tudo se resolve da forma mais adequada: com muitos enigmas, sacrifícios e descobertas, como compete a uma decisão capaz de salvar - ou destruir - o mundo.
A impressão que fica é, por isso, a de um livro que, inesperado em muitos aspectos, mas coerente com os acontecimentos anteriores, encerra da melhor maneira uma grande e fascinante aventura. Intenso, intrigante, surpreendente, um final à altura das expectativas. Muito bom. 

Título: Sangue Infernal
Autores: James Rollins e Rebecca Cantrell
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ratos & Gatos (Gleidston César)

Palavras de afectos, de pensamentos, olhando o mundo segundo o eu. Um eu que sente, que sofre e que ama segundo a sua posição perante os outros, mas que se expande também a um olhar mais vasto, questionando os preconceitos e limitações da sociedade. Um eu vincado, bem definido, que é a própria identidade, pessoal e intransmissível, do sujeito poético - mas que contém em si algo de universal. É isto, este eu que se dá a conhecer nos poemas deste livro - e o resultado é um equilíbrio bastante interessante entre coesão e diversidade.
Um dos aspectos mais interessantes neste conjunto de poemas é a forma como, apesar de cada poema ser um todo em si mesmo, parece ser, ao mesmo tempo, parte de uma unidade maior. É quase como se acompanhasse o percurso evolutivo de um mesmo indivíduo, realçando as suas percepções, convicções e sentimentos. Ora, isto é interessante porque é possível ler só alguns poemas sem ficar com a sensação de alguma coisa em falta, ou ler o livro de uma ponta à outra, ficando com a tal sensação de uma totalidade mais vasta.
Também particularmente cativante é o equilíbrio entre o pessoal e o universal, num conjunto em que todos os poemas parecem pertencer a uma mesma e única voz, mas em que alguns deles falam de amor, outros de amizade, outros das injustiças sociais e da discriminação. Por vezes, o sujeito poético olha para si mesmo. Outras, olha para o mundo. E também isto contribui para realçar o contraste entre o individual e a totalidade, salientando a diversidade de elementos e de temáticas - ainda que projectadas numa mesma visão.
Até na própria estrutura se nota um certo equilíbrio entre coesão e diversidade, moldando temas comuns em diferentes formas e dando-lhes assim um ritmo diferente. Poemas curtos, poemas longos, versos curtos e versos longos, rima ou ausência de... Há um pouco de tudo neste livro e se é verdade que alguns dos poemas marcam mais do que outros (consoante o gosto de quem os lê, também) não há nenhum neste livro que não deixe na memória uma impressão. E nalguns casos, essa impressão é realmente muito positiva. 
A impressão que fica é, portanto, a de um livro coeso e equilibrado, em que o particular e universal coexistem em boa harmonia. Cativante, de leitura agradável e com várias passagens realmente marcantes, uma boa descoberta... e uma boa leitura.

Título: Ratos & Gatos
Autor: Gleidston César
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sangue Inocente (James Rollins e Rebecca Cantrell)

O Evangelho de Sangue foi encontrado. Mas o que parecia ser o derradeiro objectivo é afinal apenas o início de uma demanda maior. Agora, Rhun Korza está desaparecido. Há dúvidas sobre a identidade da Mulher Sábia. Cadáveres começam a surgir na cidade de Roma e, inesperadamente, Erin Granger, que parece ter sido afastada de todo o mistério, é atacada por um blasphemare. É preciso que a trindade da profecia volte a reunir-se e retome a sua missão, indo em busca do Primeiro Anjo. Mas os problemas nessa demanda não são poucos, pois, além de não haver certezas sobre a identidade do Primeiro Anjo, há nas sombras um inimigo poderoso - à espera de desencadear o fim dos tempos.
Dando continuidade aos acontecimentos do volume anterior, e expandindo-os numa intriga cada vez mais complexa de traições e mistérios, uma das primeiras coisas a sobressair neste livro é a notável evolução em termos de impacto. Talvez por as personagens já serem familiares, mas também pela maior intensidade dos picos emocionais ao longo do enredo, este é um livro que junta à envolvência do mistério e a tensão de um perigo constante um cada vez mais impacto emocional no que diz respeito ao que acontece às personagens. E é isso que faz com que, depois de um início promissor com O Evangelho do Sangue, este segundo volume supere todas as expectativas.
Parte do que confere à história esta nova intensidade é a conjugação de novas e antigas personagens, bem como de novos elementos com pistas e mistérios já revelados. À existência dos sanguinistas e seus preceitos junta-se agora uma visão bastante mais ampla de quem são os seus inimigos e do que os move. Mas, mais do que isso, no seio da própria Ordem dos Sanguinistas há motivações diversas e interesses em colisão. Ora, isto faz com que a tal teia de intrigas se torne cada vez mais complexa e fascinante, abrindo caminho a muitas surpresas, grandes revoluções e algumas pistas sobre o que ainda fica por dizer.
Mas, mais uma vez, é importante falar sobre as personagens e os seus dilemas interiores. Nem sempre é fácil gostar de todas elas, havendo em Bernard e Jordan algumas questões de empatia a ter em conta. Mas, quanto a Bernard, a impressão que fica é a de que mais haverá para contar. E quanto a Jordan, chega-se a um ponto em que é preciso aceitar a personagem tal como ela é - tão forte e corajosa como falível nas suas emoções humanas. Por outro lado, ao cada vez mais fascinante Rhun Korza, cuja natureza atormentada ganha clareza a cada nova recordação, juntam-se outras personagens igualmente complexas e marcantes, como a misteriosa Elizabeth, o inocente Tommy e o indecifrável Judas. À sua maneira, todas estas personagens deixam a sua marca. E, num livro em que a acção é uma constante, criam momentos tão surpreendentemente emotivos que dão toda uma nova vida à narrativa. 
Da soma de tudo isto, surge um resultado claro: um segundo volume que eleva e transcende as premissas do primeiro, tornando a história mais intensa, as personagens mais marcantes e o futuro... ainda mais promissor. São, pois, as melhores as expectativas para a conclusão desta trilogia. Que, neste livro, atinge um novo máximo. Muito bom. 

Título: Sangue Inocente
Autores: James Rollins e Rebecca Cantrell
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Livro das Coisas Boas (Marta Spínola)

O tempo passa. As coisas acontecem. As memórias ficam. E a verdade é que, por vezes, a tendência é para que sejam as coisas más as que ficam na memória durante muito, muito tempo. Então porque não guardar as coisas boas, escrevê-las, desenhá-las, fotografá-las para que fiquem para a posteridade? É esse o objectivo deste livro, tendo em conta que coisas boas não têm de ser apenas as grandes aventuras ou o dia mais feliz das nossas vidas, mas também as pequenas coisas: o filme que nos fez sorrir, o livro que nos comoveu, aquele elogio simpático que nos fez corar. Também isso importa. E também isso vale a pena guardar.
Uma das coisas mais interessantes destes livros criativos é, desde logo, o conceito de um livro que não só desafia o leitor a olhar para dentro de si mesmo, mas também a criar. E, se é verdade que, para quem é picuinhas com os livros (como eu) a ideia de profanar um objecto tão lindo com a minha letra pavorosa pode ser um tanto ou quanto... aterradora... também o é que basta passar algumas páginas para que venham à cabeça essas tais memórias que merecem se guardadas. Portanto, não, ainda não preenchi o livro. Mas bastou um primeiro olhar para despertar a recordação das tais coisas boas.
Outro aspecto que chama logo a atenção é o factor visual, em que as imagens se ajustam na perfeição às várias categorias enumeradas no livro, contribuindo também para alimentar a inspiração. E assim, além de um livro diferente, trata-se também de um livro bonito, o que acrescenta ainda um pouco mais à magia do conceito.
E depois há os pequenos textos a apresentar cada categoria. Sim, é provável que o mais importante seja o que quem o preenche tem para recordar. Mas há, naquelas curtas palavrinhas, uma certa insinuação de liberdade, quase como que uma compreensão sem reservas, que, além de inspirar, incentiva, pois realça o carácter pessoal e intransmissível das memórias. E assim, retira-lhe todos os julgamentos.
A soma de tudo isto é, pois, um desafio à criatividade - e, acima de tudo, à memória. Memória das coisas que nos fazem sonhar, das que nos fazem sorrir, das que nos fazem felizes. E é isso que tanto cativa para este Livro das Coisas Boas - um livro bonito, divertido, desafiante e que podemos tornar nosso. Para folhear, para ler... e, sim, para preencher. Recomendo. 

Título: O Livro das Coisas Boas
Autor: Marta Spínola
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A Viagem da Mente (B. P.)

Stuart está habituado a questionar tudo, a divagar por todas as possibilidades que se lhe apresentam. Mas está longe de imaginar a aventura que tem pela frente. Tudo começa quando Marla, habitante de um misterioso planeta, lhe aparece em casa a convidá-lo para uma viagem na sua nave. Fascinado pela sua existência, Stuart aceita sem hesitar e essa viagem leva-o a conhecer lugares de grande beleza - e grande horror. Há, contudo, algo que não bate certo. Tudo parece mudar sem explicação. E, quando perceber o que realmente está a acontecer, Stuart terá uma difícil decisão a tomar.
Bastante curto e com uma base bastante simples, este é um livro com uns quantos pontos fortes e algumas fragilidades, que se conjugam num equilíbrio ambíguo. Ambíguo porque, nalguns aspectos, surpreende pela positiva, enquanto que noutros fica a faltar algo mais. Mas vamos por partes.
O grande ponto positivo é a história propriamente dita. A viagem de Stuart pelos planetas, a explicação do que lhe está a acontecer, as próprias interacções com as outras personagens... em tudo isto há bastante potencial. E falo em potencial porque a verdade é que fica a ideia de que a história podia ser muito mais desenvolvida. Sendo certo que não deixa de cativar tal como é, ficam várias perguntas em aberto e a sensação de que muito mais haveria a explorar na narrativa. A caracterização dos planetas, os momentos de perigo, a própria situação que levou o protagonista ao ponto onde está. A ideia geral é clara. O potencial é bastante. Mas haveria mais a dizer.
Outro ponto forte é a mensagem positiva subjacente à história. Há, na visão de Stuart, uma linha muito clara entre o bem e o mal. E, se é certo que, na realidade, essa linha não é assim tão evidente, não deixa de ser cativante encontrar nas imagens deste mundo uma metáfora para a importância de fazer o que está certo. Mais uma vez, talvez houvesse mais a dizer sobre o assunto. Ainda assim, o essencial está lá.
Quanto aos pontos fracos, um deles é o que já referi: a sensação de que tudo acontece demasiado depressa, deixando coisas por dizer, aspectos por desenvolver. A história é interessante, sim, mas podia sê-lo ainda mais se todo esse potencial fosse mais explorado. O outro ponto tem a ver com algum descuido na revisão do texto, o que faz com que haja várias gralhas e erros recorrentes a quebrar o ritmo da leitura. 
A impressão que fica é, por isso, ambígua. Por um lado, uma ideia repleta de potencial, por outro, a sensação de que mais havia a fazer em termos de concretização. Mas, sendo um primeiro livro, sente-se também uma certa margem para evoluir. E, assim sendo, a ideia que fica é a de uma estreia com algumas fragilidades - mas interessante, ainda assim. 

Título: A Viagem da Mente
Autor: B. P.
Origem: Recebido para crítica