quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O Pequeno Livro dos Grandes Heróis (Sofia Cochat-Osório)

Generais, cientistas, presidentes, descobridores. Cada um, à sua maneira, alterou o rumo da história, deixando uma marca que perdurou para lá da sua existência, e o seu nome tornou-se célebre. É das suas vidas e obras que este pequeno livro trata - um livro breve, mas povoado por grandes figuras, cuja história vale sempre a pena descobrir ou relembrar.
Não é propriamente uma surpresa, tendo em conta o título, que a abordagem deste livro a cada um destes protagonistas seja relativamente breve. É, aliás, uma certeza que muito mais haveria a descobrir sobre as vidas de cada um destes heróis - até porque há biografias dedicadas a grande parte deles. O objectivo não é, porém, fazer uma descrição completa do seu percurso, dedicando-se antes aos factores essenciais: a história de vida e os feitos que justificam que cada uma destas figuras sejam tidas como heróis. O resultado é uma exposição relativamente concisa, mas bastante clara, de cada um destes homens.
Tendo isto em conta, bem como o facto de todas estas histórias terem em si algo de fascinante, é inevitável a vontade que fica de saber mais sobre cada uma destas figuras ilustres. Mas, neste caso específico, esta curiosidade insatisfeita acaba por ser uma qualidade, pois dá a conhecer o essencial dos protagonistas, ao mesmo tempo que desperta a vontade de ler mais, ir mais longe, aprofundar conhecimentos. O que é sempre algo muito bom de se ter em mente.
Há ainda dois outros aspectos que importa destacar: a escrita e a diversidade. A escrita, pois consegue criar um relato fluido e cativante, sem se perder em pormenores desnecessários nem dar a impressão de que falta informação (pese embora o já referido facto de a vida de qualquer um destes homens ser muitíssimo mais vasta do que o que cabe em meia dúzia de páginas). A diversidade, pois destaca um aspecto bastante notável: o de que não é preciso entrar num combate propriamente dito para se ser um herói. Há os que desempenharam um papel de relevo na guerra, mas também os que defenderam um outro tipo de resistência ou até aqueles cujo heroísmo vem mais de convicções do que de actos. Realçando que o heroísmo tem múltiplas facetas - tal como a vida.
Cativante, conciso, mas repleto de informação interessante, proporciona uma leitura agradável, ao mesmo tempo que incentiva a aprofundar conhecimentos e a descobrir mais a fundo o papel destes homens que mudaram a história. Lembrando, ao mesmo tempo, que o heroísmo nem sempre é feito de grandes combates, como o provam também algumas destas figuras que vale muito a pena conhecer - ou relembrar.

Autora: Sofia Cochat-Osório
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Depois (Morris Gleitzman)

Há dois anos que Felix vive escondido dos nazis na quinta do seu único amigo, Gabriek. Mas a entrada em cena de um grupo de desconhecidos, seguida do incêndio da quinta, deixa Felix e Gabriek numa situação delicada. A única solução que lhes resta é juntarem-se aos resistentes. Aí, Felix conhecerá Yuli, que tentará protegê-lo e orientá-lo, e o doutor Zajak, que lhe dará um papel para desempenhar. Mas, com a guerra a sofrer uma viragem, os bombardeamentos e o perigo constante de se pertencer à resistência, Felix não sabe com quem pode realmente contar. E as perguntas que o perseguem continuam a ser muitas.
Um dos aspectos mais marcantes deste livro é que, apesar de ser uma história pensada para leitores mais jovens, não tenta suavizar a crueldade e a perda. É uma história que decorre em tempos de guerra e de atrocidades, o protagonista é judeu e todas as personagens têm já uma boa ideia do que realmente se passa. Assim sendo, não faria sentido fugir à arbitrariedade da morte e da brutalidade dos tempos em que a história decorre. O choque torna a história mais real.
Torna também o protagonista ainda mais notável. É impressionante ver, no meio do caos e da morte, uma personagem que já passou por tanta coisa e que, ainda assim, se agarra à inocência e tenta - mesmo quando parece impossível - acreditar em coisas boas. Felix tem agora treze anos, mas mantém a mesma inocência, o mesmo fundo de bondade. E este contraste entre a inocência do protagonista - com o seu coração tão grande - e o sofrimento das suas circunstâncias é algo de particularmente comovente.
Sendo uma história narrada na primeira pessoa, é apenas natural que fiquem algumas perguntas sem resposta, principalmente no que diz respeito ao que acontece às outras personagens quando não estão com Felix. Ainda assim, mais do que a vontade de ver mais de perto esses acontecimentos, fica o impacto que eles têm sobre o protagonista quando ele os conhece. Mais do que a curiosidade em saber o que aconteceu aos outros, fica a marca que deixaram na vida de Felix. E, embora também estas outras personagens tenham histórias muito interessantes, são as marcas que deixam - as aprendizagens que inspiram - que realmente se destacam nesta história.
Tudo somado, fica um delicado equilíbrio entre inocência e brutalidade, entre o caos da guerra e a esperança quase inabalável que move o protagonista. Cativante, comovente e com um enredo cheio de surpresas, um livro aparentemente simples, mas que facilmente se entranha na memória.

Título: Depois
Autor: Morris Gleitzman
Origem: Recebido para crítica

domingo, 25 de agosto de 2019

Mulheres Espias em Tempo de Guerra (Ann Kramer)

Quando se pensa no papel desempenhado pelas mulheres no ramo da espionagem, a imagem que vem ao pensamento é inevitavelmente a de Mata Hari, bailarina exótica e mulher sem inibições. Ou então a imagem ficcional de uma qualquer Bond girl. A realidade é, porém, bastante mais vasta e complexa e o que este livro faz é, em jeito de tributo e homenagem, debruçar-se sobre a história destas mulheres que, com uma coragem excepcional e arriscando as próprias vidas, desempenharam um papel crucial nas duas grandes guerras - papel esse que só viria a ser reconhecido mais tarde.
Um dos primeiros aspectos a salientar sobre este livro é também parte do que o torna tão relevante: o facto de muitas destas mulheres não serem tão conhecidas quanto deveriam. O nome de Mata Hari é lendário (sim, é também uma das protagonistas abordada neste livro). Já os das outras mulheres - Odette Sansom, Violett Zsabo, Noor Inayat Khan - são bem menos conhecidos. E, ainda assim, as suas histórias são não só importantíssimas, mas também fascinantes. O primeiro impacto deste livro é, pois, o de uma descoberta preciosa: a da história destas mulheres de coragem e do importante papel que desempenharam no esforço de guerra.
Também bastante impressionante é o facto de permitir uma visão muito mais clara de como terão funcionado os meandros da espionagem, principalmente - mas não só - durante a Segunda Guerra Mundial. As máquinas, os sistemas de comunicação, os riscos e as consequências da captura, mas também as hierarquias, os erros cometidos do lado supostamente seguro. Há todo um mundo a descobrir sobre este tema e a autora apresenta-o de forma clara e cativante, despertando uma imensa vontade de saber mais ao mesmo tempo que constrói uma visão concisa, mas muito completa, das linhas básicas deste mundo.
Há ainda um último aspecto a destacar no que diz respeito à estrutura do livro. Ao optar por seguir períodos e temas específicos, em vez do percurso particular de cada espia, a autora torna a leitura mais abrangente. Mais do que a história pessoal de cada protagonista - embora elas estejam também bem presentes, - fica a história de um todo: das organizações, dos esforços de guerra, das movimentações de resistência e também do sucedido às desaparecidas. Mais do que o percurso individual, sobressaem os pontos comuns, o que faz com que a marca que fica da leitura seja ainda mais forte. Afinal, é impressionante que tantas mulheres tenham tido tanta coragem - e contribuído tanto para o fim da guerra.
Pertinente, cativante e, acima de tudo, fascinante: assim se poderá, pois, definir este livro que é, em simultâneo, um memorial a várias mulheres corajosas e uma lembrança eficaz de que o mundo da espionagem tal como a ficção o imagina pode estar, afinal, bem longe do mundo real. Vale, pois, muito a pena conhecer estas histórias. E recordá-las.

Autora: Ann Kramer
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A Rapariga da Carta (Emily Gunnis)

Samantha Harper gosta do seu trabalho de jornalista, mas sente-se presa num local onde não a valorizam e castigada pelo chefe por ter cometido o erro de ser mãe. Mas tudo muda ao descobrir uma carta que a avó está a ler. A autora da carta é Ivy Jenkins e a sua história é a de muitas raparigas que acabaram numa casa de acolhimento para mães solteiras. Enviada para St. Margaret para ter o seu filho, escreveu repetidamente ao homem que a seduzira apelando a que a resgatasse desse local cruel. Mas não seria esse o final da sua história. Agora, St. Margaret está prestes a ser demolida e Samantha tem pouco tempo para descobrir os seus segredos. Segredos esses que estão mais perto do que ela imagina...
Tendo no centro de toda a história uma das infames casas para mães solteiras de Inglaterra, onde a brutalidade das freiras era tida como "expiação dos pecados", escusado será dizer que este é um livro com um registo bastante sombrio. É esse, aliás, o primeiro aspecto a marcar, já que é impossível não sentir compaixão face às provações de Ivy e Elvira e à forma como as mais eminentes figuras de St. Margaret sempre acharam ser os donos da razão.
Não faltará, pois, material para reflexão a acrescentar a este impacto emocional, já que, tratando-se embora de uma obra de ficção, é sabido que muitos destes factos têm paralelismos numa realidade não muito distante. É bastante impressionante a forma como a autora consegue construir uma história pessoal para as suas personagens e equilibrá-la com este todo mais vasto, gerando a proximidade necessária para sentir com as protagonistas e, ao mesmo tempo, evocando questões pertinentes como as crueldades impostas em nome da religião ou dos bons costumes.
Mas há ainda um mistério, vindo do facto de todos os principais intervenientes na história de Ivy terem encontrado um fim estranho, e a forma como a autora gere estes elementos, deixando pequenas pistas, mas revelando as coisas a um ritmo gradual e pautado por múltiplas revelações, contribui em muito para tornar a leitura bastante mais intensa. Há muito a desvendar pelo caminho, não só que diz respeito aos segredos de St. Margaret, mas principalmente no que toca às ligações entre personagens. Ligações essas que, embora insinuadas desde cedo, culminam num final particularmente intenso.
Feito de mistério e intriga, mas também das marcas duradouras que a crueldade deixa ao longo de gerações, trata-se, pois, de um livro que parte de um tema duro e difícil para construir uma história surpreendente e repleta de personagens notáveis. Sombrio e memorável, cativa desde cedo e dificilmente se apaga da memória. E é precisamente isso que o torna tão bom.

Autora: Emily Gunnis
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

As Coisas Mais Delicadas (Matthew Quick)

Nanette O'Hare é uma rapariga aparentemente normal, a estrela da sua equipa de futebol e razoavelmente integrada, apesar das horas de almoço passadas na sala do seu professor favorito. Mas tudo muda quando este professor lhe oferece um livro obscuro e depois se oferece para lhe apresentar o autor. O livro muda a forma de pensar de Nanette e o seu contacto com Booker, o autor, leva-a a conhecer Alex Redmer, um rapaz que partilha a mesma paixão pelo livro, mas cujo comportamento também a assusta um pouco. Nanette e Alex descobrem-se mutuamente, mas a visão libertadora que inicialmente encontraram no livro cedo começa a trazer consequências mais duras. E, mais uma vez, Nanette vê-se obrigada a questionar as suas escolhas e a opção de pertencer ou não a um mundo onde a diferença é factor de exclusão.
Um dos aspectos mais notáveis deste livro é o facto de ser inesperadamente duro. É uma história de adolescentes - de descoberta, de planos, de amor adolescente -, mas é, acima de tudo, uma história de escolhas e consequência. E surpreende, por isso, não só a dureza dessas mesmas consequências, mas principalmente a forma como se repercutem nas personagens, tornando-as mais ambíguas, mais difíceis de entender, mas também mais complexas, vulneráveis e intrigantes.
Há também como que um quebrar gradual da inocência ao longo de todo o percurso. Alex e Nanette começam o seu caminho empolgados pela descoberta de um amor comum, pela possibilidade de olhar o mundo de uma nova maneira e de deixarem a sua marca. O caminho, porém, acaba por ser muito mais árduo e ambíguo, deixando-os à mercê de um isolamento auto-imposto e de convenções que não assim tão fáceis de derrubar. O resultado é que as personagens se tornam talvez um pouco mais amargas e a história vai adquirindo um registo mais sombrio, à medida que as esperanças vão dando lugar a uma visão mais dura - e também mais lúcida - do mundo e dos que nele habitam.
Tudo se torna, então, inesperado. Nem o rumo da história se encaminha para a previsível descoberta do amor e da liberdade, nem as personagens encontram um futuro perfeito. Cedo se torna evidente que isso nunca seria possível. Há, aliás, um contraste interessante neste evoluir do enredo: a escrita do autor acompanha a evolução das personagens, oscilando entre o registo mais directo e simples da voz de Nanette inicial e a terceira pessoa de uma personagem que descobriu facetas mais negras, tornando-se assim mais distante e escondendo-se sob as suas máscaras. Escrita e enredo atingem assim um equilíbrio particularmente marcante, mesmo nos momentos em que não é fácil compreender e simpatizar com as personagens.
À semelhança do livro de Booker, trata-se pois de um "hino à nobre arte de desistir": uma história sobre o que nos faz pertencer ao meio que nos rodeia e as consequências de se ser diferente, mesmo com as melhores das intenções. Cativante, surpreendente e com uma escrita particularmente eficaz, pode não gerar uma empatia perfeita, mas deixa, sem dúvida alguma, a sua marca.

Autor: Matthew Quick
Origem: Recebido para crítica

Para mais informações sobre o livro As Coisas Mais Delicadas, clique aqui.

domingo, 18 de agosto de 2019

Crónicas à Volta do Mundo (Rui Daniel Silva)

Viajar pelo mundo de mochila às costas pode parece um projecto perigoso e intimidante, principalmente se prestarmos atenção às notícias que todos os dias nos chegam sobre a insegurança de certos países. Mas pode também ser uma experiência reveladora, quer pela beleza dos locais - naturais e construídos pelo homem, - quer pelas diferenças culturais e pela inesperada simpatia dos habitantes de alguns desses países. O que este livro conta é, acima de tudo, a experiência pessoal de uma viagem através desses locais, com as peripécias mais estranhas e alguns elementos inesperados.
Crónicas à Volta do Mundo: à partida, o título diz tudo. Mas é também desta dualidade que surge um equilíbrio intrigante. Sendo um livro de crónicas, faz todo o sentido que cada texto seja relativamente breve. Sendo um livro de viagens, talvez fosse de esperar um maior desenvolvimento em termos de descrição dos locais e da cultura. Onde entra o equilíbrio? Bem, no facto de, apesar de uma certa vontade de descobrir mais a fundo os traços característicos de cada um destes locais, cada crónica ter precisamente a mistura certa de informação objectiva e de experiência pessoal.
Outro aspecto interessante é que parece não haver grandes planos ou limites. Há uma ligação entre as viagens a países próximos, mas não uma região específica ou uma temática a servir de base ao plano de viagem. São viagens pelo mundo, abrangendo locais tão diferentes como o Togo e a Suíça, a Moldávia e o Iraque. E, mais do que a impressão dos próprios locais - para a qual contribuem também as fotografias, - fica uma imagem de experiência pessoal. Talvez também por isso sejam os episódios bizarros que ficam na memória, como por exemplo o desmontar da ideia de que aquela coisa de oferecer uns quantos camelos pela namorada é apenas um mito urbano.
E, claro, há a mentalidade positiva. Pode não ser o mais importante, mas é algo que sobressai ao longo de toda a leitura: a sensação de uma aventura em que, a cada passo, se procura ver o melhor das culturas e das pessoas, mesmo nos locais em que outros interesses parecem falar mais alto. Não faltam as situações delicadas, os enganos, os momentos mais tensos... mas nota-se uma clara intenção de guardar sobretudo o lado bom. E isso é também algo bastante notável.
Mais que um livro de viagens, trata-se, pois, da história pessoal de um viajante, que, embora sucinta na descrição de cada paragem, consegue, ainda assim, realçar o fundamental e transportar o leitor para os momentos mais únicos. Basta isto para fazer com que a leitura valha a pena. Isto... e a sensação de ter viajado sem sair do sítio.

Autor: Rui Daniel Silva
Origem: Recebido para crítica

sábado, 17 de agosto de 2019

Um Mundo Ideal (Liz Braswell)

Agrabah. Cidade esplendorosa, cujo ponto de máxima beleza reside no deslumbrante palácio do sultão, mas onde há demasiada pobreza nas sombras e muita gente que só roubando consegue sobreviver. É o caso de Aladdin, um ladrão invulgarmente escrupuloso, que rouba apenas aquilo de que precisa para sobreviver. A sua relativa tranquilidade está, porém, prestes a terminar. Primeiro, cruza-se com uma rapariga bonita na cidade, que acaba por se revelar ser a princesa real. E, em consequência desse contacto, vê-se atirado para uma masmorra, seduzido pela promessa de um tesouro e usado para pôr nas mãos de Jafar, o tenebroso grão-vizir, um poder capaz de o tornar praticamente invencível. É então que se torna evidente que a cidade não era, afinal, assim tão má. E a única hipótese de salvar alguma coisa é derrotar Jafar, que, graças à lâmpada mágica, se tornou não só sultão, como o feiticeiro mais poderoso do mundo...
Para quem, como eu, cresceu com filmes como o Aladdin, este livro começa por ser uma encantadora viagem ao mundo da nostalgia. O início da história é bastante semelhante ao filme, o que faz com que a primeira impressão seja a de uma agradável familiaridade, tanto com o cenário como, principalmente, com as personagens.
É, porém, quando a história começa a seguir um rumo diferente que a leitura se torna verdadeiramente cativante. Primeiro, porque o desenrolar dos acontecimentos rapidamente cria uma vontade irresistível de descobrir o que acontece a seguir. Depois, porque, embora não seja difícil prever certos desenvolvimentos, há muitas surpresas ao longo da história, bem como muitos momentos marcantes. E finalmente, porque há na construção das personagens um equilíbrio tão eficaz entre o que já conhecíamos dela e esta versão alternativa que acompanhar os seus passos acaba por ser ainda mais notável. É uma nova viagem com companheiros que conhecemos bem.
Há ainda espaço para outros contrastes: entre o cenário sombrio e os deliciosos rasgos de humor protagonizados por diferentes personagens (com inevitável destaque para o próprio Aladdin); na leveza de uma escrita que é pensada para leitores jovens, mas suficiente cuidada e complex para cativar leitores de todas as idades; e entre a aparente despreocupação do mundo dos Ratos de Rua e as importantes mensagens escondidas nos grandes momentos da história.
Cativante e divertido, embora cingindo-se, em vários aspectos, à história original, marca pelo o seu equilíbrio entre novidade e nostalgia e pela forma como, num mundo completamente novo, consegue gerar uma tão grande proximidade com personagens que, embora bem conhecidas, têm aqui uma forma um pouco diferente. A impressão que fica é, pois, a de um agradável regresso a um lugar onde já fomos felizes. E de uma boa leitura.

Título: Um Mundo Ideal
Autora: Liz Braswell
Origem: Recebido para crítica