quarta-feira, 28 de junho de 2017

Divulgação: Novidade Bertrand

Estamos em 2016 e no mundo de Tom Barren a tecnologia solucionou os grandes problemas da humanidade: não há guerra, nem pobreza, nem abacates pouco maduros. Infelizmente, Tom não é um homem feliz. Perdeu a rapariga dos seus sonhos. E o que é que uma pessoa faz quando está de coração partido e depara com uma máquina do tempo? Faz uma estupidez.
Agora Tom dá por si numa realidade paralela aterradora (que nós reconhecemos logo como sendo o nosso 2016) e só pensa em corrigir o erro e voltar para casa. Mas é então que descobre uma versão encantadora da sua família, da sua carreira e de uma mulher que pode muito bem ser a mulher da sua vida.
Tem agora de enfrentar uma escolha impossível. Regressar para a sua vida perfeita, mas pouco emocionante, ou permanecer na nossa realidade, um mundo caótico, mas onde terá ao seu lado a sua alma gémea. À procura da resposta, Tom é levado numa viagem pelo tempo e pelo espaço, tentando perceber quem é de facto e qual será o seu futuro.
Cheio de humor e emoção, um livro inteligente e caloroso que é uma poderosa história de vida, de perdas e de amor.

Elan Mastai nasceu em Vancouver e vive em Toronto com a mulher e os filhos. É um premiado guionista e este é o seu primeiro romance.

Divulgação: Novidade Guerra e Paz

Nos primeiros segundos de 2017, com o fogo-de- artifício ainda a explodir no céu e a namorada ao seu lado, Duarte recebe um telefonema e fica a saber que tem uma herança à sua espera: um velho envelope com uma chave e um mapa. O nosso herói não resiste e parte à aventura — no entanto, quando, horas depois, abre o baú que o seu avô escondera numa gruta, não consegue evitar um grito de terror.
É o ponto de partida para um remoinho de aventuras, entre aviões da II Guerra Mundial, tesouros da Antiguidade e histórias de piratas, reis e princesas à nora nas praias portuguesas.
Deixe-se levar por este enredo de beijos, espadas, morangos e perseguições e parta em busca do tesouro que um romano escondeu, há muitos séculos, na Ilha de Peniche. São histórias inesquecíveis — e, no meio de mouros, espanhóis, ingleses e portugueses, lá aparece uma baleia a dar uma ajudinha à Padeira de Aljubarrota.

Marco Neves. Nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, leitor, conversador e autor. Não são sete? Falta este: é também pai, com o ofício de contar histórias.
É professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e director do escritório de Lisboa da Eurologos. Escreve regularmente no blogue Certas Palavras.
Já publicou os livros Doze Segredos da Língua Portuguesa e A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa. A Baleia Que Engoliu Um Espanhol é o seu primeiro romance.

terça-feira, 27 de junho de 2017

O Grito do Corvo (Sandra Carvalho)

O segredo de Leonor foi revelado e, tendo traído a confiança de Corvo, a sua vida a bordo ficou ainda mais complicada. Mas alimentar ressentimentos pode ser perigoso, pois a Niña del Mar pode aparecer a qualquer momento e os piratas do Rouxinol precisam de estar preparados. Por isso, Leonor precisa de reconquistar a confiança dos piratas e, principalmente, do seu capitão, para poder recuperar o seu lugar enquanto um deles e provar a Corvo a sua lealdade. Até porque a Niña del Mar é apenas um passo e Corvo e Leonor têm outras batalhas pela frente... e inimigos bem mais poderosos à sua espera.
Último volume das Crónicas da Terra e do Mar, e portanto aquele que contém todas as respostas... bem, ou quase... este é um livro em que há sempre algo de empolgante a acontecer, seja nos desafios e nas batalhas que aguardam as personagens, seja na igualmente desafiadora vida sentimental dos protagonistas. Lá porque a verdade veio ao de cima, isso não quer dizer que as coisas se tenham tornado mais fáceis. Muito pelo contrário. Continua a haver muitos desafios e provações no caminho deste grupo de personagens. E a forma como a autora traça este caminho, fazendo de cada momento, seja ele um grande ponto de viragem ou um pequeno instante de paz, um episódio memorável, faz com que não seja fácil largar este livro. Quer-se sempre saber mais, o que acontece a seguir, como é que Leo, ou Corvo, ou Gui, ou seja quem for, vai sair da situação em que se encontra, se se entendem, se se enfrentam, de que forma é que tudo termina. Há sempre uma pergunta que precisa de resposta. E eis que as páginas vão passando, quase sem se dar por isso.
E isto deve-se tanto às histórias como às próprias personagens. Um dos aspectos mais intrigantes desta trilogia é a forma como ninguém é exactamente o que parece ao início, mas, mais do que isso, o percurso de crescimento e de aprendizagem que guia o caminho das personagens. Claro que Leonor é o exemplo máximo de isso, com a sua passagem de menina mimada a mulher forte. Mas todos aprendem algo pelo caminho e aquela personagem que num momento não consegue mais que mexer com os nervos de companheiros e leitor pode, passadas umas quantas páginas, vir a revelar um lado bom que surpreende. Quem são os heróis e quem são os vilões pode ser bastante claro desde o início - mas não há gente perfeita nesta história.
E depois há a escrita - ainda e sempre - e a forma quase mágica com que a autora consegue dar vida às mais pequenas coisas, fazendo-as ganhar intensidade e reforçando-lhes o impacto. Seja na descrição de uma batalha ou num momento de intimidade, tudo parece fluir com total naturalidade, sem momentos forçados nem explicações confusas. A história cresce ao ritmo de que precisa e a voz que a autora lhe dá nunca deixa de cativar.
Fecha-se mais um ciclo com este último livro e parte da magia que ele contém não se consegue descrever em palavras. Por isso, direi apenas o essencial: vale muito a pena acompanhar esta aventura, conhecer Corvo e Leonor e os seus piratas. E descobrir todo o encanto desta história que não posso deixar de recomendar. 

Autora: Sandra Carvalho
Origem: Recebido para crítica

Para mais informações sobre o livro O Grito do Corvo, clique aqui.

domingo, 25 de junho de 2017

O que faria eu se estivesse no meu lugar? (Celso Filipe)

A escrita, a guerra, a família, os livros e os leitores. A morte, a posteridade, a fama, a vida social ou a falta dela. E mais, ainda e sempre muito mais. Tudo isto faz parte deste livro que, mais que um conjunto de entrevistas, é o registo de várias conversas com António Lobo Antunes. Conversas, que, apesar da afirmação de que o leitor tem direito aos livros, não à vida privada do escritor, vão muito mais além que um simples olhar sobre a obra.
Será talvez uma frase estranha para começar a falar sobre um livro de conversas, mas não deixa de ser verdade que a primeira coisa a cativar nesta leitura é a voz. A voz, porque, pertencendo inevitavelmente a um registo diferente do dos livros de António Lobo Antunes (pois será nesses que vai a vida), tem, ainda assim, uma unicidade tão clara e tão estranhamente fascinante que é quase impossível não se ficar imediatamente absorvido no tom quase que intimista (e, porém, tão reservado) das conversas. É como se tudo assumisse um registo único, que, preservando os recantos mais pessoais da vida privada, abrisse, ainda assim, uma porta para conhecer um pouco melhor o homem para trás da obra - numa voz tão invulgar como a que define a obra em si.
Também muito interessante é o facto de não serem entrevistas propriamente ditas, mas conversas que fluem ao ritmo dos assuntos que surgem. Claro que isto tem uma contrapartida - é que o ritmo do pensamento leva várias vezes ao mesmo sítio e, assim sendo, há vários pontos repetidos ao longo das várias conversas. Ainda assim, não deixa de ser interessante esta naturalidade com que tudo parece fluir - como que voltando a ideias recorrentes e, ao mesmo tempo, acrescentando-lhe outras perspectivas. Por vezes coerentes, outras vezes contraditórias - como seria de esperar, aliás, ou não fosse o ser humano contraditório por natureza.
Mas e quanto ao conteúdo? Bem, quanto a isso, destaca-se toda uma vastidão de ideias, de perspectivas bem vincadas, de olhares muito claros sobre coisas tão vastas - e porém tão simples - como a amizade, o amor, as ligações familiares, a escrita. Claro que há elementos com mais impacto. Por exemplo, surpreende a visão de um século XIX de génios e de uma actualidade medíocre. Mas, mais que estas opiniões vincadas, com as quais se pode concordar ou não, ficam na memória as ideias mais pessoais: a de uma vida que não faz sentido sem a escrita; a de um carácter para o qual a ingratidão é o mais horrível dos defeitos. Fica-se com uma imagem diferente, talvez. E certamente com muito em que pensar.
A impressão que fica é, pois, a de um livro surpreendentemente pessoal, com uma voz única e muito de interessante para descobrir nas suas páginas. Cativante, muito, muito agradável e com muito (e bom) material para reflexão, vale muito a pena conhecer este conjunto de conversas.

Título: O que faria eu se estivesse no meu lugar?
Autor: Celso Filipe
Origem: Recebido para crítica

Resultado do passatempo O Grito do Corvo

Chegou ao fim mais um passatempo e, como sempre, agora é altura de anunciar quem é o escolhido para receber um exemplar do livro O Grito do Corvo.

E o vencedor é...

8. Ana Machado (Santo Tirso)

Parabéns e boas leituras!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Pequeno Livro da Astronomia (Máximo Ferreira)

Ponto de orientação, base de conhecimento ou, simplesmente, fonte de fascínio. Tudo isto e mais se aplica ao céu nocturno, com toda a sua vastidão de estrelas e outros corpos celestes. Mas, se simplesmente olhar para o céu e ver as estrelas já é mágico, há, ainda assim, todo um mundo de conhecimento a descobrir. E a pergunta que, desde logo, surge é por onde começar. Este pequeno livro responde a algumas das questões básicas, permitindo ver o céu de uma forma diferente. E, ao mesmo tempo, desperta curiosidade em saber ainda mais.
Bastante breve, mas muito interessante e de fácil compreensão, este não é, nem pretende ser, um guia completo para o estudo da astronomia, mas antes como que um ponto de partida para os interessados no tema. E, sendo assim, aquilo que apresenta são as linhas gerais do estudo do céu e a forma como um qualquer leigo na matéria se pode iniciar neste estudo. Claro que há conceitos que não são aqui definidos ao pormenor - mas a informação essencial encontra-se com uma pesquisa rápida e, para aprofundar aspectos específicos, haverá certamente outros meios. E, assim sendo, a impressão que fica é precisamente a de uma boa base a partir da qual partir à descoberta.
Para a fácil assimilação dos conceitos contribuem também as muitas imagens que acompanham o texto, bem como a carta celeste no final do livro, já que, por mais claro que seja o texto - e é-o, de facto - a visualização não deixa de ser um elemento importante quando o próprio tema se prende com a observação do céu. Além disso, ao dar forma visual aos conceitos no texto, o autor torna ainda mais fácil a compreensão das coisas - sejam elas uma fórmula de medição ou a simples diferença entre duas ampliações.
Não, não é um livro exaustivo - mas, mais uma vez, não pretende sê-lo. O que é, sim, é um bom ponto de partida para quem quer aprender a observar as estrelas com um pouco mais de detalhe e conhecimento. E conhecimento é algo que facilmente se retira deste livro, pelo que, para quem se quer iniciar nesta matéria - ou, simplesmente, tem curiosidade em relação ao tema - a impressão que fica é, portanto, muito simples de descrever: breve, acessível, agradável e esclarecedor. Uma boa leitura, em suma. 

Título: O Pequeno Livro da Astronomia
Autor: Máximo Ferreira
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Os Exportadores Portugueses (Filipe S. Fernandes)

Principalmente com a chegada da crise, começou a ouvir-se falar cada vez mais da exportação como solução para muitos problemas do tecido empresarial. Mas como é que isso funciona realmente? E até que ponto as exportações acrescentam valor - ou abrem novas possibilidades - a empresas já existentes, principalmente se não pertencerem aos grandes grupos? Estas são algumas de várias perguntas importantes a que este pequeno ensaio procura responder.
Se vamos falar em empresas e em volumes de exportação - entre outras particularidades do mundo dos negócios - é inevitável que se espere, à partida, uma boa dose de números e de estatísticas. E, por isso, importa fazer aqui uma nota prévia: este não é um mundo do qual eu tenha grandes conhecimentos. É este ponto, aliás, que me leva ao que é, para mim, o único ponto fraco neste ensaio: para quem não tiver grandes conhecimentos prévios sobre o mundo empresarial, não é fácil entrar neste cenário cheio de termos e de números e de estatísticas, pelo que uma explicação prévia dos conceitos básicos poderia ter sido útil. Ainda assim, basta uma pesquisa breve para esclarecer o essencial. E, a partir daí, mesmo não conhecendo grande coisa do assunto, é possível retirar desta leitura uma muito boa ideia de como funciona o mundo das empresas exportadoras.
Quanto ao ponto forte, e é considerável, tem a ver com a forma como o autor recorre a vários exemplos sobejamente conhecidos para traçar um percurso da evolução das exportações ao longo do tempo. É fácil reconhecer o nome de algumas empresas e, quando não é, a explicação que se segue sobre a actividade que exercem esclarece de imediato o contexto que esse exemplo em particular representa no cenário global. E há exemplos de diversos ramos, o que, associado às inevitáveis estatísticas, permite ficar com uma visão bastante abrangente, ainda que sucinta, do que é, afinal, o mercado exportador.
Ficam perguntas sem resposta? Provavelmente. Mas também não me parece que seja o objectivo deste livro - ou que seja possível, sequer! - resumir em menos de cem páginas um tema tão vasto. O essencial, ainda assim, é facilmente perceptível e, sendo certo que fica a vontade de saber mais, tanto sobre as bases como sobre os exemplos específicos, as linhas fundamentais estão bem presentes e são muito claras.
A ideia que fica é, pois, a de uma leitura acessível, apesar da vastidão de números que inevitavelmente vem associada a um tema como este. Acima de tudo, fica a muito boa impressão de ter terminado a leitura a saber bastante mais sobre o tema do que o que sabia antes de a ter começado. E isso é mais do que suficiente para fazer com que valha a pena.

Título: Os Exportadores Portugueses
Autor: Filipe S. Fernandes
Origem: Recebido para crítica