segunda-feira, 21 de maio de 2018

Divulgação: Novidade Porto Editora

Uma história de coragem perante as adversidades e de um destino marcado pela força de uma paixão.
Nada fazia supor a Mauro Larrea que a fortuna que tinha conquistado fruto de anos de luta e perseverança se desmoronaria de um dia para o outro, graças a um inesperado revés.
Asfixiado com dívidas e afogado em incertezas, aposta os últimos recursos numa jogada temerária na esperança de se reerguer. Até que a perturbadora Soledad Montalvo, mulher dum negociante de vinhos inglês, entra na sua vida para o arrastar rumo a um futuro inesperado. 
Da jovem república mexicana à radiante Havana colonial, das Antilhas à Jerez da segunda metade do século XIX quando o comércio de vinhos com Inglaterra converteu a cidade andaluza num enclave cosmopolita e lendário, por todos estes cenários se desenrola As vinhas de La Templanza, um romance que fala de glórias e derrotas, de minas de prata, intrigas de família, vinhas e cidades fascinantes cujo esplendor se desvaneceu com o tempo.

Doutorada em Filologia Inglesa, Maria Dueñas é professora titular da Universidade de Murcia depois de ter já passado pela docência em várias universidades norte-americanas. É autora de trabalhos académicos e de muitos projetos educativos, culturais e editoriais.
Maria Dueñas nasceu em Puertollano (Ciudad Real) em 1964, é casada, tem dois filhos e reside em Cartagena.
O Tempo entre Costuras foi o seu primeiro romance, publicado pela Porto Editora, tendo sido adaptado à televisão e exibido em Portugal pela TVI.

Divulgação: Novidade Topseller

Numa noite gelada, ao regressar a casa, Neve Carey é abordada por uma mulher estranha e perturbada, na ponte sobre o rio Tamisa, que lhe entrega um envelope, lançando-se de seguida para as águas do rio.
Duas semanas mais tarde, numa altura em que a sua vida está cada vez mais caótica, Neve descobre que a mulher que se suicidou à sua frente lhe deixou de herança uma casa na Cornualha, o que parece ser a solução perfeita para os seus problemas.
Neve decide então mudar-se sozinha para a casa, mas, assim que lá chega, arrepende-se. Fica no meio de uma floresta sombria, tem um aspecto sinistro, com grades nas janelas, e coisas bizarras começam a acontecer. Em pouco tempo, a casa dos seus sonhos transforma-se no seu pior pesadelo. E a verdade é que esta esconde um segredo perverso… que mudará para sempre a vida de Neve.

Cass Green é uma autora bestseller internacional de thrillers psicológicos. Recebeu vários prémios literários como escritora de ficção para jovens adultos, assinando com o nome Caroline Green.
O seu primeiro thriller, The Woman Next Door, foi n.º 1 de vendas em e-book, e o segundo, A Casa na Floresta, foi bestseller do USA Today e do Sunday Times.
Cass Green é jornalista há mais de 20 anos, tendo colaborado com vários jornais e revistas. Vive actualmente em Londres com a família.

domingo, 20 de maio de 2018

Marcada para Morrer (Peter James)

Tudo começou com um grito ao telefone e um possível rapto que poderia ter outras explicações. Mas, desde o momento em que é chamado a tomar conta da situação, Roy Grace tem o pressentimento de que o caso é bastante mais grave do que parece. Como se não bastasse, foi descoberto um cadáver de há trinta anos numa obra e também esse caso levanta grandes suspeitas. Roy não tem mãos a medir. E, à medida que as horas passam e Logan não aparece, a gravidade da situação começa a tornar-se evidente. Principalmente quando começam a surgir indícios de que os dois casos podem estar relacionados.
Um dos primeiros aspectos que importa referir sobre este livro é que, apesar de pertencer a uma série bastante extensa, e de haver, de facto, referências a acontecimentos anteriores, é perfeitamente possível acompanhar todos os pormenores da leitura sem qualquer conhecimento dos volumes anteriores. O caso central é perfeitamente independente e, quanto aos percursos pessoais das personagens, todos os elementos do passado surgem devidamente contextualizados. O resultado é uma história que se sustenta por si mesma, conhecendo ou não as personagens de outras leituras.
Outra grande qualidade, possivelmente a principal, é o ritmo viciante do enredo. Os capítulos curtos e a oscilação entre diferentes pontos de vista, bem como a aura de mistério que parece rodear todos os acontecimentos e o clima de tensão associado à investigação tornam praticamente irresistível a vontade de ler mais um - ou vários - capítulos só para saber o que acontece a seguir. Além disso, e embora o caso seja, de facto, o centro da narrativa, os elementos pessoais, sejam eles de perdas passadas ou da simples relação de camaradagem, amizade ou amor entre diferentes personagem, acrescentam laivos de amor e de emoção que tornam tudo ainda mais intenso.
E há ainda uma outra surpresa. Sendo o mistério em si cheio de revelações, é apenas expectável que haja grandes reviravoltas no percurso - e também no que toca à imprevisibilidade este livro não desilude. Pode não ser difícil encontrar um suspeito plausível, mas a forma como as coisas evoluem é sempre surpreendente. E o final... bem, esse é completamente inesperado, não só pela forma como tudo termina, mas principalmente pelo delicado equilíbrio entre a resolução alcançada e as possibilidades futuras.
Por último, importa falar das personagens - e de Roy Grace, em particular. Investigador competente, moldado pelas experiências passadas e com uma vida pessoal que parece estar agora a desabrochar, é o tipo de personagem que desperta empatia sem se tornar demasiado perfeita. Muito pelo contrário. É também a falibilidade de Roy que o torna tão cativante, já que há no seu percurso pessoal (mais uma vez, passado e futuro) toda uma vastidão de potencial para descobrir.
Viciante será, portanto, uma boa palavra para descrever este livro, cheio de surpresa e mistério. Intenso, enigmático e tão cativante pela escrita como pelo enredo e pelas personagens que o povoam, prende desde as primeiras páginas e não deixa de surpreender até ao fim. Para devorar, em suma... e, no fim, para aguardar com expectativa o muito de bom que se poderá seguir. Recomendo.

Autor: Peter James
Origem: Recebido para crítica

sábado, 19 de maio de 2018

The Good Doctor of Warsaw (Elisabeth Gifford)


Varsóvia. O mundo está a ficar mais negro – principalmente para os judeus. Apesar de apaixonados e com a família e as suas vidas ali perto, Misha e Sophia precisam de fugir antes que seja tarde demais. Mas o caos está a espalhar-se por toda a parte e eles não tardam a descobrir que não têm alternativa a não ser regressar ao gueto. Dentro das suas paredes, há fome e medo – embora haja ainda uma centelha de esperança na forma de Janusz Korczak, com o seu refúgio para crianças. Mas os nazis têm outros planos e, ainda que ninguém no interior do gueto saiba realmente o que se passa no exterior, a verdade não tarda a tornar-se conhecida. Ninguém está a salvo, nem mesmo as crianças. E a sobrevivência – para os poucos que a conseguirem alcançar – terá um preço.
Um dos aspectos mais impressionantes deste livro é o facto de, apesar de seguir um grupo específico de personagens principais, traça um retrato global bastante preciso da situação da época. Baseado em factos verídicos e personagens reais, não conta apenas a história de Janusz Korczak e das suas crianças, ou de como Misha e Sophia sobreviveram. Conta a história do gueto, a história do medo e do desespero e do sofrimento contidos no interior das suas paredes. E ainda que, ao seguir todos estes elementos, a história se torne mais ampla – e, às vezes, um pouco mais distante, pois há inevitavelmente perguntas que ficam sem resposta – é tal o impacto das circunstâncias retratadas que a história se torna impossível de esquecer.
Outro aspecto bastante fascinante é a forma como a autora consegue pegar num momento tão negro da história e, ainda assim, para lá do medo e da brutalidade, mostrar fragmentos de amor e de decência. Korczak e a sua forma de pensar, a luz do seu refúgio no mais negro dos momentos. E as pessoas que, nas mais terríveis circunstâncias, se atrevem, ainda assim, a correr riscos para fazer o que está certo. O mundo não é a preto e branco, mesmo quando é fácil reconhecer o mal. E isso é bastante óbvio nesta história e nos seus momentos de tribulação e de esperança nos mais sombrios momentos.
Além disso, também a escrita contribui para a sensação de ver o mundo pelo olhar das personagens. Ao contar as verdades mais difíceis ao ritmo das perceções dos protagonistas, a autora transporta para os seus leitores o mesmo impacto de cada revelação. E, nos momentos mais perigosos, ou nos mais desesperados, o choque, a surpresa e o desespero sentidos aumentam ao vê-los tal como são materializados nas mentes e corações das personagens.
Não é uma leitura fácil. Não poderia, com uma tal história por base. Mas é, sim, relevante, perturbadora e, acima de tudo, impressionante no seu retrato de um dos momentos mais negros da história – e dos pequenos laivos de esperança que, mesmo em tais circunstâncias, têm ainda de existir. Uma história para recordar, portanto. Um livro para recordar.

Autora: Elisabeth Gifford
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Elmet - Vidas Desencantadas (Fiona Mozley)

Daniel vive com o pai e Cathy numa casa relativamente isolada. Foi o próprio pai que a construiu e a vida que levam está muito distante das normas e dos padrões do mundo para lá da pequena comunidade para onde se mudaram. Mas aquele é um meio peculiar, onde o poder está concentrado em poucas - e brutais - mãos e onde tudo se resolve sem recurso às autoridades. A casa, que o pai de Daniel disse que lhes pertencia, pertence afinal ao poderoso senhor Price e este tem as suas exigências para permitir que eles continuem ali. Exigências que implicam um preço incomportável...
Provavelmente o elemento mais fascinante deste livro é a forma como se entranha aos poucos, com a sua aura de mistério e de isolamento e a melancolia resignada (ou, pelo menos, até certo ponto) que parece definir o ambiente global. A história surge pelo olhar de Daniel, o mais novo dos três, mas já plenamente consciente da vida à sua volta, e assim, tudo surge com os contornos de uma relativa inocência que inevitavelmente conduz ao desencanto.
O resultado é um contraste poderoso: por um lado, há uma fase de crescimento - e de um crescimento nada fácil - em que ainda se vê o mundo como relativamente simples. Por outro, há uma descoberta gradual da brutalidade humana, dos limites da possibilidade de confronto quando os inimigos são mais e mais fortes, da percepção de que nada é seguro e tudo acaba. Às vezes, Daniel torna-se pouco mais do que um espectador impotente da sua própria vida. E esta consciência evoca uma tristeza tão forte - e expressa de modo tão impressionante - que é impossível não sentir com a personagem.
Há também como que um crescendo de intensidade na narrativa, que, partindo de uma relativa tranquilidade inicial, ainda que desde logo pautada pela omnipresente melancolia, evolui aos poucos para um cenário de maior tensão e de maior brutalidade, culminando num final que a serenidade aparente do início torna ainda mais devastador. E tudo - da calma à mais tremenda tempestade - num registo ao mesmo tempo contemplativo e revelador, em que os laivos de introspecção e de poesia contrastam vivamente com a crueldade dos actos. Com a crueldade da vida, aliás.
Não é - nem pretende ser - uma leitura viciante, pois a relativa languidez da evolução serve também o seu propósito na construção do ambiente. As coisas começam a acontecer devagar, mas, quando tudo se desencadeia, já não há forma de parar antes do fim. E é esta sensação de inevitabilidade, presente mesmo quando nada de mau parece acontecer, que torna tudo tão impressionante. Pois podemos não saber ao certo o que virá - mas virá deveras, e trará graves consequências.
Retrato de uma vida para lá das regras - ou com regras distintas - e, acima de tudo, de crueldade e isolamento no seio de uma comunidade, trata-se, pois, de um livro que cativa desde o início e que, com o seu ambiente soturno e fascinante, abre as portas de alguns dos meandros mais negros da condição humana. Recomendo.

Autora: Fiona Mozley
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Tenho de Saber (Karen Cleveland)

Vivian é uma analista da CIA e está prestes a fazer uma grande descoberta. Conseguiu acesso ao computador de um possível operacional russo e acredita que isso lhe revelará os nomes dos agentes de uma célula adormecida. Mas, quando encontra as respostas que procura, encontra também um choque: um dos agentes é o seu marido. Confrontada com a verdade, Vivian vê-se num dilema: denunciá-lo e destruir a sua família ou fazer com que a informação desapareça e correr o risco de passar o resto da vida na prisão? Por impulso e sob pressão, Vivian toma o que julga ser a decisão certa. Mas as consequências são terríveis - e agora a vida que tanto se esforçou por proteger e aqueles que ama estão inevitavelmente ameaçados.
Provavelmente o aspecto mais surpreendente deste livro é que, em vez de seguir o rumo expectável do mistério, alimentando a dúvida sobre se Matt será ou não culpado, a resposta é dada praticamente à partida. Isto permite que a história siga um rumo diferente, pois, partindo de um facto assumido, surge outro tipo de dúvidas e de possíveis manipulações. A forma como Vivian lida com a situação, associada às memórias do passado, que ganham uma nova perspectiva face à revelação presente, abre espaço a que a única certeza seja, de facto, a posição de Matt. E, assim, a esta surpresa inicial, surgem novas surpresas e possibilidades - e a dúvida, sempre a dúvida, sobre onde estão as verdadeiras lealdades das personagens.
Apesar de ser um livro de espionagem, não há propriamente grandes momentos de acção. Talvez também por Vivian ser uma analista e o seu trabalho ser feito essencialmente à secretária, mas principalmente porque a história vive mais de manipulação do que de ameaça - ainda que esta esteja também presente nos momentos necessários. Também isto é, até certo ponto, inesperado, mas faz também todo o sentido, já que a posição de Vivian pode envolver segurança nacional e informações confidenciais, mas é, acima de tudo, de protecção da sua vida pessoal. Ora, isto cria uma certa ambiguidade, porque, vistas de fora, há certas pistas que são mais evidentes para o leitor do que parecem ser para a protagonista. Ainda assim, o impacto emocional e a tensão palpável das circunstâncias talvez justifiquem esta relativa ingenuidade (para uma analista da CIA).
Ficam alguns pontos em aberto, sendo o próprio fim o maior deles, e também a impressão de alguns assuntos inacabados entre Vivian e Matt. Mas tendo em conta a tal vertente pessoal, faz algum sentido que assim seja, pois a história nunca chega a centrar-se em pleno no contexto mais global das acções de contra-espionagem. E, se fica uma certa curiosidade insatisfeita neste aspecto, fica também a sensação de que o difícil percurso pessoal de Vivian alcançou o ponto de repouso adequado.
Trata-se, pois, de uma perspectiva diferente para a clássica história de espiões russos: uma perspectiva mais privada e pessoal, mas igualmente intensa, cativante e surpreendente. No fim, ficam as emoções fortes do caminho e a sempre agradável sensação que fica depois de se ter mergulhado de cabeça numa leitura empolgante e surpreendente. Gostei.

Título: Tenho de Saber
Autora: Karen Cleveland
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 15 de maio de 2018

A Grande Recompensa (Barbara O'Connor)

A vida de Georgina não é nada fácil. Desde que o pai os deixou a todos, ela, o irmão e a mãe têm estado a viver no carro e, apesar dos seus dois empregos, a mãe de Georgina não ganha o suficiente para pagar uma renda. Por isso, Georgina decide ajudar - e tem um plano. Ao ver na rua um cartaz que oferece uma recompensa, Georgina descobre o que julga ser a solução para os seus problemas: roubar um cão, esperar que apareça um cartaz e depois devolver o cão em troca da recompensa. Só que, ainda que tudo pareça muito simples, há algo na mente de Georgina que lhe diz que tudo aquilo está errado. E, quando decide pôr em prática os seus planos, as dificuldades começam a manifestar-se.
História de escolhas erradas em circunstâncias muito difíceis, um dos principais aspectos a cativar para esta história é a forma como realça o que separa o certo do errado sem cair na tentação de simplificar as circunstâncias que, às vezes, levam a essas más escolhas. A vida de Georgina é, de facto, difícil e, embora isso não justifique as suas acções, confere-lhes uma perspectiva diferente. E, sendo este livro pensado para os mais jovens, esta capacidade de afirmar vincadamente o certo e o errado, mas também de demonstrar as dificuldades que levam a estes dilemas torna o livro muito mais pertinente e realista.
Mensagem à parte - e a mensagem bastaria - esta é também uma história muito cativante pelas aventuras e interacções que a protagonista vive em relação com as outras personagens. A vida familiar, o plano para roubar o cão, o próprio afecto que nasce para com o cão e as amizades perdidas e encontradas fazem de toda a história um pequeno poço de surpresas. Além disso, também nas personagens há uma ideia positiva: nem Georgina, nem Mookie, nem sequer a dona de Willy se enquadram nos preceitos da estrita normalidade, mas isso não lhes retira nem valor nem plenitude. Porque a diferença faz parte da vida - e aceitá-la faz parte da aprendizagem.
E depois há Willy, sempre adorável na sua presença canina, e um elemento de ternura mesmo nos momentos em que não é propriamente fácil entender os comportamentos da protagonista. E, sendo certo que há aspectos da história em que fica alguma curiosidade insatisfeita - como a história do pai de Georgina, por exemplo - a verdade é que o essencial está lá e a lição, essa, está perfeitamente clara.
Fica, então, a impressão de uma história simples, cativante e com uma mensagem bastante clara sobre o que é certo ou errado. Uma história de dificuldades e de descoberta, em que nem todas as escolhas estão certas, mas em que há sempre algo de importante a aprender. E, tudo somado, uma boa leitura.

Autora: Barbara O'Connor
Origem: Recebido para crítica