terça-feira, 19 de novembro de 2019

Divulgação: Novidade Chá das Cinco

Isabelle deveria estar feliz – afinal, está prestes a ficar com o príncipe. Mas Isabelle não é a bela rapariga que perdeu o sapato de cristal e ganhou o coração do príncipe. Ela é a meia-irmã feia que cortou os dedos para que o sapato da Cinderela lhe servisse. Quando o príncipe descobre o engodo, Isabelle fica devastada pela vergonha. Afinal, ela é apenas uma rapariga comum num mundo que só valoriza a beleza; uma jovem forte num mundo que a quer submissa.
Isabelle tentou mudar, cumprir as expectativas da mãe. Ser como a sua meia-irmã. Doce. Bonita. Um a um, desfez-se de pedaços de si para sobreviver num mundo que não valoriza uma rapariga como ela. E isso tornou-a má, ciumenta e vazia. Até que Isabelle tem a oportunidade de alterar o seu destino e provar que é preciso mais do que um coração partido para vergar uma rapariga.

Jennifer Donnelly é uma reconhecida autora de livros para jovens e ganhou a Carnegie Medal com a obra A Northern Light. Nos contos de fadas, as suas personagens preferidas sempre foram os vilões, e quando começou a escrever quis dar-lhes voz, contando o outro lado das suas histórias. Pode consultar a página da autora em www.jenniferdonnelly.com.

Sarita Rebelde Quer Ser Astronauta (Lúcia Vicente e Cátia Vidinhas)

Está a chegar o dia das profissões e a Sarita já sabe o que quer partilhar com os colegas. É que, determinada e sempre curiosa por experimentar coisas novas, ela já quis ser muitas coisas, até que finalmente decidiu: quer ser astronauta. E, quando lhe dizem que há poucas mulheres com essa profissão, isso só a deixa mais decidida a aumentar esse número - e a explicar aos colegas que podem não ser as mais conhecidas de todas, mas há mais mulheres na história da exploração espacial do que à partida se poderia imaginar...
Muito breve, muito simples e também muito cativante, este é um livro que sobressai pela forma como, nas suas vinte e poucas páginas, consegue ser educativo acerca de diferentes aspectos. A Sarita quer ser astronauta, o que tem as suas exigências, e este é um bom ponto de partida para reflectir sobre a escolha de uma profissão e as exigências dessa escolha. A Sarita descobre que não há muitas mulheres astronautas e que talvez isso seja uma barreira, o que levanta a sempre relevante questão do papel da mulher na sociedade, da igualdade de oportunidades e de como a história tende a deixar as mulheres para uma espécie de fama menor. E a Sarita quer ainda partilhar as suas descobertas com os colegas, o que realça a importância de explorar e partilhar estas questões.
A componente didáctica está, portanto, mais do que preenchida. Mas há mais. Trata-se também de um livro muito bonito, pois as ilustrações vivas e cheias de cor dão alma à história da protagonista, realçando não só as suas descobertas, mas criando também um bonito contraste entre os retratos da Sarita a desempenhar diferentes profissões. E há também a agradável leveza que resulta da simplicidade do texto, mas principalmente da sua fluidez.
Muito breve, muito simples e muito cativante - termino como comecei, pois são estas as características essenciais de um livro que, ao longo das suas poucas páginas, consegue contar uma história simples e divertida ao mesmo tempo que realça várias questões importantes. Uma boa leitura para os mais novos, em suma. E um livro bem bonito.

Autores: Lúcia Vicente e Cátia Vidinhas
Origem: Recebido para crítica

domingo, 17 de novembro de 2019

The Serpent's Mark (S. W. Perry)

Nicholas Shelby está de regresso a Bankside, após uma sombria e perigosa aventura que quase lhe custou a vida, bem como a de Bianca Merton. Mas a paz é algo efémero e não tarda a que Nicholas seja de novo arrastado para o seu segundo papel de espião para Robert Cecil. Paira uma ameaça sobre o reino de Isabel I, na forma de um misterioso físico, alegadamente vindo para curar a doença de Samuel Wylde, mas cujas verdadeiras intenções são bem mais sombrias. Nicholas e Bianca dão por si uma vez mais no meio de uma conspiração que pode, no pior cenário, acabar em guerra civil... e numa morte macabra para ambos.
Um dos aspectos mais impressionantes deste livro é que, sendo o segundo volume de uma série, é incrivelmente fácil regressar a este mundo. Isto resulta em grande parte do desenvolvimento das personagens. Bianca e Nicholas são duas personagens brilhantemente construídas, com um equilíbrio perfeito de força e vulnerabilidade, teimosia e bondade, escuridão e esperança. É, por isso, fácil sentir com eles e compreender as suas reacções, o que, dado o tipo de circunstâncias em que parecem envolver-se, é algo particularmente adequado. Além disso, são igualmente fascinantes nos seus momentos de maior emoção, nas situações mais tensas e nos deliciosos momentos de humor.
Também o enredo em si é bastante impressionante, repleto de momentos de perigo, episódios sinistros e revelações avassaladoras. Nicholas pode não gostar de ser um espião, mas tem bastante talento para isso, e a mente de Bianca é bastante brilhante. Assim, o seu papel crucial, ainda que involuntário, no bloqueio desta nova conspiração não pode senão trazer consigo muitos momentos brilhantes. Além disso, há muitas outras personagens a dar profundidade a esta intrigante história, bem como um passado bastante fascinante, não só relativamente aos novos elementos, mas também ao passado mais remoto de Bianca e Nicholas.
Há ainda um outro aspecto que importa mencionar, embora possa não ser algo novo para quem leu The Angel's Mark, e diz respeito à escrita em si. O autor tem uma voz magistral na descrição dos problemas das suas personagens e uma capacidade fascinante de dar vida ao ambiente. As páginas parecem voar à medida que percorremos os recantos mais sombrios da Inglaterra de Isabel I, com a ameaça de guerras religiosas, os perigos de professar a fé errada ou aborrecer as pessoas erradas. Há no próprio cenário uma espécie de tensão, e o autor descreve-a brilhantemente.
Misterioso e fascinante, cheio de perigos, intriga e também emoção e humor, uma brilhante história de trevas e fé, na forma de uma conspiração desmontada por dois aliados improváveis. Nicholas Shelby formam a mais intrigante das duplas, e uma que vale muito a pena conhecer. Eu, pelo menos, mal posso esperar para saber o que lhes acontecerá a seguir.

Autor: S. W. Perry
Origem: Recebido para crítica

sábado, 16 de novembro de 2019

Saga - Volume Três (Brian K. Vaughan e Fiona Staples)

Perseguidos por todos e sem saber muito bem o que fazer a seguir, Alana e Marko decidem viajar para Quietus, em busca do autor do livro que mudou dramaticamente as suas vidas. E, se a viagem parece tranquila, com os seus mais recentes adversários a terem de lidar com os seus próprios problemas, a verdade é que essa pausa está condenada a ser efémera. Pois, num mundo dividido em duas facções, não escolher um lado é impossível. E querer uni-los, então... inaceitável. Quietus marcará uma nova viragem nos percursos destas personagens... um caminho que está muito longe do fim.
É absurdamente brilhante a facilidade com que se regressa ao mundo e às histórias desta série. Basta a capa, basta um folhear às páginas, e tudo volta imediatamente à cabeça. Tão fascinante é este mundo, tão memoráveis são as personagens, que basta um novo contacto e é como se o tempo não tivesse passado. Estamos lá novamente, a acompanhar Marko e Alana, bem como seus aliados e inimigos, numa busca constante cujas consequências não podem senão ser imprevisíveis.
Esta é, aliás, outra boa palavra para descrever estes livros, pois nunca sabe o que vai acontecer a seguir. Esta dúvida constante, mistura de tensão e de mistério, faz com que seja impossível parar de ler. E o investimento emocional que resulta da força - e da vulnerabilidade - das personagens faz com que a viagem facilmente se torne pessoal. Sentir com eles, torcer por eles, torna-se natural. E o mais curioso é que isto está longe de se aplicar apenas a Marko e Alana...
Não é propriamente algo de novo, pois é uma característica bem presente desde o primeiríssimo volume, mas importa sempre salientar o deslumbrante fascínio da componente visual. Sendo uma história que envolve múltiplos planetas - e múltiplas e peculiares espécies -, escusado será dizer que a forma como estas diferentes figuras são retratadas é algo de essencial ao poderoso impacto desta leitura. Mas há muito mais além disso: há as expressões faciais das personagens, tão expressivas como qualquer dos diálogos, e mesmo nas figuras de aspecto menos humano; há os cenários maravilhosos, que vão da estranha beleza onírica do foguetão de madeira à bruma de Quietus, passando por muitas outras localizações fascinantes. E há... bem, como que uma espécie de choque resultante da percepção visual de que esta é uma história onde ninguém está realmente seguro. Saber que tudo pode acontecer às personagens de que gostamos é uma coisa. Ver... é ainda mais impressionante.
Eis, então, que ao terceiro livro se confirma, com a máxima força, a já brilhante impressão inicial: a de que esta é uma série tão bela pelos cenários e pelas peculiaridades das espécies como pelo fabuloso equilíbrio entre os mistérios, os grandes momentos de acção, os deliciosos laivos de humor e, principalmente, a emoção que transborda de cada instante. É lindo, é brilhante, é maravilhoso. E preciso do próximo. Já.

Autores: Brian K. Vaughan e Fiona Staples
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Inverno - Uma Nova Vida (Mónica Guerra)

Neta do rei, embora relegada para uma vida distante da sua herança, Leónia Lencastre sempre foi vista pela corte como uma ameaça, não só devido à sua linhagem, mas também os conhecimentos médicos que levaram a que muitos a vissem como uma bruxa. E, agora que o estado do reino está periclitante, com o rei às portas da morte e outro dos seus herdeiros a conspirar nas sombras, Leónia vê-se empurrada para um afastamento ainda maior. A verdade, porém, é que isso não a preocupa assim tanto, pois encontrou em Alexandre Toledo, um cavaleiro da Ordem, amor suficiente para levar uma vida feliz. Retiram-se, pois, da capital para construir uma vida juntos. Só que o sangue de Leónia continua a ser o mesmo... e, com o reino a pender para o caos, o simples facto de estar viva faz dela uma ameaça para os seus inimigos.
Provavelmente o aspecto mais marcante deste livro é a forma como consegue conjugar uma história de amor, conflitos familiares e uma sucessão de intrigas de corte num todo que não só é bastante fluido, mas também bastante viciante. Importa, por isso, começar por dizer que é pena a existência de alguns descuidos a nível de revisão, pois, sendo que estes acabam sempre por quebrar um pouco o ritmo da leitura, a impressão que fica é a de que o impacto de tudo seria ainda maior sem estas pequenas interrupções.
É que, lapsos à parte, se há coisa que não falta a esta história são qualidades e pontos de interesse. Ao acompanhar diferentes personagens, a autora cria diferentes graus de empatia e aversão, para depois virar o jogo ao revelar novas facetas dessas mesmas personagens. Além disso, não faltando surpresas ao longo de todo o percurso, a maior de todas é a forma como tudo converge para um final tão intenso quanto adequado, cheio de tensão e de emoção. Emoção é, aliás, algo que não falta, acompanhada também por uns quantos rasgos de um humor delicioso, protagonizado maioritariamente pela intrépida Luz.
É, ainda assim, sempre no equilíbrio entre o amor e a intriga que está o cerne da história. Por isso, é da construção dos sistemas da Ordem, associados a um conjunto de laços de proximidade - amor, amizade, família - e a uma sempre presente base de coragem que surgem as mais interessantes revelações. Sendo, naturalmente, Alexandre a maior delas, com o seu passado a manifestar-se de formas que dificilmente se imaginariam à partida. Mais uma vez, surpresas não faltam, daí o ritmo viciante e a constante vontade de saber o que acontece a seguir.
A impressão que fica é, pois, a de uma leitura empolgante, cheia de mistérios, de intriga e principalmente de momentos de emoção. Com personagens fortes e um enredo viciante, uma leitura aparentemente leve, dada a rapidez com que as páginas parecem voar, mas que facilmente se grava na memória. Pela história... e pelos seus protagonistas.

Autora: Mónica Guerra
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A Mitologia Explicada pela Pintura (Gérard Denizeau)

Poucos foram os temas mais inspiradores ao longo de séculos de arte e literatura do que os mitos dos deuses e heróis greco-romanos. Tanto que difícil será encontrar alguém que nunca tenha, pelo menos, ouvido falar de alguns. O que este livro propõe é, no entanto, um exercício de descoberta diferente. Através de um conjunto de obras de arte mais ou menos conhecidas, o autor descreve concisamente a linha essencial de cada um destes mitos, para se debruçar depois sobre o quadro que o retrata, enquadrando-o tanto no contexto do mito como do período artístico em que foi criado. O resultado? Bem, o resultado é um livro lindíssimo.
Sendo, como o título indica, uma história da mitologia explicada através da pintura, é apenas natural que os quadros que lhe servem de base estejam bem presentes neste livro. É este, aliás, um dos primeiros aspectos a salientar: sendo um livro relativamente grande e, à semelhança dos referidos quadros, transbordante de cor, permite que cada pintura sobressaia a todos os níveis. Primeiro, ao folhear inicial, que basta para perceber a beleza do livro que temos nas mãos. Depois, ao longo da leitura, pois permite analisar com nitidez os muitos pormenores que vão sendo referidos. E, finalmente, nos sucessivos regressos, não só porque há vários mitos que estão intimamente ligados, mas também pela simples vontade de voltar atrás e recordar uma imagem que se gravou na memória.
Também do texto sobressai um equilíbrio notável, com a organização de cada secção a conferir ao livro uma certa uniformidade - mito, história do quadro, pormenores - que contrasta com a diversidade de temas e protagonistas. Além disso, sendo um texto que assenta fundamentalmente nas fontes antigas, a simplicidade das descrições tem, além de facilitar a compreensão, o dom acrescido de despertar a vontade de conhecer essas obras. Ilíada, Eneida, Odisseia, Metamorfoses... Não faltam leituras para explorar uma vez terminada a descoberta deste livro.
Alguns mitos são mais conhecidos do que outros. Curiosamente, o mesmo se pode dizer dos autores destas obras e também aqui o efeito da simplicidade é, de certa forma, o mesmo: fica a curiosidade em conhecer mais a fundo a obra destes pintores, bem como também a história dos movimentos em que se enquadram e o seu percurso pessoal.
Tudo somado, o que fica deste livro é uma imagem de grande beleza, associada a uma exposição equilibrada dos principais mitos, reflectidos na obra de um conjunto de mestres. Para os interessados em mitologia, em pintura, para os que querem saber mais sobre este tema e para os que apreciam simplesmente um livro bonito, esta é uma obra a não perder.

Título: A Mitologia Explicada pela Pintura
Autor: Gérard Denizeau
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Aqui a Princesa Salva-se Sozinha (Amanda Lovelace)

Este não é um conto de fadas. Pode ter princesas, dragões e rainhas, mas está longe de ser uma história de encantar. A história é a de uma jovem que se torna mulher, crescendo na busca de si mesmo, da aceitação das dificuldades, das cicatrizes e da sua própria natureza e encontrando o seu próprio lugar no mundo e em relação aos outros. É uma história feita de poemas, em que personagem e leitor podem até chegar a confundir-se. Mas é precisamente isso que a torna notável: aqui, a princesa salva-se realmente sozinha. E podemos aprender algumas coisas com ela.
Um dos aspectos mais cativantes da construção deste livro de poesia é a implacável sensação de unidade que surge desde os primeiros versos. É poesia e, ao mesmo tempo, é uma história. Não é um conto de fadas, mas o registo dos poemas conferem-lhe um tom semelhante. E, sendo simultaneamente pessoal e capaz de evocar sentimentos universais, é uma história que, feita de impressões, podia ser a de qualquer um de nós.
Outra faceta que sobressai é a construção dos próprios poemas, num registo simples, sem rima e relativamente breve. Alguns são pouco mais que uma frase e, no entanto, parecem ter precisamente a medida certa para transmitir aquela parte da história ou dos sentimentos. Além do mais, este registo constante, embora oscilando entre diferentes emoções e fragmentos de história, é também parte do que faz com que este livro, não sendo embora um conto de fadas, se leia praticamente como um.
E, claro, todo ele é um exemplo de como não são necessários textos elaborados e complexos para abordar temas difíceis e relevantes. Ao longo do percurso pessoal desta vaga protagonista, surgem as dores de crescimento, as dificuldades de se crescer mulher num mundo de julgamentos, dúvidas e agressões e a descoberta de uma identidade própria mesmo quando todo o mundo nos quer mudar. Tudo através de poemas muito simples e, acima de tudo, muito marcantes.
Simultaneamente simples e amplo, breve, mas vastíssimo nas possibilidades de interpretação, pessoal e intemporal, trata-se, pois, de um livro que, todo ele feito de impressões e fragmentos, deixa na memória uma imagem nítida e completa. A princesa salvou-se sozinha. Também podemos fazê-lo. E esta é a melhor das lições.

Autora: Amanda Lovelace
Origem: Recebido para crítica