terça-feira, 19 de setembro de 2017

Divulgação: Novidade Porto Editora

Sofia Stern nasceu na Alemanha em 1919 e fugiu para o Brasil nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. Filha de um judeu cego afinador de pianos e duma enfermeira que a abandonou ainda bebé, Sofia terá sido sempre tratada com o desprezo e humilhação que os alemães reservavam aos judeus.
Ronaldo é neto de Sofia, vive em Copacabana e, certo dia, recebe o telefonema de uma juíza alemã às voltas com um processo judicial que o pode tornar multimilionário.
Com a descoberta do diário da avó, Ronaldo reconstitui a juventude da pacata senhora e da sua conturbada amizade com Klara Hansen, revelando peças de um passado que envolve paixões, inveja, traições, dinheiro e a morte de Klara, em 1938.
Quando outros factos surpreendentes e inesperados vêm à tona, Ronaldo depara-se com uma série de dilemas morais.

Ronaldo Wrobel nasceu em 1968 no Rio de Janeiro, é escritor e advogado. Tem cinco livros publicados: três romances, uma colectânea de contos e um título infantojuvenil.
Publicado em oito países, o seu romance Traduzindo Hannah (Record, 2010) foi finalista do Prémio São Paulo de Literatura, na categoria de melhor livro do ano.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O Beijo da Madame Ki-Zerbo (Adriano Mixinge)

Cultura nas suas múltiplas formas e nos também múltiplos modos de encarar: poder-se-ia definir assim o elo comum a este conjunto de 36 textos, que, escritos e publicados ao longo de vários anos, a partir de Espanha e França, consideram o impacto cultural de várias obras e referências culturais. Textos breves, mas cheios de referências particulares, que percorrem uma vasta gama de elementos para traçar, enfim, um retrato amplo do que é a cultura: tanto a das raízes como a que se vai aprendendo a conhecer. E é esta vasta diversidade também o cerne do que mais fica na memória, pois, com tantos nomes e tantas obras, abre-se um amplo espaço para a descoberta.
Uma das primeiras coisas que importa dizer sobre este livro é que, apesar da brevidade, nem sempre é fácil entrar no âmbito das crónicas que o compõem. Porquê? Porque são muitas as referências invocadas, vasto o contexto que elas têm associado. E, assim, o que acontece é que, havendo embora nomes e obras familiares, são também muitos os perfeitos desconhecidos. Ora, o primeiro impacto cria uma certa confusão - pois quem são todas estas figuras? Mas esta impressão logo se dissolve e, uma vez assimilado o ritmo das palavras, fica uma imagem bastante mais intrigante: a de um mundo com laivos de familiaridade, mas que é também um ponto de partida para coisas a descobrir.
Também a escrita contribui para este despertar de curiosidade, pois ao acrescentar laivos de uma perspectiva pessoal ao conhecimento das obras e dos objectos, o autor transmite a quem o lê uma impressão de maior proximidade. Ora, ao ler-se sobre algo desconhecido, mas que deixou uma marca na memória, fica uma certa curiosidade em ver e saber mais. E, sendo certo que, destes pequenos textos, o que se tira (no que toca às referências desconhecidas) é essencialmente uma primeira impressão, fica também a vontade de aprofundar conhecimentos - até porque, de muitas dessas referências, fica também a sensação de haver uma história maior para descobrir.
A impressão que fica é, acima de tudo, a de um princípio de descoberta (com laivos de reencontro, quando se fala de obras já conhecidas). De uma descoberta que nasce de textos bastante sucintos, mas mais que capazes de despertar a vontade de saber mais. E como, no que toca à cultura, a curiosidade nunca é demasiada, é este incentivo à busca que se grava na memória - e que chega perfeitamente para que valha muito a pena esta leitura. 

Título: O Beijo da Madame Ki-Zerbo
Autor: Adriano Mixinge
Origem: Recebido para crítica

domingo, 17 de setembro de 2017

Uma Perfeita Estranha (Megan Miranda)

Forçada a deixar para trás a vida e a carreira na sequência de um artigo que levou longe demais, Leah Stevens muda-se para a Pensilvânia na companhia de uma amiga que acaba de reencontrar. Mas as dificuldades não se cingem a ter de se habituar a uma nova profissão e ao papel de forasteira numa vila com pouca afeição pelos desconhecidos. Primeiro, surge a descoberta de que uma mulher muito parecida com ela foi brutalmente agredida. Pouco depois, Leah descobre que a sua amiga, Emmy, desapareceu. E, embora de início as explicações pareçam relativamente claras, pelo menos no que diz respeito ao primeiro caso, não tarda a que as primeiras pistas apontem num sentido bem diferente. Emmy não é quem aparentava ser. Há até quem pense que ela não existe. E, se se aceitar essa teoria, então a responsabilidade do que ela deixou para trás pertence a Leah... cuja vida pode muito bem vir a desabar de vez.
Narrado na primeira pessoa e, portanto, acompanhando muito de perto os sentimentos e apreensões da protagonista, um dos primeiros aspectos a sobressair neste livro é a forma como a autora equilibra um enredo complexo e cheio de intrigas convergentes com uma fluidez narrativa que prende desde as primeiras páginas. É fácil entrar na história e sentir a aura de mistério que alimenta a vontade de saber sempre mais. E é fácil também entender a difícil posição de Leah, o que faz com que cada instante, desde as grandes reviravoltas às mais pequenas descobertas, ganhe um novo impacto.
Há um tema subjacente a toda esta história e a forma como a autora o desenvolve é fascinante. A ideia de que nunca ninguém se mostra por completo e, assim, ninguém é apenas o que aparenta ser está presente ao longo de toda a narrativa e manifesta-se de diferentes formas. Emmy é, evidentemente, o ponto central desta perspectiva, com toda uma vida assente em mentiras. Mas, na verdade, esta visão também se aplica a todas as personagens, desde o ligeiramente sinistro Theo à aparentemente crédula Paige. E, claro, sem esquecer Leah, cujo instinto de sobrevivência faz com que vá ajustando os seus passos ao ritmo que as circunstâncias parecem ditar-lhe.
E é interessante como esta visão geral emerge de uma teia bastante intrincada - e porém muito fácil de acompanhar - de intrigas e de mistérios. Há múltiplos enigmas presentes na história de Leah e daqueles que a rodeiam, desde a questão das chamadas anónimas ao mistério do desaparecimento de Emmy, não esquecendo também o passado e a forma como os acasos se revelaram algo mais. Múltiplos pontos aparentemente pouco relacionados acabam por convergir num todo mais complexo. E, no fim, é este todo que fascina, pois o que parecia um percurso relativamente simples (embora assente em múltiplos segredos) acaba por se revelar algo mais vasto, que culmina num final onde nem tudo fica encerrado, mas cujo último ponto de viragem parece coincidir com o momento perfeito para deixar a história.
Eis, pois, um livro onde ninguém é o que parece e em que todos os segredos se encaminham para uma verdade que pode ser dura, mas é a verdade. Um livro intenso, misterioso, empolgante, que prende desde as primeiras páginas e não larga mais até ao fim. E um livro, então, onde tudo é memorável, tudo cativa, tudo surpreende. Onde tudo atinge o melhor dos equilíbrios para dar voz aos desconhecidos... que se escondem dentro de cada um. Recomendo.

Título: Uma Perfeita Estranha
Autora: Megan Miranda
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Blaze a Toda a Vela! (Nickelodeon)

Tudo começa com o desafio inofensivo: uma corrida entre o veleiro do Blaze e dos amigos e o do Crusher e do Pickle. Mas o mau perder do Crusher e a sua necessidade de fazer batota fazem com que os dois barcos acabem por chocar contra uma ilha deserta. Para voltarem a casa, o Blaze e os amigos precisam de encontrar as partes pedidas do barco e de voltar a construí-lo. E o mesmo se passa com o Crusher, claro, que, mais uma vez, quer ser o primeiro. Só que primeiro e melhor nem sempre significam a mesma coisa...
Tal como acontece com outros livros similares de que já por aqui falei, um dos primeiros aspectos positivos a realçar neste pequeno livro é que, ao ter por base as personagens de uma série (e, neste caso, um episódio em específico) é fácil para os seus leitores reconhecer as personagens e, assim, entrar mais facilmente na aventura. Além disso, para quem ainda não conhecer a série, também funciona como um bom ponto de partida, pois fica uma certa vontade de conhecer melhor as aventuras deste grupo de amigos. 
Também bastante interessante é que, embora sendo uma história simples e bastante breve, há, ainda assim, muito espaço para a aventura, o que é também um bom ponto de partida para cativar os leitores mais novos. O texto é simples e directo, as imagens complementam a história e o resultado é uma aventura cheia de acção e em que, embora sendo apenas expectável que tudo acabe bem, os acontecimentos nunca deixam de cativar.
E depois há ainda uma pequena, mas muito relevante, questão, que tem a ver com a mensagem subjacente a esta história. Afinal, é o mau perder do Crusher - e a disponibilidade para fazer batota - a causa de todos os problemas que se seguem, o que não deixa de ser uma forma bastante boa de realçar a importância de jogar limpo e aceitar as derrotas com calma e boa disposição. Até porque vencer ou perder faz parte da vida - nas grandes e nas pequenas coisas.
Trata-se, portanto de uma boa leitura para os mais novos - sejam eles ou não seguidores fiéis da série de desenhos animados. Simples, curto, mas cativante e divertido, um bom livro para crianças. 

Título: Blaze a Toda a Vela!
Autor: Nickelodeon
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Guerra e Paz

Presidente de uma firma familiar com três mil empregados, Miguel tem a vida plácida e cheia de encantos de um menino rico. Mas, com um dia-a- dia previsível e repetitivo, não se consegue libertar da inquietante sensação de que morrerá sem nunca ter conhecido a verdadeira vida. Aproveita o 25 de Abril de 1974 para se demitir e partir sozinho para Paris, onde tem a intenção de se «pôr à prova». Como broker, entra no mundo dos mercados financeiros, e as aventuras românticas não se fazem esperar…
Poder-se- á pensar que a vida do narrador tem uma alarmante semelhança com a do autor e que este terá escrito uma autobiografia. Não é verdade, ainda que os dois tenham seguido caminhos semelhantes. O autor não tem de ajustar contas com ninguém, mas reconhece que teve a mesma profissão do narrador e que também se envolveu numas quantas intrigas amorosas. Ainda assim, adverte que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Manuel Lemos Macedo. Nasceu em Tomar. Estudou no University College Dublin, na Irlanda, e na Columbia Business School, nos EUA.
Depois da nacionalização da firma familiar da qual era presidente, foi viver para a Irlanda. Seguiu-se Paris e Madrid, onde trabalhou em bancos de investimento. Em 1989, criou uma sociedade de serviços financeiros em Lisboa, com a família Rothschild, da qual foi sócio-gerente até 1997. Desde então, dedica-se ao que verdadeiramente lhe interessa: a leitura, a escrita, o campo e a sociedade de alguns dos seus amigos.
Tem autores preferidos (todos mortos), que relê continuamente. Interessou-se por vozes modernas, que só leu uma vez e nem sempre até ao fim. Leva para a cama sempre os mesmos, entre os quais Proust, Waugh e Lermontov. Nunca percebeu porque é que Goethe é considerado um grande homem.
Piedade para os Pecadores é o segundo livro que publica.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Conquista da Liberdade (Jay Luís)

O mundo mudou com a chegada ao poder de um tirano de recursos e influência quase ilimitados. E, fulminante na sua capacidade de acção, pouco espaço deixou aos que lhe queriam fazer frente. Ainda assim, nem toda a liberdade morreu, pois um grupo de cientistas rebeldes conseguiu destruir a tecnologia que permitiria ao ditador dominar as colónias espaciais. E ainda há rebeldes na Terra. Mira e Lora, cientista e guardiã, são dois dos elementos mais importantes do grupo rebelde, desempenhando perigosas missões de resgate ao mesmo tempo que guardam o vasto conhecimento de Mira enquanto engenheira espacial. Mas, ainda que a família seja sempre o mais importante, a tentativa de resgatar os irmãos de ambas traz perigos inesperados - e as perdas podem vir a ser incalculáveis. 
Início do que promete ser uma série maior e de uma aventura onde a acção parece apenas ter começado, este é um primeiro livro de grandes forças e grandes fragilidades. Forças que se podem definir do mais simples dos modos: forma e conteúdo. Pois, se há um grande potencial a nível de enredo e um desenrolar de acontecimentos que deixa em aberto muita curiosidade em saber o que virá a seguir, já em termos de escrita, há vulnerabilidades que são difíceis de ignorar.
E é precisamente por aqui que importa começar, pois desde muito cedo se torna evidente que uma revisão atenta teria feito maravilhas por este livro. Há uma fluidez de pensamento que se consegue pressentir no texto, mas que acaba por se perder no ritmo algo vacilante a que as coisas são narradas. E, mais importante ainda, no excesso de vírgulas e ocasionais erros ortográficos que quebram completamente o ritmo da leitura. O que é pena, claro, porque nas bases da história há muito potencial - quer no que é contado, quer nas possibilidades que ficam em aberto.
Mas passando à história e às personagens. Não se pode dizer que seja um enredo perfeito, já que há muito que fica por explicar e a posição de algumas das personagens parece ser também um pouco ambígua. Ainda assim, é fácil entender a posição de um grupo de rebeldes que luta pela liberdade e, ao longo do caminho, há muitos momentos intensos, cativantes e divertidos, bem como um potencial mais vasto que, devidamente explorado, tem tudo para dar origem a uma grande história. Além disso, e uma vez assimiladas as vulnerabilidades do texto e apanhado o ritmo da narrativa, a história começa a tornar-se empolgante, já que a acção constante e as reviravoltas mais inesperadas acabam por alimentar a curiosidade em saber o que vem depois. 
O que fica são, portanto, sentimentos ambíguos, pois, por um lado, as fragilidades são claras, mas, por outro, estas não são impeditivo de apreciar os pontos bons da história. E, num enredo em que as personagens cativam aos poucos, fica também uma estranha e agradável vontade de saber o mais cedo possível de que forma poderá evoluir esta história em volumes futuros. Porque o potencial está lá e a capacidade de prender também.
Não é perfeito, não - e havia espaço para grandes melhorias. Ainda assim, fica uma impressão positiva: a de uma história e de um contexto cativantes e com muito potencial de evolução. Interessante, portanto.

Título: Conquista da Liberdade
Autora: Jay Luís
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Os Pássaros de Seda (Rosa Lobato de Faria)

Lugar de lendas e de mistérios, Pedra Moura, casa de uma moura encantada capaz de profetizar grandes mudanças, tornou-se o lar para dois irmãos de afecto. Mário e Diamantina cresceram naquelas terras, viveram e construíram - e travaram batalhas contra os seus próprios corações. E um dia foi lançado o desafio: escreverem cada um, a sua história, para depois poderem comparar os dois relatos. Mal sabia Diamantina que o livro de Mário seria o testamento que ele lhe deixava. E que, ao ler as palavras do mais próximo dos amigos - pois nunca o pode ver de outra maneira - viria a descobrir tanto que não sabia...
História de vidas aparentemente simples, mas unidas por laços dos mais fortes sentimentos, este é um livro que começa por prender pela estranha espécie de nostalgia que marca as primeiras páginas e que, depois, abre caminho a uma ampla passagem para o passado. Partimos do fim, do momento em que Diamantina começa novamente a recordar e, assim, com ela descemos à memória de um percurso que foi tanto de crescimento como de superação. E há algo que, desde logo, se destaca nesta viagem ao passado: é que grande parte do romance é o livro de Mário, mas a história, essa, é acima de tudo a de Diamantina (por razões que o próprio Mário se encarregará de confessar). 
Ao deixar um dos protagonistas contar a história do outro, o que acontece é que a própria narrativa parece ganhar a forma dos sentimentos que quer exprimir: como se o livro que Mário escreveu contivesse, enfim, os sentimentos a que nunca pôde dar voz. Mas há ainda um outro efeito nesta forma de contar a história: é que é possível ver Diamantina pelos olhos de quem melhor a conhece e, assim, ajuizar com a necessária clareza, mas também com empatia, da sensatez das suas decisões. É como se, ao ler o romance, se ganhasse também um papel próximo - ainda que menor - no desenrolar dos acontecimentos, o que, escusado será dizer, torna todos os momentos muito mais marcantes.
Mas há ainda muito mais a desvendar neste livro, desde a fluidez de uma escrita de onde cada sentimento emerge com as palavras certas ao desenrolar de uma sucessão de acontecimentos em que é fácil antever os problemas - como o próprio Mário os anteviu - mas de onde sobressai a mesma impotência que tão participante narrador terá sentido. Tudo parece, afinal, tão simples - e, contudo, há tanta complexidade na vulnerabilidade das personagens. E, entretanto, a vida passa - e a história continua sempre. 
No fim, tudo converge para uma realidade mais dura - mais longe dos sonhos, mais perto da vida que fica depois das ilusões perdidas. Mas é isso, acima de tudo, que torna tão memorável esta viagem ao passado: a certeza de que, com todas as suas fragilidades e defeitos, Mário e Diamantina podem ter posto tudo em causa, menos o afecto. Esse, pelo menos, é irrecusável.
Eis, pois, o que fica desta leitura: uma viagem envolvente e memorável, repleta de emotividade e descoberta, e em que a vida não deixa espaço para a perfeição - pois não há tempos perfeitos nem vidas perfeitas, e muito menos pessoas perfeitas. Marcante em todas as suas facetas e especialmente no modo como retrata as múltiplas faces do amor (seja redentor ou destrutivo, obsessão eterna ou lampejo temporário, carnal, platónico, fraterno ou maternal), um livro que encontra um espaço na memória - e lá se aninha durante muito tempo.

Autora: Rosa Lobato de Faria
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Divulgação: Novidades Guerra e Paz

A fotografia, a arte, a literatura africana contemporânea são as grandes fontes de inspiração e de debate deste livro. Antologia de 36 textos de Adriano Mixinge, publicados, entre 1997 e 2009, nas colunas «Cartas de Espanha» e «Postal de Paris», no Jornal de Angola, este é um livro cosmopolita: nele se comparam pinturas como Dans la Guerre, de Viteix, e Guernica, de Picasso; nele se fala da singularidade da obra artística de Annette Messager; da vitalidade cultural de Paris e de Madrid; da transcendência do encontro com Jacqueline Ki-Zerbo em Granada; desse momento em que também conhece Rosa Cubillo; das saudades de Luanda e o sonho de uma n’denguelândia em Angola.
Um livro que testemunha um período fértil em experiências culturais e em encontros que marcaram a vida do autor, e que ajudam a compreender tanto a trajectória profissional como as escolhas estéticas e criativas até à publicação do premiado romance O Ocaso dos Pirilampos.

Adriano Mixinge. Nasceu em Luanda, em 1968. É autor do romance Tanda (Edições Chá de Caxinde, Luanda, 2006) e do livro de ensaios Made in Angola: arte contemporânea, artistas e debates (Éditions L’Harmattan, Paris, 2009). Com o romance O Ocaso dos Pirilampos, recebeu o Prémio Literário Sagrada Esperança (Guerra e Paz, 2014).
Aos 11 anos, viajou para Cuba. Passou a sua adolescência na Ilha da Juventude. Formou-se em História da Arte, em Havana. Em 1993, regressou a Angola. Foi investigador no Museu Nacional de Antropologia de Luanda, editor cultural do Jornal de Angola e comissário de diversas exposições de arte, sendo a mais importante «Entre a Guerra e a Paz», exibida na primeira Bienal de Arte Contemporânea de Joanesburgo, em 1995.
Em 2002, foi nomeado conselheiro cultural na Embaixada de Angola em França. Organizou o projecto artístico «Angola, mon amour» (Musée du Quay Branly, Paris, 2008) e a exposição «Angola, Figuras de Poder» (Musée Dapper, Paris, 2011), entre outras.
Actualmente é conselheiro cultural na Embaixada de Angola em Espanha.

A casa de Henrique é a Natureza. Henrique é um sem-abrigo de corpo, mas a sua alma guarda a única realidade que aceita e lhe chega através de uma entidade superior. «E se eu fosse Deus?», pergunta.
O autor percorre as ruas de Lisboa com Henrique, que lhe mostra as histórias de outros sem-abrigo e um submundo perturbante. A prostituição, a droga, a dor, a loucura, a violência, mesmo o suicídio fazem parte deste submundo, que a maioria de nós tende a ignorar. E se Deus estivesse, como um sopro, em cada um destes rostos de sofrimento? E se a beleza se esconder onde menos esperamos?
Este é um romance baseado em testemunhos e factos reais. Por vezes, o duro dia-a-dia supera qualquer ficção.

Fernando Correia. Jornalista, comentador de rádio e televisão, professor, nasceu em 1935 e dividiu a sua infância entre a Mouraria, o Alto de Santo Amaro e São Domingos de Benfica.
Entrou para a Emissora Nacional em 1958. Trabalhou depois na RDP, Rádio Clube Português, Rádio Comercial e TSF. Foi director do Diário Desportivo e redactor e colaborador dos jornais Record, A Capital, O Diário, Gazeta dos Desportos, Jornal de Notícias e Diário Popular.
Actualmente, colabora na Rádio Amália e é comentador residente da TVI. Sportinguista assumido, colabora também com a Sporting TV, depois de ter sido director adjunto e director do jornal do clube.
É casado, pai de cinco filhos e avô de dez netos. Nascido num dia quente de Verão, é caranguejo de signo.
Na Guerra e Paz, publicou os livros Piso 3, Quarto 313, O Homem Que Não Tinha Idade e Moniz Pereira: Vida e Obra do Senhor Atletismo.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes (Elena Favilli e Francesca Cavallo)

Rainhas, pintoras, cientistas, escritoras, activistas... Ao longo dos séculos, foram muitas as mulheres que deixaram a sua marca na história do mundo, e a verdade é que nem todas são tão conhecidas como deveriam. Mas há sempre espaço para começar - e quanto mais cedo melhor, não é verdade? Neste livro, são contadas, de forma muito breve, as histórias de cem mulheres que mudaram o mundo. Histórias capazes de inspirar e encorajar quem decidir conhecê-las. 
Pensado para um público jovem, mas capaz de cativar leitores de todas as idades, este é um livro que facilmente chama a atenção pelo aspecto visual. Ricamente ilustrado e cheio de cor, prende a atenção para as histórias que quer contar ao mesmo tempo que dá um rosto a cada uma das suas protagonistas. Ora, isto tanto desperta curiosidade como reforça a mensagem, pois cada ilustração parece ajustar-se na perfeição não só à pessoa que retrata, mas também à história que lhe está subjacente.
E falemos das histórias. Há, obviamente, um elo comum a todas estas cem histórias que constituem este livro: todas as protagonistas são mulheres e todas tiveram (ou têm) um papel de relevo a desempenhar no mundo. Mas há ainda um outro aspecto a sobressair: a diversidade. Diversidade de momentos na história, diversidade de espectros de acção, diversidade de meios e contextos em que se movem. Há histórias de rainhas da antiguidade e de grandes atletas dos nossos dias, de activistas do passado e do presente, de pintoras, escritoras, cientistas que marcaram diferentes épocas. E, claro, há o outro elo em comum a tudo isto: o sonho na base de tudo. O sonho que, seja qual for a área que se pretende seguir, faz com que tudo seja possível, com esforço e dedicação.
No fundo, é esta a imagem principal que fica desta leitura. Sim, as histórias são, todas elas, muito interessantes, ainda que uma só destas figuras bastasse para originar um livro inteiro. Mas, acima de tudo, há uma mensagem positiva a retirar de todos estes exemplos, a de que há sonhos por que lutar e um lugar no mundo para cada jovem sonhadora. No fim, é esta ideia inspiradora que fica - e, sim, neste caso, a idade não importa.
Bonito, cativante e muitíssimo pertinente - assim se pode descrever este Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes. Um livro para aprender, mas, acima de tudo, para inspirar. E para descobrir mais sobre as mulheres que mudaram a história do mundo. Recomendo.

Título: Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes
Autoras: Elena Favilli e Francesca Cavallo
Origem: Recebido para crítica

domingo, 10 de setembro de 2017

The Hangman's Replacement - Sprout of Disruption (Taona D. Chiveneko)

Passou algum tempo desde que o último carrasco se reformou e, com a abolição da pena capital a inspirar discussões acaloradas, não se fizeram grandes esforços para o substituir. Mas agora, uma estranha planta carnívora começa a espalhar-se pelo Zimbabwe e muitas mentes conspiram com vista a um resultado misterioso. Um candidato promissor e desesperado, de nome Abel Muranda, parece ser a escolha mais óbvia. Mas, embora ele não saiba no que se está a meter, há muitas forças em conflito envolvidas na sua escolha. Algumas, querem protegê-lo de tal destino. Outras, precisam que seja ele o novo carrasco. E, à medida que a planta se espalha e, com ela, uma teia de fenómenos misteriosos, há vidas que são tomadas, planos que desabam… e um plano de génio começa a revelar-se.
Assente num enigma complexo e evoluindo ao longo de uma série de planos e contra-planos ainda mais complexos, este é um livro que leva o seu tempo a assimilar. Há um vasto conjunto de personagens, um núcleo ainda mais vasto de intrigas em colisão e inúmeras possibilidades para as quais todas as explicações trazem ainda um novo mistério. Por isso, leva tempo assimilar tudo isto. E, porém, há algo de estranhamente viciante no decurso destes acontecimentos. A possibilidade de seguir diferentes personagens, vendo como os seus conhecimentos parciais encaixam num panorama muito mais amplo, e de os reconhecer pelo que são – peças de um puzzle muito mais complexo – faz de cada novo capítulo uma revelação. E, assim, a necessidade de saber mais intensifica-se.
Também muito intrigante é o facto de, embora haja um vasto contexto a assimilar, com todos os planos e forças em conflito a ganhar forma em torno de uns poucos elementos principais, haver também espaço para a emoção. E isto é particularmente memorável por duas razões: primeiro, a fria racionalidade que parece mover muitas das personagens cria um contraste bastante impressionante com as provas inegáveis dos seus medos; e, segundo, há inocência no meio desta intrincada conspiração, e essa inocência (vinda principalmente de Abel) cria fortes sentimentos de empatia.
E depois há a estrutura. Ao acrescentar artigos de jornais e cartas de (e sobre) diferentes personagens à narrativa, o autor permite que a história assuma a sua identidade peculiar. É, de facto, uma história estranha e, ao segui-la de diferentes perspetivas, narrando de forma diferente os diferentes acontecimentos, a complexidade inerente sai reforçada. Isto e as muitas perguntas que deixam em aberto a necessidade de saber o que acontece a seguir contribuem também em muito para tornar memorável este livro.
No fim, a soma das partes é um livro deveras intrigante e um início muito, muito promissor para o que parece poder vir a ser uma intriga ainda mais complexa. Intenso, viciante e cheio de surpresas, um início impressionante para uma série a seguir. Muito bom.

Título: The Hangman's Replacement - Sprout of Disruption
Autor: Taona D. Chiveneko
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Súbita Aparição de Hope Arden (Claire North)

Ninguém se consegue lembrar de Hope Arden. É uma condição que ela tem. Começou quando tinha dezasseis anos e, quando todos a esqueceram por completo, amigos e família incluídos, Hope percebeu que nunca poderia ter uma vida normal. Assim, decidiu escolher o único caminho possível e tornou-se ladra - pelo desafio, por revolta, por simples sobrevivência. Mas agora Hope está diante do maior desafio de sempre. Graças ao Perfection, uma aplicação de estilo de vida que leva todos a aspirar à vida perfeita - corpo perfeito, amigos perfeitos, fortuna perfeita - uma mulher de quem gostava e que considerava amiga (embora todos os dias se conhecessem pela primeira vez) morreu. E isso faz com que Hope anseie por algum tipo de justiça ou vingança. Mas o que começa como um simples roubo de diamantes não tarda a revelar-se uma batalha bem mais longa. A Prometheus, criadora do Perfection, sente-se afrontada com o roubo e quer que a ladra seja apanhada. E Hope...quer o Perfection destruído, seja de que forma for...
Partindo de um elemento estranho e construindo, a partir dele, toda uma aventura, este é um livro em que o primeiro elemento a destacar-se é, inevitavelmente, a forma como o improvável se torna natural. A condição de Hope, tal como é descrita, torna a sua vida difícil de conceber, à primeira vista - alguém que é visto e esquecido, quase de imediato. Mas a forma como a autora desenvolve este elemento, fazendo do percurso de Hope uma jornada de crescimento e, ao mesmo tempo, uma missão para lá de si mesma, faz com que o que começa por ser estranho rapidamente se torne um dado adquirido. Hope é esquecida - e isso não tarde a ser simplesmente um facto que a caracteriza. E, claro, o facto de a história ser narrada pela voz da protagonista contribui também para esta naturalidade, já que, a cada novo momento, as emoções e pensamentos de Hope estão lá para reforçar o impacto do sucedido. 
Há ainda dois outros aspectos a destacar neste livro todo ele cheio de qualidades. Primeiro, a escrita, com os seus traços peculiares a marcar a diferença, ao mesmo tempo que os acontecimentos, emoções e reflexões que expressam lhe conferem a devida fluidez. E, depois, a capacidade de entrelaçar numa história que é, afinal, profundamente pessoal - ou não fosse a condição de Hope a raiz central de toda a narrativa - um vasto conjunto de temas relevantes. Destes, sobressai, naturalmente, o ideal da perfeição, e a forma como esse ideal pode ser usado com intenções menos nobres, tendo em vista o lucro, a influência ou algum tipo de controlo, mas também a influência da sociedade enquanto formadora de carácter, a estratificação social entre pobres e ricos, belos e feios, homens e mulheres. E, mais uma vez, a narração na primeira pessoa intensifica a percepção, pois a forma como Hope analisa estas questões e as encaixa na situação que está a viver põe-nas num muito claro contraste em relação à visão dos que a rodeiam. 
Mas, mais interessante de tudo (e, acreditem, é tudo muito interessante) é a forma como todas estas questões se encaixam num enredo cheio de acção e de surpresas. Enquanto ladra, Hope enfrenta vários desafios complicados. E, a partir do momento em que o seu caminho se cruza com o Perfection, a situação torna-se ainda mais intensa. O que se segue é uma história cheia de aventuras, de momentos de perigo e de acção, de planos e intrigas, descobertas e revelações. Há sempre algo de importante a acontecer, outro passo a dar, um novo segredo a descobrir. E se, no meio de tudo isto, há crescimento e emoção, tanto melhor, pois Hope, protagonista complexa, humana, carismática, falível, tem uma alma maior do que ela própria se atreve a admitir. E também isso faz parte do que torna o seu caminho tão memorável.
Com uma protagonista fascinante e um enredo repleto de surpresas na sua complexidade, eis, pois, um livro que aborda a perfeição para chegar muito perto do tema que lhe serve de base. Intenso, viciante e cheio de momentos marcantes, um livro que surpreende até nos mais pequenos aspectos - e que, por todas as razões e mais algumas, dificilmente se esquecerá. Brilhante.  

Autora: Claire North
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Presença

Natal de 1558. O jovem Ned Willard regressa a Kingsbridge, e descobre que o seu mundo mudou.
As velhas pedras da catedral de Kingsbridge contemplam uma cidade dividida pelo ódio de cariz religioso. A Europa vive tempos tumultuosos, em que os princípios fundamentais colidem de forma sangrenta com a amizade, a lealdade e o amor. Ned em breve dá consigo do lado oposto ao da rapariga com quem deseja casar , Margery Fitzgerald.
Isabel Tudor sobe ao trono, e toda a Europa se vira contra a Inglaterra. A jovem rainha, perspicaz e determinada, cria desde logo o primeiro serviço secreto do reino, cuja missão é avisá -la de imediato de qualquer tentativa quer de conspiração para a assassinar, quer de revoltas e planos de invasão.
Isabel sabe que a encantadora e voluntariosa Maria, rainha da Escócia, aguarda pela sua oportunidade em Paris. Pertencendo a uma família francesa de uma ambição brutal, Maria foi proclamada herdeira legítima do trono de Inglaterra, e os seus apoiantes conspiram para se livrarem de Isabel.
Tendo como pano de fundo este período turbulento, o amor entre Ned e Margery parece condenado, à medida que o extremismo ateia a violência através da Europa, de Edimburgo a Genebra. Enquanto Isabel se esforça por se manter no trono e fazer prevalecer os seus princípios, protegida por um pequeno mas dedicado grupo de hábeis espiões e de corajosos agentes secretos, vai-se tornando claro que os verdadeiros inimigos, então como hoje, não são as religiões rivais.
A batalha propriamente dita trava-se entre aqueles que defendem a tolerância e a concórdia e os tiranos que querem impor as suas ideias a todos, a qualquer custo.

Ken Follett tinha 27 anos quando escreveu The Eye of the Needle, o premiado thriller que veio a tornar-se um aclamado bestseller internacional. Na década seguinte, em 1989, surpreendeu os leitores com Os Pilares da Terra, uma magnífica obra sobre a construção de uma catedral em plena Idade Média, que continua a cativar milhões de leitores em todo o mundo; em 2007, surgiu a muito aguardada sequela, Um Mundo Sem Fim, que chegou ao topo das listas dos livros mais vendidos nos EUA, no Reino Unido e em toda a Europa. Mais recentemente, escreveu a aclamada trilogia O Século, de que fazem parte os volumes A Queda dos Gigantes, O Inverno do Mundo e No Limiar da Eternidade. O seu romance mais recente, Uma Coluna de Fogo regressa à saga dedicada ao ciclo de Kingsbridge.



Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Divulgação: Novidades Topseller

Nesta nova aventura, Paris é o cenário de mais uma investigação da agência internacional Private.
Alguém anda a pintar um misterioso graffito nas paredes e muros de Paris. Quando este começa também a surgir ao lado dos corpos de várias figuras ilustres da cultura francesa, assassinados e expostos como que a pedir que a polícia os encontre, Jack Morgan e a Private são chamados a intervir.
Kim Kopchinski, neta de um dos mais antigos e estimados clientes de Jack, está em sarilhos. Ligou a pedir ajuda ao avô e o telefonema foi feito a partir de um dos bairros sociais mais perigosos da capital francesa.
Estes dois casos levarão a equipa da Private a todos os cantos da Cidade Luz, desde os ambientes luxuosos das altas esferas da cultura aos mais sórdidos recantos do Bosque de Bondy, enfrentando traficantes de droga, terroristas e assassinos, dispostos a tudo para conseguirem o que pretendem.
Um thriller emocionante, imprevisível e vertiginoso, com toda a acção imparável que caracteriza James Patterson.

James Patterson é desde há vários anos o autor n.º 1 absoluto em todo o mundo, segundo a revista Forbes. Patterson já criou mais personagens inesquecíveis do que qualquer outro escritor da actualidade. É o autor dos policiais Alex Cross, os mais populares dos últimos vinte e cinco anos dentro do género. Entre os seus maiores bestsellers estão também Invisível, O Clube das Investigadoras (ed. Quinta Essência), A Amante, Zoo, A Casa da Morte e Primeiro Amor. 
Patterson é o autor que teve mais livros até hoje no topo da lista de bestsellers do New York Times, segundo o Guinness World Records. Desde que o seu primeiro romance venceu o Edgar Award, em 1977, os seus livros já venderam mais de 350 milhões de exemplares.
Em Portugal, James Patterson é publicado pela Topseller (Alex Cross, Private, NYPD Red, Confissões, Maximum Ride, Primeiro Amor, Invisível, A Amante, Um Anjo da Guarda, Zoo e A Casa da Morte) e pela Booksmile (séries juvenis Escola, Eu Cómico, A Casa dos Robots e Jackie Ha-Ha).
James Patterson vive com a mulher e o filho em Palm Beach, na Flórida.

MARK SULLIVAN é autor de thrillers e co-autor de quatro outros livros com James Patterson. Vive com a mulher e os filhos no Montana, nos EUA.

Hart Mackenzie está preparado para conquistar o mundo.
Mas conseguirá ele conquistar Eleanor?
Depois da morte do pai, Hart Mackenzie, que é o filho primogénito, herda o título de Duque. A sua carreira política vai de vento em popa, e ele prepara-se para ganhar as eleições e assumir o cargo de primeiro-ministro. A única coisa que lhe falta é o amor da sua vida, Eleanor.
No passado, Hart não foi digno do seu amor. Eleanor atirou-lhe à cara o anel de noivado, afastando-o e cortando relações. Mas, agora, ela está de volta à sua vida, pois tem vindo a receber em casa correspondência estranha, com fotos de Hart em poses comprometedoras, e quer saber quem está por detrás deste assédio.
Será isto uma tentativa de chantagem? Poderá alguém querer boicotar a carreira política de Hart? Ou será antes uma provocação à própria Eleanor? Seja qual for a hipótese, Hart está decidido a usar esta oportunidade para se reaproximar daquela que nunca deixou de amar.

Jennifer Ashley é  uma autora norte-americana, bestseller do New York Times e do USA Today, que já conta com mais de 80 obras publicadas.
Os seus livros têm recebido vários elogios e prémios, incluindo o Prémio RITA para Melhor Romance, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Romance, e o Prémio Romantic Times Reviewer’s Choice, entre muitos outros.
Os seus livros já venderam mais de cinco milhões de exemplares, tendo sido traduzidos para dez línguas.

Depois de encarar o abismo, poderá o amor voltar?
Enquanto procura entender o que terá acontecido a Rebecca, Sara envolve-se cada vez mais na sua vida. Onde estará ela? Quem será o amante descrito nos diários? Será que Chris é uma das pessoas referenciadas naquelas páginas?
Todas as pessoas relacionadas com a galeria de arte onde Rebecca trabalhava podem ser suspeitas, desde o dono, Mark, até aos seus clientes e artistas. Gente rica e entediada, desesperadamente à procura de alguma adrenalina na sua vida.
Com tanta coisa a acontecer, o seu romance com Chris vai se tornando cada vez mais complexo e excitante, enquanto Sara descobre todos os prazeres e segredos do seu pintor favorito. Agora é tarde demais para recuar. Sara já faz parte deste mundo de arte, sexo, dinheiro e segredos.
Conseguirá sobreviver-lhe?

Lisa Renee Jones é uma autora americana com vários livros publicados em géneros tão diferentes como o fantástico e o erótico. Perdida em Mim é o seu segundo romance na Topseller depois de Escondida em Ti.
Antes de se dedicar a tempo inteiro à escrita, dedicava-se ao empreendedorismo, chegando a dirigir uma empresa de recrutamento com sucursais em vários estados americanos. Com o seu marido, Diego, dedicou-se ainda à compra e venda de espaços de armazenamento, experiência essa que inspirou a história de Sara.

Quando uma estranha pede uma simples boleia a Jo Blackmore, esta concorda, mas rapidamente se arrepende de o ter feito. Afinal, a mulher sabe o nome de Jo, conhece o seu marido, Max, e tem em seu poder uma luva que pertence a Elise, a filha de 2 anos de Jo.
O que começa por ser uma ténue ameaça de uma desconhecida rapidamente se transforma num pesadelo, quando a polícia, os serviços sociais e até o próprio marido começam a duvidar das capacidades mentais de Jo.
Ninguém parece acreditar que Elise esteja em perigo, e a mulher estranha começa a apertar o cerco. Nesse momento, Jo sabe que só existe uma forma de manter a filha a salvo… FUGIR!

C. L. Taylor é autora bestseller de thrillers psicológicos. Os seus livros venderam mais de um milhão de exemplares, tendo já sido traduzidos para mais de 20 línguas.
Nasceu em Worcester, no Reino Unido, e formou-se em Psicologia pela Universidade de Northumbria. Dedica-se, desde 2014, à escrita a tempo inteiro.
Actualmente, vive em Bristol, com o companheiro e o filho.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Divulgação: Novidade Bertrand

Pierre Anthon acha que nada vale a pena, a vida não tem sentido. Desde o momento em que nascemos, começamos a morrer. A vida não vale a pena!
O rapaz deixa a sala de aula, sobe a uma ameixieira e lá fica. Os amigos tentam fazer de tudo para o tirar de lá, mas nada resulta. Decidem então pôr em prática um plano: fazer uma «pilha de significado». Cada um deve dar algo que tenha significado para si. Mas depressa se torna óbvio que a pessoa não pode dar aquilo que é mais importante para si, portanto começam a ser os outros a decidir. À medida que as exigências se tornam extremas, os acontecimentos precipitam-se para um final arrasador.
Um livro polémico e chocante, que convida à reflexão.

Janne Teller é uma conceituada autora dinamarquesa de origem germano-austríaca. Escreve ficção e não ficção. Autora de seis romances, entre os quais Nada, traduzido para mais de vinte línguas e um sucesso de vendas global. Inicialmente proibido na Dinamarca, Nada é hoje um best-seller internacional, com adaptações ao teatro e à ópera no Reino Unido e considerado por muitos como um clássico contemporâneo. É também autora de Guerra – e se fosse aqui, um livro em formato de passaporte sobre a vida de um refugiado, que a autora adapta e reescreve para cada país onde é publicado. 
A autora Janne Teller estudou macroeconomia e trabalhou nas Nações Unidas e na União Europeia nas áreas da resolução de conflitos e questões humanitárias em muitos países, especialmente em África. Durante vários anos, viveu em Moçambique, na Tanzânia e em Nova Iorque. Actualmente vive em Berlim.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Irmãs Secretas (Jayne Ann Krentz)

Há dezoito anos que Madeline Chase guarda um segredo. Quando era criança, um homem tentou atacá-la e, ainda que, graças à sua melhor amiga, a tentativa tenha saído gorada, aquela noite trouxe consigo grandes revelações e um segredo a preservar a todo o custo. Agora, Madeline herdou a cadeia de hotéis da avó e começa a instalar-se na sua nova posição, mas tudo muda quando recebe um telefonema do velho zelador do hotel de Cooper Island a dizer-lhe que precisa de falar com ela e que, por isso, Madeline tem de voltar ao lugar onde tudo aconteceu. Aí, espera-a uma certeza tenebrosa: o seu segredo foi descoberto. E, para sua segurança, Madeline, auxiliada por Jack Rayner, o seu implacável chefe de segurança, e por Daphne, a amiga que em tempos a salvou, precisa de descobrir as partes do mistério que ainda não sabe e que outros tentam esconder. Pois a verdade pode muito bem salvar-lhe a vida...
Assente, em grande medida, num mistério do passado, mas também na promessa de um romance entre protagonistas, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pelo equilíbrio entre os momentos mais sombrios e o toque de humor e de leveza que se manifesta nos momentos certos. Leveza essa que provém, em grande medida, da parte do romance, pois é na forma como os dois pares se conhecem que se encontram os momentos mais divertidos. Mas é aqui que as coisas se tornam interessantes: não é propriamente difícil prever de que forma vai acabar esta parte do enredo, mas a forma como a autora constrói esses momentos - sejam de intimidade, de descoberta ou de puro e simples afecto - faz com que esse percurso nunca deixe de cativar.
Para isso contribui em muito a caracterização das personagens, que, com os seus traumas passados e as barreiras que ergueram em consequência disso, justificam tudo o que se segue ao primeiro contacto. Mas este aspecto estende-se para lá do romance, pois o próprio mistério em causa tem como protagonistas várias figuras intrigantes, sendo que o mundo dos Webster, com o seu contraste entre a aparência perfeita e a disfuncionalidade latente, acrescenta à história um lado bem mais sombrio.
O que me leva ao mistério. Não é propriamente difícil prever que o suspeito inicial poderá não ser o culpado de todos os acontecimentos - as insinuações são demasiado evidentes. Ainda assim, e embora também não sendo difícil adivinhar quem poderão ser os outros responsáveis, há na forma como a história é construída, revelando novos segredos a cada um que se desvenda, que faz com que o enredo nunca deixe de prender. Além disso, e por entre todos os perigos, armadilhas e percursos em direção à pista certa, começa a construir-se um cenário diferente em torno das grandes revelações. Sim, pode ser fácil adivinhar os possíveis culpados - mas a forma como lá se chega não deixa de ser surpreendente. 
Tudo somado, fica a impressão de uma história que, apesar de um pouco previsível na linha geral do enredo, não deixa de surpreender nas pequenas coisas. Cativante, agradável e com um muito bom equilíbrio entre todos os elementos, um bom livro para quem aprecia um pouco de romantismo nos seus policiais. Gostei.

Título: Irmãs Secretas
Autora: Jayne Ann Krentz
Origem: Recebido para crítica

sábado, 2 de setembro de 2017

Guarda-me para Sempre (Brigid Kemmerer)

Juliet ainda não conseguiu superar a morte da mãe e a única forma que encontrou de lidar com a situação foi continuar a escrever-lhe cartas, que deixa agora no cemitério. Cartas que não deveriam ser lidas por ninguém. Mas, um dia, alguém lhe responde e, obviamente, não é a mãe. De início, Juliet fica furiosa, mas a percepção de uma dor comum com o desconhecido faz com que comecem a corresponder-se. O problema é que o estranho não é propriamente um desconhecido para ela. Declan Murphy é um rapaz com uma reputação, temido por todos e constantemente metido em sarilhos, mas o que revela nas cartas é algo muito diferente do que o mundo vê. A verdade é que Juliet e Declan têm muito em comum. Mas o mesmo acaso que os ligou traz à superfície coincidências estranhas. E, quando já têm tantas batalhas no caminho, a possibilidade que surge pode ser demasiado para suportar. 
História de jovens à descoberta de si mesmos, ao mesmo tempo que tentam superar (ou sobreviver com) circunstâncias difíceis, este é um livro que promete, à partida, bastante emoção. Mas o grau que essa emoção atinge é toda uma surpresa, que começa para se insinuar aos poucos, para depois se erguer num crescendo devastador. Ambos os protagonistas estão em situações difíceis logo no início do livro, mas, à medida que a armadura cai e as revelações vão ganhando voz, o impacto de cada golpe é poderosíssimo, ao ponto de ser quase impossível não sentir as dores dos protagonistas. 
Isto é particularmente marcante, não só pelo simples facto das emoções que desperta, mas pelo estranho equilíbrio que se sente ao longo de toda a história: momentos devastadores, uma história cheia de sombras e sofrimento... e, porém, com uma estranha leveza na voz que insinua esperanças futuras. Ora, tendo em conta a história de Declan e de Juliet, este equilíbrio de esperança e desespero é crucial para o impacto da história. Juliet, a lidar com a morte da mãe e com o fantasma de culpa que sente. Declan, carregando nos ombros o fardo de um momento que tudo destruiu. E, ambos, perdidos dentro de si mesmos, a encontrar a força de que precisavam no mais inesperado dos lugares.
Talvez seja isto o mais impressionante de tudo: a forma como a autora constrói as personagens, dando-lhes histórias dolorosas, mas, acima de tudo, emoções reais. Ninguém é perfeito nesta história, até porque os traços mais cativantes das personagens emergem das suas vulnerabilidades. Mas todos são capazes de crescimento e redenção. E isto não se aplica só aos protagonistas, mas também àqueles que os rodeiam, sejam os amigos que estão lá para os apoiar, sejam os que, talvez inconscientemente, contribuíram para o seu sofrimento. Há esperança, em suma, e é isso o mais marcante nesta história cheia de momentos comoventes.
No fim, é isto que fica: a imagem de uma história feita de sofrimento e de esperança, de superação e de descoberta, de afecto e de redenção em todas as suas formas. Intenso, comovente, memorável, enternecedor. Extraordinário, em suma. 

Título: Guarda-me para Sempre
Autora: Brigid Kemmerer
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O Homem que Preferiu não Sentir (Gonçalo Alves da Cunha)

Sebastião é um jovem pintor em luta consigo mesmo. Sente intensamente, mas não sabe porquê. E, levado pelos sentimentos, deixa-se contagiar pelos entusiasmos dos amigos e pelo fogo da paixão, para depois olhar para si mesmo e questionar a pertinência de tudo isso. Dividido entre o que sente e o que pensa, vê-se perdido na vida real. Recém-licenciado, não consegue escolher entre um emprego que o sustente e a dedicação exclusiva a uma arte de que duvida. Fascinado por uma mulher, vê-se resvalar aos poucos para a repulsa perante aquilo que sente. E, cada vez mais afastado do mundo em que se move, questiona os sentimentos, sem saber como os tolerar ou de que forma se livrar deles. 
Focado mais no interior do protagonista do que na sua vida interior, este é um livro essencialmente introspectivo. Sim, há coisas a acontecer - e coisas bastante relevantes - mas tudo é visto do ponto de vista de um jovem que se analisa a si mesmo. Ora, isto parece ter efeitos contraditórios. Por um lado, aproxima o leitor da complexidade dos sentimentos do protagonista, já que, seja no delírio da criação artística, seja perante uma manifestação que correu mal, seja ainda na descoberta do amor e da forma como este se desvanece, tudo é narrado do ponto de vista de uma mente em permanente análise. Por outro lado, este registo confere à narrativa um tom consideravelmente mais pausado, em que os pensamentos e devaneios de Sebastião se sobrepõem, muitas vezes, aos acontecimentos que efectivamente vive.
Ora, isto tem um efeito curioso, já que, embora o protagonista pareça assumir-se quase como sendo o centro do seu universo, há no seu caminho um olhar bastante interessante sobre o mundo em que efectivamente se move. E daqui emergem questões muito pertinentes, como as dificuldades de um jovem perante a entrada no mercado de trabalho, a defesa dos ideias em oposição à realidade, a visão da arte como disruptiva, ou simplesmente expressiva e, num âmbito mais geral, a efemeridade de todas as coisas e sentimentos. Há muito bom material para reflexão nesta jornada e um muito intrigante contraste que dela emerge: Sebastião é um indivíduo peculiar, mas no qual é fácil reconhecer pontos comuns. 
Também a escrita contribui para o ritmo pausado da narrativa, já que, no seu estilo elaborado e em tom de registo de pensamentos, torna o avanço do enredo bastante mais lento. Mas, se tivermos em conta que o cerne da história está, não nas experiências exteriores, mas na revolução interior do protagonista, faz sentido que assim seja. Principalmente considerando a forma como tudo termina, as longas introspecções de Sebastião revelam-se essenciais para a compreensão do que o move. 
Não é propriamente uma leitura compulsiva, pois a extensa componente introspectiva e o facto de as grandes mudanças serem interiores impede que assim seja. Ainda assim, há na história de Sebastião muito de cativante, quer nas vivências exteriores, quer nos labirintos do seu pensamento. No fim, é isso que fica na memória - um retrato das complexidades humanas. E isso é mais do que suficiente para fazer deste livro uma boa leitura. 

Título: O Homem que Preferiu não Sentir
Autor: Gonçalo Alves da Cunha
Origem: Recebido para crítica