quinta-feira, 2 de maio de 2013

A Árvore das Palavras (Teolinda Gersão)

Visão do mundo aos olhos de uma criança que se torna mulher em Lourenço Marques, esta é a história de uma família construída sobre alicerces invulgares e, por isso, peculiar em todos os seus aspectos. A história de uma mulher que deixa Portugal para se casar com um desconhecido, mas que encontra apenas tristeza à sua espera. De uma criança que sempre se sentiu mais ligada às raízes da África onde cresceu que às convenções que a mãe lhe tentou incutir. E de um homem dedicado, mas a quem os caminhos da vida pregaram algumas partidas. Retrato de um passado não muito distante, assim é A Árvore das Palavras: uma história pessoal moldada pelo cenário em que decorre. E uma história de gentes, de rotinas, com alguma tristeza à mistura.
Poético e, em muitos aspectos, introspectivo, não se pode considerar que este livro seja uma leitura fácil. O tom de divagação que muitas vezes se insinua e os laivos de poesia presentes ao longo do texto tornam mais elaboradas as pequenas complexidades da vida das personagens, exigindo concentração a quem as acompanha. Além disso, não há propriamente uma linha temporal definida, sendo que o passado vai surgindo por entre as meditações do presente, numa narrativa que oscila entre diferentes tempos - e, por vezes, entre personagens. Tudo isto torna a história um pouco mais complexa, e um pouco mais dispersa também, o que, aliado às meditações e divagações da narradora, confere à leitura um ritmo relativamente pausado.
Há, ainda assim, muito de fascinante neste livro. O contexto, com o seu retrato preciso do passado e com as inevitáveis comparações entre a vida e as mentalidades em Lourenço Marques e em Lisboa, levanta, desde logo, questões interessantes, quer sobre o socialmente correcto, quer sobre as condições de vida. E este retrato, nítido pelas percepções das personagens, torna-se ainda mais claro pelas suas histórias, pela divisão entre Lóia e Amélia, pela visão desta de uma vida que sonhou e nunca pode alcançar, pelas situações mais ou menos disfuncionais das suas vidas familiares e amorosas. O cenário é apenas uma parte de um retrato maior, da história de um quotidiano feito das pequenas grandes tragédias pessoais. Desses dramas individuais que tornam a história tão interessante.
E, depois, há a escrita. Agradável, com toques de poesia e um tom algo introspectivo, há harmonia nas palavras e também isso é parte do que torna a leitura cativante. Mas há ainda um outro aspecto a realçar. Dividida em três capítulos, dois dos quais representam a protagonista em diferentes fases da sua vida, o livro evoca, em cada parte, uma experiência e um pensamento diferente. E, assim, é particularmente fascinante a forma como a narração se adapta à protagonista de cada uma dessas partes. Mesmo nas duas que dizem respeito à mesma figura, há diferenças - de pensamento, de experiência e de maturidade - e essas reflectem-se na escrita, reforçando o impacto dessas experiências narradas na primeira pessoa.
Este é, pois, um livro que, apesar do ritmo relativamente pausado, cativa pela forma como, nas suas peculiaridades e complexidades, conjuga uma história pessoal com um retrato bastante preciso de um tempo e de um lugar. Interessante, envolvente e muitíssimo bem escrito, um bom livro, em suma. Gostei.

Novidade Editorial Presença (7 de Maio)


A Saga das Pedras Mágicas - Sombras da Noite Branca
Sandra Carvalho
Páginas: 560
Colecção: Via Láctea Nº 108
PREÇO SEM IVA: 18,40€ / PREÇO COM IVA: 19,50€
ISBN: 978-972-23-5054-9
Data de Publicação: 7 de Maio 2013

OITAVO E DERRADEIRO VOLUME DA SAGA DAS PEDRAS MÁGICAS

Halvard, o Filho do Dragão, espera ansiosamente a chegada da Noite Branca para assimilar o Conhecimento Absoluto. Quase todos os seus inimigos foram destruídos: apenas o rei Ivarr do povo viquingue, os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua e os Sacerdotes dos Penhascos ainda resistem. Entretanto, a guerreira Kelda da Montanha Sagrada está pronta para se tornar mestra da Arte Obscura. Mas terá Kelda a determinação necessária para cumprir a missão que a Pedra do Tempo lhe atribuiu? Ou cederá ela à tentação do poder e abrirá o seu coração às sombras da Noite Branca? Sombras da Noite Branca é o oitavo volume da série de culto Saga das Pedras Mágicas.

Sandra Carvalho tem hoje um lugar cativo entre os mais destacados autores da high fantasy em língua portuguesa. A sua Saga das Pedras Mágicas, que a Presença tem vindo a publicar, tem conquistado um número crescente de fãs dedicados entre os apreciadores do género, que aguardam sempre com enorme expectativa o volume seguinte. Até ao presente saíram já os títulos A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo, Os Três Reinos, A Sacerdotisa dos Penhascos e O Filho do Dragão. Sombras da Noite Branca é o volume mais recente desta saga.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

Novidade Esfera dos Livros

 A morte representa a dor, a perda, mas também o fascínio e o mistério para muitas pessoas. O que existe para além da morte? Uma luz intensa mostra-nos sempre o caminho? Todos atravessamos um túnel comprido para retornar à vida? O que sentimos e o que conseguimos ver nesse caminho? Com quem nos encontramos?
O reconhecido psiquiatra José Miguel Gaona explica-nos, baseado na sua experiência científica, mas de uma forma divulgativa, o que são e em que consistem as chamadas Experiências de Quase Morte.
Gaona escreve: «Aquilo que está em causa ao tentarmos compreender em que consistem as Experiências de Quase Morte não é apenas se existe vida para além da presente, mas também se conseguimos compreender os complexos modelos de consciência, incluindo a percepção sensorial ou a memória, já que estes processos podem chocar com os conhecimentos actuais da neurofisiologia.»
Com vários testemunhos de crentes e não-crentes que passaram pelo «efeito túnel», este psiquiatra analisa os elementos que fazem parte desta viagem de ida e volta: os sons da morte, a luz, as sensações prazenteiras que sentimos e que segundo recentes descobertas podem ser partilhadas pelos familiares que assistem à morte, as viagens astrais, as visitas de familiares anteriormente falecidos que nos confortam neste processo.

Como nos diz Raymond Moody, autor bestseller de Vida depois da Morte, «os investigadores de todo o mundo começam a descobrir que as profundas experiências espirituais dos moribundos são difíceis de explicar». Ao longo das páginas deste livro, um verdadeiro bestseller em Espanha, vai ficar a conhecer, entre outros fascinantes temas:
- Experiências de viagens astrais e saídas fora-do-corpo
- A forma como quando estamos no limiar da morte, vemos a nossa vida em filme, a andar para trás.
- Técnicas para se aproximar de uma experiência de quase morte.
- Sensações de presença que sentimos. Existe um anjo protector?
Um livro fascinante que nos vais fazer encarar a morte com outros olhos.
                                                                                         
José Miguel Gaona Cartolano nasceu em Bruxelas. Licenciado em Medicina com distinção, especializou-se em Psiquiatria na Universidade Complutense de Madrid, possui um mestrado em Psicologia Médica e é especialista em Psiquiatria Forense. Recebeu o Prémio Jovens Investigadores da Comunidade de Madrid e é membro da Associação Europeia de Psiquiatria (AEP), leccionou a cadeira de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da UCM e foi director da revista Educar bien. Niños.
Foi assessor técnico do Defensor do Menor da Comunidade de Madrid, responsável pela área de saúde mental na guerra da Bósnia para a ONG Médicos do Mundo e membro da Comissão de Honra da Fundação Altarriba de protecção animal, da qual certos membros são figuras de destaque como José Saramago, Josep Carreras ou Eduard Punset, entre outros.
Nos últimos anos trabalhou na área da neuro-teologia, ciência que analisa os fenómenos místicos e espirituais do ponto de vista neurológico. Nesta linha, dirige o Projecto Túnel, um local de encontro para pessoas que sofreram experiências de quase-morte (EQM) e que pretendem partilhar essas experiências ou abordá-las de uma perspectiva terapêutica. Actualmente é um dos directores do IANDS Espanha (International Association of Near-Death Studies) e colabora em projectos na área das EQM juntamente com o Dr. Bruce Greyson, da Unidade de Estudos Percetuais da Universidade de Virgínia Ocidental e com a Dra. Holden, da North Texas University.

Novidade Porto Editora


A tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica consequências, e à medida que as várias facções começam a insurgir-se, Tris Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria. O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a facção escolhida. No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre as diferentes facções e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda completamente o que poderá vir a perder.A muito esperada continuação da saga Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas, romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza humana.

Veronica Roth estudou Escrita Criativa na Northwestern University. Nos seus tempos de faculdade, preferiu dedicar-se a escrever o que viria a ser a sua primeira obra, DIVERGENTE, e deixar de lado os trabalhos de casa – uma escolha que acabou por transformar totalmente a sua vida.
Veronica Roth foi recentemente considerada a melhor autora pelos Goodreads Choice Awards 2012, e Insurgente conquistou o prémio de melhor livro de fantasia juvenil pela mesma entidade.

Novidade Sextante


Boston, 1926. A bebida abunda, em cada esquina há troca de tiros, e um homem decide deixar a sua marca no mundo. A Lei Seca levou à criação de uma complexa rede de destilarias e bares clandestinos, gangsters e polícias corruptos. Joe Coughlin, o filho mais novo de um respeitável capitão da Polícia de Boston, há muito que voltou costas à sua educação severa e se rendeu ao lucro, à adrenalina e à notoriedade de ser um fora-da-lei. Mas uma vida de crime cobra um alto preço. Numa época em que homens implacáveis e ambiciosos se digladiam pelo poder, dispondo de armas, bebidas ilegais e muito dinheiro, o mote é: nunca confiar em ninguém – nem na família nem nos amigos, nem nas amantes nem nos inimigos. 
Uma história de amor arrebatadora e uma saga épica de vingança, Viver na noite cruza traição e redenção, música e morte, e traz de novo à vida uma era passada em que o pecado era motivo de celebração e o vício uma virtude nacional.

Dennis Lehane nasceu e foi criado em Dorchester, Massachusetts. Antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro, trabalhou com crianças sofrendo deficiências mentais e vítimas de abusos, foi empregado de mesa, motorista de limusinas, livreiro e carregador. Várias vezes premiadas e traduzidas em 22 línguas, algumas das suas obras foram também adaptadas ao cinema em filmes de grande êxito junto do público e da crítica, como Mystic River, Shutter Island e Gone, Baby, Gone. O filme baseado em Viver na noite está neste momento a ser rodado, e conta com Ben Affleck como realizador e protagonista.

Novidade Suma de Letras


Alice está casada com William há vinte anos. Recorda-se, como se fosse ontem, do dia em que o conheceu. No entanto, ultimamente, é ao Facebook, e não ao marido, que confia os seus pensamentos mais íntimos.
 Um dia, recebe um questionário anónimo sobre amor e casamento da parte de um Investigador 101. Decide responder, sob o pseudónimo Mulher 22, sem imaginar que isso mudará a sua vida. Confissão após confissão, Alice sente-se cada vez mais livre e também mais apaixonada pelo Investigador 101, genuinamente interessado nos seus sentimentos como há muito ninguém estava. Alice não tarda a ver-se confrontada com uma decisão potencialmente devastadora: cessar toda a comunicação com o Investigador 101 para salvar o casamento ou admitir que o coração lhe levou a melhor e está novamente apaixonada.
Com uma voz fresca, comovente e divertida, As Mulheres Casadas Não Falam de Amor é a história de uma mulher que, tentando reencontrar-se, corre o risco de descobrir que, afinal, quer estar onde sempre esteve.

Melanie Gideon nasceu e cresceu no estado de Rhode Island, nos Estados Unidos da América.  As Mulheres Casadas não Falam de Amor é o seu primeiro romance. Está publicado em mais de vinte países e será adaptado ao cinema.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Confissão (John Grisham)

Donté Drumm está há quase nove anos no corredor da morte, condenado pelo rapto e homicídio de Nicole Yarber. Sempre se declarou inocente e as provas contra si resumem-se a uma confissão duvidosa, mas, de alguma forma, todos os recursos foram recusados. Agora, a hora da execução aproxima-se e a sua maior esperança está a centenas de quilómetros de distância, onde um pastor luterano acaba de receber a visita de um homem que afirma ser o verdadeiro assassino e que, por lhe restar pouco tempo de vida, estar decidido a contar a verdade. Seria de esperar que a suspeita bastasse para parar a execução. Mas não. Primeiro, Travis Boyette é tudo menos credível e a sua vontade de confessar não é tão firme como parece. Além disso, todos os responsáveis pela condenação estão seguros da sua decisão e pouco dispostos a ceder a apelos de última hora. Talvez a verdade possa vir a ser revelada... mas não será demasiado tarde?
Tendo em conta as linhas gerais do enredo, uma das primeiras coisas a surpreender neste livro é o ritmo relativamente pausado. Grande parte da história ocorre no espaço de poucos dias, e toda essa parte implica uma corrida contra o tempo, mas, talvez porque a acção em si dizer mais respeito a apelos e questões jurídicas, algumas explicações são necessárias, o que abranda consideravelmente o ritmo da narrativa. Além disso, toda a história serve para transmitir uma mensagem e esta é abordada em todas as suas questões mais relevantes ao longo do enredo, levando a um tom, por vezes, mais divagativo, de reflexão.
Considerando tudo isto, não se pode dizer que este seja um livro que vicie desde as primeiras páginas. Não é. Mas isso não lhe retira envolvência. Na verdade, as muitas considerações tecidas em torno do caso de Donté contribuem em muito para criar uma sensação de proximidade relativamente às suas circunstâncias, reforçando a relevância da questão essencial: a validade da aplicação da pena de morte. Além disso, à medida que os diferentes intervenientes no enredo se tornam conhecidos, as suas acções tornam-se progressivamente mais relevantes, levando a que o ritmo cresça em intensidade. Algures durante o enredo, a história deixou de ser uma narração pausada para ser uma situação de que se quer sempre saber mais.
Outro grande ponto forte deste livro é a forma como o autor desenvolve a posição de Donté de modo a criar o máximo de empatia entre o leitor e as personagens. Desde os primeiros capítulos que as circunstâncias de Donté são conhecidas e toda a história é gerida em função da tentativa de evitar o que lhe está destinado. Nesse sentido, o autor explora as acções e motivações de todos os envolvidos, criando uma tensão que se espera que culmine na hora determinada para a execução. Execução para a qual, ao longo de uma boa parte do enredo, se insinua um final expectável. Mas a história não termina nesse momento particularmente intenso, abrindo antes caminho para um novo desenvolvimento - inevitável, independentemente dos resultados conseguidos - e, em consequência, para novas reflexões.
Há, portanto, além de um enredo cativante e com algumas surpresas, várias considerações relevantes ao longo deste livro. Toda a narrativa é construída em torno da questão da pena de morte - e da possibilidade da condenação de um inocente - e a forma como o autor gere as tensões e emoções ao longo do enredo apela a uma reflexão sobre o assunto. Também isto faz parte do que marca neste livro, em que a história das personagens é impressionante por si mesma, mas em que a questão essencial está sempre presente, como o próprio final realça com precisão.
Com personagens fortes e um ritmo que cresce em intensidade com as sucessivas revelações que vão sendo apresentadas, A Confissão conjuga um enredo envolvente com uma importante reflexão sobre temas muito relevantes. O resultado é uma leitura cativante, com momentos fortíssimos e uma história que fica na memória, tanto pelos acontecimentos como pelas questões associadas. Um bom livro, portanto. Muito bom.