segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Novidade Porto Editora

A ameaça de um grande atentado contra o Papa desencadeia uma intrincada investigação. Mas, no meio eclesiástico, as mortes não explicadas sucedem-se, adensando um clima de suspeita e medo.
Entretanto, o porta-aviões Varyag, transformado em casino flutuante, é palco para o assassínio de Lady Godiva, uma bela e afamada cantora.
Muitos anos antes, no fim da Segunda Guerra Mundial, o Submarino U-1277 foi afundado junto ao Porto pelo seu comandante; a tripulação desembarcou em botes na praia de Angeiras e desapareceu. Ninguém sabe o que aconteceu a Helmuth Draier, nem qual a secreta missão de
que vinha incumbido.
Desvendar quem matou, como o fez e porquê é um dos desafios para o detective Mário França. O outro é mergulhar no passado e resolver um enigma. Do seu escritório no Muro dos Bacalhoeiros, no Porto, será ao som do Requiem de Mozart que ele conduzirá a investigação até ao sucesso final.

Miguel Miranda é médico (chefe de serviço de Medicina Geral e Familiar) e autor de vários romances, livros de contos e livros infantis. Recebeu o Grande Prémio de Conto da APE pelo livro Contos à Moda do Porto (1996); o Prémio Caminho de Literatura Policial pelo livro O Estranho Caso do Cadáver Sorridente (1977); e o Premio Fialho de Almeida pelo livro A Maldição do Louva-a-Deus (2001). Está traduzido em Itália e representado em diversas colectâneas. Entre outros, publicou os romances Bailado de Sombras, Livrai-nos do Mal, Dois Urubus Pregados no Céu, O Silêncio das Carpideiras e O Rei do Volfrâmio, e os livros de contos A Mulher que Usava o Gato Enrolado ao Pescoço e Como se Fosse o Último. Dai-lhes, Senhor, o Eterno Repouso é o seu sexto romance.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Mulher do Capitão (Ludgero Nascimento dos Santos)

Uma história de amor e morte, no cenário de uma pequena vila angolana, em plena Guerra Colonial. A história de Diana, de como se deixou convencer a casar com um homem que não amava para fugir a uma vida de dificuldades e de um certo desprezo. E de Luís, o alferes que descobre o amor em toda a sua força na bela figura da mulher do capitão.
O mais interessante ao longo desta leitura está na forma como as emoções vão ganhando vida, gradualmente, à medida que acontecimentos mais difíceis se vão sucedendo. Se a abertura da história é, por si só, de impacto, a verdadeira dimensão dessas declarações iniciais só se alcança em pleno bastante mais tarde, quando a história de Luís e Diana atinge um ponto sem retorno. E é nestes momentos mais intensos que o autor consegue mostrar o melhor da história, evocando emoções tão divergentes como a piedade e a repulsa, o perdão e o desejo de vingança, numa clara e longa viagem ao passado.
A própria caracterização de cada personagem, bastante precisa nos elementos que realmente interessam, contribui para despertar no leitor alguma reacção. E isto não se aplica apenas ao protagonista. Figuras como a de Josefina, com a sua obsessão quase louca, e Simão, com uma lealdade para além da morte e capaz de ditar qualquer acção, dão aos acontecimentos uma nova força, uma maior amplitude de aspectos de interesse.
Em termos de escrita, há algumas peculiaridades em termos de pontuação que, inicialmente, provocam alguma estranheza. São aspectos, ainda assim, que, passada uma fase inicial, se assimilam com facilidade, não prejudicando muito a leitura.
Uma leitura interessante, com alguns momentos bastante emotivos e algo de intrigante em várias das personagens que constituem esta história. Gostei.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sangue de Anjo (Nalini Singh)

Elena Deveraux é uma caçadora de vampiros. Mas não do estilo que anda pela noite a cravar estacas em criaturas imortais sugadoras de sangue. Não. Na verdade, os vampiros são criados pelos anjos e subordinados a estes durante um período estipulado em contrato. O trabalho de Elena, portanto, é capturar os que tentam evitar os seus deveres e devolvê-los aos respectivos chefes, e ela é extraordinariamente boa no que faz. Mas isso significa problemas quando o arcanjo Raphael a escolhe para um trabalho bem mais arriscado.
Uma das grandes forças deste livro e aquela que chama a atenção desde o princípio é a caracterização das personagens. Tanto Elena como Raphael são fascinantes à sua própria maneira. Ambos têm um passado mais enigmático do que tudo faria pensar e as personalidades de ambos revelam-se melhor na relação de choque e atracção que desde cedo se estabelece entre eles. Elena é forte, persistente, consciente das suas capacidades e evidentemente incapaz de submissão (mesmo quando isso significa um certo desprezo pela continuidade da sua própria existência). Raphael, por sua vez, representa poder, crueldade, mistério, autoridade, beleza irresistível... mas também, e apesar da sua fortíssima certeza de não ser humano, um certo laivo de sensibilidade que acabará por ser despertado pela presença de Elena. E diga-se que, para um "anjinho", o arcanjo de Nova Iorque tem, de facto, muito que se lhe diga.
Também o enredo tem muito de interessante. Seria de prever uma considerável componente de desenvolvimento romântico e sensual. E é um facto, a atracção entre os protagonistas tem grandes momentos de destaque ao longo do livro. Não deixa de ser curioso, ainda assim, ver a forma como o antagonismo inicial passa a estrita atracção física... e depois... a algo bastante mais intrigante que os jogos de Raphael com os seus brinquedos. Mas há mais, para lá do romance. A missão de Elena implica, de facto, situações de perigo e momentos de acção, que culminarão num momento bastante impressionante. Ao mesmo tempo, existem traços da história passada tanto da caçadora como do arcanjo, que, ainda que não sejam completamente revelados neste primeiro livro, deixam no ar uma inevitável curiosidade.
Envolvente, intrigante, com momentos de um humor delicioso e outros de uma força fascinante. Intenso, tanto na crueldade como na ternura, um livro que cativa desde as primeiras páginas e que se torna simplesmente impossível de largar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os Mágicos (Lev Grossman)

Uma entrevista de admissão à faculdade era tudo o que ocupava os pensamentos de Quentin Coldwater naquele dia. Mas, quando entraram na casa, o homem estava morto e havia uma estranha carta à espera do rapaz. Alguns passos, a perseguição a uma nota e Quentin dá consigo em Brakebills, escola de magia. Mas um sonho realizado nem sempre significa felicidade. Às vezes, representa apenas o início dos problemas.
Há um certo desequilíbrio ao longo do enredo deste livro, como se o autor tivesse várias ideias, algumas delas bastante interessantes, e fosse imperioso que todas fossem, de alguma forma, misturadas numa mesma narrativa. O resultado é que, durante uma boa parte do livro, os acontecimentos que se sucedem não parecem seguir uma linha de enredo principal, mas espalhar-se através do cenário como situações confusas e cujas ligações parecem difíceis de compreender.
Alguns momentos são realmente muito bons. A história do irmão de Alice, o método de ensino do professor Mayakovsky, a mudança de Martin Chatwin e alguns outros momentos espalhados ao longo do livro são, de facto, bastante cativantes. O problema é que, entre estas, outras situações são apresentadas que, ou tornam o enredo confuso, ou parecem não contribuir para a história ou não chegam a ver explicada a sua verdadeira importância (como no caso do teste facultativo da Antárctida). Assim, por mais interessantes que sejam os melhores momentos do livro, o resultado é uma distância inevitável face a história e personagens que, com as suas acções por vezes inexplicáveis, raramente chegam a permitir grande empatia para com o leitor.
Ainda de referir toda a parte da história construída em volta de Fillory. É, na verdade, nas partes dedicadas a este mundo que se encontram alguns dos aspectos mais curiosos do livro, principalmente na ligação entre o que os protagonistas realmente encontram e aquilo que a sua imaginação lhes permitira retirar dos livros. Há, nesta fase, um ritmo um pouco mais constante e bastantes mais pontos relevantes, em comparação à fase de aprendizagem em Brakebills.
Dificilmente poderei dizer que este livro correspondeu às minhas expectativas. Existem, ainda assim, alguns pontos de interesse, principalmente nalguns momentos mais dedicados à reflexão sobre o valor dos sonhos e do poder. Pena que não tenham sido o suficiente para cativar por completo.

Novidade Porto Editora

O fantasma de uma freira do século XVIII que degolava as suas vítimas, sepulturas e cadáveres de virgens profanados, sombras misteriosas e sinistras em cemitérios obscuros da Normandia profunda, livros medievais com poções mágicas que asseguram a vida eterna, o furto de relíquias, um rival do passado longínquo que fala em verso e… dois traficantes de droga assassinados às portas de Paris.
Um puzzle complicado que deixaria louco qualquer um que não fosse o comissário Adamsberg. À medida que as mortes se sucedem, o comissário e a sua peculiar equipa lutam contra o tempo para encontrar os culpados.

Fred Vargas (pseudónimo de Frédérique Audouin-Rouzeau) nasceu em Paris em 1957. Estudou História e Arqueologia e publicou vários romances policiais que estão traduzidos em trinta e cinco países. Unanimemente reconhecida como a rainha francesa do polar, os seus livros foram galardoados com numerosos prémios: o Prix Mystère de la Critique (1996 e 2000), o Grande Prémio de Novela Negra do Festival de Cognac (1999), o Trofeo 813, o Giallo Grinzane (2006) e o CWA International Dagger (2009).

Convite

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Lápides Mortais (Sharan Newman)

Catherine LeVendeur é uma noviça no convento do Paráclito. Mas cedo terá de descobrir as suas aptidões numa área bem diferente das dos estudos eclesiásticos. Quando a abadessa Heloise lhe pede que volte a casa - numa simulada ruptura de ligações com o convento - para investigar uma acusação de supostas heresias inseridas num livro em que a própria Catherine trabalhou, a jovem está longe de imaginar que se envolverá no caminho de diferentes interesses. Interesses que se podem revelar mortais.
Ainda que seja Catherine a protagonista nesta história, o primeiro elemento a despertar interesse reside em duas outras personagens de história sobejamente conhecida: Heloise e Abelard. É, na verdade, a história das suas ligações passadas que faz com que os ataques à integridade do convento, bem como às teorias do próprio Abelard, sejam propriamente perigosas, estando aí uma importante motivação para o pedido da abadessa. Mas também Catherine se revela uma personagem intrigante e cheia de recursos. Apesar da sua família peculiar - e das relações menos boas à sua saída do convento - a teimosa noviça consegue sempre encontrar uma forma de perseguir os seus objectivos, mesmo que para tal seja necessário colocar a vida em risco.
Mais que o mistério central desta história, está na progressiva aproximação de Edgar e Catherine (desde o atrito inicial a uma progressivamente mais forte empatia), deixando a sensação de uma história que se repete, de uma algo temível similaridade entre a história destes jovens e a de Abelard e Heloise. E esta tensão que se vai estabelecendo entre os jovens é uma constante, mesmo quando as circunstâncias são de vida ou morte, mesmo quando tudo em volta faria pensar que circunstâncias mais elevadas ganhassem prioridade.
Bastante interessante, uma leitura que ganha envolvência à medida que o enredo evolui e que mistura elementos históricos, filosóficos e religiosos para criar uma história cativante e de leitura agradável. Gostei.