quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Vírus do Apocalipse (Douglas Preston e Lincoln Child)

A trabalhar nos laboratórios da conceituada GeneDyne, mas a desempenhar as funções de um técnico de nível inferior, Guy Carson sente-se subestimado. Mas tudo muda quando o próprio Brent Scopes, senhor e cérebro da GeneDyne, o escolhe para um projecto altamente secreto e capaz de revolucionar a engenharia genética. Se tudo correr como planeado a descoberta poderá salvar milhões de vidas. Assim, Guy parte apressadamente rumo a Mount Dragon, onde a GeneDyne mantém instalações altamente secretas e de elevadíssima segurança. Mas é também aí que as coisas começam a correr mal. É que, além de o vírus envolvido no projecto ser de absoluta letalidade, há em Mount Dragon um ambiente de tensão. E um problema de consequências terríveis.
Um enredo envolvente, personagens carismáticas e um conjunto de momentos particularmente intensos parecem ser os elementos essenciais a fazer deste livro - como de outros destes autores - uma leitura viciante. Não é um enredo de ritmo compulsivo, até porque há questões relevantes a serem consideradas e as descrições dos elementos científicos e tecnológicos exigem o seu espaço, mas há sempre algo de interessante a acontecer, seja no panorama global, seja nos percursos individuais das personagens. Isto, associado a uma boa capacidade de gerir o suspense, levantando possibilidades e gerando respostas que levam a novas questões, torna toda a narrativa intrigante. É quase inevitável a vontade de querer saber mais, e, assim, é difícil parar a leitura antes do fim.
As tais questões relevantes são também um ponto forte. Os perigos e potencialidades da engenharia genética, são, é claro, o grande tema, e, ao serem abordados mais por acções que por reflexões (ainda que estas surjam, também, pela voz de algumas personagens), tornam-se mais fáceis de assimilar. Além disso, os diferentes pontos de vista reflectem-se também no comportamento e nas escolhas das personagens, o que cria vários dilemas e muitos bons momentos de tensão.
Mas há outros dilemas e outras escolhas, e é aqui que se notam os melhores detalhes na caracterização das personagens. Na rivalidade entre Levine e Scopes, e na forma como as suas histórias se encaminham para um final fortíssimo, e, por outro lado, na relação conturbada entre Guy e Susana, há personalidades fortes e contrastantes, que conferem ao enredo as medidas certas de tensão e de emoção - e até um toque de humor.
Intenso e intrigante, com um contexto bem construído e personagens tão marcantes como os acontecimentos que vivem, O Vírus do Apocalipse apresenta uma história viciante, bem escrita e com momentos realmente impressionantes. Muito bom, em suma. Muito bom.

Passatempo Angelópolis

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Editorial Presença, tem para oferecer um exemplar do livro Angelópolis, de Danielle Trussoni. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Angelópolis é a sequela de que livro?
2. Como se chama a amada de Verlaine?
3. Qual é o título do livro de memórias de Danielle Trussoni?

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 19 de Julho. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- Os vencedores serão contactados por email e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

Para mais informações sobre os livros e a editora, consulte o site da Editorial Presença aqui.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Death Ain't But a Word (Zander Marks)

Wilkin tem um problema de drogas e uma vida que é tudo menos tranquila. Mas essas não são senão questões menores, comparadas ao facto de que ele consegue ver fantasmas, um dom – ou maldição – difícil de gerir. Especialmente se um desses fantasmas for um amigo de infância que foi assassinado. E quando o assassino subitamente decide recuperar os ossos do rapaz, é inevitável que as coisas se compliquem ainda mais. Wilkin é agora um alvo. E é também possível que ele tenha de aceitar algumas verdades difíceis, como a de que o seu melhor amigo se tornou num espírito vingativo e que o único rumo possível interfere com os seus planos.
Uma das coisas mais interessantes neste livro é que o protagonista não poderia estar mais longe do habitual protagonista heróico. Wilkin tem problemas – e muitos – e isso é parte do que o torna humano. O resto define-se no seu comportamento, nas atitudes e, principalmente, nos valores e ideias que o movem, invulgares no seu ambiente e, por isso mesmo, impressionantes.
Também toda a questão dos fantasmas é interessante. Os yardwalkers, tal como Wilkin tão apropriadamente designa os que conseguem ver os espíritos, têm, com o seu conjunto de capacidades peculiares, uma boa base de características cativantes e a relação que têm com os fantasmas contribui também significativamente para que a história flua com um ritmo envolvente. Além disso, surge, associado a estas relações, um muito invulgar sentido de humor, que cria um agradável contraste com os elementos mais sombrios do enredo.
Quanto à escrita, o estilo é bastante directo, mas há algumas descrições mais elaboradas. Episódios como o primeiro contacto com a Liz May e o cenário global dos acontecimentos sobrenaturais dos últimos capítulos são particularmente bem descritos, enfatizando a aura sombria – e estranhamente cativante – que se manifesta ao longo de toda a história.
Por último, há a questão sentimental. Para lá da acção – que é muita – e dos momentos negros – que são alguns - , há algo nas personagens e nas suas histórias que as torna próximas, de certa forma. É fácil compreender o que sentem, apesar da estranheza da situação em que se encontram, e as ligações que os unem vivem de sentimentos fortes. Dos mesmos sentimentos que tornam intensos os grandes momentos do enredo.
Sombrio e intrigante, com personagens fortes e uma visão bastante peculiar de certos elementos sobrenaturais, este é, assim, um livro que não desilude. Uma boa história, uma leitura envolvente e, sem dúvida, uma muito boa surpresa.

Novidade Guerra e Paz

Em que camas andamos a deitar-nos? Eugénia de Vasconcellos deita-nos em quatro camas politicamente incorrectas. Deitamo-nos numa cama de casal, é certo, mas uma cama de casal é para quantos? Quantas vezes nos deitamos a pensar que somos dois e descobrimos que afinal somos três? E se formos quatro? E se uma cama de dois não for sempre a mais feliz das camas?
Deitamo-nos em quatro camas. Numas há escândalo, noutras frustrações, em muitas há pecado e culpa. Agora, digam: se uma cama não for uma cama de religião, arte e emoções, se para a cama não levarmos pensamento e os cinco sentidos, poderá essa cama ser uma cama de desejo?
A cama em que nos deitamos é antiquíssima. Este é o livro que vai deitá-lo numa cama de bom sexo, colchão e lençóis novíssimos.

Eugénia de Vasconcellos tem 45 anos - e gosta: diz que, para uma maioria de pessoas, os vinte e os trinta são uma chatice formativa de onde, às vezes, não se sai jamais. Porém dos enta em diante, a idade oferece a possibilidade de retorno à la carte ao paraíso adâmico, risonho e vagamente perverso, da infância. Com a vantagem de se regressar com uma biblioteca, não apenas de livros, mas daquilo de que eles são feitos no lugar mais interno das palavras: a vida por todos os lados e a arte nos espaços em branco. O Amor. Diz estar convicta de que melhor do que os 45 só os 46, 47 e por aí adiante. E que da sua boca não sai, ai quem me dera ter outra vez vinte anos. Só um: ai quando tiver cinquenta...
Está segura de ter muita sorte: o melhor Cão do mundo é o seu. A melhor mãe e a melhor irmã. E os melhores diabinhos, perdão, sobrinhos, também. As melhores amigas.
Se no cinema do céu caiu uma estrela, a ela caem-lhe pessoas com estrela. Podia cantar-lhes Cole Porter e Sinatra:  you´re the top, you´re coliseum…

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Novidade Matéria-Prima

Verónica abandona o seu país, à procura de segurança, depois de sucessivas ameaças de morte. A jornalista foge para o outro lado do mundo, contrariando aquilo que o coração e o corpo pediam. Deixa para trás um trabalho promissor, amizades inabaláveis e uma paixão arrebatadora.
No seu novo destino, Verónica acaba se deixar levar pela vertigem do desejo e da sedução, vivendo tudo o que nem a sua imaginação ousava arriscar. Entre tórridas noites e festas exuberantes, a jornalista transforma-se: muda de nome, de visual, de pele. Mas quando tudo parecia distante e um novo caminho se começava a desenhar, o melhor e o pior do seu passado decidem voltar à sua vida. 
Confrontada com a maior das tentações e também com o maior dos perigos, Verónica vive momentos de sobressalto, repletos de desejo e luxúria, em que os corpos falam mais alto do que razão. Sem nunca pensar que a maior surpresa ainda estava por acontecer. 
Em Os Teus Desejos São Ordens, deixe-se levar para um destino exótico, numa espiral de emoções à flor da pele. Viva um verdadeiro teste aos limites do amor e do prazer, como nunca os imaginou. 

Maria Luísa Castro é o pseudónimo de uma jornalista portuguesa, nascida em Lisboa, desde sempre apaixonada pela escrita. Tem vários livros publicados que conquistaram os aplausos da crítica e também prémios literários. Fez o percurso de muitos jornalistas da sua geração: passou pela rádio, pela televisão e pela imprensa. Neste livro, aborda a sensualidade e pelo erotismo, para a qual se inspirou no universo íntimo partilhado pelas mulheres, de todas as idades, com quem tem convivido ao longo dos últimos anos. 

sábado, 6 de julho de 2013

Sei o que Estás a Pensar (Thorsten Havener)

Será possível ler a mente dos que nos rodeiam? Bem, talvez não de forma exacta. Mas o facto é que o nosso corpo dá sinais do que nos ocupa o pensamento, seja através de um gesto, de um olhar ou de uma simples postura. E, através de algumas técnicas e do uso da intuição, é possível reconhecer e interpretar esses sinais. O que autor apresenta neste livro é um conjunto dessas técnicas e de algumas possíveis explicações, baseadas na ciência ou na experiência pessoal, para o facto de essas técnicas funcionarem.
O que primeiro chama a atenção neste livro é, claro, a ideia. A interpretação da linguagem corporal e a forma como esta pode ser usada para tirar conclusões não é propriamente algo que nunca tenha sido explorado, mas não deixa de ser uma teoria - ou conjunto de - interessante de descobrir. Além disso, o autor explica-a de forma bastante clara e concisa, numa análise relativamente sucinta, mas bastante esclarecedora, mesmo para quem não conheça nada sobre o assunto.
Também interessante é a perspectiva pessoal do autor, já que as suas experiências, em palco ou na vida pessoal, transmitem exemplos práticos das ideias e dos métodos que o autor pretende apresentar. Nem tudo é explicado, é certo, e fica, por vezes, a ideia de que seria interessante explorar certas questões mais a fundo, mas o essencial é transmitido e, nos casos mais difíceis de explicar, os exemplos tornam mais fácil a percepção do que o autor pretende transmitir.
Ainda um outro aspecto interessante neste livro é o facto de quase todas estas ideias serem igualmente úteis numa actuação, como demonstram vários dos exemplos do autor, como no simples quotidiano. Aqui, as questões relativas à linguagem corporal são particularmente valiosas, mesmo que algumas não sejam propriamente algo de novo.
Interessante e agradável, este é, assim, um bom guia para desenvolver uma melhor percepção daqueles que nos rodeiam, rico em ideias interessantes e escrito num registo cativante e descontraído. Uma boa leitura, portanto.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sedução (Bella Andre)

Charlie Gibson é um conhecido autor de livros eróticos, mas a sensualidade tem estado longe da sua vida, já que, pelos livros que escreve, as mulheres que tenta conhecer julgam-no um tarado. Mas tudo muda ao conhecer Candace Whitman. Candace quer iniciar-se na literatura erótica, mas tem encontrado muitos obstáculos no caminho. Por isso, ao chocar com Charlie numa convenção, ela sabe que tê-lo como mentor pode ser a oportunidade que lhe faltava. As coisas cedo se complicam, porém, quando o que era suposto ser um conjunto de lições profissionais se transforma em algo mais físico.
Dentro do que se espera de um romance deste género, a premissa é bastante interessante, havendo também alguns pontos positivos a tornar a leitura envolvente. O ponto forte está, sem dúvida, na ligação à escrita, e na forma como a história de Candace se reflecte no livro que está a escrever, mas também alguns pequenos momentos mais peculiares e o breve contexto das vidas passadas dos protagonistas conseguem ser bastante interessantes.
Mas também há alguns defeitos e o primeiro é a brevidade. Este é um livro pequeno, em que a história está toda ela centrada no erotismo. Tudo o mais - e até alguns dos momentos mais sensuais - acontece de forma apressada, deixando a sensação de que tanto o elemento romântico na sua totalidade como alguns episódios em particular ganhariam bastante com um maior desenvolvimento. Desenvolvimento que, estendido à caracterização das personagens, tornaria tudo mais interessante.
Além disso, também a escrita é bastante simples, sem grandes descrições e muito directa nos elementos eróticos, o que, mais uma vez, deixa a sensação de uma evolução demasiado básica, em que muito é deixado por explorar. É certo que a tradução também não ajuda, já que, mesmo sendo difícil encontrar equivalentes na língua portuguesa para certos termos, seria ainda assim possível optar por uma linguagem um pouco menos forte.
No balanço de tudo isto, fica a impressão de uma leitura que não deixa de ser agradável, principalmente devido a alguns bons momentos e a um bom conjunto de ideias, mas em que história e personagens poderiam dar origem a algo muito maior. E é isso, esse desenvolvimento, o que falta, no essencial, a este livro.