quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Divulgação: Novidade Presença

Nicola Yoon
Coleção: Ficção Juvenil nº 12
Tema: Infantis-Juvenis
Título Original: Everything, Everything
Tradução: Isabel Maria Pettermann Frausto

Madeline Whittier observa o mundo pela janela. Tem uma doença rara que a impede de sair de casa. Apesar disso, Maddy leva uma vida tranquila na companhia da mãe e da sua enfermeira - até ao dia em que Olly, um rapaz vestido de preto, se muda para a casa ao lado e os seus olhares se cruzam pela primeira vez. De repente , torna-se impossível para Maddy voltar à velha rotina e ignorar o fascínio do exterior - mesmo que isso ponha a sua vida em risco.
Nicola Yoon escreveu um livro comovente com uma mensagem para leitores de todas as idades . 

Nicola Yoon nasceu na Jamaica e cresceu em Brooklyn. Mora em Los Angeles com o marido e a filha. Tudo, Tudo... E Nós é o seu primeiro romance, tornou-se bestseller do New York Times e os direitos de tradução encontram-se já vendidos para mais de 30 países.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Maestra (L.S. Hilton)

Começa quase que por acidente, quando Judith Rashleigh, funcionária de uma famosa leiloeira, se cruza com uma colega de infância que lhe aponta uma forma interessante de ganhar dinheiro extra. Chega assim a um clube nocturno, onde facilmente se adapta ao papel de acompanhante, papel esse que lhe permite estabilizar a sua bastante precária situação financeira. Entre as suas duas vidas, parece estabelecer-se um equilíbrio fácil... até ao dia em que tudo muda. Primeiro, descobre que o chefe está envolvido num esquema dúbio - e a sua necessidade de descobrir a verdade leva a que seja despedida. Depois, o seu cliente habitual no outro emprego sobre um terrível acidente. E, de repente, Judith precisa de tomar as rédeas da situação e reconstruir-se. Inicia, assim, uma caminhada em direcção a uma vida de grandes luxos - e de maior escuridão, tornando-se numa mulher acima das regras. Mas por quanto tempo?
Centrado, acima de tudo, no percurso da protagonista e narrado precisamente pela sua voz, este é um livro que tem como grande ponto forte a forma como a personalidade e os valores que movem Judith são transformados ao ritmo do desenvolvimento das suas circunstâncias. A funcionária afável e disposta a dar tudo à sua entidade patronal dos primeiros capítulos sofre uma sequência de metamorfoses, capazes de a transformarem numa pessoa acima de todos os valores e capaz de tudo para atingir os seus fins. E isto acontece de forma gradual, num equilíbrio moldado pelos sucessivos acontecimentos. Acontecimentos que transformam a Judith quase demasiado inocente e que facilmente desperta empatia numa mulher cruel e sem escrúpulos, que é tão fácil de odiar quanto fascinante na sua complexidade.
Ainda um outro aspecto particularmente interessante é a forma como a autora conjuga intriga e erotismo, sendo que, no início, parece ser este último a assumir o papel dominante, para depois dar lugar a uma série de desenvolvimentos cada vez mais sombrios que levam a que o crime e a intriga ocupem o lugar de destaque. O lado erótico do romance continua sempre bem presente, é certo, mas adquire contornos mais negros à medida que os meandros das intrigas de Judith se vão revelando em toda a sua verdadeira dimensão. E também isto é uma surpresa, claro, contribuindo para manter a envolvência do enredo, mesmo quando as personagens se começam a distanciar.
Fica muito em aberto nesta história, que termina num ponto do caminho de Judith em que parece haver ainda muitas respostas para dar - não só quanto às possibilidades futuras, mas também a algumas facetas do passado da protagonista. Ora isto, associado à tal distância progressiva que se vai sentindo relativamente às personagens, deixa a sensação de que haveria, talvez, um pouco mais a dizer. Mas, uma vez que a história deverá continuar, estas pontas soltas fazem também um certo sentido, pois geram expectativas para o que virá depois. 
Cativante, surpreendente e com uma protagonista tão complexa quanto invulgar, trata-se, pois, de uma muito interessante mistura das medidas certas de mistério, intriga e sensualidade. Envolvente desde as primeiras páginas e cheio de surpresas ao longo de todo o caminho, um início muito promissor. 

Título: Maestra
Autora: L.S. Hilton
Origem: Recebido para crítica

Para mais informações sobre o livro Maestra, clique aqui.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Divulgação: Novidade Quetzal

Este livro começa por contar a história de um criado indiano em Washington, que adquire a cidadania americana, mas que sente já não fazer parte do grande fluxo da vida. Segue-se a história do caribenho de origem asiática em Londres: está perturbado, preso por homicídio, mas nunca saberá onde se encontra. A terceira narrativa, a principal, desloca-se para África, para um país ficcional parecido com o Uganda ou o Ruanda. As personagens centrais são dois ingleses, que no passado sentiam África como um continente libertador, que entretanto o deixara de ser. Em tempo de conflitos tribais, no meio de uma grande insegurança, os dois terão de empreender uma longa viagem.

V.S. Naipaul nasceu nas Caraíbas (em Trindade), em 1932, no seio de uma família de origem indiana. Em 1950 foi estudar para Inglaterra com uma bolsa. Após os primeiros quatro anos na Universidade de Oxford, começou a escrever, actividade a que, desde então, se dedica ininterruptamente: entre o romance e o ensaio, Naipaul publicou mais de uma vintena de livros, entre os quais o extraordinário conjunto que a Quetzal tem vindo a publicar. Em 1971, V.S. Naipaul foi galardoado com o Booker Prize e, em 2001, com o Prémio Nobel da Literatura.

Divulgação: Novidade Bertrand

O Conto de Inverno é uma das últimas peças de Shakespeare. Conta a história de um rei cujo ciúme acaba na morte da sua bela mulher e no desaparecimento da sua filha bebé. A menina é encontrada e criada por um pastor da Boémia, mas, através de uma série de acontecimentos extraordinários, pai e filha (e por fim, também a mãe) acabam por se juntar de novo.
Em O Intervalo de Tempo, uma nova versão desse conto feita por Jeanette Winterson, passamos de Londres, uma cidade em choque depois da crise financeira de 2008, para uma cidade americana que se chama Nova Boémia e acabou de ser arrasada por uma tempestade.
Escrita com fibra e espírito, esta é a história do poder corrosivo do ciúme, por um lado, e da salvação através do amor a uma criança perdida por outro.

Jeanette Winterson é autora de dez romances, livros infantis, não ficção e guiões para televisão. Escreve também com regularidade para o jornal The Guardian. Foi adoptada por um casal pertencente à Igreja Pentecostal e foi criada para ser missionária, algo de que falou no seu primeiro livro, As Laranjas Não São o Único Fruto.

domingo, 4 de setembro de 2016

Quem me Dera Ser Onda (Manuel Rui)

Vivem-se tempos de mudança e os ideais da revolução estão mais presentes que nunca. Tudo serve de desculpa para falar de reaccionários ou da pequena burguesia. Até mesmo um porco. O porco que Diogo, pai de família, decidiu criar no sétimo andar e que, passados alguns meses, lhe trará a carne por que tanto anseia. Ora, mas isto pode ser mais difícil do que parece. Os vizinhos não estão nada satisfeitos. E quanto aos filhos de Diogo, estes rapidamente se afeiçoam ao porquinho a que chamaram Carnaval da Vitória e que é objecto de todas as suas esperanças. Entretanto, entre fiscalizações, comunicados e confusões, o porquinho lá vai crescendo, alimentado a restos de restaurante de luxo. Mas e quando a data marcada chegar?
Se há algo que desde muito cedo salta à vista neste livro, e que acaba por ser a sua grande força, é a forma como, em menos de cem páginas escritas de forma muito simples, o autor consegue construir uma história tão completa e um tão cativante equilíbrio. Equilíbrio entre a inocência e a ingenuidade da infância, dos irmãos que, com todo o amor tentam salvar o seu porquinho, e o pragmatismo quase cruel da vida adulta. Entre o interesse (e as invejas) que movem os adultos e a solidariedade das crianças que partilham simplesmente uma alegria. E um equilíbrio todo ele feito de contrastes, que, de uma forma tão inocente e enternecedora, reflecte também os enredos e tribulações de uma vida em constante mudança.
Senão, vejamos: desde as decisões e intrigas dos moradores aos muito engenhosos planos das crianças, tudo parece ter subjacente alguma espécie de ideal revolucionário. E, assim, numa história tão simples como a da salvação de um porco (quase que a fazer lembrar, de início, uma Teia de Carlota), emerge uma percepção mais ampla. A de uma sociedade em que afectos e interesses coexistem e por vezes colidem. E em que a esperança nem sempre chega para se conseguir o objectivo pretendido.
Claro que, sendo a história tão breve, há pequenos elementos deixados por esclarecer. A situação da professora, as possíveis consequências de alguns dos planos mais ousados das crianças - o próprio final deixa em aberto tantas possibilidades como as certezas que apresentam. Mas, se isto deixa uma sensação de que mais se poderia dizer sobre esta história e estas personagens, também é verdade que a história, tal como é, serve um propósito. O de realçar o essencial. E fá-lo com uma estranha leveza, envolvente, às vezes até divertida - dizendo as verdades complexas da mais simples e clara das formas. O que acaba por ser, também, uma qualidade. 
Trata-se, pois, de um livro breve e simples, mas em que, a partir das pequenas coisas e da inocência dos mais novos, se reflecte também sobre umas quantas verdades da vida. Cativante, muito bem escrita e com um equilíbrio delicioso entre a seriedade e o humor, uma história leve, equilibrada e muito interessante. Gostei. 

Título: Quem me Dera Ser Onda
Autor: Manuel Rui
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Os 100 - O Regresso a Casa (Kass Morgan)

Depois de várias perdas dolorosas e de muitas tribulações, os 100 começam finalmente a habituar-se à nova vida na Terra. Mas, quando menos esperam, uma nova mudança vem pôr em causa tudo aquilo que construíram. A capacidade de sobrevivência na Colónia esgotou-se e aqueles que conseguiram lugar numa nave de transporte acabam de chegar à Terra. E vêm com ideias muito claras de fazer do seu novo lar uma réplica da Colónia no que diz respeito às regras e imposições. Wells, Clarke, Bellamy e o resto dos 100 terão, mais uma vez, de lutar para defender o que construíram. E as consequências podem muito bem ser terríveis.
Centrado, em grande medida, nas mesmas personagens e retomando o enredo no ponto onde parou no volume anterior, este é um terceiro volume em que as características essenciais são em tudo comuns às dos anteriores. A escrita directa, em que a acção é o elemento dominante, dividindo entre os percursos das várias personagens, continua a ser o traço essencial a definir esta história. Mas, situando-se também num ponto de viragem, há, desde logo, um desenvolvimento interessante. É que, com a chegada dos colonos, torna-se necessária uma acção mais global, o que leva a que os percursos individuais tendam a convergir para uma acção conjunta. As relações tornam-se mais fortes, o que dá origem a um maior impacto emocional. E, através desta evolução, passa-se de um grupo heterogéneo à possibilidade de uma comunidade mais sólida, o que torna todo o desenrolar dos acontecimentos muito mais interessante.
Também muito interessante é a forma como a autora explora as diferentes forças em jogo agora que todas se encontram num mesmo cenário. Por um lado, Rhodes, com as suas imposições vindas da colónia. Por outro, o papel dos protagonistas no meio de tudo isto, formando parte dos 100, mas de uma maneira um pouco diferente. E, por outro, as inevitáveis diferenças entre colonos e terrestres, com todas as possibilidades de conflito ou coexistência a eles associadas. Há todo um conjunto de novas possibilidades neste último volume - e isso torna o rumo efectivamente seguido mais surpreendente.
Há muito a acontecer para todas as personagens. Tanto que, por vezes, fica a sensação de que alguns dos momentos mais importantes acabam por surgir de forma um pouco apressada. A acção torna-se dominante, deixando para segundo plano os pensamentos e as explicações. Emoções não faltam, principalmente porque há momentos bastante delicados para os protagonistas. Mas ficam, no fim, algumas questões em aberto, principalmente quando as coisas mudam mais depressa. E uma vontade insatisfeita de saber mais sobre algumas facetas do contexto.
A impressão que fica é, essencialmente, a de um livro nos mesmos moldes dos anteriores. Leve, envolvente, com muita acção, um belo toque de emoção e uma muito interessante sequência de surpresas ao longo do caminho. Uma boa história, portanto, e uma boa leitura.

Título: Os 100 - O Regresso a Casa
Autora: Kass Morgan
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Bertrand

Dois irmãos. Um, mudo; o outro, o seu protector.
Todos os anos, a família visita o santuário que fica na desolada faixa de costa conhecida apenas como «Loney», desesperadamente à espera de uma cura.
Durante as longas horas de espera, os rapazes são deixados sozinhos. E não conseguem resistir à passagem que se vislumbra a cada mudança da maré, à velha casa que se ergue ao longe...
Muitos anos mais tarde, Hanny é um homem feito e já não precisa dos cuidados do irmão. Mas depois descobre-se o cadáver de uma criança, morta há muito.
O Loney acaba sempre por dar à costa os seus segredos.

Andrew Michael Hurley nasceu em Inglaterra em 1975 e Santuário é o seu livro de estreia. Publicado originalmente em 2014 numa edição limitada de 300 exemplares, os leitores e a crítica fizeram dele um enorme sucesso comercial. Foi-lhe atribuído o Costa Book Award 2015 na categoria de romance de estreia e o British Book Award 2016 nas categorias de melhor livro de estreia e melhor livro do ano.
O autor tinha publicado anteriormente dois livros de contos. Vive no norte de Inglaterra, em Lancashire, onde é professor de Literatura Inglesa e Escrita Criativa.