terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

Porque És Minha (Beth Kery)

Francesca Arno é uma jovem pintora a passar por uma fase de dificuldades económicas. Mas a sua sorte parece, finalmente, mudar, ao ser-lhe atribuída a comissão para o quadro que deverá ocupar o átrio do edifício da Noble Industries. A comissão trará também outras mudanças e basta uma troca de olhares com o seu benfeitor para que ambos percebam que é inegável a atracção entre ambos. O problema é que Ian Noble não é propriamente um homem fácil de conhecer. Dominador, maníaco do controlo e dono de um temperamento complicado, não é, como ele próprio admite, bom para as mulheres. E Francesca é inesperadamente inocente. Dificilmente poderiam ser mais diferentes, mas há algo entre Ian e Francesca que fala mais alto que a sensatez e que os levará a embarcar numa aventura que, iniciada pelo prazer e pela experiência, talvez se venha a transformar em algo mais.
Não é surpresa nenhuma, sendo este um romance erótico, que grande parte do enredo se centre na relação entre os protagonistas, e, dentro desta, na interacção sexual entre ambos. Também não é surpresa, tendo em conta as características essenciais de Ian, que esta relação seja de domínio e submissão. Assim, é bastante fácil imaginar, à partida, o rumo que esta história irá seguir. Não é difícil prever os acontecimentos essenciais.
Mas o facto é que esta previsibilidade não retira envolvência à história. E por várias razões. A primeira está no estilo de escrita, que, não sendo nem elaborado nem particularmente complexo, consegue, ainda assim, ser bastante agradável e cativante. As restantes prendem-se com a construção das personagens e da forma como as suas personalidades e passado moldam os contornos da sua relação. Tanto Ian como Francesca têm uma história passada, que definiu as suas forças e vulnerabilidades e que os torna particularmente receptivos à relação que virão a estabelecer. Além disso, e particularmente no que diz respeito a Francesca, o seu papel na relação sexual não se estende a uma submissão fora desse contexto. É, aliás, particularmente agradável ver as forças de Francesca - a força de vontade, uma certa teimosia, a determinação em fazer as suas próprias escolhas - em oposição ao seu papel de submissa.
Há, portanto, um passado e uma história a decorrer para lá das - longa e pormenorizadamente descritas (e, por vezes, de forma um pouco repetitiva) - interacções sexuais entre os protagonistas. E é nessa história que se encontra parte do que torna cativante o restante do enredo. A personalidade misteriosa de Ian implica alguns segredos guardados e a sua necessidade de controlo tem também origem no passado. A revelação desses segredos torna mais fácil de compreender o seu lado sombrio, ao mesmo tempo que reforça a empatia da figura misteriosa que, desde o início, se insinua nos seus momentos mais fechados. Por outro lado, também Francesca tem um passado complicado, mas este é desenvolvido de forma muito mais breve, deixando a impressão de que muito mais haveria para dizer sobre o assunto.
Envolvente e de leitura agradável, este é, assim, um livro que, não sendo particularmente surpreendente, cativa pela construção de uma história interessante para os seus protagonistas, mostrando-os não apenas como meros intervenientes de uma relação física, mas também como figuras com personalidades e passados que condicionam as suas escolhas. Uma boa leitura, portanto. Gostei.

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