terça-feira, 3 de março de 2015

Estranhas Coincidências (José Vieira)

Histórias de pessoas que vivem num mesmo lugar, ou da forma como o lugar molda a vida das pessoas. Assim se poderia definir este livro, em que cada parte é quase uma história diferente, mas em que uma ligação maior - a do meio onde se movem as personagens - estabelece uma unidade global. Histórias que se tornam uma só, a de quem parte ou escolhe ficar, e de como essa escolha molda a vida.
Muito breve e, no essencial, bastante simples, este é um livro em que tudo se resume às raízes. Cada parte tem protagonistas diferentes e, em consequência, uma linha narrativa diferente, mas o cerne de tudo prende-se com o lugar, com o meio pequeno que é a casa das personagens e com a forma como as pessoas vivem nesse meio. Assim, mais que os protagonistas das mudanças, das partidas ou da permanência, é o lugar a verdadeira figura central e, com ele, o quotidiano das pessoas que nele vivem. Acaba, aliás, por ser este retrato do quotidiano, sucinto, mas bastante preciso, o principal ponto forte deste livro.
Claro que, sendo uma história - ou conjunto de histórias - breve, fica, em certos aspectos, a impressão de que mais haveria a dizer. Há um percurso pessoal para cada personagem e teria sido interessante saber um pouco mais sobre ele, antes e depois da parte que é narrada no livro. Ainda assim, o foco está nos pontos de viragem, e no que a estes diz respeito, tudo o que é essencial - motivações, escolhas, acasos que as justificam - está presente.
Em termos de escrita, sobressai um ritmo que, apesar de relativamente pausado, não deixa, ainda assim, de cativar, primeiro porque o que é deixado por dizer mantém sempre viva a curiosidade em saber um pouco mais, mas também porque o tom contemplativo se adequa ao traçado de um retrato para o lugar.
A soma de tudo é uma história - ou, mais uma vez, conjunto de histórias - que poderia servir de base a algo de muito mais vasto, mas que, mesmo assim, tem muito de cativante tal como é. Agradável e interessante, uma boa leitura.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Private Los Angeles (James Patterson e Mark Sullivan)

Jack Morgan não tem mãos a medir. Primeiro, é a descoberta de quatro cadáveres na praia, mesmo em frente à casa de um dos seus clientes e a impressão de que, ainda que tudo aponte para que o dito cliente nada tenha a ver com o caso, ainda muito se seguirá a essas mortes. Mais eis que chega o telefonema de um outro cliente, com a notícia do misterioso desaparecimento do casal mais famoso de Hollywood. Também esse caso tem contornos mais sombrios do que à primeira vista seria de esperar e, para encontrar as respostas, é possível que seja necessário destruir toda uma teia de mentiras. Como se não bastasse, Tommy, o sempre maquiavélico irmão de Jack, não está disposto a descansar enquanto não destruir a vida do irmão. E, ao que tudo indica, acaba de conquistar aliados poderosos. Com tanto em mãos, e apenas vinte e quatro horas por dia, como poderá Jack lidar com tudo, mesmo com o apoio da melhor equipa do mundo?
Seja qual for a série de James Patterson que se está a ler, há um conjunto de características que são, à partida, de esperar. A escrita directa, em capítulos curtos, com as descrições resumidas ao essencial e a informação a ser apresentada à medida que é necessária, definem o ritmo de um enredo em que a acção é o ponto central e há sempre alguma coisa a acontecer. Tudo isto, associado a um conjunto de personagens cativantes, é garantia de uma leitura envolvente, e este livro não é excepção.
Terceiro volume da série dedicada à Private e ao seu líder, este livro tem todas essas características comuns aos livros de Patterson. E alguns pontos particulares. Primeiro, o próprio Jack, que, de livro em livro, tem vindo a revelar mais da sua personalidade carismática, reflectindo tanto as suas forças como os traços de vulnerabilidade que o humanizam. Mas também a história das personagens que o rodeiam, com particular ênfase, no caso deste livro, em Justine, que está também, à sua maneira, a descobrir mais sobre si própria.
Mas, porque é a acção o foco central do livro, e no centro da acção estão os casos, importa também referir os aspectos que se destacam nesta questão. E o que sobressai nestes dois casos (e, em certa medida, também na situação complementar que diz respeito a Tommy e aos seus planos) é uma sequência de pistas que leva personagens e leitor de surpresa em surpresa, abrindo caminho para um final intenso e - sim, também - surpreendente.
Trata-se, portanto, de um livro que não desilude. De ritmo viciante, repleto de momentos intensos e com um conjunto de personagens que, entre o muito que é revelado e as pistas que ficam para o que se seguirá, promete ainda muito de bom, Private Los Angeles proporciona, como habitual, uma boa e surpreendente leitura. Muito bom.

Novidades Planeta

Neste terceiro livro de Marissa Meyer, Cinder e o capitão Thorne estão escondidos com Scarlet e Wolf. Juntos, conspiram para derrubar a rainha Levana e impedir o seu exército de invadir a Terra.
A sua melhor esperança é Cress, uma jovem presa num satélite desde a infância e que apenas tem os netscreens como companhia. Todo este tempo passado a olhar para os ecrãs fez dela uma excelente hacker.
Mas infelizmente, é obrigada a trabalhar para a rainha Levana, e recebeu ordens para localizar Cinder e o seu bonito cúmplice. 
Quando o ousado resgate de Cress corre mal, o grupo desmembra-se. Cress obtém por fim a liberdade, mas com um preço mais elevado do que jamais pensou. 
Entretanto, a rainha Levana não vai deixar nada impedir o seu casamento com o imperador Kai. Cress, Scarlet, e Cinder podem não ter sido designadas para salvar o mundo, mas são a única esperança do mundo.

Com a seriedade, o rigor e o estilo vivo e irónico que lhe são característicos, Sérgio Luís de Carvalho clarifica os mitos e equívocos da História de Portugal e repõe os factos históricos. 
Este livro não tem como missão (se alguma missão tem) revelar quaisquer falsificações, omissões, ocultações ou erros que os historiadores pratiquem, consciente ou inconscientemente. 
Este livro tem outro objectivo. É o de esclarecer temas e assuntos da História portuguesa que são popularmente alvo de erros, de preconceitos e de equívocos na sua interpretação comum. 
Dito de outra forma, o objectivo deste livro é o de afirmar a verdade histórica de determinados assuntos que têm sido alvo de deturpação ao longo do tempo.
Não se pretende desfazer alegadas falsidades forjadas pelos historiadores por motivos tenebrosos, mas antes repor os factos tal como são (à luz dos actuais conhecimentos historiográficos) desfazendo mitos vulgares, que popularmente sobre eles ainda pendem.

Mindfulness (atenção plena) é o mais recente fenómeno para alcançar o bem-estar. É uma prática de meditação que tem como finalidade última melhorar a sua qualidade de vida, através da colocação da atenção e do foco naquilo que pretende atrair para si. 
Paz e felicidade estão agora a um passo, mais próximas do que imagina. 
São necessários apenas uns minutos para mergulhar no momento presente - vai conseguir concentrar-se mais, ver com mais clareza e ser mais eficiente, em termos gerais, do que alguma vez achou possível. 
Isto não é conversa fiada, não são princípios religiosos, nem uma demanda new age, são apenas ferramentas para ser mais feliz e maisconfiante. E sem stress!

Novidade Bertrand

A épica história de Harry Clifton começa em 1920, com as palavras: «Disseram-me que o meu pai morreu na guerra.» Harry nunca chegou a conhecer o pai e só chegado aos 22 anos descobre como foi que ele morreu realmente, mas essa verdade traz consigo uma pergunta inevitável: seria ele de facto seu pai? Será ele filho de Arthur Clifton, estivador, ou o primogénito de um herdeiro da alta sociedade britânica? 
Criado nas docas pelo tio, a sua vida sofre uma reviravolta quando ganha uma bolsa de estudos. Mas uma vez mais, dois caminhos se estendem diante de si e Harry terá de escolher entre ir para Oxford ou alistar-se na Marinha para lutar contra Hitler.
Das docas de Inglaterra e da devastação da Grande Guerra às animadas ruas de Nova Iorque dos anos 40 e ao rebentar da Segunda Guerra Mundial, esta viagem extraordinária dá vida a um século inteiro para revelar uma história familiar que nem o leitor nem o próprio Harry poderiam imaginar.

Jeffrey Archer tem mais de 250 milhões de exemplares vendidos em 97 países e 37 idiomas. Autor de 16 romances, seis coleções de contos, três peças de teatro, três volumes do seu diário da prisão e um evangelho. 
É o único autor que foi número 1 em ficção (15 vezes), contos (quatro vezes) e não ficção (Os Diários da Prisão). Archer é casado com Dame Mary Archer DBE, têm dois filhos e vivem em Londres e Cambridge.

Novidades Topseller

Holder é um adolescente em busca da sua melhor amiga, Hope, a quem voltou costas um dia, há treze anos. O mesmo dia em que ela foi raptada e levada para sempre. Quando uma tragédia envolve a irmã gémea de Holder, Less, a necessidade de encontrar Hope torna-se mais forte do que nunca. Holder sente-se diariamente perseguido por fortes sentimentos de culpa, e os remorsos que sente por não ter conseguido ajudar nem a sua irmã, nem Hope, são devastadores.
Quando um dia, inesperadamente, se cruza com uma rapariga que se parece com Hope, Holder vai fazer tudo para se aproximar dela a fim de reencontrar a paz de que tanto necessita. Mas porque insiste Hope em dizer que se chama Sky e que não o conhece? E, por outro lado, porque sente Holder que esta rapariga, que o rejeita e se tenta afastar, precisa tanto dele quanto ele precisa dela?
Uma Nova Esperança (Hope) narra pela voz de Holder um reencontro que trará memórias há muito esquecidas e que revelará verdades que poderão doer demasiado. Para alcançarem a paz e a felicidade, Holder e Hope terão de encarar a mais dolorosa e íntima das memórias. Conseguirão ambos traçar um caminho juntos após desenterrarem um passado tão difícil? E será o amor de Hope a chave para uma nova esperança na vida de Holder?

COLEEN HOOVER
A autora norte-americana, que antes de se tornar escritora a tempo inteiro vivia numa rulote, ganhava 9 dólares por hora e publicava e-books por carolice, comoveu muitas leitoras com os dez livros que escreveu, incluindo Um Caso Perdido (Hopeless), publicado em Portugal, em 2014, pela Topseller.
Colleen cresceu numa quinta, no Texas, casou-se aos 20 anos e tirou uma licenciatura em Serviço Social. Trabalhou nos Serviços de Proteção a Crianças, antes de voltar aos estudos para concluir a sua formação em Educação Especial e Nutrição Infantil. Vive com o marido e os três filhos à beira de um lago no Texas.

Dois anos após uma assustadora vaga de suicídios entre adolescentes, a vila remota de Radcote começa a retomar a normalidade. A inspetora Lorraine Fisher acaba de chegar para visitar a família, e o que encontra é uma atmosfera tensa e preocupante. A comunidade vê-se a braços com novas mortes misteriosas e até o seu sobrinho adolescente, Freddie, parece estar a afundar-se em pesadelos do passado.
Quando Freddie desaparece, Lorraine sabe que tem de agir rapidamente… antes que seja tarde demais.

Samantha Hayes é escritora profissional desde 2006, contando já com seis títulos publicados (Blood Ties, Unspoken, Tell Tale, Someone Else's Son, Até Que Sejas Minha e Antes Que Morras). Os seus livros estão publicados em múltiplos países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Holanda, Noruega, França, Espanha, Itália, Turquia, Hungria, Rússia, Brasil, Polónia e China.
Samantha Hayes viveu na Austrália e nos Estados Unidos antes de, finalmente, se estabelecer na sua terra natal, no centro de Inglaterra. Escreve sobretudo thrillers psicológicos ambientados na vida familiar e focados em assuntos do quotidiano. Até Que Sejas Minha, também publicado pela Topseller, foi um bestseller internacional, com críticas arrebatadoras.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Palavras de Um Sonho (Tiago Pereira)

O mundo como o vemos e como o sentimos. Sombras e anseios, conquistas e derrotas, sonhos deixados por concretizar e passos em direcção a um coração mais aberto. De tudo isto, e talvez um pouco mais, falam os poemas deste livro que, numa voz simples, da qual emergem pontuais laivos de brilhantismo, tem tanto de pessoal como de universal.
Olhando a vida de uma perspectiva que é, ao mesmo tempo, de inocência e melancolia, este é um livro que cativa, em primeiro lugar, pelos contrastes. Em termos de estrutura, os poemas são bastante simples, limitados, por vezes, pelas imposições da rima, e centrados nas ideias essenciais. Por outro lado, as frases que surgem entre alguns dos poemas conseguem expressar, em poucas palavras, ideias surpreendentemente complexas. O contraste entre as duas partes é, por isso, memorável, como que havendo uma voz que mergulha nas profundezas da natureza humana, e que acrescenta algo mais à perspectiva mais pessoal e sucinta dos poemas.
Este lado pessoal é outro dos aspectos interessantes. Mesmo nos poemas mais breves e nos que deixam a impressão de algo mais deixado por dizer, há um sujeito poético comum que é facilmente reconhecível. Sujeito esse que tem pontos de vista bastante definidos sobre a vida e o que dela deseja. Este registo pessoal, de um indivíduo único perante o mundo, confere ao conjunto uma sensação de unidade, de um mesmo olhar sobre o todo, mesmo quando há diferenças bem evidentes entre as formas de expressão. 
E assim, entre dualidade e unidade, entre o simples e o complexo, entre interior e exterior, cria-se um agradável equilíbrio de elementos, conjugados numa voz que, entre o que diz e o que deixa por dizer, apela a um conhecimento mais profundo. Fica, por isso, a curiosidade em ver o vasto potencial dos temas mais desenvolvido e, apesar disso, a certeza de que o essencial está presente.
Simples, agradável e muitas vezes surpreendente, este é, portanto, um livro que, em tom pessoal, mas com elementos com que qualquer leitor se poderá identificar, conjuga elementos contrastantes para proporcionar uma boa leitura. Gostei, portanto.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

As Instruções da Pitonisa (Erik Axl Sund)

Um carro em chamas, onde se encontram os corpos das principais suspeitas de uma série de homicídios. Uma teia de ligações no centro da qual se encontra um furtivo advogado, cujas acções estão na base de uma série de crimes onde as crianças são as principais vítimas. Duas mulheres que seguem caminhos diferentes em busca de uma forma de superar o passado. E um mistério onde cada resposta dá origem a muitas novas perguntas e a resolução final pode chegar demasiado tarde. Já não é o princípio, mas o princípio do fim. E o fim nunca será o que todos esperam.
Dando continuidade aos acontecimentos anteriores, e abrindo caminho para a sua conclusão, este é um livro que parte dos mesmos pontos fortes de A Rapariga-Corvo e Fome de Fogo, para os desenvolver numa forma mais intensa e mais surpreendente a cada nova revelação. 
É uma história sombria, que divaga pelos mais negros meandros da mente humana, e que, apesar disso, se torna incrivelmente fascinante. Talvez pela forma como a mente de cada uma das personagens é o seu próprio labirinto ou pela forma como supostas certezas acabam por se revelar erradas. Nesta história, nada nem ninguém é o que parece e essa é uma das grandes razões que tornam este livro viciante.
Também impressionante é o desenvolvimento da componente psicológica, principalmente no que diz respeito à mente de Victoria Bergman, mas também no que toca às restantes personagens. A vida pessoal e a vida profissional não estão propriamente separadas, e tudo tem influência nas escolhas que irão abrir caminho para a derradeira conclusão. Além disso, ao acompanhar as diferentes personagens, nas suas acções e revelações, os autores reforçam a ideia que pretendem passar: a de que a mente humana é infinitamente complexa e capaz de se perder nos mais temíveis labirintos.
Este ambiente sombrio acaba também por sair reforçado pela forma como a situação evolui. Nenhum dos mistérios se conclui da forma esperada e nem todas as perguntas encontram resposta. E, ainda assim, tudo faz sentido, num percurso em que é tudo tão complexo - no mundo, como na mente das personagens - que nunca poderia haver respostas fáceis.
Trata-se, portanto, de uma conclusão capaz de surpreender em todos os aspecto e que, precisamente por isso, atinge e supera as expectativas. Intenso e cativante, As Instruções da Pitonisa traça um retrato perturbador dos abismos da mente humana. E, através dele, cativa e surpreende a cada passo. Muito bom.