segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Resultado do passatempo As Trevas de Baltar

E terminou mais um passatempo. Agora, é chegada a altura de anunciar quem vai receber em casa um exemplar do livro As Trevas de Baltar, de Henrique Anders.

E o vencedor é...

42. Inês Agostinho (Benedita)

Parabéns e boas leituras!

domingo, 30 de outubro de 2016

Nujeen (Nujeen Mustafa e Christina Lamb)

Nujeen nasceu com paralisia cerebral, no seio de uma família numerosa em plena Síria. Para que pudesse ter os melhores cuidados possíveis, a sua família mudou-se para Alepo, onde, apesar das dificuldades, Nujeen nunca deixou de aprender através dos programas de televisão. Até ao dia em que a guerra chegou. A partir daí, o medo e as dificuldades foram-se tornando cada vez maiores e a esperança cada vez mais ténue. A única solução era partir. Mas, em plena crise de refugiados, quando tantos se dirigiam para uma Europa cada vez mais relutante em recebê-los, percorrer, numa cadeira de rodas, toda aquela distância nunca poderia ser fácil. Mas possível? Certamente. E esta é a história da sua jornada. 
Uma das coisas que importa, desde logo, realçar sobre este livro é que se trata de um relato pessoal. Com toda a contextualização necessária, é evidente, mas, ainda assim, centrado acima de tudo na vida de Nujeen e no seu percurso até à Alemanha. Assim, é apenas natural que, no que diz respeito ao contexto mais vasto da crise de refugiados e aos problemas por estes enfrentados, haja mais a dizer para além do que aqui é contado. Ainda assim, toda a informação essencial está bem presente e, vincada pela perspectiva pessoal de quem viveu as coisas na primeira pessoa, a imagem que fica é muitíssimo marcante.
Grande parte deste impacto deve-se aos factos que nos são contados. Primeiro, as mudanças ocorridas na Síria, depois as dificuldades da viagem, depois a nova vida após a chegada ao destino, também ela cheia de desafios. Há muitos aspectos relevantes a reter desta jornada, havendo até uns quantos mitos e teorias da conspiração sobre os refugiados que caem por terra neste relato. E é interessante reparar que, apesar da perspectiva pessoal, é fácil ficar com uma ideia mais ampla das dificuldades vividas pelos refugiados - na sua viagem rumo à Europa e depois disso. Às experiências de Nujeen juntam-se as histórias que ouviu das pessoas que conheceu pelo caminho. E, assim, o retrato global pode não ser propriamente exaustivo, mas é, apesar disso, muito esclarecedor.
Quanto a Nujeen, há muito de admirável na jovem que se dá a conhecer neste livro. A perspectiva que tem das coisas, moldada ainda por uma certa inocência, mas também pelo impacto das descobertas que vai fazendo, realça uma mente madura e um grande coração. Mas há ainda outro aspecto interessante, que diz respeito à forma como a própria Nujeen se caracteriza. Nem perfeita, nem invulnerável, nem definida exclusivamente pelas suas qualidades: Nujeen assume-se como humana, com defeitos, pequenas manias e fragilidades. E o facto de retratar também esses seus traços menos positivos torna toda a sua visão mais genuína.
Da soma de tudo isto, resulta um livro interessante, pertinente e esclarecedor. Uma boa leitura para entender melhor a crise dos refugiados vista pelos olhos de quem a viveu bem de perto. 

Título: Nujeen
Autoras: Nujeen Mustafa e Christina Lamb
Origem: Recebido para crítica

sábado, 29 de outubro de 2016

Suspiro (Cleverson Garrett)

Do mundo, da vida, do que nos faz humanos. De tentar, cair e voltar a tentar. Do ser individual e das suas relações com os outros. E de um mundo que, apesar de pessoal, tem muito de universal e de comum com quem o lê. De tudo isto falam estes poemas, num livro que, apesar da brevidade (do livro e de muitos dos poemas) nunca deixa de cativar.
Um dos aspectos que desde muito cedo se destaca neste pequeno livro é a estrutura dos poemas. Ou, melhor dizendo, a ausência de uma estrutura definida. Sem rima, sem uma métrica rígida, os versos fluem à medida do pensamento. E esse pensamento pode dar origem a um poema longo ou a um muito breve. Em comum, a simplicidade dos versos, que dizem o que precisam de dizer sem floreados desnecessários.
Se, por um lado, pode acontecer, nalguns dos textos, que se sinta a falta de um maior desenvolvimento da imagem ou da ideia central do poema, também é curioso notar que muitos dos poemas mais marcantes são precisamente os mais curtos, aqueles em que, concentrada em meia dúzia ou menos de verso, há toda uma ideia essencial resumida - quase como um pequeno provérbio de sabedoria.
Importa ainda realçar, em termos de temas, o interessante contraste entre o eu e os outros, criado pela conjugação de alguns poemas em que é o sujeito poético que se destaca e de outros em que é a visão deste sobre o mundo a sobressair. Cria-se assim uma muito agradável diversidade de temáticas, sem por isso perder a coesão que o lado pessoal confere ao livro.
A impressão que fica é, pois, a de um livro sólido e coeso, em que, apesar da brevidade e da aparente simplicidade, há muito de cativante para descobrir. Uma boa leitura, portanto, e uma bela descoberta. 

Título: Suspiro
Autor: Cleverson Garrett
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Masha e o Urso - Vem Aí o Lobo! (O. Kuzovkov)

Sucedem-se as aventuras. Masha encontra novas brincadeiras, novos "amigos" e novas formas de infernizar a vida ao seu amigo urso. Só uma coisa se mantém igual: a sua energia e traquinice intermináveis. E se é verdade que há perigos na floresta, também o é que Masha tem uma capacidade invulgar para lidar com eles. E com um protector tão grande como o Urso... o que pode correr mal?
É sempre uma lufada de ar fresco passar um bocadinho a ler as aventuras da Masha e do seu amigo Urso. Tal como os livros anteriores, também este é - obviamente - um livro infantil, com todas as características que dele são de esperar. Simples, curto, directo e leve, com uma história (bem, duas, neste caso) relativamente breve, mas sempre interessante e divertida e, desta vez, com uma pequena lição de moral. E inocente, acima de tudo, que é algo que faz sempre lembrar a infância e aqueles tempos em que tudo era mais simples.
Mas falemos das histórias. Ora, o título promete lobos e é, de facto, de lobos que se trata. Lobos que são enganados pela incessante traquinice de Masha e também um lobo capaz de lhe ensinar uma lição. Conhecem a história de Pedro e do lobo? Pois, a segunda história deste livro tem essencialmente a mesma lição de moral - e é uma bela lição, essa.
Mais uma vez, importa realçar o equilíbrio entre o texto e as imagens, nestas histórias que, apesar de completas em si mesmas, ganham uma nova vida com as ilustrações que as acompanham. E, além disso, a tal simplicidade que, além de se aplicar à história, se aplica também a escrita, tornando o texto acessível a todos, mas sem simplificar em demasia.
A soma de tudo isto é, sem surpresas, mais uma boa leitura. Para os mais novos e também para quem quiser regressar por uns instantes àquele tempo em que a mais simples das aventuras bastava para despertar a magia. 

Título: Masha e o Urso - Vem Aí o Lobo!
Autor: O. Kuzovkov
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Seta do Tempo (Martin Amis)

Diz-se que o tempo não volta para trás. Mas e se, subitamente, a linha do tempo se invertesse? É isso que sucede com Tod Friendly - e com a estranha presença que, dentro dele, parece acompanhar, sem poder intervir, a sua vida. De repente, o mundo parece estar ao contrário. As pessoas andam às arrecuas, ficam mais novas em vez de mais velhas e encontram o fim da vida no momento do nascimento. E Tod? Tod parece ter uma boa vida na América, até ao dia em que a deixa de ter, viajando para Lisboa, e depois para Auschwitz onde desempenha o papel de assistente do "Tio Pepi", um estranho médico. Entretanto, a presença observa e espera que o mundo comece a fazer sentido. Mas não faz. E a percepção que conhece sobre a vida do seu corpo não pode ser outra coisa senão uma realidade também invertida.
Não é fácil falar sobre este livro, como não é fácil lê-lo. Não porque seja algo de demasiado hermético ou imperceptível, porque não é, apesar do ritmo bastante pausado, mas pela forma como, ao inverter a linha temporal, inverte também todas as percepções. E o que isto cria é uma narrativa de sentimentos contraditórios. Tod, a primeira identidade do protagonista, parece ser um homem suficientemente sociável, com uns quantos demónios interiores, mas normal quanto baste. E, assim, a visão que nos é transmitida pela tal presença (consciência?) que dá voz à história é a de uma situação um tanto caricata, a espaços quase divertida e em que, apesar de haver na origem um segredo, parece suficientemente inocente.
Depois, à medida que a narrativa progride, esta percepção vai mudando. Os segredos tornam-se maiores, mais sombrios, mais cruéis. E as facetas mais mórbidas de Tod vão-se revelando. E, quando se chega a Auschwitz, surge a faceta mais impressionante deste livro: a forma como o narrador entende aquilo que está a acontecer. As selecções, o trabalho, as experiências médicas, as câmaras de gás... Imagine-se isto visto ao contrário, a começar a partir da morte. Será assim tão estranho que o narrador inocente (ou esquecido) queira interpretar o que vê como algo bom? E é isto que levanta as grandes questões, realçando a verdadeira meticulosidade, a "natureza da ofensa", de tudo aquilo que foi feito. De uma forma tão organizada que, invertendo os passos, facilmente se veria um processo de cura, em vez de morte. 
Esta é provavelmente a parte mais marcante do enredo e a que mais faz pensar. Mas não é a única. Ao longo de toda a vida de Tod Friendly (ou de qualquer das suas outras identidades) há um percurso de recriação de uma vida. E, neste mundo virado ao contrário, que não faz - nunca fará - sentido para o narrador que assim o vê, há muitas pequenas grandes perguntas a considerar: o valor da vida, a possibilidade (ou não) de uma relativa redenção, a crueldade dos grandes actos e a dos pequenos gestos, o direito "à vida e ao amor" e o cercear deste direito. 
E quanto à inversão do tempo? Bem, é preciso reconhecer que dificulta a leitura, quando há conversas a decorrer ao contrário e actos que, vistos deste ponto de vista, não parecem fazer muito sentido. Mas não deixa de ser uma forma interessante de contar uma história - e uma forma que se ajusta na perfeição à reflexão que lhe está inerente. E, assim sendo, vale bem a pena o esforço suplementar para assimilar as peculiaridades deste livro. 
Não é fácil ler este livro que, com a sua visão peculiar, o lado mais negro do que conta e as muitas questões que desperta, se entranha profundamente na memória. Mas é importante lê-lo. Importante, porque faz pensar, porque lembra o que não pode ser apagado. E porque, apesar de toda a sua estranheza, é um livro que dificilmente se esquece. Vale, pois, a pena fazer esta viagem no tempo.

Título: A Seta do Tempo
Autor: Martin Amis
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Guerra e Paz

O GUIA DA DAMA VITORIANA PARA O SEXO, CASAMENTO E CONDUTA
No interior deste livro vai encontrar capítulos com títulos tão surpreendentes como estes: «Fazer a corte: como conquistar o coração de um homem sem abrir a boca», «A noite de núpcias, ou um ganso mal afogado» e ainda «O teu útero gordo e preguiçoso precisa de amor».
Este não é um livro de mexericos, é uma viagem à vida quotidiana das mulheres na época vitoriana. É uma obra inteligente que espreita pelo buraco da fechadura. E que se vê do lado de lá da porta? Donzelas trituradas por espartilhos, espigas de milho para limpar as vergonhas, púdicas e quietas virgens na noite de núpcias. E quando a tia Xica descia para lhe fazer uma visita? Um desastre completo! Não chega? Ainda há mais. Camas separadas para evitar a tentação. Cosméticos à base de chumbo. Enfim, um sem número de loucuras inventadas por sisudos doutores, cuja única preocupação era as partes íntimas da pobre mulher vitoriana.
Esta foi uma época retratada romântica e sonhadoramente em filmes, livros e séries de televisão. Com este livro, chega-nos uma visão delirante. Leia e descubra se ainda quer ser uma princesinha adorável enrolada em incontáveis folhos? Pense duas vezes.

Therese Oneill. Vive no Oregão, nos EUA, numa pequena cidade que está na moda, entre muitos amigos e uma adega. Casou-se há mais de uma década e tem dois filhos. Embora viva um casamento feliz, as refeições são feitas em frente da televisão, o que não é motivo de orgulho, diz a autora. Escreve textos de humor e artigos sobre História em diversas publicações, como Mental Floss, The Week, The Atlantic e Jezebel, entre outras. Indecoroso é o seu primeiro livro.

Divulgação: A Reportagem, de Bettina Muradás

Mulher sensual e jornalista competente, Gisele Coelho recebe uma informação e segue seus instintos.
Vai aos Estados Unidos em busca de uma grande história. O advogado Matthew Newman é o agente especializado em perseguir rastros de fraudes financeiras contratado por ela.
Divididos entre a sensualidade superficial e o romance intenso, advogado e cliente mergulham numa relação tempestuosa enquanto enfrentam criminosos e percorrem as ruas de Manhattan e as praias de um paraíso fiscal no Caribe a procura de pistas que comprovem um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção.
Nesta busca encontram as peças de um quebra-cabeça que revela segredos da vida pública brasileira.
A investigação se transforma no “Dossiê Cayman” e acaba no Congresso Nacional na capital do Brasil.
Este jogo perigoso resulta numa reportagem que pode derrubar o Presidente da República e jogar na lama a reputação de políticos e nomes importantes no cenário brasileiro.