sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Novidade Presença

Justin Cronin
Título Original: The Twelve
Tradução: Miguel Romeira
Páginas: 732
Coleção: Via Láctea Nº 111
PREÇO SEM IVA: 21,60€ / PREÇO COM IVA: 22,90€
ISBN: 978-972-23-5003-7

Os Doze é a sequela de  A Passagem, um  bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo feérico por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado... 

Justin Cronin, nascido na Nova Inglaterra, Estados Unidos, concluiu a sua formação em Harvard e no Iowa’s Writer’s Workshop. Anteriormente, escreveu Mary and O’Neil, que recebeu o PEN/Hemingway Award e o Stephen Crane Prize, e The Summer Guest, entre outros títulos.  A Passagem, livro que configura uma grande mudança de rumo na sua carreira de escritor, é o primeiro título de uma trilogia, que entrou directamente para o terceiro lugar das tabelas de vendas  do New York Times, e  foi considerado um dos dez melhores romances do ano da sua publicação pela revista Time. A edição portuguesa deste título encontra-se publicada em dois volumes na coleção Via Láctea.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A Rapariga dos Seus Sonhos (Donna Leon)

Pouco tempo depois do funeral da mãe, Guido Brunetti recebe a visita do padre que deu a bênção, nesse dia. Antonin Scallon é um amigo do irmão, não dele, por isso é óbvio que a visita não é apenas um gesto simpático. Na verdade, o padre Scallon suspeita de um alegado religioso que anda a pedir dinheiro aos seus fiéis, e espera que Brunetti possa descobrir alguma coisa sobre o homem. Mas, além desta investigação pessoal, há um possível crime para investigar. O corpo de uma rapariga de 11 anos foi encontrado a flutuar no canal e tudo aponta para um assalto que acabou em problemas. Mas as pistas são difíceis de seguir, as provas são dúbias... e talvez não seja do interesse de todos que a verdade se venha a conhecer.
Passado em Veneza e com um enredo que, por vezes, se centra mais nos meandros da autoridade que propriamente no mistério a resolver, este livro tem como um dos seus pontos mais curiosos o retrato bastante peculiar - e não muito positivo - do funcionamento das forças policiais. Isto reflecte-se quer nos pontos de vista de Brunetti, quer na sua relação com os superiores, quer, ainda, no contexto geral, com questões relativas à Máfica e outros interesses individuais a colidirem com o caminho da justiça.
Não é, de esperar, portanto, e principalmente conhecendo outros livros da série, que este seja o clássico policial em que tudo é resolvido e justiça é feita no fim. Mas, curiosamente, também é esta diferença que torna as coisas mais interessantes. Mesmo quando os acontecimentos evoluem a um ritmo mais pausado, há uma proximidade ao real - ainda que não necessariamente a uma realidade agradável - que mantém a envolvência do enredo. E se é verdade que isto também torna o rumo dos acontecimentos um pouco mais previsível - já é expectável, nesta série, uma reviravolta desagradável na conclusão do mistério - também é certo que há mais para o enredo do que essa conclusão. 
E nesses outros factores há novos elementos de interesse. A questão do padre Scallon, que apesar de relativamente secundária, domina a fase inicial do enredo, introduz alguns pontos de vista interessantes, relativamente à religião. E todo o problema em torno de Ariana, e da sua origem romani, abre portas para alguma reflexão sobre a prevalência dos preconceitos.
Com um contexto invulgar para o género e uma escrita cativante, este é, em suma, um livro que, longe de ser de leitura compulsiva, conjuga, ainda assim, personagens e um enredo interessantes, para dar forma a uma boa história. Envolvente e intrigante, uma boa leitura.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A História de uma Serva (Margaret Atwood)

Apenas uma parte do sistema rígido que constitui a República de Gileade, Defred acaba de ocupar o seu lugar como Serva na casa de um Comandante. A sua existência ali serve o único propósito de conceber uma criança para o senhor da casa. Tudo na sua vida é limitado e controlado. Para ir às compras, é acompanhada por uma sua igual. Não pode ler ou escrever e muito menos questionar o seu papel. Mas ainda recorda um tempo antes de Gileade, quando era uma mulher livre e independente, com uma família e um emprego. E questiona, ainda que não devesse. Ainda que as consequências para a transgressão sejam inevitáveis...
Sendo este um livro que é, muitas vezes, associado a distopias como 1984, uma das primeiras coisas que surpreende nesta leitura é o ritmo do enredo. O sistema é complexo, o material para reflexão é vastíssimo, mas nada disto faz com que a narrativa se torne densa. Narrado na primeira pessoa, todo o livro é construído num registo cativante, com a perspectiva pessoal da protagonista e a estrutura da sua história, entre o presente as recordações, a servirem de base a um enredo fluído e até viciante, construído sobre um mundo sólido e uma escrita de beleza cativante.
Todo este sistema é uma imensa base para reflexão, com uma série de questões relevantes a surgir. Do valor da liberdade ao papel da mulher na sociedade e à igualdade de direitos, passando pelo fundamentalismo religioso e a imposição de um regime ditatorial, cada situação é um ponto de partida para essas questões, desde o contexto global ao mais pequeno dos gestos. E o que torna tudo isto ainda mais fascinante é a forma como a autora desenvolve todos estes aspectos, com toda a profundidade que merecem, mas sem perder de vista a fluidez e a envolvência da história.
Porque é também uma história. A história de Defred e das suas memórias, da vida que tem e da que recorda, e de todos os que conheceu nesse percurso. Uma história que é, afinal, tão vasta e cativante como o sistema que lhe serve de base e que, com personagens bem desenvolvidas, uma protagonista imensamente carismática e um enredo cheio de momentos marcantes, acaba por ser fascinante em todos os aspectos.
Marcante do ponto de vista das questões que evoca, mas também pelo impacto da história individual da protagonista, este é, pois, um livro imperdível, e por todas as razões. Maravilhosamente escrito, com um sistema fascinante e uma história tão cativante como as suas personagens, cativa da primeira à última página. E fica na memória, depois. 

Novidades Clube do Autor

Primavera de 1227. A rainha de Castela desaparece de forma misteriosa. Estranhos boatos correm pelo reino e alguns sugerem até uma intervenção do maligno. 
Ignazio de Toledo é convocado por Fernando III, o Santo, à sua corte e incumbe o mercador de relíquias de procurar a rainha, presumivelmente sequestrada pelo conde de Nigredo, um alquimista. Em Córdova, para onde foi convocado, Ignazio encontra um velho magister que lhe fala de um livro que todos procuram e que poderá fornecer-lhe indícios sobre o sucedido. Mas no dia seguinte o velho magister é encontrado morto, envenenado…

MARCELLO SIMONI nasceu em Comacchio (Ferrara), onde vive e trabalha como bibliotecário. Apaixonado por História e Arqueologia, é autor de diversos ensaios históricos e de alguns contos, e as suas obras têm sido entusiasticamente recebidas tanto pela crítica como pelos leitores nos vários países onde têm vindo a ser publicadas. 

Já antes de vencer do prestigiado prémio literário National Book Award 2012, o romance A Casa Redonda arrebatara a crítica e os leitores. Por muitos considerado o melhor livro da escritora Louise Erdrich até à data, trata-se de uma obra brilhante 
sobre os laços do amor, do ressentimento, da necessidade e das obrigações que unem famílias inteiras. 
Narrado através dos olhos de um adolescente, A Casa Redonda funde várias histórias que têm como denominador comum um trágico acontecimento – a violação da mãe de Joe, o protagonista – que, tal como um cubo de Rubik, se transforma à medida que a leitura avança. 
A candura de Joe depressa dá lugar à urgência em encontrar o violador da mãe, ao desejo de punição dos culpados, a uma provação e amadurecimento que revelam não apenas outras formas de violência mas sobretudo as ambiguidades do ser humano. 
Louise Erdrich abarca neste livro, baseado em vários casos reais mas cujo resultado é puramente ficcional, o trágico, o cómico, um mundo espiritual bem presente nas vidas das suas personagens tão humanas, e uma história sobre um caso de injustiça que mais não é do que um reflexo do que acontece hoje no nosso mundo. 

José Jorge Letria pinta neste livro um retrato histórico inédito com Abril ao fundo. Desde as primeiras canções de intervenção aos jornais e à luta clandestina, a irreverência do ZIP-ZIP, a noite de “Grândola, Vila Morena”, passando pela madrugada de Abril, os últimos crimes da PIDE, a descoberta de Angola e o adeus à utopia, em E tudo era possível o autor partilha momentos únicos da História de Portugal com a paixão e o olhar distanciado de quem teve a ventura de testemunhar e de participar em acontecimentos que marcaram este país num período de viragem.
O encontro com José Afonso, as listas negras da PIDE, os sopros de liberdade de Paris, a noite que anuncia a Revolução de Abril, o regresso dos exilados, Angola depois da independência, a geração de jovens que deu o seu melhor em cada dia que passava. Eis as histórias de uma vida que seguem a marcha da História de Portugal, desde o final da década de 60 até aos alvores da década de 80 do século XX.

A Conquista da Terra foi eleito Livro do Ano pelos jornais New York Times, Washington Post e Financial Times e não é para menos. Trata-se de uma obra revolucionária sobre a verdadeira origem da condição humana, apresentada num tom distinto e provocatório, com implicações em campos tão diversos como a antropologia, a psicologia social, a neurociência e a história religiosa.
São várias as perguntas a que Edward O. Wilson, um dos mais proeminentes biólogos e naturalistas de todo o mundo e o mais aclamado herdeiro de Darwin, dá resposta neste A Conquista da Terra. 
De onde vimos? O que somos? O que é a natureza humana? Porque existe a vida social avançada? Quais são as forças da evolução social? Para onde vamos?
Baseado numa pesquisa longa e pioneira, o autor defende neste livro que «a origem da humanidade moderna foi um golpe de sorte, bom para a nossa espécie durante algum tempo, mau para o resto das outras formas de vida para sempre.»
Através de uma poderosa teoria da nossa origem, Wilson traça a evolução da vida dosprimórdios até aos dias de hoje e apresenta a explicação mais clara jamais produzida sobre a origem da condição humana.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Império das Asas (Claire Corbett)

Durante muito tempo, voar foi um dos mais frequentes sonhos impossíveis. Mas já não. Agora, é possível, após uns quantos exames e tratamentos, ganhar asas e descobrir a liberdade do voo. Isto, claro, se se tiver a riqueza necessária para o fazer... Ou algo de importante a sacrificar. É essa a história de Peri Almond, ama do filho de dois voadores. Ao descobrir que os seus patrões se preparam para enviar o filho para longe, e preocupada com a morte da sua única amiga, Peri foge com o bebé Hugo, e fá-lo sem hesitar, ainda que não tenha sequer um plano definido. Mas os Chesshyre não estão dispostos a abrir mão do filho e, mesmo tendo segredos para esconder, não deixarão de enviar alguém no seu encalço.
De tudo o que há de cativante ao longo desta leitura, o que mais se destaca é, sem dúvida, a construção do sistema. Dos mecanismos de voo às diferenças entre a Cidade e o resto do mundo, passando por questões de política e de religião num sistema em que a interacção entre voadores e não voadores é, no mínimo, complexa, há, para esta história, um mundo vasto e bem construído, com muitos elementos interessantes e circunstâncias de grande complexidade. Elementos dos quais surgem também questões universais e relevantes, sobre aspectos como a discriminação ante a diferença, a manipulação genética, alguns tipos de fundamentalismo e o inevitável fosso entre ricos e pobres.
Mas, se a construção do mundo é, de facto, o maior ponte forte deste livro, não é, ainda assim, o único. Também no desenvolvimento das personagens há muito de interessante, sendo de destacar, como é natural, as histórias de Peri e Zeke, mas também a presença mais ou menos discreta daqueles com quem ambos interagem. Há características admiráveis e traços detestáveis, chegando, mesmo, por vezes, a existir ambos numa mesma personagens. E há também todos os graus entre ambos, num desenvolvimento em que cada personagem se define tanto pelo que é como pelo que vive e que, por isso, e em particular no caso dos protagonistas, facilmente conquista empatia.
Quanto ao rumo dos acontecimentos, importa destacar a forma como a história nunca se encaminha para um possível final idealizado. Nas pequenas coisas, como nos grandes momentos, não há nem finais felizes nem conclusões trágicas, mas antes circunstâncias e consequências, com pontos positivos e negativos. E, assim, o final acaba por ser menos definitivo, mas mais realista e, por isso mesmo, mais adequado.
Complexo, mas cativante, O Império das Asas é um livro que, pela sua forte componente descritiva, dificilmente será de leitura compulsiva. Mas é também, com o seu mundo vasto e bem construído, a força dos seus protagonistas e o enredo intrigante e surpreendente, um livro com muito de fascinante. Muito bom.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Novidades Planeta

Chloe Peterson está a ter uma noite péssima. Uma discussão terrível, uma contusão na cara e, para culminar, um acidente de carro deixam-na convencida de que nada mais lhe poderá acontecer. Sente-se desesperada e sozinha, mas de repente ergue os olhos e vê um homem lindíssimo. 
Chase Sullivan, fotógrafo de êxito, regressa a casa, mas sente-se apreensivo, pois sabe que um dos sete irmãos irá tentar arranjar-lhe uma namorada. Enquanto pensa como dissuadi-los, depara-se com o carro de Chloe atolado numa valeta, na estrada. 
O fotógrafo fica fascinado com a beleza da jovem, mas depressa se apercebe que ela tem mais problemas além do acidente e sente que a quer proteger a todo o custo. 
Chloe jurou nunca mais confiar em homem algum, só que a cada olhar de Chase e a cada carícia trocada à medida que a atracção entre ambos é cada vez mais forte, pergunta-se se não terá conhecido o único em quem poderá confiar. 
Apesar de se aperceber que a sua vida poderá mudar para sempre, Chase está determinado a lutar pelo coração de Chloe.

Bella Andre tem um bacharelato em Economia pela Universidade de Stanford. Trabalhou como directora de marketing, mas sempre gostou de escrever. É autora de vários romances eróticos de grande êxito. 
Vive no Norte da Califórnia com o marido e os filhos.

Leo Messi, Radamel Falcao e Cristiano Ronaldo são reconhecidos como os melhores jogadores da actualidade. Três exemplos claros de que o êxito que alcançaram não é fruto do acaso. 
Como modelo de inspiração, podem oferecer-nos uma série de exemplos práticos para o desenvolvimento do nosso talento e o dos nossos filhos. 
Os três pertencem ao selectivo clube dos melhores jogadores do mundo, porque foram capazes de descobrir qual era a sua verdadeira vocação e tiveram inteligência para se antecipar aos obstáculos, superando imprevistos e dificuldades, sabendo adaptar-se as mudanças e fazer da sua profissão o que realmente os apaixona. 
Este livro fala deles e do seu talento, mas proporciona, sobretudo, técnicas mais eficazes para que cada um de nós possa tirar o máximo partido do seu talento, inspirando-se no desenvolvimento pessoal e desportivo dos três goleadores mais famosos do mundo. 

Juan Carlos Cubeiro é considerado um dos maiores especialistas em talento, liderança e coaching de expressão hispânica. É presidente honorário da AECOP (Associação Espanhola de Coaching e Consultora de Processos), sócio-director do IDEO e coordenador de Axel Kruger, é também professor da Universidade de Deusto, San Pablo-CEU, Fundesem, Novacaixagalicia, Estema e ESIC. 
Trabalhou como assessor estratégico em oitenta por cento das quinhentas maiores empresas do mundo. 
Conferencista internacional e autor de mais de trinta livros, entre eles a trilogia La sensación de fluidez, Por qué necesitas un coach ou Mentalidad ganadora. 
O seu daily blog Hablemos de Talento é um dos mais visitados no âmbito da gestão empresarial. 

Leonor Gallardo Guerrero é considerada uma das maiores especialistas em gestão desportiva, publicou vinte e dois livros e é autora de dezenas de artigos em revistas nacionais e internacionais. 
É doutorada em Ciências da Actividade Física e do Desporto. Professora titular da Universidade de Castilla-La Mancha e responsável pelo Grupo de Investigação Gestão das Organizações e Instalações Desportivas-IGOID, da UCLM.

domingo, 1 de setembro de 2013

Contos Policiais

Seja devido a bons poderes de dedução ou ao recurso a meios inesperados, as histórias de mistério - e dos que resolvem esses mistérios - sempre exerceram um certo fascínio. É também isso que acontece nos dois contos deste pequeno livro, onde duas figuras carismáticas - e peculiares - põe em acção as suas melhores características, para resolver enigmas inesperados. E de uma forma muitíssimo interessante.
Em A Carta Roubada, de Edgar Allan Poe, uma carta roubada de uma figura poderosa - e por outra pessoa poderosa - leva o chefe da polícia a consultar Augusto Dupin sobre o que deve fazer. Intrigante, cativante e muito bem escrito, este conto cativa tanto pelo enredo em si como pelas personagens e pelo desenvolvimento das suas capacidades de raciocínio. Capacidades estas que originam momentos de alguma dispersão, mas que não deixam de ser interessantes.
Justiça do Acaso, de Anthony Berkeley, tem o veneno como arma do crime e uma pequena intervenção do acaso como elemento crucial na sua resolução. Também intrigante, ainda que com um tom mais distante e um ritmo relativamente pausado, surpreende por uma resolução muito bem conseguida.
Ambos com protagonistas e mistérios intrigantes, e ambos com uma escrita tão cativante como o enredo, estes dois contos são, por isso, de leitura envolvente e agradável, ainda que não compulsiva. Fica, portanto, uma muito boa impressão deste pequeno, mas interessante livro.