quinta-feira, 7 de maio de 2015

Caderno de Tóquio (Porfírio Silva)

O Japão em todas as suas particularidades, visto não pelos olhos de um turista, mas pelos de um residente, ainda que temporário. Num registo que, sem pretender ser um guia exaustivo - ou sequer um guia - percorre, de uma forma pessoal, mas ao mesmo tempo objectiva, os passos de uma viagem de descoberta, tanto de lugares, como de hábitos e pessoas. Assim se define este Caderno de Tóquio, espécie de diário de viagem, que, complementado com muitas - e boas - fotografias, permite conhecer um pouco melhor o Japão, ao mesmo tempo que reflecte um pouco dos pontos de vista do viajante. 
Um dos aspectos que mais sobressaem neste livro, e também aquele que mais contribui para proporcionar uma leitura agradável e envolvente, é a forma como está estruturado. Sendo essencialmente um registo pessoal da viagem do autor, faz todo o sentido que esteja dividido em entradas datadas, como um diário, centrando-se, acima de tudo, nas experiências vividas e nas ideias que estas despertam. Além disso, o equilíbrio entre o registo destas entradas, geralmente sucintas, mas esclarecedoras, e as imagens que complementam a informação, permite combinar as duas formas de percepção, deixando uma ideia global bastante clara. Assim, é a experiência do autor que se destaca, mas abrindo espaço para que o leitor crie as suas próprias impressões.
Claro que, sendo uma narrativa pessoal, não é - nem pretende ser - um roteiro completo. Mas também isso acaba por se revelar cativante, já que, ao acompanhar o percurso do autor, tanto a nível de descobertas surpreendentes como de rotinas de um quotidiano diferente, se fica com uma ideia bastante diferente da que se retiraria de um guia turístico. Acima de tudo, o que este Caderno de Tóquio pretende ser é um reflexo da viagem o autor, não um guia para viajantes. E, na transmissão das impressões dessa viagem em particular, dificilmente se poderia pedir um registo mais esclarecedor.
Por último, ainda uma nota para o lado introspectivo que, ocasionalmente, acaba por sobressair. É que, ainda que o centro deste livro seja, de facto, a viagem, as percepções do autor são, na verdade, a base fundamental. E há aspectos - culturais, religiosos e até, por vezes, de âmbito profissional - que requerem uma explicação mais abrangente. No que a isto diz respeito, sobressai também a capacidade de apresentar uma explicação sucinta, mas muito clara, e que, apesar de, por vezes, se afastar do tema central, em nada quebra o ritmo da leitura.
A soma de tudo isto não é um guia de viagens, mas o relato de uma viagem. E um relato cativante e surpreendente, em que a viagem propriamente dita pode pertencer exclusivamente ao autor, mas em que quem o lê se sente transportado para lá. Uma boa leitura, portanto.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Havoc (Ann Aguirre)

Dificilmente as coisas podiam ficar piores… mas estão prestes a piorar. A chegada de um grupo de mercenários, completamente armados e prontos a limpar Perdition dos seus habitantes lança o lugar no caos. E pior. O comandante dos mercenários promete perdões aos últimos cinco sobreviventes, caso estes ajudem a eliminar os outros condenados. É este o cenário em que Dred tem de combater. Mas, com novos inimigos no exterior e velhas ameaças no interior, não sabe em quem pode confiar. E Jael… Apesar de ter dado provas mais do que suficientes da sua lealdade, parece estar a derrubar as suas barreiras. E não é agora o melhor momento para mostrar o seu lado humano.
Se o primeiro volume desta série tinha muito de bom para descobrir, Havoc leva tudo isso a um novo nível. Novos inimigos, intrigas no interior, acção e tensão em rota de colisão com um algo desejado laivo de afecto a crescer entre os protagonistas… Há sempre alguma coisa a acontecer nesta história, e é precisamente isso que a torna tão viciante. As diferentes forças em conflito providenciam material mais que suficiente para uma série de batalhas intensas, conspirações intrigantes e uma crescente necessidade de agir que se expande da simples necessidade de sobreviver a uma razão mais forte para lutar.
Mas se o ritmo intenso dos acontecimentos é mais que suficiente para satisfazer o leitor, há, ainda assim, muito mais para descobrir. E grande parte – mas não tudo – vem de Dred e Jael e da sua estranhamente envolvente relação. Ambos estão quebrados e prontos a ser traídos… outra vez. E, contudo, tudo neles que os puxa um para o outro. Ainda mais interessante é a forma como a autora desenvolve a relação entre ambos, com as medidas certas de tensão, sensualidade, amizade e profundo afecto. E é isso que faz com tudo pareça tão natural. Há paixão a nascer entre ambos, mas ainda estão no meio de uma guerra, o que significa que há mais factores a considerar. E, ao ultrapassar as dificuldades, os protagonistas tornam-se mais fortes – o mesmo sucedendo com a sua relação.
Também o facto de haver outras relações a surgir contribui para tornar a história viciante. Nem tudo é sobre Jael e Dred, mas também sobre os seus aliados e inimigos. E há outras personagens a revelar-se, protagonizando até alguns dos momentos mais impressionantes. Além disso, ao ganharem uma maior relevância, personagens como Martine e Calypso servem de base a um novo conjunto de relações. De amizade, de companheiro, de uma certa dedicação… Também elas fazem parte de Queensland e, por isso, contribuem também para tornar mais complexa a sua aventura.
Tudo isto se conjuga em mais um livro muito bom, intenso e viciante, com personagens memoráveis a fazer o melhor que conseguem num cenário incrivelmente perigoso. Um livro onde acção e emoção – e o toque exacto de humor – dão forma a uma história perfeitamente equilibrada, e que promete ainda mais para o último livro. Mal posso esperar para ver o que se segue.

Novidade Bertrand

Maio, 1945. No rescaldo da Segunda Guerra Mundial, a primeira equipa britânica de investigação de crimes de guerra é reunida para caçar os oficiais nazis responsáveis pelas maiores atrocidades alguma vez vistas. 
Um dos principais investigadores é o tenente Hanns Alexander, um judeu alemão que serve no Exército Britânico. Rudolf Höss é o seu alvo – como Kommandant de Auschwitz, não só foi o responsável pelo assassinato de mais de um milhão de pessoas, como também quem aperfeiçoou o programa de extermínio em massa idealizado por Hitler.
Hanns e Rudolf revela, pela primeira vez, a incrível história em redor da captura de Höss, um encontro que teve consequências até aos dias de hoje. Das campanhas no Médio Oriente da Primeira Guerra Mundial à Berlim boémia da década de 1920, passando pelo horror dos campos de concentração e aos julgamentos em Belsen e Nuremberga, este livro narra-nos a história de dois homens alemães – um judeu e um católico – cujas vidas divergiram e se intersectaram de um modo extraordinário.

Thomas Harding é realizador e jornalista, tendo colaborado com o Financial Times e o Guardian, entre outras publicações. É cofundador de uma estação televisiva em Oxford e vive em Hampshire, Inglaterra.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Novidade Lápis Azul

Sophie é resgatada por Charles Maxim das águas do Canal da Mancha, após o barco em que viajava ter sofrido um naufrágio. Sozinha no mundo, a criança não terá mais de um ano e fica a viver em Londres sob a tutela provisória de Charles, que a ama e educa como uma filha de verdade. Sophie cresce na esperança de vir encontrar a mãe, perdida no naufrágio. Mas cresce também num misto de felicidade e angústia, pelo receio de um dia ser forçada a ir para um orfanato. 
E é naquela esperança, que no amor funde a irracionalidade da crença com a audácia e a astúcia da vontade, que chegado esse dia, Charles e Sophie decidem que há só uma saída: fugir de Londres e ir para Paris, à “caça” da mãe.
É aqui que Sophie conhece os vagabundos dos telhados e os torna cúmplices leais da sua aventura. 
É uma história de amor e de afectos, de laços de amizade e cumplicidade, de medos, angústias, sacrifícios, de hesitações e coragem, de argúcia e destreza. Dá voz aos mais pequenos e aos ignorados e marginalizados da sociedade. Os actos mais simples são os mais generosos, e a bondade é uma virtude relembrada a cada som que a música, sempre a música de um violoncelo, vai ecoando ao longo das páginas, por cima dos telhados. 
E é uma história sobre a mãe. E sobre a filha. E sobre um homem que, não sendo pai, foi o melhor pai de sempre.
“Talvez seja, pensou ela, o que amor faz. Não existe para te fazer sentir especial. Mas para te dar coragem. Era como uma ração para o deserto, como uma caixa de fósforos num bosque escuro. (...) Era o que a mãe sempre tinha sido para ela. Um lugar para repousar o coração. Um refúgio para recuperar o fôlego. Um conjunto de estrelas e mapas.” – K. Rundell, Os Vagabundos dos Telhados. 

Katherine Rundell nasceu em 1987 e cresceu em África e na Europa. Em 2008, foi eleita Fellow de All Souls College em Oxford. O seu primeiro livro, The Girl Savage, nasceu do seu amor pelo Zimbabué e os anos da infância aí vividos. Os Vagabundos dos Telhados inspirou-se nos verões passados a trabalhar em Paris e nos passeios nocturnos sobre os telhados dos Colleges de Oxford. Actualmente está a fazer o seu doutoramento e a escrever um romance para adultos.

domingo, 3 de maio de 2015

A Alquimista das Cores (Aimee Bender)

Este é um livro de mistérios. De mistérios do incompreensível da vida e de como os inexplicáveis se entrelaçam nos caminhos de vidas perfeitamente normais. De histórias com muitas perguntas e algumas respostas, que contam uma parte e deixam o resto para o leitor imaginar. De quinze histórias que, divididas em três partes, mas cada uma delas perfeitamente independente,  se destacam por serem bastante estranhas, mas também estranhamente cativantes.
Sem Maçãs é o conto que abre a primeira parte do livro. Muito breve, fala de uma rapariga que não gostava de maçãs e das consequências de a ter conhecido, num registo enigmático, quase poético, em que são mais as perguntas que as respostas, mas em que, apesar disso, fica a impressão de que tudo o que é dito é adequado e suficiente.
Em A Fita Vermelha, o que começa por ser uma simples fantasia torna-se numa estranha obsessão e no início de um caminho que talvez seja irreversível. Misterioso e algo bizarro, mas, ainda assim, estranhamente cativante, passa da estranheza à envolvência para culminar num final que, mesmo sem que tudo seja explicado, parece dar à história a conclusão certa.
Segue-se Cerzir os Tigres, história de uma viagem misteriosa e da descoberta de uma missão igualmente inexplicável. Estranho desde os primeiros momentos até à revelação final, mas envolvente ao longo de todo o percurso, também este conto cativa acima de tudo pela beleza da escrita e pela aura de mistério que culmina, mais uma vez, num final de respostas inesperadas, mas adequadas.
Rostos apresenta um rapaz com dificuldades de percepção e a forma como o seu problema se torna motivação e obsessão para a sua mãe desempregada. Um pouco bizarro e bastante enigmático, como parecem ser quase todos os contos deste livro, mas, ainda assim, estranhamente envolvente, também este é um conto que não dá todas as respostas. Mas parece ser precisamente isso que o torna fascinante. 
Numa Tarde de Sábado narra também a realização de uma fantasia, mas num registo mais descritivo que, ainda que narrado pela voz de uma observadora interessada, não consegue deixar de ser um pouco distante. Faltou talvez um pouco mais de desenvolvimento na questão dos motivos e das consequências. 
A segunda parte abre com O Falso Nazi, história de um homem que se acusa de crimes terríveis, apesar de ser impossível que os tenha cometido. Sombrio e misterioso, introspectivo, por vezes, e sempre fascinante, este é um conto sobre a vida e a mortalidade, vistas de uma perspectiva diferente. Cativante e surpreendente, é este, sem dúvida alguma, o melhor conto do livro.
Limonada fala de uma saída entre amigas e de como esse tipo de relação pode ser fugaz ou movido a interesse. De ritmo pausado e, por vezes, demasiado divagativo, cativa, ainda assim, pela sensação de solidão que caracteriza a protagonista e que facilmente se torna perceptível ao leitor. 
Segue-se Mau Regresso, história de uma amizade e de uma longa conversa com um estranho. Também de ritmo pausado e bastante misterioso, torna-se intrigante pelo muito que tem de inexplicável e, apesar de também não dar todas as respostas, cativa ainda assim pela forma como faz pensar.
Lições da Origem apresenta uma interessante teoria sobre as origens do universo, num relato breve e um tanto bizarro, mas, mais uma vez, estranhamente cativante.
O Médico e a Rabi encerra a segunda parte com uma história de crença ou falta dela sob a forma de uma conversa entre personagens de mundos opostos. Cativante na forma como a autora desenvolve a relação entre os protagonistas através da exposição das suas ideias, abrindo caminho para uma perspectiva mais vasta, mas sem impor nenhum dos pontos de vista como superior ao outro. 
O primeiro conto da terceira parte chama-se Guardadores de Palavras e fala da importância das palavras e de como por vezes nos esquecemos do que queríamos dizer. Num registo um pouco mais leve, mas igualmente entre o introspectivo e o enigmático, cativa, acima de tudo, pelas questões que levanta e pela breve mas relevante ponderação sobre o papel da tecnologia nas nossas vidas. 
Segue-se A Alquimista das Cores, história de uma mulher com o dom de combinar perfeitamente as cores e de um vestido que deverá definir o destino da sua sucessora. Misterioso e magnificamente escrito, reflecte os traços de um mundo diferente e dá-lhes forma numa história de sonho e de perda, em que tudo é belo e tudo é marcante. Também este é um dos melhores contos do livro.
Estado de Variância fala dos efeitos perniciosos da simetria facial. Também um pouco estranho, mas bastante envolvente, este é um conto que, com o seu ritmo pausado e as questões vagas que ficam sem resposta, acaba por cativar, ainda assim, pela harmonia que parece existir em toda a sua estranheza.
Americca mostra uma casa em que começam a aparecer coisas que não foram compradas pela família. Também estranho e intrigante, falha por chegar ao fim sem dar qualquer explicação, apesar de ser interessante a forma como as personagens lidam com a situação. Cativante quanto baste, surpreende pelas circunstâncias, mas deixa demasiado sem resposta.
Por último, Os Devoradores parte do casamento entre uma humana e um ogre e segue-os numa estranha aventura. Também cativante e misterioso, este conto, que tem por base partes de uma história conhecida, dá ao bem e ao mal, à luz e à escuridão, um sentido diferente, numa história em que a estranheza facilmente se torna cativante, mesmo sem dar todas as respostas.
A soma de tudo isto é um conjunto de contos que, com alguns pontos em comum a criar uma impressão de unidade apesar de todas as diferenças, surpreende, cativa e, nalguns casos, fica na memória. Uma boa leitura, portanto.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Para Sir Phillip, com Amor (Julia Quinn)

Com vinte e oito anos e depois de ter recusado muitas propostas de casamento, Eloise Bridgerton sabe que é uma solteirona e a verdade é que nunca achou a ideia tão desagradável assim. Mas agora que a melhor amiga casou - e com o irmão dela, ainda por cima! - Eloise sente-se mais sozinha que nunca. Por isso, quando o seu correspondente de longa data lhe propõe casamento, Eloise não pensa duas vezes antes de deixar tudo para trás. O que ela não sabe é que há muito mais na vida de Sir Phillip do que aquilo que pôde deduzir das cartas. E que também Sir Phillip tem dela uma ideia muito diferente...
Um dos aspectos mais cativantes nos livros de Julia Quinn é a capacidade da autora de criar uma história equilibrada, em que romance, humor, relações e afectos familiares e momentos e assombrações do passado se conjugam nas medidas ideais, dando forma a uma leitura envolvente, surpreendente... e divertida, claro. E é preciso que se diga que este Para Sir Phillip, com Amor não é, de forma alguma, excepção, mas que há também algumas diferenças que sobressaem, principalmente na fase inicial, e que fazem com que o ritmo desta história seja bastante diferente.
Para começar, a fuga de Eloise faz com que uma boa parte do enredo decorra longe dos restantes Bridgerton, o que, desde logo, confere à fase inicial da história um registo mais sério - ainda que leve quanto baste. Além disso, há em Sir Phillip um temperamento particularmente sombrio, que, ainda que parcialmente justificado pelo passado, o deixa muito longe do tipo de personalidade que facilmente gera empatia. E é também aqui que se revela a mestria da autora. É que, mesmo com um protagonista menos carismático (e que, nalguns raros momentos, consegue roçar a imbecilidade), a autora consegue construir uma história envolvente, repleta de momentos intensos e com rasgos de emoção verdadeiramente surpreendentes. E quando o potencial das personagens se revela por completo - e sim, isto também inclui Sir Phillip - então a magia acontecer e, a partir de certo ponto, torna-se impossível largar a leitura.
E depois há os Bridgerton, que, apesar de ausentes da fase inicial do enredo, têm, ainda assim, um papel de altíssima importância a desempenhar, intervindo tanto nos momentos mais comoventes como nos mais divertidos e complementando a magia do romance com uma belíssima recordação da importância dos outros tipos de afecto.
A soma de tudo isto é a já expectável leitura agradável e descontraída, em que romance, humor e emoção se conjugam nas medidas certas e em que todas as personagens - tanto as novas como as já conhecidas de volumes anteriores - têm sempre algo de bom a acrescentar. Intenso e envolvente, um livro que recomendo.

Novidades Planeta

Um romance histórico que atravessa todo o século XX e termina nas dificuldades que enfrentamos na actualidade, interrogando as responsabilidades das esquerdas e concretamente do estalinismo e evocando episódios históricos como o do Ouro de Moscovo em que, em 1936, durante a Guerra Civil, o governo republicano espanhol enviou para a União Soviética as reservas de ouro do Banco de Espanha (a 4.a maior reserva de ouro do mundo), para as pôr a salvo. 
Reservas que nunca foram devolvidas, com a alegação de que seriam pagamento da ajuda militar soviética ao governo republicano durante a guerra. 
«Sou um contentor da História do século XX», diz Juan, em carta à sua neta Dulce. História da Europa e dos seus horrores, utopias e derrotas. 
História de uma Esquerda de que faltam apurar muitas contas escusas - e escuras - e do soçobrar de um ideal que vem desembocar naquilo que é hoje, para David, Dulce, Nuno e Josefina, a proclamada «inevitabilidade» das nossas vidas. 
Juan e Maria Bento, as personagens centrais que constroem os seus próprios destinos, ficarão para a memória leitora como um par improvável e apaixonados já vistos – entre o anarquismo convicto de Juan e a militância inflexível de Maria Bento, que as ligações ao KGB disciplinam, há uma ponte incerta que oscila, baloiça e finalmente se verga ao peso da paixão.

É incrivelmente rico, de uma beleza pecaminosa, e consegue levá-la a píncaros de prazer como nunca conheceu. 
Para Livy, é impossível voltar atrás. Está decidida a ser a luz que rompe as trevas da vida de Miller. Mas esta nova vida exige um preço alto... 
Miller sabe que o poder de que desfruta não é isento de sacrifícios, mas não está disposto a sacrificar Livy. Embora não deseje nada além de a poder usufruir de todas as maneiras, a sua principal obrigação é protegê-la a todo o custo... protegê-la dos seus erros, dos seus inimigos e de si próprio. 
Contudo, à medida que esse amor insaciável se intensifica, acabam por atrair as atenções de um perigoso terceiro elemento. 
Após descobrir a respeito de Miller coisas que a abalam no mais profundo do seu ser, Livy vê-se forçada a decidir se ele está ou não perdido além da possibilidade de redenção. E ele tem de enfrentar o medo de, ao procurar salvá-la, acabar por perdê-la...