Prepare-se para uma história envolvente, uma mistura de romance de época e de aventuras em ambiente palaciano onde personagens fortes e tramas surpreendentes prendem o leitor a cada momento. Leónia Lencastre, inteligente e corajosa neta bastarda do rei, e Alexandre Toledo destemido Cavaleiro da Ordem e defensor do Reino, são protagonistas de um intrincado enredo onde ódios, lutas e traições polarizam toda a acção. Conseguirá o amor vencer as duras batalhas que têm que enfrentar?
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
terça-feira, 27 de novembro de 2018
Os Dados Estão Lançados (Jean-Paul Sartre)
Pierre, chefe de um grupo de conspiradores contra o regime prestes a entrar em acção, vê a sua obra interrompida por uma inesperada traição. No mesmo dia, Ève, uma senhora da sociedade, é envenenada pelo marido ambicioso. E, do outro lado da morte, descobrem não só estas revelações difíceis, mas também uma inesperada esperança. Foram, na verdade, feitos um para o outro e estipulam as regras que, não se tendo encontrado em vida, deverão ter uma nova oportunidade - vinte e quatro horas - para se amarem, se quiserem retomar a sua vida humana. Só que os dados estão lançados e o que parecia uma paixão fácil na morte revela-se bastante mais complexa em vida. Principalmente porque ambos têm assuntos inacabados a resolver.
Quando ouvimos falar em Jean-Paul Sartre, nome maior do existencialismo, imaginamos a contemplação das grandes questões da vida e da morte, do sentido ou da falta dele. E talvez por isso imaginemos também uma obra mais densa, mais elaborada. Era esse, pelo menos, o meu caso. Surpreende, por isso, logo às primeiras páginas a envolvência e a fluidez deste pequeno livro onde todos os acontecimentos se cingem ao essencial e os sentidos - simbólicos, emocionais, pessoais ou universais - surgem da acção, mais do que propriamente da introspecção. Surpreendentemente viciante seria, pois, uma boa forma de começar a descrever esta história.
Surpreende também o contraste vincado entre a leveza e a intensidade de um enredo onde há sempre algo de notável a acontecer com a presença evidente dos grandes temas que estão, de facto, lá. Basta a premissa, aliás: a morte, do outro lado da vida, enquanto lugar de observação impotente, de conformismo e indiferença, de vago divertimento com as tribulações dos vivos. O amor, intenso quando tudo o que existe é o par, mas muito mais complicado quando outros valores se levantam. A luta por uma causa, o espírito de sacrifício - e, por outro lado, o egoísmo, a ambição, a traição. Tudo numa história relativamente breve, e tudo mais em actos do que em reflexões. E, por isso mesmo, tudo tão marcante.
E, claro, isto leva ao lado emocional, também ele surpreendentemente forte. Bastam as circunstâncias de Eve para despertar empatia e as de Pierre para gerar uma certa admiração. E, à medida que a história evolui, primeiro para a descoberta da morte, depois para as possibilidades do amor e da correcção dos males, também as emoções se tornam mais intensas. É absurdamente fácil sentir com os protagonistas: a confusão, o afecto, a ternura, a ira... a resignação. Pois basta o título para nos dizer que haverá nesta história inevitáveis - mas nem essa certeza faz com que deixemos de torcer para que as coisas possam ser diferentes.
Nem sempre é precisa uma grande complexidade para dar forma a um grande livro - até porque a complexidade emerge, às vezes, das coisas mais simples. É esse o caso deste Os Dados Estão Lançados: história intensa, envolvente, viciante e cheia de grandes questões nas pequenas coisas. Um livro notável, em suma.
Título: Os Dados Estão Lançados
Autor: Jean-Paul Sartre
Origem: Recebido para crítica
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
O Todo ou o Seu Nada (Amadeu Lopes Sabino)
Náufrago, professor, jornalista, escritor. Autor de obras marcantes e criador de outras que pouco passaram do título. Célebre no seu tempo pela autoria de Fogo no Mar, João Falcato levaria uma vida de mudanças constantes, de maior ou menor mediania e deixaria sobretudo as suas marcas naqueles que o conheceram mais de perto. Como o narrador desta exacta história.
Espécie de romance biográfico, que mistura factos, ideias e ficções, este é um livro que desperta sentimentos ambíguos. Enquanto romance, gera uma inevitável sensação de distância, não só pelas longas exposições de ideias e contextos políticos, mas pela às vezes parca empatia que desperta para com o seu protagonista. Enquanto biografia, é precisamente o pormenor do contexto que torna a leitura interessante.
Talvez a maior qualidade do livro esteja na escrita e na forma como, quando menos se espera, faz surgir de uma longa divagação uma frase memorável ou um momento de especial impacto que conferem a tudo uma nova perspectiva. Nem sempre é fácil admirar a personagem, com as suas relações conflituosas (principalmente no que ao casamento diz respeito) e a estranha mistura de ambição e desinteresse que parece moldar todos os seus planos. Além disso, as longas deambulações pelas questões políticas e sociais - embora relevantes, principalmente no que toca à forma como reflectem a mentalidade da época - reforçam a sensação de distância face a uma figura que, já de si, não desperta grandes proximidades. Ainda assim, há momentos notáveis, sendo o final o mais interessante de todos eles.
Olhando, por outro lado, para o aspecto biográfico, há ainda uma outra característica que se destaca: é que não é só a vida de João Falcato que é contada nas páginas deste romance. É todo o contexto do tempo e de outras figuras sonantes da sua época. Há, pois, muito de interessante a descobrir - no contexto político, nas formas de pensamento, no contraste entre aspirações de mudança e pensamentos ainda colados ao passado - e uma visão bastante clara da época abrangida por este livro.
Talvez não seja o mais envolvente dos romances, até porque a sua figura central não é - nem parece que pretendesse sê-lo - um herói. É, ainda assim, uma leitura interessante, não só pelo vasto conhecimento contido, mas também pelos momentos notáveis que fazem com que tudo valha a pena. Interessante e com as suas surpresas, leva o seu tempo... mas vale a pena ler.
Título: O Todo ou o Seu Nada
Autor: Amadeu Lopes Sabino
Origem: Recebido para crítica
domingo, 25 de novembro de 2018
Teresa de Calcutá (Maria Isabel Sánchez Vegara e Natascha Rosenberg)
Desde pequena que Agnes sonhava ajudar os outros e, inspirada pelo exemplo de um padre missionário, viria a deixar a sua terra natal e a construir uma imensa missão de auxílio aos mais necessitados. Ficaria conhecida como Madre Teresa de Calcutá e viria a ser canonizada. Esta é a sua história contada aos mais novos.
Parecem ser características desta colecção a escrita simples com rima, as ilustrações bonitas e cheias de cor e a simplicidade que enfatiza o essencial. São também estas as características que mais se destacam neste livro em específico, onde, contada em poucas páginas, é possível ficar com uma ideia clara da história de Teresa de Calcutá e, ao mesmo tempo, com uma mensagem muito positiva de amor e ajuda.
É, naturalmente, um livro pensado para os mais pequenos, bastante breve e relativamente simples. Mas é também um daqueles livros que conseguem evocar nos leitores mais velhos a agradável sensação de um regresso à infância. Lembram-se? De quanto bastavam umas poucas páginas para nos fazer sonhar e viajar e aprender também? Pois este é um livro pequeno, mas desperta essa mesma sensação, não só pelo percurso da sua protagonista, mas pela forma colorida e cativante como este é contado.
Cinge-se ao essencial, claro, como é natural num livro infantil. Mas tem também este condão: o de despertar a curiosidade sobre a vida da sua protagonista. Lendo este pequeno livro, aprende-se a linha essencial da história. Mais tarde, haverá espaço e livros - há sempre livros - para descobrir o pormenor.
A colecção chama-se Meninas Pequenas, Grandes Sonhos. E é também disso que trata este livro: da história de uma menina que concebeu - e realizou - um grande sonho, deixando assim a sua marca no mundo. Uma história bonita, cativante e muito interessante.
Título: Teresa de Calcutá
Autores: Maria Isabel Sánchez Vegara e Natascha Rosenberg
Origem: Recebido para crítica
sábado, 24 de novembro de 2018
Os Templários (Dan Jones)
Nasceram como uma ordem de pobres cavaleiros destinada a proteger os peregrinos durante as suas viagens à Terra Santa, mas protagonizariam uma ascensão imensa e uma queda ainda mais estrondosa. Grandes guerreiros, homens influentes, dotados de disciplina e organização incomparáveis, inspirariam admiração e ódio. E, cada vez mais embrenhados nas malhas do poder, cairiam às mãos de uma outra ambição. Esta é a história dos Templários - peregrinos, combatentes, banqueiros e hereges - das origens ao seu amargo fim.
Bastante extenso e muito completo, uma das primeiras coisas que importa destacar acerca deste livro é a organização. Abrangendo grandes conflitos e tendo como protagonista uma organização espalhada por vastos territórios, é apenas natural que percorra diferentes períodos e diferentes locais - referindo, por vezes, acontecimentos simultâneos em diferentes territórios. A organização cronológica permite, por isso, uma visão mais clara do todo, acompanhando os diferentes ramos e facetas da Ordem e também o crescimento - e desmoronamento - das suas amplas relações.
Uma vez que abrange um vasto período de tempo, uma ordem numerosa e as vastas movimentações das cruzadas, é apenas de esperar uma abundância de nomes e datas. Também aqui sobressai a estrutura do livro, que, com a sua organização clara e escrita acessível, permite assimilar facilmente todos os pormenores e proporciona uma leitura envolvente e agradável, quase como se de um romance se tratasse. Além disso, a história em si tem muito de cativante, desde os relatos das grandes batalhas ao inevitavelmente sombrio processo que conduziria à extinção da Ordem.
Trata-se de um retrato estritamente histórico, o que significa que tenta não tomar partidos (embora, na fase final, seja difícil não se ficar com uma opinião... pouco abonatória... acerca de Filipe, o Belo) e que se cinge essencialmente aos factos. Assim, o que acontece é que os aspectos míticos frequentemente associados aos Templários - a guarda do Santo Graal, a adoração de Baphomet, entre outros - são remetidos apenas para um epílogo que analisa o legado templário no imaginário das pessoas. O resto é história pura e dura - e mais do que suficiente para fascinar.
Completo, cativante e esclarecedor, eis, pois, uma belíssima forma de conhecer a fundo a complexa e fascinante história dos Templários, com todas as movimentações militares, políticas e também religiosas (ou não fosse o apogeu da Ordem no tempo das grandes cruzadas). Muito interessante, em suma. E muito bom.
Título: Os Templários
Autor: Dan Jones
Origem: Recebido para crítica
Para mais informações sobre o livro Os Templários, clique aqui.
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
O Príncipe Piloto (Henrique Sequerra)
Segundo filho de D. Luís, Afonso de Bragança nunca esteve destinado a reinar e, por isso, construiu uma vida diferente. Embora menos eficiente nos estudos e mais concentrado nos conhecimentos práticos, deixaria, à sua maneira, uma marca no seu tempo, tanto antes como depois da entrada do automóvel em Portugal. Piloto exímio, muito faria para popularizar esse novo engenho. E, entre tempos conturbados e uma iminente mudança de regime, manter-se-ia discreto, mas leal aos seus, até ao exílio e à derradeira ruptura.
Dividido entre a história de D. Afonso e a história mais ampla do desenvolvimento automóvel em Portugal, este é um livro que gera duas impressões distintas. Se em ambas as facetas a escrita é clara e agradável, já o conhecimento transmitido gera impactos diferentes quanto aos dois temas. No que toca à história dos Bragança, é apenas natural que se reconheçam alguns aspectos - quanto mais não seja das aulas de História - e o clima de tensão e mudança em que a vida do príncipe decorre confere à leitura a mesma fluidez de um romance. Já no que toca ao automóvel, surge uma maior quantidade de elementos específicos, nomeadamente no que respeita ao conhecimento dos modelos, o que pode ser um pouco confuso para quem, como eu, perceber pouco da matéria.
Não deixa, ainda assim, de ser um livro muito interessante em ambos os aspectos. Não sendo demasiado extenso, é bastante completo, quer na abordagem aos primeiros anos da indústria automóvel, quer na história dos últimos dias dos Bragança enquanto reis (e um pouco além). Além disso, o vasto conjunto de fotografias e ilustrações que acompanha o texto permite uma visualização mais clara não só das personagens, mas de certos aspectos específicos (como, por exemplo, a publicidade) do mundo automóvel desse período.
Claro que, ao centrar a história em Afonso, ficam muitas questões em aberto no que toca aos outros membros da família real. Ainda assim, é contado o suficiente para se ficar com uma boa ideia das relações - e tensões - entre os diferentes elementos, bem como do contexto global da época. O resto... bem, o resto justificaria mais um - ou vários - livros. Aqui fica o essencial, e isso basta.
Fica, pois, a impressão de um livro claro, acessível e de muito agradável leitura sobre os últimos dias da monarquia e os primeiros do automóvel em Portugal. Relativamente breve, mas bastante complexo, um livro muito interessante.
Título: O Príncipe Piloto
Autor: Henrique Sequerra
Origem: Recebido para crítica
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
A Sereia de Brighton (Dorothy Koomson)
Quando, após uma saída sem autorização, Nell e a sua amiga Jude encontraram um cadáver na praia e, depois de denunciarem o caso à polícia, passaram por uma experiência traumática, estavam longe de imaginar o que se seguiria: o desaparecimento de Jude e uma perseguição à família de Nell por parte de um polícia particularmente preconceituoso. Agora, vinte e cinco anos passados, o fantasma da Sereia de Brighton continua a pairar sobre a vida de Nell e todas as suas acções. Por isso, ela está decidida a descobrir finalmente o que aconteceu. Só que as respostas são complexas, principalmente quando se trabalha sozinha - ou com aliados indesejáveis. E, quando Nell começa a aproximar-se da verdade, novos perigos começam também a surgir... vindos de onde menos espera.
Alternando entre períodos diferentes e acompanhando, essencialmente, duas perspectivas também muito distintas, este é um livro que, apesar de relativamente extenso, facilmente cativa. Primeiro, pela aura de mistério que nasce logo desde os primeiros capítulos. E depois, e principalmente, pelas muitas emoções fortes que a história desperta.
É fácil simpatizar com Nell desde o início, com a descoberta do cadáver e todos os subsequentes traumas da sua vida a fazerem sobressair um caminho árduo e difícil. E o mesmo se aplica a Macy, embora com reacções totalmente distintas. Este é, aliás, um bom ponto de partida para destacar uma das principais qualidades desta história: a construção de um enredo em que nenhuma das personagens é perfeita e todas (ou quase) são passíveis de suspeita, mas em que muitas delas têm grandes qualidades redentoras e uma bondade intrínseca que se torna mais impressionante por nascer também de imperfeições.
Claro que há também vilões: afinal, há cadáveres abandonados que precisam de explicação. Mas também daqui surge algo de impressionante: por um lado, os responsáveis dos crimes são totalmente inesperados, sendo que aquilo que parecia ser a natureza dessas personagens é afinal uma ilusão. Por outro, o sempre presente John Pope, com os seus preconceitos e comportamento abusivo, está do que deveria ser o lado certo - mas nem isso o redime face aos seus comportamentos.
Importa ainda destacar um outro aspecto. Tendo na base uma série de crimes, é apenas natural que grande parte do enredo gire em torno do mistério. Mas a verdade é que há muito mais à volta disso: questões de racismo e de preconceito, grandes segredos capazes de condicionar uma vida, problemas de ansiedade também eles capazes de abalar tudo e ainda a sempre complicada - e profundamente afectuosa - relação entre irmãs. Tudo entrelaçado de forma equilibrada, cativante e cheia de emoção.
Tudo somado, fica a melhor das impressões: a de uma história envolvente e equilibrada, com um grande mistério por base e um enredo que é muito mais do que a mera resolução de um caso. Intenso, emotivo e cheio de surpresas, uma história de fantasmas que perduram - e de amor fraternal para lá das dificuldades. Muito bom.
Título: A Sereia de Brighton
Autora: Dorothy Koomson
Origem: Recebido para crítica
Subscrever:
Mensagens (Atom)






