quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Templo da Magia (Joseph L.L. Junior)

Durante uma viagem à Argentina, Gregório depara-se com um mistério que o leva a alterar os planos da sua viagem. Mas o que o atrai, e que julga ser apenas curiosidade, irá alterar bem mais que o rumo das suas férias, pois, a partir do momento em que um misterioso artefacto é depositado nas suas mãos, o futuro de Gregório parece ser do interesse de demasiados elementos desconhecidos. É que o cilindro está associado a uma antiga maldição e, ainda que Gregório seja um céptico relativamente ao sobrenatural, tanto aliados como inimigos estão dispostos a fazer o que for preciso para que o Escolhido cumpra o seu destino. E a vida normal de Gregório será completamente abalada, enquanto tenta resolver o enigma de uma maldição com origem numa civilização (supostamente) inexistente.
Com a acção como elemento predominante ao longo de toda a narrativa e um conjunto de personagens cujo partido na situação é, por vezes, difícil de definir, o mais interessante nesta história está na forma como o autor conjuga os elementos de uma mitologia e crença no sobrenatural que se torna gradualmente mais evidente com um enredo que tem muitas das características dos thrillers históricos. A história começa com a descoberta de um artefacto misterioso, que parece estar destinado ao protagonista há já algum tempo, e, a partir desse ponto, a sua vida é virada de pernas para o ar. Todas as suas investigações são acompanhadas de perto por alguém interessado em interferir, inimigos e aliados estão sob a alçada de sociedades secretas e, a cada novo passo no sentido de resolver o enigma, há alguém próximo que sofre as consequências. 
O lado inesperado é, portanto, a forma como a magia evolui ao longo do enredo, começando por ser um elemento estranho e, aparentemente, evocado pela ilusão de uma experiência traumática, para passar a ser o ponto fulcral de todos os acontecimentos. Magia que ganha protagonismo ao mesmo tempo que toda a questão em torno da civilização perdida da Atlântida e da maldição associada a este continente - e que se terá manifestado, mais tarde, em outros lugares e por outras razões - vai sendo mais explorada.
Fica, por vezes, a impressão de que certos momentos poderiam ter sido mais desenvolvidos, quer por algumas soluções demasiado simples, quer pela contextualização tanto das personagens como das antigas civilizações e da associação destas à magia, aspectos que poderiam ter sido mais longamente explorados. A história é, ainda assim, bastante cativante e, à medida que o enredo evolui para culminar num final algo inesperado, a curiosidade em saber mais sobre as razões do que se passou e o que se seguirá depois vai também aumentando. A escrita é também agradável, ainda que bastante simples, mantendo a envolvência do ritmo de leitura.
Trata-se, em suma, de um livro que conjuga elementos mitológicos e esotéricos num enredo onde é a acção o elemento dominante, o que resulta numa história envolvente. Muito é deixado em aberto na conclusão deste livro e há alguns aspectos que poderiam ter sido mais aprofundados, mas o resultado global é o de uma história interessante e uma leitura agradável. Gostei, portanto.

1 comentário:

  1. Opa, anotei mais essa indicação para as férias!

    Abração do Pedra

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