terça-feira, 15 de abril de 2014

O Bibliotecário (A.M. Dean)

Tudo começa com a descoberta de um crime, no dia em que, ao chegar ao trabalho, a doutora Emily Wess descobre que um dos grandes vultos da sua universidade foi assassinado. Mas mal tem tempo de assimilar o facto, antes de descobrir que os últimos passos do professor foram no sentido de lhe deixar algumas pistas e uma revelação. Aparentemente, a Biblioteca de Alexandria não foi destruída, mas apenas escondida, e prevaleceu, assim como a Sociedade responsável pela sua preservação. Mas há grandes motivos por detrás do secretismo. Uma outra sociedade secreta busca o conhecimento da Biblioteca como um meio de alcançar o poder e a descoberta de uma lista dos seus membros lançou o Conselho numa missão de remoção de pontas soltas. Emily recebe, por isso, uma missão que a colocará em perigo. Ainda assim, não consegue resistir à promessa de um conhecimento tão vasto. Resta-lhe, pois, seguir as pistas...
Conjugando elementos históricos, sociedades secretas e teorias da conspiração, este é um livro que, numa perspectiva global, segue as linhas básicas da fórmula do thriller histórico. Há pistas a seguir, viagens a lugares antigos, uma conspiração que ameaça a vida dos protagonistas e a estabilidade global do mundo e situações perigosas em abundância. Tendo em isto em consideração, não é difícil prever, em certa medida, o rumo geral dos acontecimentos. Ainda assim, esta relativa previsibilidade não retira envolvência ao enredo.
Parte do que torna esta história viciante é a forma como está escrita. Capítulos curtos e um ritmo de acção constante, associados a alguns desenvolvimentos interessantes a nível de mistério, mantêm viva a curiosidade em saber mais sobre o que está a acontecer. A forma como as pistas são seguidas tem, aliás, um ponto particularmente interessante na forma como a uma solução mais fácil se associa um segundo sentido mais difícil de alcançar. Isto contribui para que o que poderia ser uma forma demasiado fácil de dar seguimento ao enredo se torne um pouco mais complexa e, por isso, mais interessante.
Também interessante é uma certa ambiguidade de sentimentos, por parte da protagonista, relativamente ao secretismo da Sociedade. Sendo esta uma história que vive do conflito entre duas sociedades secretas, uma das quais pretende assumir o papel dos bons, é interessante notar que, apesar do papel para ela escolhido no seio da sociedade, Emily não deixa de questionar a validade da decisão de esconder ou manipular a informação. Esta capacidade de questionar acaba por ser, aliás, um dos melhores traços da protagonista, contrabalançando uma certa ingenuidade na forma como lida com algumas situações.
E depois há o final, não exactamente surpreendente na conclusão global, mas intenso quanto baste e com um toque de inesperado nos pequenos pormenores. Adequado ao rumo dos acontecimentos, acaba por encerrar da melhor forma o intenso percurso de Emily Wess.
A soma de tudo isto é, pois, uma história sem grandes surpresas, mas com um enredo cativante, vários momentos bons e uma perspectiva interessante sobre o valor do conhecimento. Gostei.

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