sexta-feira, 25 de abril de 2014

Os Herdeiros de Septem (Carlos Silva)

Em tempos, uma linha de fogo que cruzou os céus deu origem a um conjunto de estranhos artefactos. Um deles foi guardado com todo o secretismo. Os outros chegaram às mãos de três mulheres e nelas se desvaneceram, deixando, contudo, a semente de uma descendência futura. Passou o tempo e os filhos dessas três mulheres cresceram juntos, com um segredo comum. Mas agora um deles têm aspirações mais altas e não olhará a meios para as atingir. E quando a mulher que deseja não corresponde às suas atenções, um novo motivo surge para eliminar os seus adversários...
Partindo do mistério de um fenómeno estranho e, a partir daí, avançando para um enredo que se divide entre a resolução de um crime e um elemento sobrenatural, este é um livro que cativa, principalmente, pela forma como conjuga os dois elementos, associando um plano que envolve mortes e vinganças a uma herança sobrenatural. É, aliás, no desenvolvimento deste aspecto que se encontra o mais interessante da história, já que, desde a linha de fogo nos céus às revelações finais sobre os três amigos, há toda uma base que, revelada de forma gradual, acaba por fazer, no fim, todo o sentido, e por ser uma parte particularmente interessante da história.
Esta tentativa de revelar as coisas aos poucos, de forma a manter o mistério, tem um lado bom e um lado mau. O lado bom é que consegue, efectivamente, prender a atenção, o que mantém sempre viva a vontade de saber mais. O lado mau é que, partindo de um ponto bastante atrás no tempo, e oscilando entre acontecimentos muito diferentes, o facto de todas as grandes revelações ficarem para o fim cria uma sensação de confusão que permanece ao longo de grande parte do enredo.
Fica também a impressão de que mais haveria a desenvolver sobre as personagens e aquilo que vivem. Há um romance a acontecer, há crimes, desaparecimentos e descobertas e há uma distância de anos entre o fenómeno inicial e o conflito entre os protagonistas. Mas tudo isto é percorrido de forma bastante sucinta, cingindo-se aos factos essenciais. Seria, por isso, interessante saber mais sobre os motivos e as personalidades das personagens, sobre o impacto emocional dos acontecimentos. Não ficam, é certo, perguntas sem resposta sobre o essencial da história. Mas, apesar disso, fica a sensação de que haveria mais a dizer.
Também a escrita é bastante simples, mas cativante e agradável, contribuindo também para manter a envolvência, mesmo nas fases em que são mais as perguntas que as respostas. Sem grandes elaborações, adapta-se ao que é, afinal, o ritmo da história e, assim, confere uma certa leveza a um enredo em que há muito a acontecer muito depressa.
A soma de tudo isto é a de uma história relativamente simples, ainda que com potencial para ser muito mais. Intrigante e envolvente, ainda que um pouco apressada, acaba por ser, apesar de alguns pontos menos bons, uma leitura cativante. Gostei.

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