sexta-feira, 17 de junho de 2011

Novidade Bertrand

Depois de Al-Gharb 1146, Alberto Xavier traz-nos em ‘O Escandinavo Deslumbrado’ uma sátira de costumes onde predomina o absurdo, a ironia e a excentricidade.
Uma série de nove contos que se desenrola de forma dialogada e cuja característica comum é serem “contra-sensos”, no sentido de “nonsense” típico do humor inglês, em que sobressai a paródia, a brincadeira, o absurdo feito figura na mundanidade do salão ou na privacidade da sala onde se costuram intenções, se desfilam caprichos e bizarrias, vícios e excentricidades.
Certeiro nesta arte do contra-senso, denunciando ambições, vaidades, petulâncias, desprezos, Alberto Xavier comete assim a ousadia de criar um novo género literário, disciplina de humanidades.

Alberto Xavier nasceu em Lisboa, em 1942. Doutorado em Direito pela Universidade de Lisboa e Professor da Faculdade de Direito, radicou-se no Brasil, em 1975, onde exerce uma intensa vida universitária e advocacia empresarial. É autor de uma vastíssima obra na área da sua especialidade, publicada tanto no Brasil como em Portugal.
Publicou pela Bertrand Editora, em 2006, no campo da ficção, Al-Gharb 1146.

Convite

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Serpente de Pedra (Jason Goodwin)

Ataques inesperados no seio da comunidade grega em Istambul parecem coincidir com a chegada de um arqueólogo francês em busca das últimas relíquias bizantinas. Além disso, o ambiente que se vive na cidade é instável, já que o sultão está às portas da morte. Cabe, pois, a Yashim Togalu encontrar a solução para um mistério onde diferentes interesses se confundem e ele próprio é um possível suspeito.
Tal como no livro anterior, a grande força desta narrativa reside na visão abrangente que o autor apresenta para o que seria a vida na Istambul do século XIX. Desde os hábitos culinários de Yashim, aos seus contactos no palácio e à visão de um cenário perante uma mudança iminente, o autor constrói um mistério cativante, ao mesmo tempo que apresenta relações políticas, regras de convivência e gestos do quotidiano das muitas personagens que se cruzam ao longo desta história.
Não há propriamente uma grande exploração emocional nesta narrativa. Na verdade, e apesar das situações de perigo (e de alguns momentos de maior empatia), os caminhos que Yashim segue para a resolução do mistério são, na sua essência, racionais. Ainda assim, há algo de intrigante na forma como o protagonista, reservado por natureza, revela na sua necessidade de prestar auxílio, o melhor dos seus valores. Valores que se reflectem também nas suas peculiares amizades.
De referir, por último, a forma como, entre o mistério principal e a vida de personagens já conhecidas do livro anterior, o autor consegue apresentar algumas surpresas, ao mesmo tempo que deixa em aberto uma certa curiosidade quanto ao futuro das principais figuras do enredo, resolvendo o enigma de uma forma bastante clara, mas também com um toque de inesperado.
Cativante principalmente pela caracterização da cidade e dos que nela vivem, A Serpente de Pedra apresenta também um mistério intrigante, que, com as suas personagens peculiares e um rumo, por vezes, inesperado, resulta, no fim de tudo, numa leitura agradável.

Novidades Dom Quixote para Julho

Contos Escolhidos
Guy de Maupassant
Ficção Universal

Na presente edição, traduzida por Pedro Tamen, reúne-se uma selecção de contos daquele que é considerado o grande mestre do conto francês e um dos seus maiores expoentes na história da literatura: Guy de Maupassant.
Da vasta obra que o autor nos deixou, foram escolhidos quarenta e dois contos, divididos em três partes: Contos mundanos, amorosos, eróticos e galantes; Contos inquietantes, de horror e de mistério; Contos exemplares.
Nas livrarias a 18 de Julho

Sartoris
William Faulkner
Ficção Universal

Publicado em 1929, pouco antes de O Som e a Fúria, o romance Sartoris é o primeiro situado no condado fictício de Yoknapatawpha, no Mississípi. Nele, Faulkner, Prémio Nobel de Literatura, começa a estabelecer o estilo que marcaria todos os seus livros posteriores e pelo qual seria consagrado. Sartoris narra a trajectória de uma família decadente, de passado escravocrata, que vive à sombra do coronel John Sartoris, morto na Guerra de Secessão. A tia Jenny, a irmã mais nova do coronel, verdadeira guardiã do passado, e também da narrativa, é a mulher que alinhava, com a sua memória reiterada e reinventada, as tragédias das gerações dos homens da família – o velho Bayard, filho do coronel, e os dois netos gémeos, também chamados John Bayard.
Prefácio de Lídia Jorge.
Nas livrarias a 18 de Julho

Anjos Perdidos em Terra Queimada - Verão
Mons Kallentoft
Ficção Universal

Anjos Perdidos em Terra Queimada - Verão é o segundo volume da tetralogia de Mons Kallentoft que tem na inspectora Malin Fors a principal personagem e que os leitores começaram a conhecer em Sangue Vermelho em Campo de Neve - Outono, também editado pela Dom Quixote.
Nesta nova história, somos transportados para um enredo perturbador onde os preconceitos sexuais, a desconfiança face aos imigrantes, os amores desesperados e o ódio acumulado ao longo dos anos dão origem a um arrepiante cenário de crime e mistério.
Nas livrarias a 18 de Julho

Novidade Bertrand

A rivalidade entre a China e os Estados Unidos terá originado uma nova “guerra fria”? O que virá a seguir?
De modo directo e inquietante, François Lenglet descreve as etapas de um confronto iniciado há quarenta anos no segredo das chancelarias e localiza os diversos terrenos onde os dois gigantes de hoje se desafiam – do espaço às profundezas do mar, de Wall Street a Hong Kong.
“A guerra dos impérios vai, portanto, decorrer numa conjuntura perigosa, que exacerbará as rivalidades. Antes de visitar os campos de batalha deste conflito, é preciso explorar a origem das relações entre os Estados Unidos e a China: quarenta anos batidos ao ritmo de milésimos em «9», ao longo dos quais se construiu uma relação complexa e ambígua, feita de admiração e de desprezo recíprocos, de necessidade mútua e de dependências insuportáveis. Uma relação que se tornou o enredo estratégico e económico do planeta, e cujo futuro determina o nosso destino.”

François Lenglet é director de redacção do diário económico La Tribune. É igualmente cronista nas rádios RMC e BFM, bem como na BFMTV. Viveu dois anos na China.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Queimada (P.C. Cast e Kristin Cast)

A tragédia estilhaçou a alma de Zoey. Agora, o seu corpo vive, mas a sua alma divaga, fragmentada, no Outro Mundo e, caso não regresse, não tardará que morra definitivamente. E enquanto, comandado por Neferet, Kalona procura, por todos os meios, manter a alma de Zoey no Outro Mundo, os seus amigos e o seu Guerreiro tudo farão para a trazer de volta. Mas nada é tão simples como parece e um sacrifício poderoso será exigido, já que a vida de Zoey Redbird condiciona as esperanças e o futuro de muitos.
Há uma evolução interessante neste livro, comparativamente aos anteriores. A ausência de Zoey durante grande parte da narrativa permite um maior desenvolvimento de personagens que, apesar da sua importância ao longo de toda a série, tinham ficado até agora na sombra da protagonista. Há, em particular, um grande destaque dado à situação de Stevie Rae, dividida entre uma ligação que todos os que a rodeiam tomarão como inaceitável, a necessidade de impor nos iniciados vermelhos uma certa medida de ordem e a sua intervenção no plano de salvamento de Zoey. E, ainda em relação com esta situação, há toda uma questão de instabilidade emocional na relação de Refaim e Stevie Rae, relação em que são particularmente cativantes os aspectos que os separam em contraste com a Impressão que os une.
Também o desenvolvimento dos diferentes poderes em choque adquire uma maior complexidade ao longo deste volume. A introdução da ilha de Sgiach, bem como a presença física da Luz e da Escuridão e a forma como estas influenciam os acontecimentos dão um tom algo mais sério, mas também mais intrigante, a uma história que, pouco a pouco, parece começar a encaminhar-se para algo de final e de inevitável.
A escrita mantém o tom simples (ainda que, por vezes, demasiado juvenil) dos volumes anteriores, mas o facto de a história já não ser totalmente contada do ponto de vista de Zoey torna a leitura mais envolvente e intrigante, já que os diferentes pontos de vista contribuem também para um conhecimento mais próximo das personagens, principalmente numa fase em que a questão romântica parece ter passado para segundo plano.
Com muitas novas explicações e umas quantas perguntas em aberto quanto ao que virá depois, fica, no fim desta leitura, a vontade de saber mais. Fica também a impressão geral de um livro cativante, de leitura agradável e que, com muitas surpresas e alguns momentos emotivos, representa nesta série uma interessante mudança. Gostei.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Favorita do Rei (Sandra Worth)

Filha de Eduardo IV de Inglaterra, Isabel de York viveu e marcou um tempo de grandes mudanças. Desde a infância marcada pela instabilidade do reino e pela ambição que sempre guiava os passos da sua mãe à descoberta de uma paixão impossível e, depois, ao sacrifício de vontades e liberdades com o objectivo de conquistar o melhor para o reino, é a história da rainha que o seu povo designaria como Isabel, a Bondosa, a que é contada neste livro.
Começando no reinado de Eduardo IV e percorrendo um longo caminho até à morte do primogénito de Henrique VII, é interessante a forma como a autora apresenta, através da voz da protagonista, uma visão abrangente de um período histórico longo e marcado por grandes mudanças. Vendo através dos olhos de Isabel, a autora constrói uma visão quase pessoal de acontecimentos maiores, vistos na medida em que abalam as esperanças, as ilusões e o orgulho da protagonista, ao mesmo tempo que mudam o rumo da sua vida e ameaçam a segurança e a sobrevivência dos que, para ela, são mais importantes. É curioso, aliás, que a personalidade de Isabel seja aquela que menos se destaca, já que, se a narrativa revela bem as suas emoções, as características dos que rodeiam a protagonista são bem mais perceptíveis nas suas impressões.
É nos pequenos detalhes e nos momentos mais pessoais, mais até que nos grandes episódios históricos, que se encontram as situações mais cativantes deste livro. Desde a paixoneta de Isabel por Thomas, a evolução quase imperceptível dos seus sentimentos por Ricardo e a natureza algo censurável da postura do seu filho Henrique (particularmente quando comparada com a quase perfeição de Artur), são estas pequenas situações que criam a proximidade emocional que dará impacto aos grandes momentos e força às reacções perante as grandes notícias.
Com uma escrita envolvente, um ritmo agradável e alguns momentos de grande força emocional, este é um livro que, apesar de alguns dos acontecimentos narrados serem já familiares (efeito secundário de uma época comum a vários outros romances), cativa essencialmente pela forma próxima como, através dos olhos de Isabel, as figuras e os acontecimentos da sua época são apresentados. Agradável e cativante, uma boa leitura.