quarta-feira, 9 de maio de 2018

Matar o Presidente (Sam Bourne)

Maggie Costello estava habituada às rotinas da Casa Branca e ao seu papel de conselheira próxima do presidente. Mas depois vieram as eleições e o impensável aconteceu. Agora, o novo presidente presenta tudo o que Maggie abomina e a Casa Branca tornou-se um ambiente tóxico para os poucos funcionários que transitaram da administração anterior. Mas há algo ainda mais grave a acontecer. Na sequência de uma crise que quase causou a destruição global, dois homens estão decididos a impedir o novo presidente de causar mais danos ao país e ao mundo, nem que para isso seja necessário matar o presidente. E, ao tomar conhecimento disto, Maggie é colocada perante um dilema: deixar acontecer e livrar o país de um louco, sabendo que o resultado será divisão e guerra? Ou denunciar a situação e proteger um homem que abomina?
Um dos aspectos mais interessantes deste livro, e um que se evidencia logo desde as primeiras páginas, é que, independentemente da parte conspiratória do enredo, no que diz respeito às figuras de poder, qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. O presidente deste livro não tem nome, tal como o não tem a filha omnipresente, e as suas figuras mais próximas são evidentemente fictícias. Mas basta olhar para a realidade actual para reconhecer as semelhanças e, ao projectá-las para esta história, o autor confere um livro um impacto bastante maior, já que, por mais fictícias que possam ser as intrigas e conspirações, aquilo que move as figuras centrais não deixa por isso de ser algo muito real.
Isto contribui também para reforçar a intensidade da intriga, primeiro, porque certas posições das personagens despertam inevitavelmente emoções - e aversões - fortes, e principalmente porque torna mais fácil compreender o que faz mover as personagens. Maggie, em particular, está numa posição delicada, com as suas acções passadas e divisões presentes a ensombrar cada passo que dá. Mas também Kassian e Bruton, com a sua decisão impossível e a forma como precisam de lidar com as possíveis consequências das escolhas tomadas. E há também elementos pessoais que, num enredo em que todos parecem correr contra o tempo, abrem espaço a pequenos laivos de emoção que tornam tudo mais real.
Com o crescendo de intensidade da intriga, que culmina num final particularmente dramático, há alguns aspectos que parecem passar para segundo plano - nomeadamente no que diz respeito a algumas personagens secundárias. Fica, por isso, uma certa curiosidade insatisfeita quando ao que mais poderia ter acontecido a estas personagens. Entende-se, ainda assim, tendo em conta a intensidade com que tudo culmina, que certos aspectos secundários tenham de ficar para trás. E quando ao ponto em que a história acaba, entre a revelação e as possibilidades futuras... bem, tendo em conta o cenário, dificilmente poderia ser mais adequado.
Com um enredo surpreendente e um conjunto de personagens bastante fortes, trata-se, portanto, de um livro cheio de intrigas e conspirações, capaz de surpreender a cada novo desenvolvimento. Intenso, cativante e com uma muito actual dose de realidade, uma boa leitura.

Título: Matar o Presidente
Autor: Sam Bourne
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 8 de maio de 2018

Os Humanos (Matt Haig)

O professor Andrew Martin fez uma descoberta matemática revolucionária - e, no mesmo dia, foi levado por extraterrestres para impedir a revelação dessa descoberta e todos os progressos que ela traria. Agora, há um alienígena no seu lugar, alguém que tem de obter informação, descobrir a quem o professor contou sobre a sua descoberta e eliminar todas as provas e pontas soltas. Só que estudar os humanos e ser humano são coisas muito diferentes. E, à medida que começa a conhecer a família, os amigos e todas as muitas peculiaridades da espécie humana, o extraterrestre que ocupou a vida de Andrew começa a questionar a sua missão. O segredo está contido e, independentemente disso, sabe que não pode matar aquelas pessoas. Mas, se não o fizer, outro o fará por si... Que escolha lhe resta, então?
Há uma estranha magia que acontece quando percorremos as páginas de um livro e encontramos lá dentro um bocadinho de nós. Esta é uma das qualidades mais maravilhosas dos livros de Matt Haig - e este não é excepção. Basta a estranheza da perspectiva de que a história é contada - pelo olhar de um alienígena - para pôr em evidência as estranhas e fascinantes contradições da natureza humana. E, à medida que se acompanha a evolução deste peculiar protagonista, a verdadeira força subjacente a estas contradições mostra-se em toda a sua complexidade. Ser humano é acertar e errar, ter a certeza e duvidar, questionar tudo, todos, até a própria vida... e encontrar razões para continuar quando tudo parece impossível. Andrew - ou o extraterrestre em forma de Andrew - descobre tudo isto por si mesmo. E, ao fazê-lo, realça a grande maravilha em tudo contida. É mágico. É belo. É fascinante. E é o tipo de percurso que nos recorda o que realmente importa.
Matt Haig é exímio a expressar vulnerabilidade - talvez seja por isso que é tão fácil entender e sentir com as personagens. Mas também a própria escrita, das frases memoráveis à forma como, de um momento simples, nasce o máximo impacto, contribui para esta marca tão forte. É como que um dom de dizer precisamente a coisa certa com as palavras certas, algo que se grava na memória mesmo na mais bizarra das situações. E bizarria não falta neste livro, ou não fosse esta uma história de extraterrestres. Mas, acima disso, está o que a vida tem de mais importante e universal: amor, família, amizade, coração. Vida.
Mas voltando à história. Embora o protagonista seja um extraterrestre e a linha principal do enredo seja o desempenho da sua missão na Terra, um dos aspectos mais fascinantes neste livro é que, peculiaridades à parte, o novo Andrew manifesta muitas das melhores características humanas. E mais do que isso, aprende à medida que avança. Por isso, não é tanto a missão que traz consigo, mas o seu percurso de descoberta e revelação que torna tudo tão intenso e cativante. E, sendo certo que são os momentos emotivos o que mais marca (e a forma tão adequada como tudo termina), também não faltam momentos de perigo e tensão, situações caricatas e divertidas e um espaço de introspecção onde é possível encontrar muito de familiar. Equilíbrio, em suma. É essa a base deste livro. Equilíbrio e emoção.
No fim, fica esta imagem poderosa - a de um retrato cativante e particularmente certeiro do que realmente nos torna humanos, traçado sob a forma de uma história com tanto de divertido e de comovente e repleta da pura magia da descoberta. Belíssimo, cativante e brilhantemente escrito, um livro que não posso senão recomendar a todos. Mas mesmo todos. Leiam-no.

Título: Os Humanos
Autor: Matt Haig
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O Bebé que... Não Gostava de Televisão (Rui Zink e Manuel João Ramos)

Não importa que seja ainda muito pequeno - além da sua já conhecida tendência para as birras, este bebé sabe muito bem o que quer e o que não quer. E o que não quer é... ver televisão. Não é uma questão de programas ou de horários sequer. O bebé não gosta da televisão e não se inibe de a desligar. Porque será? Ninguém parece conseguir encontrar uma explicação... até ao dia em que a explicação os encontra a eles.
Tal como aconteceu com O Bebé que... Fez Uma Birra, um dos primeiros aspectos a cativar para este pequeno livro é a cor, já que, sendo um livro infantil e uma história com um bebé como protagonista, faz todo o sentido que a imagem conte tanto como as palavras. E talvez seja por isso que a harmonia é tão óbvia, pois texto e ilustrações conjugam-se num todo bonito, cativante e eficaz. Afinal, não são assim tantas páginas e, no entanto, contêm uma história capaz de cativar os mais pequenos - e de despertar sensações de empatia nos... menos pequenos. As imagens coloridas prendem a atenção - e depois a história faz o resto.
E o que faz a história, afinal? Bem, primeiro intriga, naturalmente, pois a perplexidade do caso, associada às muitas tentativas de encontrar uma resposta, fazem desta pequena história um mistério em poucas páginas. E depois surpreende, enternece e arranca até um sorriso, pois as respostas são, ao mesmo tempo, as mais simples e as mais inesperadas. Tudo muito sucinto, muito directo - e, principalmente, muito eficaz.
É um livro infantil, naturalmente. Mas não deixa de ser curioso notar a proximidade e reconhecimento que uma história tão breve consegue despertar em leitores adultos. Aliás, aquela última página contém todo um outro significado escondido - e uma verdade deveras actual. E até a... relação do bebé com a televisão parece ter uma mensagem interessante sobre as coisas que realmente importam. 
Muito simples, muito breve e, principalmente, muito divertido, eis, portanto, mais uma boa história protagonizada pelo bebé mais decidido do mundo. Uma boa história, em suma, para miúdos e menos miúdos.

Autores: Rui Zink e Manuel João Ramos
Origem: Recebido para crítica

domingo, 6 de maio de 2018

A Minha Avó Pede Desculpa (Fredrik Backman)

Elsa tem quase oito anos e sabe que é diferente. Tem uma imaginação desenfreada e, talvez por ser um bocadinho excêntrica, não consegue enquadrar-se na escola e a única verdadeira amiga que tem é a avó. Só que a avó, que sempre a maravilhou com histórias da Terra-de-Quase-Acordar, está prestes a deixá-la e, antes de partir, deixa-lhe uma última missão. Primeiro, Elsa tem de entregar uma carta e de levar um pedido de desculpas a um dos moradores do seu prédio. Mas Elsa está longe de adivinhar que essa carta é apenas o início de uma grande descoberta - e da construção de um novo retrato da avó que sempre amou - e que sempre a amou - mas que talvez nunca tenha conhecido verdadeiramente.
Estranha (e deliciosa) mistura de inocência e de estranheza, este é um livro que assenta num delicado equilíbrio entre o real e o imaginário. Elsa vive tanto no mundo real como no mundo que a avó construiu para ela. E se, no início, tudo parece ser apenas uma sucessão de excentricidades (divertidas, é certo, mas apenas excentricidades), à medida que a narrativa evolui e as memórias, relações e histórias pessoais das várias personagens começam a vir à superfície, tudo ganha uma dimensão diferente. A história torna-se mais intensa, mais complexa - e fá-lo sem nunca perder a leveza característica de uma aventura vista pelos olhos de uma criança de sete anos. 
Há mais realidade, muito mais, do que de início poderia parecer. Mas há também um mundo imaginário vastíssimo - o tipo de imaginário que apoia, que ensina, que salva. Pois não é disso que vivem as histórias? E também isso faz parte do que marca neste livro: à medida que descobre a realidade da avó, Elsa vai também recordando as muitas fascinantes histórias da Terra-de-Quase-Acordar. E, quando os paralelismos se tornam claros, a imagem global é algo de brilhante. No fim, nenhuma personagem é exactamente como era no início. Elsa cresceu mentalmente, e não foi a única. E acompanhar esse crescimento, essa descoberta, com este tão peculiar grupo de personagens é algo de mágico a acontecer.
E há uma estranha beleza na forma como isto acontece, beleza que se estende desde a forma como a história é contada às muitas facetas da história em si. O crescimento das personagens, os momentos emotivos em contraste com as situações caricatas e divertidas, a forma, até, como as verdades do mundo começam a abrir-se para uma protagonista ainda tão inocente. Tudo isto é cativante e enternecedor e igualmente capaz de arrancar lágrimas e gargalhadas. É o tipo de história - o tipo de personagem - que abre caminho para o coração de quem a descobre. E também isso é magia, de certa forma.
É toda uma lição, esta aventura. Uma lição de perda e de descoberta, de aceitação, de perdão e de amor. E é, acima de tudo, uma aventura: uma aventura pelos caminhos da realidade, numa história toda ela povoada de gente estranha, de emoções fortes e de infinita imaginação. Estranho, sim, mas estranhamente enternecedor, cativa tanto pelas pequenas irritações iniciais como pela subsequente revelação de corações maiores. E tudo - mas mesmo tudo - converge, no fim, para todo um reino de doçura. Descubram a Elsa. Vai valer a pena. Muito.

Autor: Fredrik Backman
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O Que Perdemos (Zinzi Clemmons)

Thandi cresceu entre dois mundos e, talvez por isso, sente que não pertence a nenhum. Criada na Pensilvânia, mas com raízes familiares na África do Sul, parece mover-se nos intervalos que as divisões raciais criaram e, por isso, não consegue deixar de se sentir diferente. E, quando a doença se abate sobre a mãe, Thandi começa a ver ainda uma outra faceta do mundo: a sombra da perda, a dor, o silêncio, a certeza de que a vida continua - mas sem explicações para o como. Dividida entre quem é e o que esperam que seja, tenta construir a sua vida à sombra da perda... mas a vida nunca se faz de apenas uma perda.
Narrado em pequenos fragmentos e oscilando entre o que parecem ser diferentes fases da vida da protagonista, este é um livro que marca mais por impressões do que propriamente por acontecimentos. Há muito a acontecer, na verdade - Thandi cresce, começa a descobrir-se, alimenta relações que depois se desfazem, regressa às origens, interage com a família, perde, ressente-se, perdoa. E, no entanto, é a forma como a protagonista lida com tudo isto que realmente cativa: as suas introspecções, o caminho emocional que percorrer, até mesmo a forma como analisa (ou tenta analisar) racionalmente as realidades da vida que a rodeia... Mais que os acontecimentos em si, são estas análises e percepções emocionais que ficam na memória, moldando a imagem de uma protagonista cuja vida interior é muitíssimo mais vasta que a exterior.
É certo que, por vezes, este registo fragmentário deixa sentimentos ambíguos, pois, uma vez que os acontecimentos acabam por ficar, de certo modo, na sombra, fica também uma certa curiosidade insatisfeita sobre a vida das outras personagens para lá da sua relação com Thandi. Faz, porém, um certo sentido que assim seja, pois, sendo um relato tão profundamente pessoal - e visto da perspectiva da protagonista - é natural que o mundo as coisas sejam vistas como que em função dela. Além disso, esta distância pode esbater um pouco os contornos das outras personagens, mas não retira força às relações. Relações estas que, no seu nítido contraste com a solidão interior, vêm também realçar a complexidade da vida emocional de Thandi.
E há ainda um outro aspecto peculiar. É que, apesar de ser essencialmente uma historia de crescimento interior, há várias questões relevantes ao longo deste livro, não só no que diz respeito à mortalidade e às formas de lidar com a perda de um familiar, mas também nas questões raciais e da história da África do Sul. A visão é, claro, parcial - moldada pelas percepções da protagonista. Mas não deixa de ser bastante certeira e de despertar várias questões pertinentes.
No fim, fica a impressão de uma história profundamente pessoal, mas também de um olhar aberto ao mundo. Uma história de perda e de continuidade, em que nem todas as respostas são claras - e há também coisas que não têm respostas - mas tudo tem o seu lugar e o seu impacto no cenário global. Complexo, pertinente e com uma escrita muito cativante, uma boa leitura.

Título: O Que Perdemos
Autora: Zinzi Clemmons
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Jogos Cruéis (Angela Marsons)

Kim Stone acaba de resolver um caso que lhe mexeu particularmente com as emoções e não está plenamente convencida de que as coisas estejam tão claras como parecem. O que se segue, no entanto, parece ser bastante simples: o cadáver de um violador encontrado numa viela e a vítima que confessa o crime. Mas, mais uma vez, é tudo demasiado simples e, quando outras relações e possibilidades começam a surgir, o instinto de Kim começa também a manifestar-se. Nem o caso que todos julgavam encerrado tem já todas as respostas, nem o cadáver na viela é uma simples vingança. E, deste último caso, há nas sombras um adversário muito mais perigoso - principalmente para alguém com o passado de Kim Stone.
Uma das principais qualidades deste livro - e diga-se desde já que qualidades não lhe faltam - é a facilidade com que consegue transportar o leitor para dentro do enredo. Os capítulos curtos, a forma directa e precisa como acompanha as acções e motivações das diferentes personagens e o equilíbrio eficaz entre as várias facetas do enredo aliam-se a um núcleo de personagens fortes e cativantes para criar uma leitura simplesmente irresistível.
Num livro em que tudo converge para um equilíbrio perfeito, há, ainda assim, várias facetas a destacar. E a primeira é, naturalmente, a própria Kim Stone. Se já no livro anterior o carisma e a força das personagens era um ponto crucial para o impacto da história, este segundo livro da série eleva isso a todo um outro nível. Ao aprofundar mais o passado de Kim, revela vulnerabilidades e marcas que tornam mais fácil compreender o que a faz mover. Ao explorar as suas relações pessoais, além das profissionais, retrata uma personagem mais completa - e mais complexa - do que a simples figura de alguém que investiga um crime. E ao expandir também o universo das personagens que a rodeiam, misturando facetas pessoais e profissionais, relações de trabalho, de amizade e até... bem, mais delicadas do que isso, também o mundo por onde Kim se move se torna mais nítido e marcante.
E, sim, as personagens são a alma do livro, e isto não se aplica só a Kim, mas também (e especialmente) a Bryant, com o seu delicioso sentido de humor. Mas estas características sobressaem ainda mais por se manifestar num enredo cheio de intrigas e segredos e reviravoltas. Ambos os casos são marcantes à sua maneira. Ambos chocam. Ambos perturbam. E ambos assentam num muito eficaz crescendo de intensidade que resulta num final avassalador. Além, é claro, de abrirem uma janela para algumas das facetas mais sombrias da condição humana - o que não deixa de ser, ao mesmo tempo, fascinante e assustador.
Com um núcleo de personagens brilhantemente construídas e um enredo cheio de surpresas e de mistérios, trata-se, pois, de um livro que intriga desde as primeiras páginas e não deixa de surpreender até ao fim. Viciante, intenso, repleto de momentos marcantes e de personagens memoráveis, um livro impossível de largar. Brilhante.

Título: Jogos Cruéis
Autora: Angela Marsons
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Violeta e Índigo Descobrem Frida Kahlo (Isabel Zambujal e Sebastião Peixoto)

Índigo nunca pára de usar o seu talento peculiar. Basta que uma imagem lhe faça lembrar uma obra de arte e logo as suas pinceladas o transportam e à sua amiga Violeta para dentro da vida de um pintor famoso. Desta vez, a escolhida é Frida Kahlo e a sua história está cheia de factos e obras fascinantes.
Um dos aspectos mais interessantes desta colecção - e que começa a destacar-se depois de lidos alguns volumes - é que, apesar de formarem parte de um todo maior, cada livro é um percurso completo em si mesmo. Exceptuando a referência final a quem será o pintor seguinte (isto para quem estiver a seguir a colecção por ordem) e os protagonistas comuns a todos os livros, cada livro é uma pequena aventura, completa e totalmente independente. Além disso, e embora formando um todo, fica também a impressão de que, a nível visual, o desenho parece ajustar-se ao pintor que serve de tem a cada livro, reforçando assim a individualidade de cada um dos volumes.
Há, naturalmente, muitas características em comum. A simplicidade do texto, que acrescenta pequenos apartes e episódios dos protagonistas a uma apresentação sucinta da vida de cada pintor, a abundância de cor das ilustrações e as pequenas actividades sugeridas no final de cada livro são também elementos comuns aos vários volumes. E são também uma parte essencial do que os torna cativantes para quem começa a descobrir um mundo tão vasto como é o da pintura: simplificar, ainda que não em demasia, desperta curiosidade e abre caminho à possibilidade de novas descobertas.
Importa, como sempre, não perder de vista que é um livro pensado para pequenos leitores, o que torna essencial e natural a simplicidade da abordagem e a brevidade das explicações. Haveria mais a dizer sobre Frida Kahlo e a sua obra, naturalmente. Mas o essencial - para conhecer as bases e para despertar curiosidade - está lá, e apresentado de uma forma envolvente e divertida.
A imagem que fica é, pois, essencialmente a mesma dos outros livros desta colecção: a de uma leitura simples, envolvente e cheia de cor para despertar curiosidade nos mais novos acerca do mundo da pintura. Um livro bonito e cheio de cor, para cativar para a arte os jovens leitores.

Título: Violeta e Índigo Descobrem Frida Kahlo
Autores: Isabel Zambujal e Sebastião Peixoto
Origem: Recebido para crítica