sábado, 31 de agosto de 2019

Manual do Bom Fascista (Rui Zink)

Há uma sombra que, nos últimos anos, tem vindo a manifestar-se de forma cada vez mais evidente e cuja presença pode ter consequências desastrosas. Dá pelo nome de Ascensão do Fascismo e, como os leitores deste livro poderão comprovar, pode ser uma senhora muito chata. Mas que critérios definem realmente um bom fascista? As respostas estão neste pertinente e esclarecedor livro que, num conjunto de breves lições, contém todas as pistas necessárias para se reconhecer um.
Não é propriamente uma surpresa - basta ler a sinopse deste livro - , mas uma das principais qualidades deste Manual do Bom Fascista está precisamente na forma como consegue abordar um tema importantíssimo, realçando as suas mais difíceis facetas, de uma forma deliciosamente divertida. Afinal, para quem estiver atento à actualidade, muitas destas características do bom fascista são realmente fáceis de identificar, mas a convicção com que estas personalidades as manifestam ganha outro impacto quando abordada desta forma. Além disso, os muitos paralelismos com a realidade são mais do que pura coincidência e é fascinante reconhecer as múltiplas referências a casos do mundo real - que vão desde acórdãos a caixas de comentários e publicações nas redes sociais.
Até o próprio registo salienta este efeito, pois é fácil imaginar uma espécie de guru do bom fascismo a ditar estas regras com toda a convicção. Convicção essa que, associada ao absurdo das coisas, põe em evidência os problemas de alimentar este tipo de pensamento. Afinal, que melhor forma de combater ideias absurdas do que mostrar o absurdo das ideias? Além do mais, se há quem diga que não se brinca com coisas sérias, este livro é uma bela prova de que brincar com elas é também uma forma de lhes reagir, pois não só realça - com o máximo possível de humor - as múltiplas problemáticas da ideologia destas personagens como consegue, ao longo do caminho, evocar múltiplas questões pertinentes.
Mas manual que se preze tem também de ter ilustrações: até porque (mais uma das curiosas lições deste livro) bom fascista que é bom fascista não lê. E importa por isso salientar as ilustrações relativamente discretas, mas que, tal como o texto propriamente dito, realçam de forma certeira os elementos mais relevantes deste guia. Também aqui é possível reconhecer algumas semelhanças com a realidade, o que só vem confirmar a pertinência do livro.
O que fica, então, desta leitura? Um equilíbrio eficaz entre uma análise certeira aos elementos mais caricatos da tal senhora Ascensão do Fascismo e uma divertida viagem aos seus aspectos mais absurdos. Viciante, actual e deliciosamente divertido, um livro que não posso deixar de recomendar.

Autor: Rui Zink
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Max Einstein - Uma Experiência de Génio (James Patterson e Chris Grabenstein)

A Max é uma miúda perfeitamente normal - tirando os pequenos pormenores de, aos doze anos, viver numa casa ocupada, frequentar a universidade e ter o apelido Einstein, embora não saiba se é esse o seu verdadeiro nome nem quem são os seus pais. A Max é também mais importante do que julga, e está prestes a descobri-lo. Perseguida por uma gananciosa e sinistra organização, vê-se subitamente resgatada por uma outra, esta com fins bem mais positivos. Mas a aventura está apenas a começar. Um misterioso benfeitor decidiu organizar um concurso de crianças geniais para escolher o seu futuro aliado numa missão de mudança. E a Max é uma forte candidata a essa posição.
Parte do que torna este livro tão cativante é a forma como os autores interligam uma história repleta de aventuras e perigos com um percurso de aprendizagem também muito interessante. Basta o apelido da Max para perceber que a vida e obra de um outro Einstein estarão bem presentes ao longo de toda a história e a forma como os conceitos e citações vão sendo introduzidos, encaixando no ritmo da história sem nunca o prejudicar, fazem com que se chegue ao fim da leitura a saber muito mais sobre Einstein e as suas teorias.
Trata-se, claro, de um livro pensado para os mais novos, pelo que este equilíbrio é particularmente importante. Mas há mais, claro. O ritmo directo da história, cheio de acção e de surpresas, faz com que a leitura facilmente se torne viciante. E se, para um olhar adulto, há certas coisas que podiam ser mais desenvolvidas (como a história do benfeitor ou como foi que a Max foi parar ao local onde a história começa), também é certo que nada lhe falta de essencial e que tudo indica que muitas das perguntas que ficaram sem resposta poderão encontrar explicação no próximo volume da série.
Há, ainda, as ilustrações, que, além de darem mais vida ao enredo, realçando os momentos mais divertidos, providenciando também um esquema visual para algumas das explicações mais complexas, geram uma maior proximidade, pois parecem representar os esquemas e anotações da protagonista. É como ver um pouco mais do mundo da Max através dos seus traços, o que acaba por aumentar a já grande empatia que esta brilhante protagonista desperta.
No fim, fica uma grande vontade de descobrir o mais rapidamente possível que novas aventuras aguardam a Max Einstein e a sua equipa. E a recordação de uma leitura agradável, cativante e com um excelente equilíbrio entre diversão e aprendizagem. Uma boa leitura, em suma, e uma aventura empolgante.

Autores: James Patterson e Chris Grabenstein
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O Pequeno Livro dos Grandes Heróis (Sofia Cochat-Osório)

Generais, cientistas, presidentes, descobridores. Cada um, à sua maneira, alterou o rumo da história, deixando uma marca que perdurou para lá da sua existência, e o seu nome tornou-se célebre. É das suas vidas e obras que este pequeno livro trata - um livro breve, mas povoado por grandes figuras, cuja história vale sempre a pena descobrir ou relembrar.
Não é propriamente uma surpresa, tendo em conta o título, que a abordagem deste livro a cada um destes protagonistas seja relativamente breve. É, aliás, uma certeza que muito mais haveria a descobrir sobre as vidas de cada um destes heróis - até porque há biografias dedicadas a grande parte deles. O objectivo não é, porém, fazer uma descrição completa do seu percurso, dedicando-se antes aos factores essenciais: a história de vida e os feitos que justificam que cada uma destas figuras sejam tidas como heróis. O resultado é uma exposição relativamente concisa, mas bastante clara, de cada um destes homens.
Tendo isto em conta, bem como o facto de todas estas histórias terem em si algo de fascinante, é inevitável a vontade que fica de saber mais sobre cada uma destas figuras ilustres. Mas, neste caso específico, esta curiosidade insatisfeita acaba por ser uma qualidade, pois dá a conhecer o essencial dos protagonistas, ao mesmo tempo que desperta a vontade de ler mais, ir mais longe, aprofundar conhecimentos. O que é sempre algo muito bom de se ter em mente.
Há ainda dois outros aspectos que importa destacar: a escrita e a diversidade. A escrita, pois consegue criar um relato fluido e cativante, sem se perder em pormenores desnecessários nem dar a impressão de que falta informação (pese embora o já referido facto de a vida de qualquer um destes homens ser muitíssimo mais vasta do que o que cabe em meia dúzia de páginas). A diversidade, pois destaca um aspecto bastante notável: o de que não é preciso entrar num combate propriamente dito para se ser um herói. Há os que desempenharam um papel de relevo na guerra, mas também os que defenderam um outro tipo de resistência ou até aqueles cujo heroísmo vem mais de convicções do que de actos. Realçando que o heroísmo tem múltiplas facetas - tal como a vida.
Cativante, conciso, mas repleto de informação interessante, proporciona uma leitura agradável, ao mesmo tempo que incentiva a aprofundar conhecimentos e a descobrir mais a fundo o papel destes homens que mudaram a história. Lembrando, ao mesmo tempo, que o heroísmo nem sempre é feito de grandes combates, como o provam também algumas destas figuras que vale muito a pena conhecer - ou relembrar.

Autora: Sofia Cochat-Osório
Origem: Recebido para crítica

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Depois (Morris Gleitzman)

Há dois anos que Felix vive escondido dos nazis na quinta do seu único amigo, Gabriek. Mas a entrada em cena de um grupo de desconhecidos, seguida do incêndio da quinta, deixa Felix e Gabriek numa situação delicada. A única solução que lhes resta é juntarem-se aos resistentes. Aí, Felix conhecerá Yuli, que tentará protegê-lo e orientá-lo, e o doutor Zajak, que lhe dará um papel para desempenhar. Mas, com a guerra a sofrer uma viragem, os bombardeamentos e o perigo constante de se pertencer à resistência, Felix não sabe com quem pode realmente contar. E as perguntas que o perseguem continuam a ser muitas.
Um dos aspectos mais marcantes deste livro é que, apesar de ser uma história pensada para leitores mais jovens, não tenta suavizar a crueldade e a perda. É uma história que decorre em tempos de guerra e de atrocidades, o protagonista é judeu e todas as personagens têm já uma boa ideia do que realmente se passa. Assim sendo, não faria sentido fugir à arbitrariedade da morte e da brutalidade dos tempos em que a história decorre. O choque torna a história mais real.
Torna também o protagonista ainda mais notável. É impressionante ver, no meio do caos e da morte, uma personagem que já passou por tanta coisa e que, ainda assim, se agarra à inocência e tenta - mesmo quando parece impossível - acreditar em coisas boas. Felix tem agora treze anos, mas mantém a mesma inocência, o mesmo fundo de bondade. E este contraste entre a inocência do protagonista - com o seu coração tão grande - e o sofrimento das suas circunstâncias é algo de particularmente comovente.
Sendo uma história narrada na primeira pessoa, é apenas natural que fiquem algumas perguntas sem resposta, principalmente no que diz respeito ao que acontece às outras personagens quando não estão com Felix. Ainda assim, mais do que a vontade de ver mais de perto esses acontecimentos, fica o impacto que eles têm sobre o protagonista quando ele os conhece. Mais do que a curiosidade em saber o que aconteceu aos outros, fica a marca que deixaram na vida de Felix. E, embora também estas outras personagens tenham histórias muito interessantes, são as marcas que deixam - as aprendizagens que inspiram - que realmente se destacam nesta história.
Tudo somado, fica um delicado equilíbrio entre inocência e brutalidade, entre o caos da guerra e a esperança quase inabalável que move o protagonista. Cativante, comovente e com um enredo cheio de surpresas, um livro aparentemente simples, mas que facilmente se entranha na memória.

Título: Depois
Autor: Morris Gleitzman
Origem: Recebido para crítica

domingo, 25 de agosto de 2019

Mulheres Espias em Tempo de Guerra (Ann Kramer)

Quando se pensa no papel desempenhado pelas mulheres no ramo da espionagem, a imagem que vem ao pensamento é inevitavelmente a de Mata Hari, bailarina exótica e mulher sem inibições. Ou então a imagem ficcional de uma qualquer Bond girl. A realidade é, porém, bastante mais vasta e complexa e o que este livro faz é, em jeito de tributo e homenagem, debruçar-se sobre a história destas mulheres que, com uma coragem excepcional e arriscando as próprias vidas, desempenharam um papel crucial nas duas grandes guerras - papel esse que só viria a ser reconhecido mais tarde.
Um dos primeiros aspectos a salientar sobre este livro é também parte do que o torna tão relevante: o facto de muitas destas mulheres não serem tão conhecidas quanto deveriam. O nome de Mata Hari é lendário (sim, é também uma das protagonistas abordada neste livro). Já os das outras mulheres - Odette Sansom, Violett Zsabo, Noor Inayat Khan - são bem menos conhecidos. E, ainda assim, as suas histórias são não só importantíssimas, mas também fascinantes. O primeiro impacto deste livro é, pois, o de uma descoberta preciosa: a da história destas mulheres de coragem e do importante papel que desempenharam no esforço de guerra.
Também bastante impressionante é o facto de permitir uma visão muito mais clara de como terão funcionado os meandros da espionagem, principalmente - mas não só - durante a Segunda Guerra Mundial. As máquinas, os sistemas de comunicação, os riscos e as consequências da captura, mas também as hierarquias, os erros cometidos do lado supostamente seguro. Há todo um mundo a descobrir sobre este tema e a autora apresenta-o de forma clara e cativante, despertando uma imensa vontade de saber mais ao mesmo tempo que constrói uma visão concisa, mas muito completa, das linhas básicas deste mundo.
Há ainda um último aspecto a destacar no que diz respeito à estrutura do livro. Ao optar por seguir períodos e temas específicos, em vez do percurso particular de cada espia, a autora torna a leitura mais abrangente. Mais do que a história pessoal de cada protagonista - embora elas estejam também bem presentes, - fica a história de um todo: das organizações, dos esforços de guerra, das movimentações de resistência e também do sucedido às desaparecidas. Mais do que o percurso individual, sobressaem os pontos comuns, o que faz com que a marca que fica da leitura seja ainda mais forte. Afinal, é impressionante que tantas mulheres tenham tido tanta coragem - e contribuído tanto para o fim da guerra.
Pertinente, cativante e, acima de tudo, fascinante: assim se poderá, pois, definir este livro que é, em simultâneo, um memorial a várias mulheres corajosas e uma lembrança eficaz de que o mundo da espionagem tal como a ficção o imagina pode estar, afinal, bem longe do mundo real. Vale, pois, muito a pena conhecer estas histórias. E recordá-las.

Autora: Ann Kramer
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A Rapariga da Carta (Emily Gunnis)

Samantha Harper gosta do seu trabalho de jornalista, mas sente-se presa num local onde não a valorizam e castigada pelo chefe por ter cometido o erro de ser mãe. Mas tudo muda ao descobrir uma carta que a avó está a ler. A autora da carta é Ivy Jenkins e a sua história é a de muitas raparigas que acabaram numa casa de acolhimento para mães solteiras. Enviada para St. Margaret para ter o seu filho, escreveu repetidamente ao homem que a seduzira apelando a que a resgatasse desse local cruel. Mas não seria esse o final da sua história. Agora, St. Margaret está prestes a ser demolida e Samantha tem pouco tempo para descobrir os seus segredos. Segredos esses que estão mais perto do que ela imagina...
Tendo no centro de toda a história uma das infames casas para mães solteiras de Inglaterra, onde a brutalidade das freiras era tida como "expiação dos pecados", escusado será dizer que este é um livro com um registo bastante sombrio. É esse, aliás, o primeiro aspecto a marcar, já que é impossível não sentir compaixão face às provações de Ivy e Elvira e à forma como as mais eminentes figuras de St. Margaret sempre acharam ser os donos da razão.
Não faltará, pois, material para reflexão a acrescentar a este impacto emocional, já que, tratando-se embora de uma obra de ficção, é sabido que muitos destes factos têm paralelismos numa realidade não muito distante. É bastante impressionante a forma como a autora consegue construir uma história pessoal para as suas personagens e equilibrá-la com este todo mais vasto, gerando a proximidade necessária para sentir com as protagonistas e, ao mesmo tempo, evocando questões pertinentes como as crueldades impostas em nome da religião ou dos bons costumes.
Mas há ainda um mistério, vindo do facto de todos os principais intervenientes na história de Ivy terem encontrado um fim estranho, e a forma como a autora gere estes elementos, deixando pequenas pistas, mas revelando as coisas a um ritmo gradual e pautado por múltiplas revelações, contribui em muito para tornar a leitura bastante mais intensa. Há muito a desvendar pelo caminho, não só que diz respeito aos segredos de St. Margaret, mas principalmente no que toca às ligações entre personagens. Ligações essas que, embora insinuadas desde cedo, culminam num final particularmente intenso.
Feito de mistério e intriga, mas também das marcas duradouras que a crueldade deixa ao longo de gerações, trata-se, pois, de um livro que parte de um tema duro e difícil para construir uma história surpreendente e repleta de personagens notáveis. Sombrio e memorável, cativa desde cedo e dificilmente se apaga da memória. E é precisamente isso que o torna tão bom.

Autora: Emily Gunnis
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

As Coisas Mais Delicadas (Matthew Quick)

Nanette O'Hare é uma rapariga aparentemente normal, a estrela da sua equipa de futebol e razoavelmente integrada, apesar das horas de almoço passadas na sala do seu professor favorito. Mas tudo muda quando este professor lhe oferece um livro obscuro e depois se oferece para lhe apresentar o autor. O livro muda a forma de pensar de Nanette e o seu contacto com Booker, o autor, leva-a a conhecer Alex Redmer, um rapaz que partilha a mesma paixão pelo livro, mas cujo comportamento também a assusta um pouco. Nanette e Alex descobrem-se mutuamente, mas a visão libertadora que inicialmente encontraram no livro cedo começa a trazer consequências mais duras. E, mais uma vez, Nanette vê-se obrigada a questionar as suas escolhas e a opção de pertencer ou não a um mundo onde a diferença é factor de exclusão.
Um dos aspectos mais notáveis deste livro é o facto de ser inesperadamente duro. É uma história de adolescentes - de descoberta, de planos, de amor adolescente -, mas é, acima de tudo, uma história de escolhas e consequência. E surpreende, por isso, não só a dureza dessas mesmas consequências, mas principalmente a forma como se repercutem nas personagens, tornando-as mais ambíguas, mais difíceis de entender, mas também mais complexas, vulneráveis e intrigantes.
Há também como que um quebrar gradual da inocência ao longo de todo o percurso. Alex e Nanette começam o seu caminho empolgados pela descoberta de um amor comum, pela possibilidade de olhar o mundo de uma nova maneira e de deixarem a sua marca. O caminho, porém, acaba por ser muito mais árduo e ambíguo, deixando-os à mercê de um isolamento auto-imposto e de convenções que não assim tão fáceis de derrubar. O resultado é que as personagens se tornam talvez um pouco mais amargas e a história vai adquirindo um registo mais sombrio, à medida que as esperanças vão dando lugar a uma visão mais dura - e também mais lúcida - do mundo e dos que nele habitam.
Tudo se torna, então, inesperado. Nem o rumo da história se encaminha para a previsível descoberta do amor e da liberdade, nem as personagens encontram um futuro perfeito. Cedo se torna evidente que isso nunca seria possível. Há, aliás, um contraste interessante neste evoluir do enredo: a escrita do autor acompanha a evolução das personagens, oscilando entre o registo mais directo e simples da voz de Nanette inicial e a terceira pessoa de uma personagem que descobriu facetas mais negras, tornando-se assim mais distante e escondendo-se sob as suas máscaras. Escrita e enredo atingem assim um equilíbrio particularmente marcante, mesmo nos momentos em que não é fácil compreender e simpatizar com as personagens.
À semelhança do livro de Booker, trata-se pois de um "hino à nobre arte de desistir": uma história sobre o que nos faz pertencer ao meio que nos rodeia e as consequências de se ser diferente, mesmo com as melhores das intenções. Cativante, surpreendente e com uma escrita particularmente eficaz, pode não gerar uma empatia perfeita, mas deixa, sem dúvida alguma, a sua marca.

Autor: Matthew Quick
Origem: Recebido para crítica

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