domingo, 28 de julho de 2013

Angelópolis (Danielle Trussoni)

Durante anos, Verlaine debateu-se entre a vontade de voltar a ver Evangeline e o conhecimento do que teria de fazer quando a encontrasse. Mas tudo se precipita no momento em que o reencontro acontece. Diante dos olhos de Verlaine, Evangeline é raptada por um dos anjos mais perigosos e levada para destino incerto. Mas antes, ela deixa-lhe uma pista, sob a forma de um ovo Fabergé. Para a encontrar, Verlaine terá de considerar todas as informações de que dispõe, travar algumas lutas perigosas e desvendar alguns segredos. E o que encontrará no fim pode não ser o que deseja.
Apesar de vários novos elementos e de um conjunto de diferenças interessantes, Angelópolis funciona, em grande medida como um volume de transição, apresentando novas informações ao mesmo tempo que coloca as peças nas devidas posições para acontecimentos por vir. Nesta medida, e em certo grau, é natural que muitas coisas fiquem em aberto, até porque parte da informação desvendada levanta novas questões. Mas é também daqui que surgem quer os principais pontos fortes, que as fragilidades.
Começando pelo lado positivo, o que mais sobressai é, sem dúvida, o desenvolvimento do sistema. Neste segundo volume, a autora continua a explorar a sua versão alternativa do funcionamento do mundo angelical e acrescenta vários elementos interessantes, quer no desenvolvimento das ligações aos Romanov, quer com as experiências (passadas e presentes), quer ainda com alguns novos segredos associados a Evangeline. Há, em tudo isto, muito de interessante e a forma como todos estes elementos se cruzam é, de facto, um dos aspectos que mais contribui para que a leitura nunca perca a envolvência.
Também nos grandes acontecimentos - e nas mudanças a eles associadas - há situações bem conseguidas, com as grandes revelações a abrir boas possibilidades para o que se seguirá. Além disso, e apesar da abundância de informação, o ritmo do enredo nunca se torna demasiado lento, talvez pela impressão de corrida contra o tempo associada à missão de Verlaine. Verlaine que, a propósito, acaba por ser o protagonista deste livro, sendo a quase ausência de Evangeline bastante notada.
Esta mudança leva às fragilidades. Sendo Evangeline uma das personagens fulcrais de Angelologia, a sua presença muito discreta neste livro deixa a sensação de um percurso que poderia ter sido mais explorado. Ao mesmo tempo, cria uma distância relativamente às personagens, até porque a história é centrada mais nos acontecimentos que nas personagens, deixando a percepção de que mais poderia ser dito a esse respeito. Há vislumbres de emotividade nas personagens, mas são elementos que surgem de forma secundária, o que, aliado a algumas pequenas incongruências, dificulta a ligação às personagens.
Há ainda bastante para explorar neste mundo, até porque muitos dos grandes acontecimentos deste livro servem como porta para novas possibilidades. Quer sobre os percursos de Evangeline e Verlaine, quer sobre os planos de anjos e angelologistas, os elementos explorados neste livro despertam, principalmente, novas questões para o que se seguirá. Também por isso acabam por ser parte do que cativa neste livro, já que criam uma agradável aura de mistério e a noção de um objectivo para certos elementos aparentemente contraditórios, ao mesmo tempo que prometem algumas surpresas para o que falta contar da história.
Da soma de tudo isto, fica a impressão de um livro menos surpreendente que o primeiro volume, mas cativante e interessante quanto baste e com muitos novos elementos a despertar curiosidade para o que se seguirá. Uma leitura agradável, portanto, e intrigante. Gostei.

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