sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ratos & Gatos (Gleidston César)

Palavras de afectos, de pensamentos, olhando o mundo segundo o eu. Um eu que sente, que sofre e que ama segundo a sua posição perante os outros, mas que se expande também a um olhar mais vasto, questionando os preconceitos e limitações da sociedade. Um eu vincado, bem definido, que é a própria identidade, pessoal e intransmissível, do sujeito poético - mas que contém em si algo de universal. É isto, este eu que se dá a conhecer nos poemas deste livro - e o resultado é um equilíbrio bastante interessante entre coesão e diversidade.
Um dos aspectos mais interessantes neste conjunto de poemas é a forma como, apesar de cada poema ser um todo em si mesmo, parece ser, ao mesmo tempo, parte de uma unidade maior. É quase como se acompanhasse o percurso evolutivo de um mesmo indivíduo, realçando as suas percepções, convicções e sentimentos. Ora, isto é interessante porque é possível ler só alguns poemas sem ficar com a sensação de alguma coisa em falta, ou ler o livro de uma ponta à outra, ficando com a tal sensação de uma totalidade mais vasta.
Também particularmente cativante é o equilíbrio entre o pessoal e o universal, num conjunto em que todos os poemas parecem pertencer a uma mesma e única voz, mas em que alguns deles falam de amor, outros de amizade, outros das injustiças sociais e da discriminação. Por vezes, o sujeito poético olha para si mesmo. Outras, olha para o mundo. E também isto contribui para realçar o contraste entre o individual e a totalidade, salientando a diversidade de elementos e de temáticas - ainda que projectadas numa mesma visão.
Até na própria estrutura se nota um certo equilíbrio entre coesão e diversidade, moldando temas comuns em diferentes formas e dando-lhes assim um ritmo diferente. Poemas curtos, poemas longos, versos curtos e versos longos, rima ou ausência de... Há um pouco de tudo neste livro e se é verdade que alguns dos poemas marcam mais do que outros (consoante o gosto de quem os lê, também) não há nenhum neste livro que não deixe na memória uma impressão. E nalguns casos, essa impressão é realmente muito positiva. 
A impressão que fica é, portanto, a de um livro coeso e equilibrado, em que o particular e universal coexistem em boa harmonia. Cativante, de leitura agradável e com várias passagens realmente marcantes, uma boa descoberta... e uma boa leitura.

Título: Ratos & Gatos
Autor: Gleidston César
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sangue Inocente (James Rollins e Rebecca Cantrell)

O Evangelho de Sangue foi encontrado. Mas o que parecia ser o derradeiro objectivo é afinal apenas o início de uma demanda maior. Agora, Rhun Korza está desaparecido. Há dúvidas sobre a identidade da Mulher Sábia. Cadáveres começam a surgir na cidade de Roma e, inesperadamente, Erin Granger, que parece ter sido afastada de todo o mistério, é atacada por um blasphemare. É preciso que a trindade da profecia volte a reunir-se e retome a sua missão, indo em busca do Primeiro Anjo. Mas os problemas nessa demanda não são poucos, pois, além de não haver certezas sobre a identidade do Primeiro Anjo, há nas sombras um inimigo poderoso - à espera de desencadear o fim dos tempos.
Dando continuidade aos acontecimentos do volume anterior, e expandindo-os numa intriga cada vez mais complexa de traições e mistérios, uma das primeiras coisas a sobressair neste livro é a notável evolução em termos de impacto. Talvez por as personagens já serem familiares, mas também pela maior intensidade dos picos emocionais ao longo do enredo, este é um livro que junta à envolvência do mistério e a tensão de um perigo constante um cada vez mais impacto emocional no que diz respeito ao que acontece às personagens. E é isso que faz com que, depois de um início promissor com O Evangelho do Sangue, este segundo volume supere todas as expectativas.
Parte do que confere à história esta nova intensidade é a conjugação de novas e antigas personagens, bem como de novos elementos com pistas e mistérios já revelados. À existência dos sanguinistas e seus preceitos junta-se agora uma visão bastante mais ampla de quem são os seus inimigos e do que os move. Mas, mais do que isso, no seio da própria Ordem dos Sanguinistas há motivações diversas e interesses em colisão. Ora, isto faz com que a tal teia de intrigas se torne cada vez mais complexa e fascinante, abrindo caminho a muitas surpresas, grandes revoluções e algumas pistas sobre o que ainda fica por dizer.
Mas, mais uma vez, é importante falar sobre as personagens e os seus dilemas interiores. Nem sempre é fácil gostar de todas elas, havendo em Bernard e Jordan algumas questões de empatia a ter em conta. Mas, quanto a Bernard, a impressão que fica é a de que mais haverá para contar. E quanto a Jordan, chega-se a um ponto em que é preciso aceitar a personagem tal como ela é - tão forte e corajosa como falível nas suas emoções humanas. Por outro lado, ao cada vez mais fascinante Rhun Korza, cuja natureza atormentada ganha clareza a cada nova recordação, juntam-se outras personagens igualmente complexas e marcantes, como a misteriosa Elizabeth, o inocente Tommy e o indecifrável Judas. À sua maneira, todas estas personagens deixam a sua marca. E, num livro em que a acção é uma constante, criam momentos tão surpreendentemente emotivos que dão toda uma nova vida à narrativa. 
Da soma de tudo isto, surge um resultado claro: um segundo volume que eleva e transcende as premissas do primeiro, tornando a história mais intensa, as personagens mais marcantes e o futuro... ainda mais promissor. São, pois, as melhores as expectativas para a conclusão desta trilogia. Que, neste livro, atinge um novo máximo. Muito bom. 

Título: Sangue Inocente
Autores: James Rollins e Rebecca Cantrell
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Livro das Coisas Boas (Marta Spínola)

O tempo passa. As coisas acontecem. As memórias ficam. E a verdade é que, por vezes, a tendência é para que sejam as coisas más as que ficam na memória durante muito, muito tempo. Então porque não guardar as coisas boas, escrevê-las, desenhá-las, fotografá-las para que fiquem para a posteridade? É esse o objectivo deste livro, tendo em conta que coisas boas não têm de ser apenas as grandes aventuras ou o dia mais feliz das nossas vidas, mas também as pequenas coisas: o filme que nos fez sorrir, o livro que nos comoveu, aquele elogio simpático que nos fez corar. Também isso importa. E também isso vale a pena guardar.
Uma das coisas mais interessantes destes livros criativos é, desde logo, o conceito de um livro que não só desafia o leitor a olhar para dentro de si mesmo, mas também a criar. E, se é verdade que, para quem é picuinhas com os livros (como eu) a ideia de profanar um objecto tão lindo com a minha letra pavorosa pode ser um tanto ou quanto... aterradora... também o é que basta passar algumas páginas para que venham à cabeça essas tais memórias que merecem se guardadas. Portanto, não, ainda não preenchi o livro. Mas bastou um primeiro olhar para despertar a recordação das tais coisas boas.
Outro aspecto que chama logo a atenção é o factor visual, em que as imagens se ajustam na perfeição às várias categorias enumeradas no livro, contribuindo também para alimentar a inspiração. E assim, além de um livro diferente, trata-se também de um livro bonito, o que acrescenta ainda um pouco mais à magia do conceito.
E depois há os pequenos textos a apresentar cada categoria. Sim, é provável que o mais importante seja o que quem o preenche tem para recordar. Mas há, naquelas curtas palavrinhas, uma certa insinuação de liberdade, quase como que uma compreensão sem reservas, que, além de inspirar, incentiva, pois realça o carácter pessoal e intransmissível das memórias. E assim, retira-lhe todos os julgamentos.
A soma de tudo isto é, pois, um desafio à criatividade - e, acima de tudo, à memória. Memória das coisas que nos fazem sonhar, das que nos fazem sorrir, das que nos fazem felizes. E é isso que tanto cativa para este Livro das Coisas Boas - um livro bonito, divertido, desafiante e que podemos tornar nosso. Para folhear, para ler... e, sim, para preencher. Recomendo. 

Título: O Livro das Coisas Boas
Autor: Marta Spínola
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A Viagem da Mente (B. P.)

Stuart está habituado a questionar tudo, a divagar por todas as possibilidades que se lhe apresentam. Mas está longe de imaginar a aventura que tem pela frente. Tudo começa quando Marla, habitante de um misterioso planeta, lhe aparece em casa a convidá-lo para uma viagem na sua nave. Fascinado pela sua existência, Stuart aceita sem hesitar e essa viagem leva-o a conhecer lugares de grande beleza - e grande horror. Há, contudo, algo que não bate certo. Tudo parece mudar sem explicação. E, quando perceber o que realmente está a acontecer, Stuart terá uma difícil decisão a tomar.
Bastante curto e com uma base bastante simples, este é um livro com uns quantos pontos fortes e algumas fragilidades, que se conjugam num equilíbrio ambíguo. Ambíguo porque, nalguns aspectos, surpreende pela positiva, enquanto que noutros fica a faltar algo mais. Mas vamos por partes.
O grande ponto positivo é a história propriamente dita. A viagem de Stuart pelos planetas, a explicação do que lhe está a acontecer, as próprias interacções com as outras personagens... em tudo isto há bastante potencial. E falo em potencial porque a verdade é que fica a ideia de que a história podia ser muito mais desenvolvida. Sendo certo que não deixa de cativar tal como é, ficam várias perguntas em aberto e a sensação de que muito mais haveria a explorar na narrativa. A caracterização dos planetas, os momentos de perigo, a própria situação que levou o protagonista ao ponto onde está. A ideia geral é clara. O potencial é bastante. Mas haveria mais a dizer.
Outro ponto forte é a mensagem positiva subjacente à história. Há, na visão de Stuart, uma linha muito clara entre o bem e o mal. E, se é certo que, na realidade, essa linha não é assim tão evidente, não deixa de ser cativante encontrar nas imagens deste mundo uma metáfora para a importância de fazer o que está certo. Mais uma vez, talvez houvesse mais a dizer sobre o assunto. Ainda assim, o essencial está lá.
Quanto aos pontos fracos, um deles é o que já referi: a sensação de que tudo acontece demasiado depressa, deixando coisas por dizer, aspectos por desenvolver. A história é interessante, sim, mas podia sê-lo ainda mais se todo esse potencial fosse mais explorado. O outro ponto tem a ver com algum descuido na revisão do texto, o que faz com que haja várias gralhas e erros recorrentes a quebrar o ritmo da leitura. 
A impressão que fica é, por isso, ambígua. Por um lado, uma ideia repleta de potencial, por outro, a sensação de que mais havia a fazer em termos de concretização. Mas, sendo um primeiro livro, sente-se também uma certa margem para evoluir. E, assim sendo, a ideia que fica é a de uma estreia com algumas fragilidades - mas interessante, ainda assim. 

Título: A Viagem da Mente
Autor: B. P.
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Todos Iguais, Poucos Diferentes (Morais de Carvalho)

Há muito tempo que sabe ser diferente e, por isso, vive uma vida bastante isolada. Mas também muito calma. Tendo como única amiga a velha vizinha, ele passa os dias a deambular, visitando os jardins para dar de comer ao gato que por lá anda e observando um mundo em que a normalidade é um fardo. Em tempos, chamaram-lhe anormal e esse peso ficou com ele a vida inteira. Mas eis que algo lhe desperta a curiosidade: uma mulher que parece ter uma vida perfeita e que, porém, é intensamente infeliz. Sente-se atraído pelo que julga ter em comum com ela. Mas não sabe que será essa mulher o seu ponto de viragem, rumo a uma verdade impossível de ignorar.
Não é muito fácil falar sobre este livro sem revelar demasiado da história, até porque o final lança uma nova luz sobre todos os acontecimentos anteriores. Mas o impacto desta revelação final já diz muito sobre o livro: uma história com bastante de estranheza e o que parecem ser algumas pequenas incongruências, que ganham um novo sentido com o desvendar da verdade. História de um homem que se sente diferente, que se sabe diferente, e que, através dessa mesma diferença, lança todo um novo olhar sobre a normalidade.
Narrado na primeira pessoa e centrado no que distancia o protagonista do resto do mundo, é um livro em que domina a introspecção. Mas é interessante notar que, apesar deste mergulho nas profundezas do pensamento do protagonista (com o qual é fácil, por vezes, concordar, e noutras discordar), o ritmo da narrativa nunca se torna demasiado denso. Há um mistério em torno do protagonista, bem como da mulher que ele tanto observa. E esse mistério mantém sempre viva a vontade de saber mais, de descobrir a verdade, de questionar as verdadeiras raízes da diferença. E essas, quando reveladas, mas também quando apenas insinuadas, despertam sentimentos bastante impressionantes.
Com pouco mais de 140 páginas, é um livro bastante breve. Mas, se tivermos em conta a história e a forma como tudo se desenrola, entrelaçando em medidas iguais pensamentos e acontecimentos, a verdade é que tudo parece ter a medida certa. E este equilíbrio torna-se ainda mais importante se se tiver em conta que grande parte do enredo se tece na fina linha que separa a realidade da alucinação.
A soma de tudo isto é, claro, uma muito boa surpresa. Um livro que se lê rapidamente, mas que se entranha na memória bem depois de terminada a leitura, e que, no seu olhar sobre a diferença, questiona o próprio conceito da normalidade que rege (ou não) a vida de cada um. Muito interessante, muito bonito... e muito bom. 

Título: Todos Iguais, Poucos Diferentes
Autora: Morais de Carvalho
Origem: Recebido para crítica

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Os Espiões do Papa (Mark Riebling)

Ficou para a história como "o papa de Hitler" pelo seu silêncio prolongado relativamente às atrocidades cometidas pelo regime nazi. Mas a história nunca é assim tão linear e se, na sua vida pública, Pio XII manteve, de facto, o silêncio durante a guerra, com excepção de alguns vagos protestos, já a acção clandestina foi bastante mais ampla. Em contacto com elementos da resistência alemã, terá desempenhado o papel de mediador para a paz, estando inclusive a par de várias tentativas de eliminar Hitler. E é desses contactos e das conspirações subjacentes que trata este livro.
Debruçando-se sobre um tema complexo e explorando-o através da história dos seus vários intervenientes, este é um livro que é também, inevitavelmente, complexo e, assim sendo, exige tempo e concentração intensa para assimilar todos os pormenores apresentados. Mas é também uma leitura cativantes, pois, acompanhando o percurso dos diversos intervenientes, adquire quase que a estrutura de um romance (ainda que de um romance particularmente descritivo). Claro que a vasta teia de intrigas que é traçada neste livro, bem como a complexidade do próprio contexto, exigem um amplo conjunto de nomes, datas e informações que requerem bastante atenção para assimilar. Ainda assim, a leitura nunca se torna demasiado pesada, o que, num livro como este, é sempre, à partida, um ponto forte.
Outro aspecto que pode despertar sentimentos ambíguos é o facto de o foco estar essencialmente sobre o Vaticano e a resistência Alemã, deixando para segundo plano (ainda que o essencial seja, de facto referido) as movimentações dos Aliados e também dos outros países do Eixo. Sobre estes, fica por isso a impressão de que mais haveria a dizer. Por outro lado, também é certo que muitas outras obras há sobre este tema e que, ao centrar-se, acima de tudo, nas relações entre Pio XII e a chamada Alemanha Decente, torna-se mais fácil a percepção do secretismo destas ligações e da importância do que estava em jogo.
Ainda um outro ponto que importa referir, e provavelmente o mais impressionante neste livro, é a capacidade do autor de apresentar tanta informação pertinente, tantos pormenores, ao mesmo tempo que nos conta uma história que, por vezes, quase se torna pessoal. A figura de Müller, com o seu tão importante papel na conjura, torna-se tão fascinante à luz daquilo que sobre ele é dito que quase se sente a tensão, o perigo, a agonia das suas circunstâncias. 
É isso, no fim, que fica na memória: a capacidade do autor de lembrar a quem o lê que estes factos são mais do que estatísticas no relato de uma guerra. São vidas, são pessoas, com princípios e valores. E a forma como o autor descreve tudo isto, realçando a humanidade dos intervenientes e o valor da causa sem perder de vista a realidade pura e dura é mais do que suficiente para fazer com que este livro valha a pena.
Esclarecedor, bem estruturado e muitíssimo interessante, trata-se, pois, de um livro com muito para revelar. Não, não é uma leitura compulsiva. Mas vale cada momento que lhe seja dedicado. 

Autor: Mark Riebling
Origem: Recebido para crítica

Para mais informações sobre o livro Os Espiões do Papa, clique aqui.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

No Reino de Gorjuss - Seis Histórias de Encantar (Santoro)

Aproximam-se dias de frio e chuva, com o Inverno a aproximar-se, e nada sabe tão bem como ficar em casa a ler uma boa história.E há histórias que perduraram através dos tempos, em múltiplas versões, mas com um ponto em comum: fizeram sonhar gerações de leitores. Branca de Neve, a Pequena Sereia, Polegarzinha... histórias de encantar que continuam a encantar. E é dessas histórias que é feito este livro.
Deixem-me começar por dizer isto: antes deste livro me vir parar as mãos, não fazia a mínima ideia da existência da Gorjuss. E importa dizer isto porque a verdade é que este desconhecimento não me impediu de ficar encantada com este livro. Visualmente falando, é uma pequena maravilha. Cheio de cor, com imagens lindas, muito dourado e um equilíbrio perfeito entre o texto e as imagens, este livro é todo um objecto de beleza. Basta um olhar para chamar a atenção e despertar a curiosidade para explorar o interior. E se é verdade que as histórias que contém são mais que conhecidas, também o é que nunca deixa de ser um prazer voltar a estes contos de encantar. 
Mas falemos das histórias. Nenhuma delas é propriamente nova e todas passaram por várias versões diferentes. Mas o facto é que são sobejamente conhecidas. E, neste livro, contadas de forma simples, mas cativante, e complementadas por um conjunto de imagens muito bonitas, proporcionam o regresso perfeito ao tempo em que as ouvimos ou lemos pela primeira vez. Além disso, para quem conhecer várias versões destes contos de fadas, há sempre aquela vontade adicional de saber qual delas vamos encontrar aqui.
Não há muito mais que se possa dizer sobre este livro sem lhe estragar a magia da descoberta. Por isso, fica, acima de tudo, esta ideia: a de um livro lindo por fora e por dentro, capaz de despertar toda a ternura de um regresso à inocência... e de encantar, sempre. Vale, pois, muito a pena conhecer esta pequena e adorável maravilha. Que recomendo, naturalmente. 

Título: No Reino de Gorjuss - Seis Histórias de Encantar
Autores: Santoro
Origem: Recebido para crítica