terça-feira, 7 de março de 2017

How to Get a (Love) Life (Rosie Blake)

Nicola Brown não é uma mulher aventureira. Alguns anos antes, o namorado partiu-lhe o coração e, desde então, habituou-se a estar sozinha. Mas quando uma colega a desafia a arranjar um encontro para o dia de São Valentim, Nicola começa a perguntar-se se é realmente assim tão feliz sozinha. E portanto, abre a mente e começa a sair… sem parecer dar-se conta, por entre uma série de encontros desastrosos, que a pessoa certa para ela pode estar mais perto do que pensa.
Parte do encanto desta história leve e engraçada é o facto de fazer lembrar uma comédia romântica, com os seus episódios bizarros, procura desesperada da felicidade e… bem, passos desastrosos em direcção a ela. Nicola está relutante em aceitar o desafio, depois em conhecer os homens que a amiga e o irmão lhe querem apresentar… e parece ter razão, ainda que pelas razões erradas. Esta é a parte mais engraçada deste livro – os encontros estranhos, as personagens peculiares e a forma como a protagonista reage a tudo isto e persiste.
Mas, claro, também há romance à espera de acontecer. E, ainda que a solução para o problema de Nicola seja, de facto, um pouco previsível – não é assim tão difícil adivinhar quem é, na verdade, a pessoa certa para ela – as coisas por que tem de passar para lá chegar e todas as circunstâncias que rodeiam as suas aventuras são bastante cativantes. E, sim, talvez o fim seja um pouco apressado, mas funciona, deixando o suficiente à imaginação e, de alguma forma, compensando por todas as aventuras falhadas na vida da protagonista.
Quanto às personagens, o traço mais cativante está no sentido de humor. Mark, e a sua adorável e surpreendente relação com a irmã. Caroline, com toda a sua exuberância. James, aparentemente tão sério, mas com um óbvio coração de ouro. E, claro, Nicola, insegura, mas finalmente disposta a seguir em frente e a ir por aí. São todos personagens interessantes e, juntos, fazem uma boa história.
Portanto, com boas personagens, muita diversão e a medida certa de romance à espera de acontecer, tudo se conjuga numa leitura leve, engraçada e cativante. E um bom livro para animar um dia mau.

Título: How to Get a (Love) Life
Autora: Rosie Blake
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 6 de março de 2017

Divulgação: Novidade Topseller

Um rei em busca da vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.​​
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados, do Império Arruinado, reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.

Mark Lawrence um escritor britânico, casado, pai de quatro filhos e, além de romancista, é também investigador no campo da inteligência artificial, tendo já colaborado com os governos norte-americano e britânico.
Estreou-se na escrita com Príncipe dos Espinhos, em 2011, também publicado pela Topseller. Esta obra foi finalista dos prémios Goodreads Choice Award, na categoria de Melhor Livro Fantástico 2011, entre outras importantes nomeações.
Traduzido em mais de 20 línguas, Mark Lawrence é ainda autor de outras séries bestseller como The Red Queen’s War.

domingo, 5 de março de 2017

Cidade sem Alma (Ransom Riggs)

Desde que descobriu a sua peculiaridade, Jacob mal teve tempo de assimilar a teia de enigmas em que, sem querer, se envolveu. E as coisas não estão prestes a ficar mais calmas. A Senhora Peregrine foi raptada e eles conseguiram recuperá-la - mas agora ela não consegue voltar à sua forma humana, e as crianças peculiares precisam de encontrar ajuda. Mas os errantes e os sem-alma estão em todo o lado. A única pista que têm aponta para Londres, mas, para lá chegar, precisam de evitar não só os errantes, mas também as vicissitudes da guerra em curso no tempo em que agora se movem. Peculiares e poderosos, não são, ainda assim, invulneráveis - mas não há alternativa. Para salvarem a Senhora Peregrine, precisam de enfrentar os perigos que os esperam ao longo do caminho. E o tempo está a esgotar-se para todos eles...
À semelhança do sucedido com o volume anterior, este é um livro que prende, em primeiro lugar, pelo aspecto visual. As muitas e invulgares fotografias que surgem a acompanhar a história chamam desde logo a atenção para um enredo que promete mistérios - e que os apresenta, de facto. E, além de funcionarem em si mesmas como um aspecto apelativo, reforçam e muito a aura misteriosa que parece acompanhar toda esta série, dando rostos às personagens e uma paisagem aos vários locais por onde estas se movimentam. 
Sendo certo que é este o primeiro aspecto a cativar, também o é que está muito longe de ser o único. E, mais uma vez, volto ao mistério para referir o que parece ser um delicado equilíbrio entre continuidade e evolução. Continuidade, pois continua a acompanhar a mesma história e as mesmas personagens do volume anterior. Evolução, pois prossegue com a expansão que começava já a notar-se na fase final do primeiro livro, expandindo a história, as lendas e o modo de vida dos peculiares a um mundo muito mais vasto e complexo do que à primeira vista seria de esperar. 
E há muito para descobrir neste estranho mundo, desde os vários tipos de peculiaridade, aos planos e intenções dos errantes, passando pelas possíveis ligações entre ambos e ao tipo de coisas que são capazes de fazer. Mas, além deste fascinante mundo peculiar, também a forma como ele é desenvolvido cativa: ao ritmo de um enredo que é uma corrida contra o tempo e em que há sempre uma reviravolta à espera de acontecer. A curiosidade surge facilmente e, a cada nova revelação, o fascínio cresce. E tanto mais porque, além dos perigos, das descobertas e da necessidade premente de agir, há também neste enredo um conjunto de situações caricatas e emotivas que lhe conferem uma maior intensidade. 
Tudo somado, a imagem que fica deste Cidade sem Alma é a de uma evolução notável a partir de um primeiro livro já muito bom. Intenso, misterioso, surpreendente, eleva ainda mais a fasquia para o que virá a seguir. E fica na memória, quer pela história, quer pelas personagens que a povoam. Recomendo. 

Título: Cidade sem Alma
Autor: Ransom Riggs
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 3 de março de 2017

Divulgação: Novidade Topseller

Ele espia. Ele aguarda. Ele mata.
Ninguém está em segurança...
Um corpo não identificado, do sexo feminino, é trazido para a morgue. A causa da morte está longe de ser clara. O corpo não tem outras marcas, excepto o pormenor macabro de a boca e as partes íntimas terem sido costuradas. A autópsia revela, no entanto, outra descoberta chocante: o assassino deixou algo dentro do corpo da vítima! Algo tão aterrador que o detective Robert Hunter, da Unidade Especial de Homicídios da Polícia de Los Angeles, é de imediato chamado para tomar conta do caso.
A investigação de Hunter acaba por se cruzar com a da sua colega Whitney Meyers, e torna-se claro para ambos que o criminoso é um impiedoso e perfeccionista serial killer de mulheres, obcecado com os segredos do passado.

Chris Carter nasceu no Brasil mas cedo se mudou para os Estados Unidos, onde se formou em Psicologia, com especialização em Comportamento Criminal, na Universidade de Michigan.
Foi psicólogo criminal durante vários anos antes de se mudar para Los Angeles e depois para Londres, onde tocou com artistas conhecidos, até que deixou tudo para se tornar escritor a tempo inteiro. Hoje, aplica na escrita a sua experiência de vários anos enquanto psicólogo criminal e já publicou seis volumes da série policial Robert Hunter, todos eles bestsellers internacionais.
Os seus livros já foram traduzidos para 14 línguas e são autênticos êxitos de vendas na Dinamarca e na Alemanha. Neste último país, Chris Carter já vendeu mais de um milhão de exemplares.

Divulgação: Novidade Porto Editora

Portugal, início do século XIX: John Zarco Stewart, filho de uma judia portuguesa e de um escocês, é uma criança endiabrada, sensível e profundamente curiosa, herdeira sem o saber de uma fé amortalhada em três séculos de secretismo. Mas um período de perda e amargas revelações põe um fim abrupto à sua inocência, e só a misteriosa intervenção de um carismático curandeiro, trazido de África para o Porto pelo pai, consegue salvá-lo. Profundo conhecedor da sabedoria milenar do seu povo e antigo escravo, Meia-Noite tornar-se-á o maior amigo de John e determinará o curso do seu destino.
Quando as tropas de Napoleão invadem Portugal, a violência vem perturbar a frágil paz de John. À medida que tudo em volta parece ruir, John desvenda as verdades e mentiras escondidas por aqueles que mais amava e em quem mais confiava. E, já adulto, descobre o ato de imperdoável traição que em última instância devastou a sua família - e que ameaça destruir a sua fé. Para redimir crimes passados, John percebe que deve fazer uma viagem longínqua e perigosa aos Estados Unidos da América.

Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heights, um subúrbio de Nova Iorque. Fez um bacharelato em Religião Comparada na Duke University e um mestrado em Jornalismo na Stanford University. Trabalhou como jornalista durante oito anos, principalmente na região de São Francisco. Em 1990 foi viver para o Porto, onde leccionou Jornalismo, primeiro na Escola Superior de Jornalismo e depois na Universidade do Porto. Tem actualmente dupla nacionalidade, americana e portuguesa. Depois do grande sucesso de O último Cabalista de Lisboa, o seu primeiro romance, Richard Zimler publicou mais de dez livros, entre os quais romances, livros para crianças e uma colectânea de contos.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Palavra de Rato (James Patterson e Chris Grabenstein)

Ao ver o Isaías pela primeira vez, o que a maioria das pessoas faz é gritar. Primeiro, porque ele é um rato. E, além disso, porque é azul. Mas não é essa a única diferença do Isaías: é invulgarmente esperto e sabe ler e escrever. Qualidades que lhe serão bastante úteis, quando, após a tentativa de fuga da sua família, ele se vê sozinho no exterior, depois de todos os seus muitos irmãos terem sido novamente capturados e levados para o  laboratório. Ora, o Isaías não é propriamente corajoso - ou, pelo menos, é isso que pensa. Mas, com muitos perigos pela frente e bons amigos à espera de serem descobertos, o pequeno ratinho talvez esteja prestes a descobrir que ser corajoso é muito, muito diferente de não ter medo. 
Num registo completamente diferente (mas não propriamente invulgar) daquilo que eu conhecia de James Patterson, uma das primeiras coisas a chamar-me a atenção neste livro é que continua a ser fácil reconhecer os habituais traços característicos: capítulos curtos, escrita directa, acção constante. E é interessante, desde logo, reparar que este estilo de escrita resulta tão bem neste tipo de história como nas suas muitas séries de thrillers viciantes. Mas, se da escrita não há muito mais a mencionar, além deste estilo directo e simples que se ajusta perfeitamente também a este tipo de história, sobre o enredo em si há certamente mais a dizer.
A história deste Palavra de Rato é, na sua essência, muito simples: um rato de laboratório que descobre a liberdade - e os perigos - do mundo exterior, encontra inimigos e aliados e tem de escolher entre fugir para longe do perigo ou enfrentá-lo e salvar a família que ficou para trás. E basta esta visão sucinta para reconhecer os elementos que sobressaem: primeiro, a importância da coragem face aos perigos e dificuldades, e segundo, a importância da amizade e da família. Mas há mais: a situação da família de Isaías levanta a questão do que se passa nos laboratórios em que se fazem experiências com animais. E a cor de Isaías, bem como a reacção geral dos humanos aos ratos, realçam a importância de lidar com a diferença, reconhecendo, acima de tudo, o seu valor e a existência de pontos comuns. 
Mas há mais. É que todas estas questões pertinentes vão surgindo ao longo de um enredo em que há sempre qualquer coisa a acontecer, seja uma fuga pela vida, uma situação inusitada (e divertida) ou a descoberta de um qualquer sentimento inesperado. E é isso que torna a história tão interessante, pois as ideias transmitem-se melhor pelo exemplo que pela palavra. E a forma como a história é narrada (e ilustrada, neste caso, pois as ilustrações acrescentam também envolvência à história) torna essa mensagem mais clara. Demasiado simples, às vezes? Sim, fica a vontade de saber mais sobre algumas das personagens. Mas o essencial está lá - e é mais do que suficiente. 
A impressão que fica é, portanto, a de uma história leve e divertida, mas com muitas questões relevantes em pano de fundo. Uma história de amizade e de coragem para lá do medo e da diferença, que vale bem a pena ler. Gostei. 

Título: Palavra de Rato
Autores: James Patterson e Chris Grabenstein
Origem: Recebido para crítica

quarta-feira, 1 de março de 2017

Entrevista a João Reis

Se já me visitam há algum tempo, é provável que já me tenham visto falar sobre a escrita do João Reis - e sabem que sou fã. E, tendo em conta o lançamento mais recente - que, como já devem saber pelo post anterior, adorei - que melhor altura para me estrear com uma entrevista? Aceite o desafio, deixo-vos com as respostas - esperando que gostem de conhecer um pouco melhor o autor.

1. Olá, João. Começo pela pergunta óbvia: como é A Avó e a Neve Russa visto pelos olhos do autor?
Olá, Carla. Para mim, o A Avó e a Neve Russa é um livro que queria realmente escrever, é o desafio de escrever um romance de inocência e de otimismo face à adversidade sem que, com isso, se tape com a peneira as dificuldades da vida como ela é. Guardo-o com ternura e o narrador/ protagonista é a criança que gostaria de ser enquanto adulto. Numa visão do mundo que, todavia, jamais sobrevive ao choque com a realidade. 

2. Este livro foi escrito no decurso de uma residência literária. Como foi essa experiência e em que medida achas que influenciou o teu processo de escrita?
Foi a minha primeira residência literária e, embora não tenha, para já, termo de comparação, adorei a experiência. A estadia de 2 meses em Montreal foi crucial para escrever este livro, tanto pelo tempo que passei afastado das minhas rotinas, quanto pelas vivências que adquiri no Canadá. Como a ação do livro decorre na sua maioria em Montreal, retirei a inspiração das ruas da cidade: as personagens, os sítios, a melancolia, a alegria, o medo da solidão. Além de toda esta envolvência, e apesar de ter também feito algumas traduções nessa minha estadia, creio que a residência também me instigou a terminar o romance dentro do prazo, algo deveras importante tendo em conta a minha agenda. Em suma, sem a residência literária, este livro não teria sido escrito. 

3. Há um contraste neste teu novo livro que é especialmente marcante: entre a inocência do protagonista e a crueldade global da vida. O que te levou a escolher este ponto de vista para contar esta história?
O ponto de vista é essencial para o romance e molda toda a narrativa. Parti do princípio que escreveria sob a perspetiva de uma criança, e que tentaria ao máximo ver o mundo dos adultos - e todas as agruras, crueldade e indiferença que este contém - com os olhos ingénuos de um menino de 10 anos. Embora seja uma opção difícil e até arriscada, uma vez que o escrevi com 30 anos e, portanto, estando já longe da minha infância, pareceu-me necessária para escrever esta história e desenvolvê-la como queria. Nada melhor do que o olhar inocente e por vezes irónico de uma criança para criar o contraste entre o belo e o feio, entre o bom e o mau, entre o sonho e a realidade. 

4. Se tivesses de indicar influências e autores favoritos, quais seriam os teus?
É difícil cingir-me a alguns nomes, mas aponto, em linhas gerais, Knut Hamsun, Louis-Ferdinand Céline, Fiódor Dostoiévski, Nadine Gordimer, Bohumil Hrabal, Saul Bellow, Gabriel Chevallier, Pär Lagerkvist, Patrick White. 

5. Mudemos um pouco de assunto. Além de autor, também és tradutor. De que forma se conjugam para ti essas duas facetas do mundo literário?
Bem, nem sempre é fácil conjugá-las... A tradução ocupa a maior parte do meu tempo, visto ser o meu ganha-pão. Assim, resta-me bem menos tempo para escrever do que aquele que desejaria, pois não consigo escrever enquanto traduzo (vejo-me obrigado a entrar no estilo e no tom do autor que estou a traduzir e não o consigo conjugar com o meu). Esta situação leva-me a aproveitar os poucos dias livres para escrever, ao mesmo tempo que me faço sempre acompanhar por um caderno, no qual anoto as minhas ideias. Algumas perdem-se... Felizmente, sou rápido a escrever assim que a ideia amadurece. 
Por outro lado, a tradução de certos livros é uma mais-valia, na medida em que me encontro mais próximo dos textos e posso daí retirar, ainda que inconscientemente, certas lições. 

6. E como vês o panorama literário nacional, enquanto  autor e enquanto tradutor?
O panorama literário nacional tem um pouco de tudo: bons autores/ autoras, outros que não trazem nada de novo... Creio que as dificuldades para aparecer não se restringem aos autores portugueses, mas também aos autores estrangeiros traduzidos para Português. Aposta-se quase sempre nos mesmos nomes, há pouco espaço para a novidade. A edição portuguesa em geral é bastante conservadora e parte-se do princípio que se é novo, é mau. E não é fácil vender-se livros no nosso país. 
Penso que se lê mais do que se lia, sem dúvida, e que há alguma esperança. Contudo, gostaria de ver um pouco mais de ousadia na edição portuguesa. Os autores e os livros estão aí: resta aos editores dar um passo em frente e não viver no constante «medo» de chocar, de não agradar. A arte é feita de riscos. 

7. Agora que este livro anda à solta por aí, quais são os  teus próximos projectos?
Dado o ritmo de trabalho enquanto tradutor a que estou sujeito, não sei ao certo dizer quando apresentarei um novo livro. Escrevi um romance que submeti ao meu editor, apesar de ter ainda de lhe acrescentar vários capítulos e limar certas arestas. É um romance cuja ação decorre na Primeira Guerra Mundial, sendo narrado por um oficial português que se vê aprisionado num campo para não-oficiais e é posteriormente transferido para uma fábrica de munições. Posso dizer que é um tanto-quanto picaresco e que recorre ao humor negro. Pretendo terminá-lo assim que possível e garantir a sua edição.
Além disso, conto realizar mais algumas residências literárias ainda este ano (tenho uma agendada para 2018). 

8. E termino também com uma pergunta óbvia: o que te inspira?
Ora aí está uma pergunta difícil... Creio que um pouco de tudo: os livros que leio, as observações que faço quando viajo ou caminho pelas ruas, a minha experiência de vida, os filmes que vejo. De um modo sucinto, a vida em geral, conquanto apreendida pelo meu ponto de vista. E, claro, todas estas ideias passam pelo crivo daquilo que na minha opinião deve ser a literatura. 

Resta-me agradecer ao João a paciência e as respostas interessantíssimas, e acrescentar que fico desde já à espera de novos livros para descobrir. Até lá, espero que tenham gostado da entrevista e que descubram também o maravilhoso A Avó e a Neve Russa