terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Na Cama dos Reis (Juliette Benzoni)

Usados como forma de estabelecer ou solidificar uma aliança, ou então para adquirir prestígio ou poder, os casamentos reais nunca tiveram o amor como prioridade. O primeiro encontro dos noivos ocorria, muitas vezes, diante do altar, ou já depois das cerimónias concluídas. Era rara, por isso, a existência de familiaridade ou afecto entre o casal, o que, aliado às circunstâncias mais ou menos dramáticas da união, terá dado origem a várias situações complicadas - ainda que também a algumas uniões entusiásticas. O que este livro apresenta é um conjunto de pequenos relatos sobre as noites de núpcias da realeza (e até as atribuídas, pelos seus devotos, a alguns deuses). Os episódios vão do trágico ao caricato e são sempre muito interessantes.
Um dos aspectos mais cativantes deste livro é a forma como, na narração relativamente breve de cada episódio, a autora consegue transmitir uma perspectiva bastante clara e humana dos seus protagonistas, criando empatia e interesse tanto pela situação como pelos que a vivem. Isto é mais evidente nos episódios mais dramáticos, e principalmente naqueles em que intervêm figuras particularmente cruéis ou particularmente inocentes, mas praticamente todos os episódios têm algo capaz de recordar a humanidade dos seus protagonistas e, ao reconstruir os diálogos mais importantes, a autora reforça o impacto das situações narradas.
À forma sempre cativante como a autora narra os acontecimentos, juntam-se os acontecimentos em si, já que também o contexto histórico em que decorrem as diferentes uniões (muitas das quais dizem respeito à corte francesa, mas nem todas) tem muito de interessante a descobrir. Cada episódio é, por si só, uma interessante introdução ao contexto da época em que decorre. Além disso, considerando diferentes episódios, ocorridos na mesma corte mas distantes no tempo, é possível ver, em linhas gerais, algumas das mudanças sofridas nesse mesmo ambiente, através dos tempos.
Leve e envolvente, este é, pois, um interessante conjunto de curiosidades históricas. Cativante pelo contexto das épocas em que decorre cada situação e também pela forma como a autora narra esses diferentes episódios (tendo sempre em vista a humanidade dos seus protagonistas), uma leitura agradável e com muito de interessante para descobrir. Muito bom, em suma.

Novidades Planeta


Uma mulher e um achado assombroso que revela instantâneos de uma juventude enterrada na rotina dos dias.  
Um passado vivido ao longo dessa emblemática estrada que liga a dourada sociedade da Linha de Cascais à cidade de Lisboa.  
Onde começa a margem e termina o «dever ser» para uma jovem portuguesa, nas décadas de 50 a 70 do século passado?  
Pode uma dúzia de imagens de um passado rebelde abalar a calma de um presente sem cor?  

Cristina Carvalho nasceu em Lisboa a 10 de Novembro de 1949. Durante a sua actividade profissional, contactou com milhares de pessoas e visitou inúmeros países, sendo a Escandinávia e o Oeste português as regiões que mais ama e que mais influência exercem sobre o seu imaginário e a sua personalidade enquanto transitório ser humano do sexo feminino, habitante do planeta Terra e, por acaso, escritora.  
Não por acaso, nesta sua actividade a que não chama profissional, é já autora de onze livros, com o presente, e outros se seguirão.  
Até à data, tem publicados: Até já não É Adeus (1989); Momentos Misericordiosos (1992); Ana de Londres (1996); Estranhos Casos de Amor (2003); O Gato de Uppsala (2009); Nocturno: o Romance de Chopin (2009) e Lusco-Fusco (2012) (os três últimos seleccionados para o Plano Nacional de Leitura); Tarde Fantástica (2011); A Casa das Auroras (2011); Rómulo de Carvalho/António Gedeão – Príncipe Perfeito (2012).

Sam Savage criou personagens que fascinaram o mundo. 
Em As Recordações de Edna, o autor regressa, mais uma vez, com uma personagem marcada pela contradição – ao mesmo tempo atraente e exasperante, cómica e trágica. 
O livro transporta-nos ao campo de batalha interior de um autor frente à sua máquina de escrever. 
Quando uma editora lhe solicitou que escrevesse um prefácio ao romance do seu falecido marido, Edna decide escrever um livro autónomo «não apenas sobre Clarence mas também sobre a minha vida, porque ninguém pode aspirar a conhecer Clarence sem isso». 
Ao mesmo tempo, a vizinha pede-lhe que tome conta do seu apartamento repleto de plantas e animais. As exigências dos seres vivos – uma ratazana, peixes, fetos – competem pela atenção de Edna com recordações há muito reprimidas.  
Dia após dia, páginas de pensamentos aparentemente aleatórios brotam da sua máquina de escrever.  
A pouco e pouco, toma forma no mosaico de memórias a história de um casamento notável e de uma mente levada ao limite. 
Serão as recordações de Edna uma homenagem ao marido ou um acto de vingança?  Terá sido a vítima culta e hipersensível de um marido bruto e ambicioso, ou terá ele tido que cuidar de uma mulher neurótica?  
Cabe ao leitor decidir.

Sam Savage é doutorado em Filosofia pela Universidade de Yale, onde leccionou algum tempo. Abandonou o ensino para se dedicar a outras actividades. Trabalhou como mecânico de bicicletas, pescador profissional e impressor tipográfico. 
Aos 65 anos estreou-se na literatura com Firmin (Planeta, 2009), uma obra carismática, que alcançou rapidamente um grande êxito em todo o mundo, a que se seguiu O Grito da Preguiça (Planeta, 2010). 
Sam Savage foi finalista dos Prémios Barnes & Noble Discover Great New Writers Award, do PEN L.L. Winship Award e Society of Midland Writers Award. 
Natural da Carolina do Sul, vive em Madison, Wisconsin. 

No submundo mágico da Londres vitoriana, Tessa Grayencontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombras.  Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substituí-la como chefe do Instituto.  
Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua – e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros.  
Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado  e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombras é pessoal.  
Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Magister sabe de todos os seus movimentos… e que um deles os traiu.  
Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confiança.  
Mas algo está a mudar em Will… a parede que construiu à sua volta desmorona-se.  
A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro.

Cassandra Clare nasceu no Irão e passou os primeiros anos a viajar pelo mundo com a família e vários baús cheios de livros de fantasia, entre os quais As Crónicas de Nárnia. 
Mais tarde, trabalhou como jornalista em  Los Angeles e Nova Iorque. Cassandra Clare vive em Massachusetts com o marido, os gatos e ainda mais livros. 
Caçadores de Sombras é o título da trilogia que começou com A Cidade dos Ossos, uma fantasia urbana povoada por vampiros, demónios, lobisomens, fadas, e que é um autêntico romance de acção explosiva. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Os Inocentes (David Baldacci)

Will Robie é um assassino profissional ao serviço do estado. Não lhe compete questionar as suas ordens. Quando um alvo lhe é atribuído, cumpre a sua missão, sem perguntas e sem deixar pistas. É a sua eficiência que lhe permite sobreviver. Mas tudo muda quando uma missão corre mal. Ao ver as vítimas, Will sente que há algo de errado a acontecer e recusa-se a disparar. Mas alguém cumpre a missão por si e Will sabe que isso o transforma num alvo a abater. O problema é que nem o seu cuidadosamente planeado plano de fuga é assim tão infalível. E tudo muda quando se cruza com Julie, uma adolescente que viu os pais morrer e que está também em fuga. Will e Julia não parecem ter outra alternativa que não tornarem-se em aliados... até porque as suas histórias talvez tenham mais pontos em comum do que imaginam.
Capítulos curtos, um estilo de escrita directo e envolvente e um enredo cheio de acção são alguns dos elementos característicos dos livros deste autor. São também parte essencial do que torna os seus livros viciantes, e este não é excepção. Na história de Os Inocentes, há sempre algo a acontecer, a acção é constante e as personagens estão numa constante corrida contra o tempo. Além disso, há todo um mistério a desvendar na conspiração que, sem que estes a compreendam por completo, se expande em torno dos protagonistas, um enigma cujas motivações é preciso descobrir através de escassas pistas e algumas recordações. Todos estes elementos conjugados servem de base a uma história de leitura compulsiva, rica em momentos intensos e impossível de largar, tal é a vontade em saber o que vai acontecer a seguir - e que razões explicam o que já aconteceu.
A esta história cativante e intensa junta-se uma outra característica importante e que o autor gere da melhor forma: a caracterização das personagens. Tendo em conta o ritmo dos acontecimentos, e a necessidade das personagens de estarem sempre em movimento, a caracterização do que os define é feita de forma gradual, à medida que os seus passados e formas de agir são relevantes para os acontecimentos. É, também, feita mais por acções que por palavras, o que torna maior o impacto dos seus actos. Isto é particularmente evidente em Will. Personagem carismática e surpreendente, tem os traços expectáveis de um assassino profissional, mas tem também uma complexidade de sentimentos e princípios que, revelada aos poucos através da sua interacção com as outras personagens, o torna simplesmente fascinante. O mesmo acontece, ainda que em menor grau, com Julie. Diferente, a todos os níveis, do estereótipo da adolescente comum, consegue ser, ao mesmo tempo, forte e vulnerável, despertando empatia tanto pela sua situação delicada como pela forma como encara as circunstâncias.
É, portanto, o equilíbrio de todos estes elementos o que faz de Os Inocentes a história intensa e viciante que é. Ao conjugar uma intriga nas mais importantes esferas de poder com a acção pessoal (e, por vezes, quase isolada) de Will e dos seus poucos aliados, o autor constrói uma história intrigante e envolvente, capaz de surpreender a cada nova revelação, seja ela respeitante à conspiração em causa ou à história pessoal dos seus protagonistas. 
Persnagens carismáticas e um enredo em que acção e emoção são conjugadas nas medidas certas são, pois, os grandes pontos fortes deste livro em que todos os elementos são explorados da melhor forma, para criar uma história intrigante e de ritmo compulsivo. Viciante da primeira à última página, este é um livro que não posso deixar de recomendar. Muito bom.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Mafalda de Saboia (Diana de Cadaval)

Nasceu Matilde de Mouriana e sempre soube que o seu destino estava numa corte estrangeira. Mas, ao chegar a Portugal, com um novo nome e um papel a desempenhar no reconhecimento do reino, a agora rainha Mafalda está longe de imaginar que a sua vida seria de pouco mais que infelicidade. Tratada como um objecto, desejada apenas para fins políticos e para garantir a continuidade da dinastia, tenta elevar os interesses do reino e a vontade de Deus acima dos seus próprios, suportando com paciência o temperamento intempestivo do marido e a solidão que parece ser a sua única companhia. Aprende a ser rainha, mais que mãe e mulher, mas guarda por dentro a infelicidade da sua condição.
Relativamente breve e narrado na primeira pessoa, este livro centra-se essencialmente na vida de D. Mafalda e, portanto, na sua perspectiva dos principais acontecimentos históricos do seu tempo. Isto leva a que acontecimentos como a conquista de Santarém e de Lisboa sejam desenvolvidos de forma relativamente sucinta, já que o relato é condicionado pelo ponto de vista da protagonista. Mas isto não torna a história menos interessante. Há uma boa contextualização e uma considerável componente descritiva a servir de base à história da rainha, o que mantém presente o contexto da época, mesmo nos factos menos desenvolvidos. Além disso, ao contar a história do ponto de vista de D. Mafalda, a autora constrói um retrato mais próximo da sua protagonista, sendo fácil compreender, quer pelo tom como a história é narrada, quer pelos ocasionais momentos emotivos, a melancolia que prevalece nas emoções da rainha.
É D. Mafalda a personagem em destaque, daí que seja a sua caracterização a mais completa, já que os que a rodeiam são apresentados segundo as suas percepções. Há, ainda assim, algumas personalidades cativantes em seu redor, com destaque para D. Teresa (cujo segredo acaba por ser uma das revelações mais interessantes), a contrastar com figuras como a do rei, cujos defeitos parecem estar em evidência neste livro.
Ainda um outro ponto interessante está na forma como a autora conjuga os factos históricos com uma narrativa que tenta ser um relato, o mais pessoal possível, da vida de Mafalda, acrescentando-lhe ainda alguns elementos lendários. A presença do divino é quase inevitável, tendo em conta as lendas associadas ao fundador, e a forma como a autora o associa aos factos conhecidos, contribui para manter a envolvência do enredo, tornando cativantes mesmo os acontecimentos menos desenvolvidos.
Envolvente e de leitura agradável, este é um livro que conjuga um bom contexto histórico (ainda que, nalguns momentos, exposto de forma relativamente sucinta) com os elementos mais interessantes das lendas e uma perspectiva pessoal e humana da sua protagonista. O resultado é uma história cativante. E uma boa leitura.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Vingança das Vagas (José Teles Lacerda)

Bernardino Gávea habitou-se a adormecer embalado pelas histórias do seu velho avô. Histórias de ninfas e de piratas, de navios naufragados e de terras inóspitas por descobrir. Mas a sua história preferida sempre foi a de Santa Marta do Mar e de como, no ano de 1506, trinta e sete almas foram enviadas para colonizar essa ilha inóspita, numa viagem amaldiçoada e cheia de dificuldades. A história dessa viagem e, principalmente, de Martim Sancho, um sonhador grumete no navio que transportava os colonos, sempre inspirou sonhos na mente de Bernardino, fascinado pela história da tormentosa viagem e dos espíritos e criaturas a ela associados. Mas à narração das tragédias e aventuras dos colonos de Santa Marta do Mar junta-se uma jornada mais pessoal, a do crescimento de Bernardino e da forma como as suas próprias fantasias o protegem de uma realidade difícil. É que, por mais sonhos contidos que alimentem uma vida, mais cedo ou mais tarde é preciso crescer...
Alternando entre dois tempos diferentes, cada um com diferentes protagonistas, este é um livro que parte de um ritmo relativamente pausado, com alguns momentos de estranheza, para se entranhar, aos poucos, no pensamento do leitor. No início, há uma forte componente descritiva, que, aliada à caracterização de muitas personagens, cujas relações são ainda indefinidas, impõe uma certa lentidão ao desenrolar dos acontecimentos. Mas tudo muda a partir do momento em que as personagens se tornam familiares. Então, os seus medos e preocupações tornam-se fáceis de entender e é fácil sentir empatia para com as suas aventuras e dificuldades. Além disso, a ligação emocional começa a estabelecer-se não só pela compreensão das suas motivações, mas também pela intensidade de alguns momentos, quando situações de perda ou esperanças que se desvanecem são expostas de uma forma capaz de partir um coração em poucas palavras.
Além de uma boa contextualização do ambiente em que decorrem as duas histórias principais do livro, com uma caracterização bastante precisa quer da vida nas naus, quer das dificuldades económicas da vida piscatória, vários séculos mais tarde, há ainda um outro elemento a tornar o enredo particularmente interessante. Trata-se, claro, da presença de elementos sobrenaturais e das diferentes formas em que estes se revelam, quer nas fantasias mais ou menos inocentes das personagens, quer enquanto presença efectiva nalguns dos acontecimentos mais marcantes de todo o enredo. Cria-se, através destas presenças enigmáticas, um cativante tom de mistério que torna a história um pouco mais intrigante, acrescentando ao seu lado mais trágico um pouco de sonho e de fantasia.
Com muito de aventura e de mistério, quer na história de Martim, quer nas fantasias de Bernardino, nem tudo neste enredo encontra uma conclusão definitiva. Fica, ainda assim, a impressão de que ambiguidade no fim de algumas partes da história acaba por ser a conclusão mais adequada, deixando a quem lê a possibilidade de imaginar o que acontece depois, na vida das personagens depois da história.
Esta é, assim, uma história em que a realidade e a fantasia se misturam, num conjunto de aventuras e de tragédias que, de vida ou morte, ou de vida depois da perda, acabam por cativar tanto pelo mistério e pela magia como pelo impacto emocional das pequenas coisas. Trata-se, pois, de uma história envolvente, que, apesar do início um pouco confuso, acaba por se revelar uma boa leitura. Gostei, portanto.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A Noiva Despida (Nikki Gemmell)

Todos a vêem como a boa esposa, dedicada ao marido e disposta a condescender em todas as suas vontades. Mas só ela sabe o que vive no seu pensamento, as fantasias que lhe vêm à cabeça nos momentos mais inesperados. E quando, em plena lua-de-mel, ela encontra o marido ao telefone com a melhor amiga, ela sabe que já não lhe basta ser a boa esposa e viver as fantasias apenas em pensamento. Há algo dentro dela que está pronto a surgir à superfície e, quando se cruza pela primeira vez com um homem que desperta os seus desejos mais secretos, ela põe de parte o seu papel de esposa resignada. E começa então a sua liberdade, numa vida dupla e com muitas dúvidas, mas mais satisfatória do que tudo o que experimentou até então.
Escrito em capítulos curtos e de forma envolvente, este é um livro que, centrado essencialmente na evolução pessoal da protagonista, aborda, ainda assim, várias questões relevantes no que respeita à vida conjugal. Ao contar a história na forma de um quase diário, ainda que com a protagonista dirigindo-se a si mesma como se de uma observadora se tratasse, a autora consegue, desde logo, criar uma impressão de proximidade relativamente aos acontecimentos que estão a ser narrados. Além disso, a forma como a relação entre a protagonista e o marido evolui - na sequência da nova vida dela, mas não só - reflecte bem as diferentes fases de uma relação. O peso de uma traição ora parece ser imperdoável, ora um percalço após o qual a vida continua. A vida a dois, tal como é retratada neste livro, é tudo menos serena, mas também está longe de ser completamente caótica. Tem fases, condicionadas pelos segredos e pelas experiências, tal como na realidade.
Ainda que o desenvolvimento da relação não se limite ao sexo, este tem um papel fundamental ao longo da história, tanto no que diz respeito à vida do casal como às experiências mais ou menos racionais que a protagonista decide viver. Não surpreende, portanto, que seja este o aspecto mais desenvolvido em todo o livro. Há, ainda assim, uma boa história a complementar este elemento, do que resulta um enredo bastante equilibrado, com muita sensualidade, mas também com um toque de emoção e bastante sobre que reflectir, não só sobre a vida conjugal, mas também sobre outros tipos de relacionamento, com família ou com amigos.
Esta é, portanto, uma história que, apesar de centrada no despertar da protagonista, é bastante mais que apenas a sua descoberta da sexualidade. E é este equilíbrio entre erotismo e afectuosidade, conjugado com um estilo de escrita viciante e uma boa reflexão sobre o que separa os ideais da realidade, que faz com que este livro cative desde as primeiras páginas, ficando na memória bem depois de terminada a leitura. Muito bom.

Novidade Topseller


Molly Allen vive sozinha em Portland. Na memória guarda os momentos felizes que viveu na livraria A Ponte — a mais antiga livraria no centro histórico de Franklin, com um homem que deixou para trás cinco anos antes. O amor que os uniu era de uma espécie rara, arrebatadora, que ela não voltou a encontrar desde então. 
Ryan Kelly é músico e vive em Nashville. Depois de um noivado falhado e de vários anos em digressão, também ele tem dificuldade em reencontrar a felicidade. Por vezes, quando se sente mais solitário, regressa à livraria e recorda as horas que partilhou secretamente com Molly. 
Charlie e Donna Barton são os donos da livraria A ponte, e durante quatro décadas partilharam com os clientes o amor pela leitura. Mas quando a cidade é atingida pelas cheias, Charlie entra em desespero. Sente-se prestes a perder as duas paixões da sua vida: a livraria, que construiu e acarinhou ao longo dos anos, e a mulher, Donna, que não mais conseguirá sustentar. Quando a tragédia acontece, leva a um reencontro inesperado entre Molly e Ryan.

Karen Kingsbury escreveu mais de 50 romances e já atingiu a marca de 20 milhões de exemplares vendidos em todo mundo. A sua escrita, caracterizada como comovente e inspiradora, vale-lhe regularmente convites das grandes estações de televisão americanas, aparecendo em programas como o Today Show, Fox News, USA Today, entre tantos outros. Enquanto oradora, Karen participa regularmente em eventos, falando com mais de 100 000 mulheres todos os anos.