segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O Super-robô do Ryder (Nickelodeon)

Chama-se Cachorrobô e é o novo projecto do Ryder. Escava, corre, voa... faz tudo! Mas, quando um pequeno acidente lhe danifica a antena, o Cachorrobô desata a correr e a causar estragos e parece que ninguém o consegue parar. Ryder precisa da ajuda da Patrulha Pata para trazer o seu robô para casa e arranjá-lo. Felizmente, pode sempre contar com os seus amigos.
Se forem como eu e não souberem grande coisa sobre a Patrulha Pata antes de pegar no livro (e, obviamente, já bem longe da idade do público a que estes livros se destinam) provavelmente vão ficar com sentimentos ambíguos. Porquê? Porque as personagens são completamente novas, mas não há muito que seja dito sobre elas. A história é simplesmente uma aventura, curta, simples e narrada de forma muito sucinta. Assim, a ideia que fica é, por um lado, a de uma história interessante, com um belo conjunto de personagens, mas das quais não se fica a saber grande coisa, a não ser que já se tenha algum conhecimento prévio.
Claro que ver um livro para crianças pelos olhos de um adulto é sempre limitador e, se nos pusermos no papel de um seguidor assíduo dos desenhos animados, a perspectiva é diferente. As personagens já são familiares e é a aventura que interessa. Se virmos a história assim... bem, diria que cumpre os objectivos, pois proporciona uma leitura leve e divertida que proporcionará aos fãs um muito agradável encontro com as personagens. Tudo muito breve, sim, mas... também é verdade que sabe bem ler uma história de uma penada, por mais simples que seja. 
E depois há sempre o aspecto visual. Claro que as imagens parecem ser, à partida, em tudo semelhantes às dos desenhos animados - é, aliás, assim que deve ser. Mas, conhecendo ou não os desenhos, nota-se um bom equilíbrio entre o texto e as imagens que, em vez de repetir de outra forma o que está dito em palavras, complementam essas mesmas palavras para dar mais vida à história.
Breve, muito simples, mas bonito e bastante divertido, trata-se, portanto, de um livro especificamente pensado para os mais novos, particularmente para os que já conhecem a Patrulha Pata. Serão provavelmente esses os que mais proveito tirarão desta leitura... que não deixa, ainda assim, de ser interessante para quem não se enquadra nessa categoria.

Título: O Super-robô do Ryder
Autor: Nickelodeon
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Chamas (Patrícia Morais)

Vivem-se tempos conturbados no seio de Diabolus Venator. Venceram a última batalha, é certo, mas Claudius continua vivo e a sua sede de vingança é implacável. Todos sabem que, mais cedo ou mais tarde, um novo confronto terá de acontecer. Até lá, o melhor que podem fazer é estar preparados, reforçar alianças e tentar descobrir pistas que os possam ajudar. Entretanto, Lilly e Liam, os alvos principais da fúria de Claudius, recusam-se a afastar-se simplesmente, deixando aos outros a guerra que desencadearam. Mas já houve uma traição em Venator. E, quando um dos seus principais aliados tem as lealdades divididas, a verdade é que tudo pode acontecer. Aproxima-se um novo confronto e é impossível evitá-lo. E as consequências... são imprevisíveis.
Dando continuidade à história iniciada em Sombras, e expandindo-a também para novos elementos e intrigas aparentemente mais intrincadas, este é um livro que tem essencialmente as mesmas características do anterior: uma história cheia de acção, romance quanto baste, muitos e interessantes elementos sobrenaturais e um enredo que, apesar das premissas comuns a muitos outros livros do género, consegue sempre surpreender.
Mas há também uma evolução interessante, principalmente no que diz respeito às personagens. A posição delicada de Louis no cerne de todo o conflito faz com que novas questões surjam na vida das personagens. Na da Lilly, principalmente, como seria de esperar, mas também na de todos os outros que com ele interagem. Além disso, há outras mudanças no rumo das personagens, bem como na relação de Lilly e Liam, o que faz com que haja sempre uma certa fluidez, não só nos acontecimentos, mas na própria forma de estar das personagens.
O que acontece, portanto, é que, além da continuidade do enredo, sente-se, no rumo da história, uma expansão em complexidade. Novos elementos sobrenaturais, relações, românticas e não só, mais complicadas, mudanças que abalam toda a posição de uma personagem. E, sendo certo que nem sempre é fácil compreender o que causa determinadas escolhas, a verdade é que tudo parece encaixar da forma certa, preparando caminho para grandes respostas às várias questões que ficam em aberto.
Tudo somado, fica a imagem de um segundo volume à altura das expectativas geradas pelo anterior. Intenso, de leitura agradável, cheio de reviravoltas inesperadas, mas também de humor e de emoção, um livro que não desilude. E que deixa muita vontade de saber o que acontece a seguir. 

Título: Chamas
Autora: Patrícia Morais
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidade Guerra e Paz

Entre Angola, Cabo Verde e a Índia, esta é uma incrível viagem ao princípio do fim do império colonial.

Tôko – ou Sebastião, nome da caderneta de indígena – é um contratado. Há várias gerações que a família trabalha nas plantações de algodão, em condições de quase escravatura. Estamos no início dos anos 60, na Baixa do Cassanje, Nordeste de Angola. Um terrível massacre marcará para sempre a sua vida – e a de toda uma geração.
Entretanto, Justino – ou Tininho – chega a Luanda. É uma criança travessa, sempre metida em aventuras. Nasceu em Lisboa, foi para a Índia, mas as melhores lembranças são do tempo que passou em Cabo Verde com Nha Maria, a sua querida avó Maria Galvão. Será parente de Henrique Galvão, o sequestrador do paquete Santa Maria?
Numa osmose entre a História, a ficção e a magia, este emocionante romance histórico faz-nos reviver os anos 50-60 do século xx sob diferentes perspectivas, abordando temas como a escravatura, o racismo, a ditadura, a homossexualidade e a religião.

Augusto Reis. Nasceu em Lisboa, em 1949. Viveu na Índia (Goa), em Cabo Verde (Mindelo, S. Vicente) e em Angola (Luanda). Depois do serviço militar em Angola, viajou pela Europa, tendo ali regressado em 1975, para partir definitivamente pouco antes da independência.
Trabalhou três anos em Lisboa. Numa das suas viagens, acabou por casar e fixar residência na Holanda, em 1979. Estudou Filologia na Faculdade de Letras da Universidade de Leiden e foi professor de línguas, História da Cultura e Comunicação Intercultural no Ensino Superior, em Amesterdão. Escreveu livros para o ensino de Português e Espanhol para holandeses.
Actualmente, dedica-se a decifrar perspectivas sobre África, denunciar abusos cometidos durante a colonização e analisar momentos e processos que iniciaram a queda do colonialismo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A História de Stuart Little (E. B. White)

Stuart Little, segundo filho do Sr. e da Sra. Little, nasceu com duas grandes peculiaridades: tem apenas cerca de cinco centímetros de altura e um conjunto de características físicas que o tornam muito semelhante a um rato. Mas a história do pequeno Stuart não se resume a estes dois traços vincados: tem também um grande espírito de aventura, muita coragem e o coração no sítio certo. São, aliás, estas características que o levam sempre a novas aventuras, dentro de casa e fora dela. Mas é quando uma amiga recente, mas muito querida, a ave Margalo, deixa a sua casa que Stuart se lança na viagem da sua vida. Quer encontrar a amiga - mesmo que tenha de ir longe, mesmo que demore muito tempo. E, pelo caminho, mais aventuras o esperam. 
Um dos primeiros aspectos a sobressair neste livro (como, aliás, também em A Teia de Carlota) é a inocência da história. Inocência pela natureza do protagonista, que não parece ter em si nem um vestígio de maldade, mas, principalmente, pela forma como o mundo se lhe adapta com a mesma inocência. Claro que, se olharmos para o mundo real, grande parte desta história parece improvável - e não só por causa dos cinco centímetros de Stuart. Mas não deixa de ser refrescante mergulhar na história, imaginar que tudo é possível e acompanhar o corajoso Stuart Little ao longo das suas aventuras.
E, acontecimentos improváveis à parte, a verdade é que, uma vez apanhado o ritmo da leitura, tudo flui com uma naturalidade cativante, ao ponto de ser perfeitamente possível imaginar as conversas de Stuart com a amiga Margalo, a sua aventura pelo cano abaixo ou ainda a descoberta de um carro potencialmente invisível. É tudo estranho, mas tudo parece normal, tal é a simplicidade da história e a inocência das personagens. E acaba por ser isso precisamente o que fica na memória - a possibilidade de um mundo sem impossíveis.
A história de Stuart é feita de várias aventuras, todas elas de resolução mais ou menos simples. Mas a grande aventura, a principal, é a da sua longa viagem. E é aqui que importa fazer uma referência ao final, pois, deixando algo em aberto e, em consequência, uma certa curiosidade insatisfeita, não deixa ainda assim de parecer algo adequado, tendo em conta as muitas aventuras vividas por Stuart... e a possibilidade de fica de se poder imaginar mais.
Simples, inocente e cativante. Assim se poderá, pois, definir este pequeno livro em que um humano de ar ratiforme - ou um rato com uma família humana? - encontra nas suas aventuras a capacidade de ir sempre um pouco mais longe. Uma boa história, portanto, que vale a pena conhecer.

Título: A História de Stuart Little
Autor: E. B. White
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Novidades Planeta

Este viciante primeiro romance de Llobregat é uma descoberta literária.
O autor soube combinar com grande sucesso, doses certas de entretenimento, mistério, tragédia e intriga, com uma cuidada recriação histórica, que prende o leitor na primeira página e o mantém expectante até à última.
Frequentemente comparado com Carlos Ruiz Zafón, O Segredo de Vesálio apresenta-se como herdeiro dos grandes textos e personagens de Conan Doyle, mergulhando nos pilares fundamentais da ciência e da medicina e nas razões morais que os sustentam.
O romance é ambientado na Barcelona industrial de 188. Um antigo manuscrito do ilustre médico belga, André Vesálio, considerado uma das figuras universais mais relevantes da investigação médica e autor dum dos livros de anatomia mais influente da história da medicina, De humani corporis fabrica, está directamente relacionado com o mistério deste romance e pode mudar a história.

À bolina e sem fronteiras pelo pensamento de um dos maiores escritores contemporâneos – a escrita e a posteridade vistas do lugar de uma amizade conversável.
Para memória futura.
Este é um livro que não é uma entrevista, mas sim uma série de conversas sem guião, que vão tecendo o pensamento de António Lobo Antunes ao fio da cumplicidade criada com o jornalista e subdirector do Jornal de Negócios, Celso Filipe.
Uma visão intimista de um de um dos maiores escritores da actualidade que ajuda a conhecer o homem que é escritor, a perceber o que o satisfaz e o atormenta, a descobrir as suas influências e embirrações, os amigos, as recordações, o método de escrita.

domingo, 22 de janeiro de 2017

13 Anos para Sempre, Marion (Nora Fraisse)

Tinha 13 anos e não sabia como continuar a lidar com o assédio dos colegas no dia em que decidiu pôr fim à vida. Sozinha no quarto, Marion Fraisse enforcou-se, deixando junto a si o telemóvel também "enforcado". Decididos a descobrir a verdade - o que aconteceu, como, porque é que ninguém viu nada, ninguém alertou - os pais de Marion embarcaram numa luta pelo conhecimento, para encontrar uma grande quantidade de portas fechadas, pactos de silêncio e incómodo perante a sua persistência. É isso que a mãe de Marion, Nora Fraisse, conta neste livro que pretende ser, ao mesmo tempo, um testemunho pessoal e um ponto de partida para um debate mais alargado.
Sendo este livro um relato verídico contado, provavelmente, pela pessoa mais chegada à protagonista de todos os acontecimentos, o que impressiona nesta leitura é, em primeiro lugar, a crueldade dos factos. O conceito de bullying pode ser recente, mas os comportamentos subjacentes não o são, ainda que, por vezes, pareça haver um agravamento com o passar dos anos. E a forma como a autora conta o que descobriu sobre a vida e as razões da filha, dirigindo-se sempre a ela e narrando sem eufemismos, sem floreados, mas com todo o impacto dos acontecimentos em si, tudo aquilo que descobriu sobre o sucedido e, depois, os muito obstáculos que encontrou na sua luta pela verdade, traça um relato bastante perturbador sobre a forma como a sociedade - ou, pelo menos, a parte da sociedade em que Marion e a sua família viviam - encara este tipo de situações.
É precisamente este relato pessoal o que mais marca, pois há muita emoção presente na forma como as coisas são contadas. E esta emoção torna ainda mais impressionante um conjunto de factos que é, por si só, assustador: o que Marion passou, a forma como uma simples palavra é capaz de provocar o caos, a dualidade de critérios, as dificuldades da própria autora para tentar compreender o que sucedeu... Esta é a história de algo terrível e essa noção nunca deixa de estar presente neste livro. E sendo, como é, uma questão tão relevante, é uma grande qualidade a que este livro tem: a de gravar na memória o impacto deste tipo de acontecimentos.
Trata-se de um caso que aconteceu em França, o que significa que, na parte que a autora dedica às considerações sobre possíveis leis e mudanças no sistema de ensino, haverá, inevitavelmente, algumas diferenças entre os diferentes países. Fica, aliás, uma certa vontade de saber mais sobre de que forma se combatem esta situações por cá. Mas, sendo certo que estas diferenças realçam o facto de ter acontecido "noutro lugar), também é verdade que os factos em si podiam acontecer em qualquer lado. E a forma como a autora aborda esta faceta do tema - tentando perceber o que fazer e o que mudar para que casos como os de Marion não se repita - é também parte do que torna esta leitura memorável. Pois, além da tragédia, há a reacção. De lutar pelas respostas, mas também de lutar pela mudança. 
Breve, escrito com toda a força da emoção e transmitindo em pleno a mensagem que pretende passar (ainda que, no que respeita aos aspectos judiciais, fiquem questões em aberto - porque o processo parece ainda não ter terminado), trata-se, portanto, de um livro que cumpre plenamente os seus dois objectivos: dar testemunho da história de Marion e alertar para a existência e para as consequências do assédio. Vale, pois, a pena conhecer esta história. E pensar em todas as outras que, infelizmente, talvez fiquem por contar. 

Título: 13 Anos para Sempre, Marion
Autora: Nora Fraisse
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Divulgação: Fez no Sábado Quinta-Feira, de Peta Maria

“Porque a vida é uma anedota
E rir é o melhor remédio
Viva o humor e a risota
Morte à tristeza e ao tédio!”

Perpétua Maria Coelho Aço (Peta Maria) nasceu a 10 de Dezembro de 1963, na freguesia de Benavila, concelho de Avis, junto à albufeira da Barragem do Maranhão.
Foi aí, no coração do Alto Alentejo, que cresceu e estudou até ao 12.º ano de escolaridade, tendo terminado o ensino secundário no Liceu de Portalegre (ano lectivo de 1980/81).
Em 1981 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, cidade para onde então migrou e onde vive até hoje, sem nunca ter descurado a sua paixão pelo Alentejo.
Foi naquela Faculdade que se licenciou em Direito em 1986, trabalhando como jurista desde então. No decurso da sua carreira profissional fez duas Pós-Graduações: “Direito das Comunicações”, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (2001/2002); e “Direito Comercial”, pela Faculdade de Direito de Lisboa da Universidade Católica (2009/2010).
O gosto pela leitura e pela escrita manifestou-se muito cedo, tendo desde a infância ensaiado a escrita de diários, pequenos contos e poemas, sobretudo sobre paixões, reais ou imaginárias, gosto esse que foi desenvolvendo e intensificando ao longo da vida. Nos últimos anos a escrita tornou-se mesmo no seu hobby preferido.
Em 2015 publicou a Primavera Prometida, uma colectânea de poemas que escreveu em diversas fases, idades e estações do ano ou estados de alma.
Fez no Sábado Quinta-Feira, uma colectânea de poemas a que ela própria se refere como tendo um registo mais “descomplicado”, é a segunda obra que publica.