terça-feira, 13 de abril de 2021

A Burning Sea (Theodore Brun)

Partir era a sua única opção, mas não foi o fim das suas tribulações. Pois, tal como já lhe havia sido dito anteriormente: "Suportarás muita dor, mas jamais quebrarás". Agora, Erlan vê-se perante uma nova perda: os seus dias enquanto homem livre terminaram, sozinho numa terra estranha. A sua amada, porém, que ficou para trás como fiel e cumpridora rainha - e em segurança - perdeu também o seu estatuto e enfrenta grandes perigos. Desesperada, segue o rasto de Erlan, na esperança de que os seus caminhos se voltem a cruzar. Mas novas provações os aguardam... e mais dor. Mais batalhas. Mais perdas.
Parte da magia desta série é que cada novo volume transporta-nos para algo que é simultaneamente familiar e novo. Temos as mesmas personagens, mas as suas circunstâncias mudaram. As suas almas permanecem iguais, mas novos lugares e novas dificuldades abrem a porta a novas aventuras. E, assim, o que obtemos é todo um conjunto de novas intrigas, batalhas e provações protagonizadas por um leque de pessoas que já aprendemos a amar.
Embora familiar em personagens e em voz, é também um livro cheio de surpresas. Um novo cenário e um novo conjunto de circunstâncias dão origem a toda uma nova sucessão de conflitos e dramas, perdas e descobertas, momentos de leveza e de devastação emocional. E, rodeado por sombras, perigos e dúvidas, Erlan terá de encontrar, uma vez mais, novos sentidos para o seu caminho e para a sua identidade. Levando-nos numa viagem onde é impossível não sentir por e com ele.
E há tanto para sentir! Pode estar tudo mudado, do cenário às circunstâncias, mas há algo que permanece igual: a intensidade emocionalmente devastadora provocada por estas personagens e pelas suas tribulações. Há amor e perda, fé e magia, honra e traição, além de todo um novo labirinto de intrigas. E, através de tudo isto, um turbilhão de surpresas onde ninguém é poupado. Nem mesmo o leitor. Principalmente o leitor.
Quanto ao final... é, como habitual, cheio de surpresas, revelações e de uma intensidade devastadora. E, mais uma vez, não parece ser uma conclusão definitiva, mas o fim de uma fase após a qual um novo caminho terá de se abrir para o nosso sempre fascinante vagueante.
Intenso, devastador, fascinante e belo, é impossível não se ser puxado para o interior desta história. E senti-la. E vivê-la. E lembrá-la para sempre. Infinita e inesquecível, resume-se, pois, a isto: pura implacabilidade. E puro génio.

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