quinta-feira, 3 de março de 2016

Divulgação: Novidade Bertrand

Quando um lobo sabe que o seu tempo está a terminar e que já não é útil à alcateia, muitas vezes escolhe afastar-se. Morre assim isolado da sua família, do seu grupo, preservando até ao fim todo o orgulho que lhe é próprio e mantendo-se fiel à sua natureza.
Luke Warren passou a vida inteira a estudar lobos. Chegou inclusivamente a viver com lobos durante longos períodos. Em muitos sentidos, Luke compreende melhor as dinâmicas da alcateia do que da sua própria família. A mulher, Georgie, desistiu finalmente da solidão em que vivia e deixou-o. O filho, Edward, de vinte e quatro anos, fugiu há seis, deixando para trás uma relação destruída com o pai. Recebe então um telefonema alarmante: Luke ficou gravemente ferido num acidente de automóvel com Cara, a sua irmã mais nova. 
De repente, tudo muda: Edward tem de regressar a casa e enfrentar o pai que deixou aos dezoito anos. Ele e Cara têm de decidir juntos o destino deste. Não há respostas fáceis, e as perguntas são muitas: que segredos esconderam Edward e Cara um do outro? Haverá razões ocultas para deixarem o pai morrer... ou viver? Qual seria a vontade de Luke? Como podem os filhos tomar uma decisão destas num contexto de culpa e sofrimento? E, sobretudo, terão esquecido aquilo que todo e qualquer lobo sabe e nunca esquece: cada membro da alcateia precisa dos outros e, às vezes, a sobrevivência implica sacrifício.
Lobo Solitário descreve de forma brilhante a dinâmica familiar: o amor, a protecção, a força que podem dar, mas também o preço a pagar por eles.

Jodi Picoult nasceu e cresceu em Long Island. Estudou Inglês e Escrita Criativa na Universidade de Princeton e publicou dois contos na revista Seventeen enquanto ainda era estudante. 
O seu espírito realista e a necessidade de pagar a renda levaram a autora a ter uma série de empregos diferentes depois de se formar: trabalhou numa corretora e numa editora, foi copywriter numa agência de publicidade e professora de inglês. 
É uma das autoras mais populares da actualidade. Em 2003, foi galardoada com o New England Bookseller Award for Fiction.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Divulgação: Novidade Alfaguara

- Quantas delas te responderam?
- Dezoito.
- E agora vais começar a corresponder-te com dezoito mulheres?
O Pai apontou para o bolso, onde tinha escondido a carta.
- Ela é a verdadeira.
- Como sabes?
- Simplesmente sei.

Em Julho de 1945, depois de sobreviver ao campo de concentração de Bergen-Belsen, Miklós, um jovem húngaro de vinte e cinco anos, é enviado para um campo de refugiados na Suécia. Pele e osso, desdentado, doente, o médico dá-lhe poucos meses de vida. Mas morrer depois de sobreviver a uma guerra não está nos planos de Miklós. Ele não se sente sozinho. Sabe que que há 117 mulheres da sua terra a viver em campos de refugiados na Suécia. Ignorando a sentença de morte da febre que o atormenta todas as manhãs, envia uma carta a cada uma delas. Alguma haverá de sucumbir à sua veia poética e sedutora caligrafia.
A centenas de quilómetros, Lili responde. Assim começa uma história de amor redentora e inesquecível entre dois sobreviventes que eram também sonhadores. Baseada na história real dos pais do autor e narrada a partir das cartas trocadas entre os dois, o romance de Péter Gárdos relembra-nos que o amor é uma força de vida, capaz de vencer a própria morte.

Nascido em Budapeste em 1948, Péter Gárdos é realizador de cinema e encenador. As suas produções foram distinguidas com mais de vinte prémios internacionais em diversos festivais de cinemas, nomeadamente com o Prémio Especial do Júri no Festival de Cinema de Montreal e o Golden Hugo no Festival de Cinema de Chicago. Baseado na história verídica dos seus pais, sobreviventes dos campos de concentração nazis, Carta à mulher do meu futuro é o seu primeiro romance, que deu origem ao filme Fever at Dawn.

Corrupção (Flávio Capuleto)

O Douro Vinhateiro é uma região de grande beleza... mas também de enormes desigualdades. Bem o vê Imaculada, filha de pais de poucos recursos que, para lhe poderem pagar o curso superior, se decidem a ir pedir trabalho a Ana Francisca, a empresária mais rica da zona. Mas o trabalho demasiado exigente e as condições miseráveis têm o seu preço e, quando dá por si sozinha no mundo, Imaculada tem que pôr os estudos de parte e encontrar uma solução. Solução que quase lhe parece cair no colo por milagre, quando um outro empresário surge com uma proposta de casamento. Mas, sem sentimento e motivada apenas por interesse e desespero, essa união nada tem que possa resultar. E o que parecia ser o fim de todos os problemas pode ser antes o ponto de partida para novas tribulações.
Narrado, em grande parte, do ponto de vista da protagonista, mas entrando, apesar disso, nos pensamentos e emoções de outras personagens, este é um livro em que a vontade de contar uma história se conjuga com uma mensagem que se pretende passar. A existência da desigualdade e a necessidade de a combater são assuntos bem presentes neste livro e as diferenças de posição entre as várias personagens reflectem-nas muito bem. E é daqui que surge o ponto forte de uma história que, apesar de algumas fragilidades, acaba por conseguir cativar.
E cativa essencialmente por dois aspectos. Primeiro, pelos momentos mais emocionais, que, além da intensidade do próprio momento, acabam por revelar também os momentos mais fluídos nas peculiaridades da escrita do autor. E, além disso, por, apesar de umas quantas perguntas deixadas sem resposta, haver um maior equilíbrio no enredo, desenvolvendo um pouco mais as personagens, o que contribui para tornar as suas acções um pouco mais naturais.
Quando às fragilidades, são também essencialmente duas: o facto de haver pouco desenvolvimento relativamente a alguns aspectos, o que, além de deixar várias perguntas sem resposta, faz com que algumas personagens pareçam ser caracterizadas de forma um pouco exagerada, e os diálogos que, talvez também devido à relativa brevidade, parecem surgir ainda como um pouco forçados.
Felizmente, o impacto dos bons momentos - e há alguns verdadeiramente memoráveis - compensa os menos bons. E, por isso, apesar de algumas convicções mais vincadas - que, em caso de discordância, criam uma maior sensação de distância para com as personagens - o enredo acaba por nunca perder o interesse, pois, mesmo quando é fácil adivinhar o que se segue, há pequenas coisas a aparecer para dar mais vida às coisas.
A soma de tudo isto acaba por ser um livro que, mesmo não sendo perfeito, consegue, ainda assim, cativar pelos seus vários momentos fortes, pelas ideias que tem na base e pelo impacto emocional que, nas situações realmente importantes, consegue atenuar a distância que fica de outros momentos. Um livro interessante, portanto. Gostei.

Título: Corrupção
Autor: Flávio Capuleto
Origem: Recebido para crítica

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A Grande Magia (Elizabeth Gilbert)

Viver uma vida criativa está, na mente de muitos artistas, associado a uma via de sofrimento. Mas será que tem mesmo de ser assim? Ou será que as ideias estão em todo o lado, à espera apenas de que lhes demos atenção? E terá tudo o que criamos de ser o melhor - ou o mais sério, ou o mais original... - de todos os tempos? Ou toda a criação é legítima? Estas são apenas algumas das perguntas a que, de forma muito pessoal, mas com uma perspectiva muito interessante, Elizabeth Gilbert responde neste seu livro.
Uma das primeiras coisas a cativar neste livro é a forma como a autora o construiu. Com capítulos curtos e num registo bastante pessoal, transmitindo as suas ideias e, através delas, dando conselhos que para ela resultaram, mas sem entrar numa senda de evangelização forçada. Nalguns casos, as ideias da autora são muito vincadas e é perfeitamente natural não concordar com tudo. Mas é precisamente isto - o facto de se poder ter uma perspectiva diferente e, ainda assim, colher da leitura algumas ideias úteis - que faz com que este livro seja interessante. Não é um guia passo a passo. É uma experiência com as ideias - e, ele próprio, um conjunto de ideias.
Também bastante cativante é o facto de a autora construir grande parte do livro com base na sua experiência pessoal. E não só com conselhos que resultaram, mas com histórias do seu próprio percurso e do de pessoas que conheceu. Ora, além de reforçar as ideias por via do exemplo, isto apresenta também uma sucessão de episódios interessantes, o que torna a leitura muito mais divertida.
Claro que o facto de ser pessoal implica também, até certo ponto, uma base nas crenças da autora. E a forma como a autora vê a criatividade tem bastante de espiritual. Não propriamente de religioso, mas implicando, ainda assim, uma certa ideia de divindade que, para quem não partilhar desse tipo de crença, pode criar uma certa distância. Ainda assim, e se é certo que o espiritual está bem presente nas convicções da autora, o facto de se partilhar ou não dessas convicções não retira valor a todo o vasto conjunto de ideias que vão sendo apresentadas. E, mais uma vez, sendo possível não concordar com tudo, há sempre algo de bom a assimilar. 
Da soma de tudo isto, resulta um livro que, pretendendo ser, até certo ponto, um guia para uma vida mais criativa, não cai no erro de apontar linhas inevitáveis, apresentando antes um percurso pessoal a partir do qual é possível a cada um construir o seu próprio caminho. E é isso, principalmente - a vastidão de possibilidades que deixa em aberto - o que mais cativa nesta leitura. Gostei.

Título: A Grande Magia
Autora: Elizabeth Gilbert
Origem: Recebido para crítica

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

You Sent Me a Letter (Lucy Dawson)

Sophie Gardener está prestes a chegar ao seu quadragésimo aniversário… e essa vai ser uma data que ela nunca vai esquecer. Tudo começa com a visita de um intruso que lhe invade a casa, a ameaça e à sua família e lhe deixa uma carta, que deverá ler diante de todos os que a amam na sua festa de aniversário. Mas o que diz essa carta? E quem a enviou? Provavelmente, ninguém que lhe queira bem. E Sophie tem as suas suspeitas. Tem uma inimiga – e um segredo que pode comprometer seriamente a sua reputação.
Um dos aspectos mais impressionantes neste livro é a forma como a autora consegue tecer uma história em que nenhuma personagem é propriamente inocente ou boa e, mesmo assim, gerar emoções fortes e um ritmo que mantém viva a vontade de saber mais e mais até ao fim. Parte disso vem da aura de mistério que rodeia o enredo. Arranca imediatamente no cerne da acção e, a partir daí, as surpresas nunca param. Quem fez o quê, porquê, quais são as verdadeiras intenções daquelas pessoas. Tudo pode ser questionado e tudo é inesperado. E tudo conduz a um crescendo de intensidade que culmina num final muito surpreendente.
Também a escrita é bastante impressionante. A história é contada pela voz de Sophie e, assim, todos os seus sentimentos e dúvidas estão sempre muito presentes. Mas a forma como tudo ganha vida – emoções, medos, reacções ao que está a acontecer, mas também os segredos, os acontecimentos do passado e a sua ligação à situação em causa – é tão vívida e intensa que é quase impossível parar de ler.
Ficam algumas perguntas sem resposta, principalmente quanto à situação de Marc e Claudine. Mas a verdade é que o foco principal da história está em Sophie e no seu segredo e, assim, é também surpreendentemente adequado que algumas das consequências da situação fiquem, de alguma forma, por revelar. Porque a própria Sophie ainda não as consegue imaginar.
Intenso, inesperado, brilhantemente escrito e com um enredo viciante, este é, pois, um livro que surpreende desde o início e que nos mantém na cabeça da protagonista até aos últimos momentos. Sem dúvida que recomendo.

Título: You Sent Me a Letter
Autora: Lucy Dawson
Origem: Recebido para crítica

Divulgação: Convite


Divulgação: Reedição de Dom Dinis - A Quem Chamaram o Lavrador em e-book

Dom Dinis, o Lavrador ou o Poeta?
Há ainda quem lhe chame o Trovador. E, no entanto, para fazermos justiça ao sexto rei de Portugal, teríamos de ir mais longe. Podíamos chamar-lhe o Legislador, o Reformador, ou até o Defensor, tanto ele fez pela defesa e delimitação das fronteiras do reino, apesar de não ter sido um rei propriamente guerreiro.
Dom Dinis não foi, porém, apenas o homem público. Dele se diz que, não se furtando a amores adúlteros, muito fez sofrer a rainha com quem esteve casado durante cerca de quarenta e quatro anos, uma rainha que foi canonizada. E, apesar de ter ficado na história como um rei justo e culto, debateu-se numa guerra civil contra o seu próprio filho e herdeiro, uma guerra que massacrou o reino português e amargurou os últimos cinco anos de vida do monarca, talvez até lhe tenha acelerado a morte.

Cristina Torrão nasceu a 16 de Julho de 1965, em Castelo de Paiva. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Ingleses e Alemães) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em Julho de 2007 venceu a segunda edição do Concurso Literário “O meu 1º Best-Seller”, levado a cabo pela Modelo/Continente em parceria com as Edições Asa e a revista Visão, com o livro “A Moura e o Cruzado”. No ano seguinte publicou, com a editora Ésquilo, o seu segundo romance histórico “Afonso Henriques - o Homem”, a que se seguiu uma reedição da sua primeira obra, que recebeu o título “A Cruz de Esmeraldas”, e “D. Dinis - a quem chamaram o Lavrador”. Em 2014 publicou, sob a chancela da Poética, “Os Segredos de Jacinta”, o percurso de uma jovem no século XII português.

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