domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Sabor da Tentação (Elizabeth Hoyt)

A chegada de Samuel Hartley parece ser o tema preferido nas conversas da sociedade londrina. Há quem diga que é um cobarde, que fugiu para a floresta durante a batalha que custou a vida a demasiados bons soldados. Agora, com a sua postura enigmática e a estranheza dos costumes das colónias, pensa-se que Samuel terá vindo a Londres para tratar de negócios. Mas há um outro objectivo nas suas intenções e, ao procurar Lady Emeline para que esta apresente a irmã à sociedade, não é apenas nos costumes da elite que Samuel está a pensar...
Escrita envolvente, um ambiente agradável e umas quantas peripécias peculiares são apenas parte do que torna este livro cativante desde as primeiras páginas. Centrado essencialmente no romance entre os protagonistas, com todas as diferenças inevitavelmente associadas à relação entre figuras de mundos opostos, não há propriamente uma relação instantânea, apesar da inevitável força da atracção tão característica nos livros deste género. Na verdade, o mais interessante não está no romance entre o casal protagonista, mas antes no mistério que Samuel pretende resolver. A situação em volta da batalha de Spinner Falls, com a possibilidade da existência de um traidor que é imperioso descobrir e os esforços de Samuel nesse sentido, cria uma interessante aura de mistério ao longo da narrativa, sendo particularmente cativante na forma como molda a personalidade de Samuel e as suas fragilidades. 
Também o romance tem os seus pontos fortes, principalmente nas diferenças entre os protagonistas (e os mundos de que provêm), mas também na forma como a personalidade inesperadamente forte de Lady Emeline se define, moldada em igual medida pelas convenções sociais e pela sua própria curiosidade natural. Mas nem tudo é perfeito e há um ponto na narrativa em que, incitado talvez pelo surgir de um terceiro elemento com possibilidades românticas, o comportamento dominante de Samuel acaba por ser um pouco excessivo, levando a narrativa a centrar-se mais numa tentativa de ligação romântica a todo o custo e deixando o mistério para segundo plano. Este é, ainda assim, um aspecto que acaba por se desvanecer numa fase mais avançada da narrativa, mas fica, apesar disso, a impressão de uma situação um pouco forçada.
Ainda um outro aspecto bem conseguido está na lenda de Coração de Ferro, contada nos pequenos excertos que abrem cada capítulo. Sendo também ela uma história muito simples, vem dar um toque de ternura a um livro que se centra, em grande medida, numa forma de amor mais focada na atracção. Cria, também, uma ligação entre o protagonista da lenda e o protagonista do romance, ao mesmo tempo que estabelece algumas ligações para o que virá nos restantes volumes da série: dos quatro soldados na lenda insinua-se uma possível ligação aos quatro volumes da série e a forma como o mistério deste romance é resolvido dá a entender que mais haverá também a dizer sobre este elemento.
Cativante, de leitura agradável e com vários momentos bem conseguidos quer a nível de mistério quer no que toca à emoção, O Sabor da Tentação é, acima de tudo, uma história de atracção e de amor (com bastante de sensualidade), mas onde o passado e as suas marcas têm um papel fundamental a desempenhar. Leve e envolvente, um bom livro para descontrair.

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