domingo, 9 de abril de 2017

O Segundo Livro da Selva (Rudyard Kipling)

Mowgli cresceu na selva, aprendeu a sua lei e tornou-se temido e respeitado para todos. Mas a história não acabou com a sua vitória sobre Shere Khan. Antes dela e depois, muitas outras aprendizagens o aguardavam, actos de descoberta de poder e verdades desagradáveis, mas absolutas. São essas histórias que formam este segundo livro, trazendo de volta personagens já conhecidas e outras completamente novas para um novo conjunto de interessantes aventuras.
Tal como em O Livro da Selva, também neste segundo livro as várias histórias que o compõem são no essencial independentes. Algumas delas, aliás, nem estão directamente relacionadas com Mowgli, ainda que faça todo o sentido que pertençam também a este conjunto. A própria linha temporal das várias histórias é tudo linear, sendo que até Shere Khan aparece numa destas histórias. Mas há, ainda assim, ligações evidentes e, nas últimas histórias, um percurso bem definido rumo a uma conclusão inevitável. E, assim, a ideia que fica é a de um livro onde qualquer conto é um todo em si mesmo, mas em que a unidade de todos eles forma uma imagem mais vasta.
Não é propriamente um livro de leitura compulsiva, já que a extensa componente descritiva confere às histórias um ritmo bastante pausado. Mas não deixa nunca de ser cativante, não só pelas histórias vividas pelas várias personagens - e, nalguns casos, as lições por essas personagens aprendidas - mas pelo próprio fascínio que esse cenário tão amplamente descrito acaba por exercer. É como se o mundo de Mowgli e seus companheiros ganhasse uma dimensão diferente face a tantos e tão detalhados elementos captados da sua constituição.
E depois há a própria Lei que rege as várias personagens, influenciando-lhes os passos, ditando escolhas e estratégias e, nalguns casos, despoletando batalhas e vinganças épicas contra aqueles que ousam desafiar a autoridade. Nem sempre é fácil compreender as motivações - o próprio Mowgli nem sempre parece compreender-se. Mas há algo de fascinante na forma como tudo parece assentar numa mesma Lei, podendo, porém, dar origem a resultados tão diferentes. 
E, assim, a imagem que fica é a de um estranho e fascinante regresso a um mundo cheio de sombras e de medos, mas também de verdade e esforço. Um conjunto de aventuras intrigantes e surpreendentes, num cenário tão intrincado como interessante. Vale a pena, portanto, regressar à selva e reencontrar Mowgli e os seus companheiros. 

Autor: Rudyard Kipling
Origem: Recebido para crítica

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