quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Alex Cross's Trial (James Patterson e Richard DiLallo)

Motivado por uma dura lição aprendida durante a infância, o advogado Ben Corbett sempre se prestou a defender os mais necessitados, independentemente de raça ou possibilidades. Mas, agora, Ben encontra-se perante o caso mais difícil da sua vida. Enviado a Eudora, o lugar onde cresceu, pelo presidente Roosevelt, Ben tem de descobrir a verdade sobre a segregação racial e a onda de linchamentos que, diz-se, se tornou quase rotina no Sul. Mas Ben é um homem sozinho contra os seus. E, mais uma vez, a única ajuda encontra-se longe dos seus supostos iguais, na figura de um homem velho e doente: Abraham Cross.
Apesar de ser considerado como fazendo parte da série Alex Cross, a relação deste livro com a série resume a dois pontos muito simples. O primeiro é que é apresentado como sendo um livro escrito pelo próprio Alex Cross (através de um prefácio do próprio). O outro é o facto de o dito Abraham Cross ser referido nesse mesmo prefácio como um seu antepassado. Tudo o resto neste livro é completamente independente da série, o que faz com que seja perfeitamente compreensível, mesmo sem ter lido qualquer dos volumes anteriores.
A história é, aliás, muito diferente do expectável da série. Desde logo, tudo decorre numa época diferente e, portanto, os comportamentos e as mentalidades são também diferentes. Além disso, e apesar dos óbvios pontos em comum, Ben Corbett é uma figura bastante diferente do Dr. Cross. Corajoso e determinado, sem dúvida, mas quase inocente nalgumas das suas convicções, Ben é uma personagem que gera tanta empatia pela sua força como pelas evidentes vulnerabilidades. Além disso, as suas circunstâncias reforçam bastante essa impressão de proximidade.
E, passando às ditas circunstâncias, há um tema central em todo o enredo: a segregação racial. E, no desenvolvimento do assunto, sobressaem dois aspectos. A capacidade de levantar todas as perguntas relevantes, mesmo numa narrativa em que a acção é um dos elementos fulcrais, e a forma como, a par com o comportamento racista das pessoas de Eudora, também se questionam a cobardia associada aos linchamentos (por parte dos que, longe de concordar com as ideias, se juntam aos acontecimentos por simples questões de suposta segurança) e a submissão à norma social dominante.
Ora, apesar de tudo o que este livro tem de diferente, continuam a manter-se os habituais pontos comuns aos livros de James Patterson. Capítulos curtos, acção intensa, momentos de perigo e um toque de emoção continuam a ser um elemento fundamental para tornar a leitura viciante. Mas, neste caso em particular, é interessante notar também como este estilo já conhecido se adequa tão bem a um tipo de história diferente do habitual.
Intenso e envolvente, com um protagonista forte e todo um contexto marcante, este é, pois, um livro que, das primeiras páginas e até às últimas palavras, cativa e surpreende em todos os aspectos. Muito bom.

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