segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Amor em Blackmoore (Julianne Donaldson)

Há muito que Kate Worthington decidiu que nunca se casaria, apesar das imposições sociais, e nunca se cansou de o dizer aos seus amigos mais próximos. Mas é difícil resistir à pressão constante da mãe e, em desespero, acaba por aceder a um pacto impossível: a mãe deixará que passe uma temporada em Blackmoore, o lar de eleição do mais chegado dos seus amigos. Mas Kate terá de conseguir - e rejeitar - três pedidos de casamento ou ficará à mercê da mãe para tudo o que ela quiser. Ao seu olhar determinado, parece fácil. Mas, quando chega a Blackmoore, a realidade torna-se bem visível. O escândalo que a persegue torna impossível o seu objectivo e a única pessoa que a pode salvar - Henry, o seu amigo de sempre - é também a razão de muitas das suas escolhas...
Misturando inocência, amizade e sentimentos mais profundos numa história onde há tantas personagens a despertar empatia quantas as que despertam aversão profunda, este é um livro que tem na capacidade de emocionar a sua maior qualidade. Diferentes em muitos aspectos, mas amigos desde sempre, Henry e Kate são, em todos os aspectos, personagens complementares e a forma como a história os une, ambos presos, de certa forma, nas suas gaiolas, mas com uma consciência diferente desse facto, cria uma série de momentos comoventes. São também personagens que se entranham desde o início, não só porque vistos em perspectiva (já que as respectivas mães são algo de completamente diferente), mas também pela naturalidade da relação que construíram. Há entre Henry e Kate toda uma série de momentos afectuosos, caricatos e divertidos - e a forma como o amor nasce e se sustenta a partir destas coisas torna o enredo particularmente delicioso.
É também uma história de vulnerabilidade, já que Kate está numa situação especialmente frágil, enquanto Henry se expõe de cada vez que manifesta os seus sentimentos. E esta vulnerabilidade torna o percurso muito mais emocionante, já que é impossível não torcer para que, no fim, as barreiras acabem por desabar. Além disso, e embora não seja particularmente difícil adivinhar de que forma as coisas acabarão para ambos, o caminho até lá está cheio de surpresas, de momentos marcantes - e de um afecto tão profundo e inocente que torna até os mais simples gestos em algo de enternecedor.
Henry e Kate são personagens fáceis de amar. Já as mães de ambos são fáceis de odiar. Mas o curioso nisto tudo é que estes dois lados tão contrários acabam por ser o que torna o enredo tão intenso. Além disso, também nas personagens secundárias há todo um espectro de empatia: personagens que cativam, personagens que surpreendem e personagens que, embora tudo menos cativantes, contribuem, à sua maneira, para realçar a dificuldade das circunstâncias. Faz, pois, todo o sentido esta diversidade de emoções e temperamentos, e a forma como a autora as entretece, com uma simplicidade natural e envolvente, reforma o impacto dos grandes e também dos pequenos momentos. 
Inocência, amizade e amor: eis, pois, as bases centrais desta história. Uma história tão divertida quanto comovente, com um brilhante casal protagonista e todo um conjunto de momentos deliciosos. Cativante, intensa e enternecedora, uma belíssima leitura para quem gosta de histórias de amor. Muito bom.

Autora: Julianne Donaldson
Origem: Recebido para crítica

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