quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Segredos Mortais (Robert Bryndza)

Passou muito pouco tempo desde a resolução de um caso penoso, mas o crime não pára nem no Natal e, por isso, também Erika Foster o não fará. E o novo caso tem também contornos sinistros. Uma bailarina burlesca foi brutalmente assassinada à porta de casa e, embora não fosse alguém que despertasse grandes simpatias, Marissa tinha grandes aspirações e algumas ligações fortes. Não faltam por isso suspeitos e o caso torna-se ainda mais complexo com a descoberta de que há relatos de vários ataques por parte de alguém que usa uma máscara de gás... tal como o assassino de Marissa. Erika terá de reunir a sua equipa, seguir as pistas e descobrir o culpado. Ao mesmo tempo que lida com os seus próprios problemas pessoais.
Nunca deixa de ser impressionante a forma como, quando se começa a ler um novo livro dessa série, a sensação que fica é a mesma de ao ler o primeiro. Já conhecemos Erika, conhecemos o seu percurso pessoal e também os seus grandes casos, e conhecemos ainda as pessoas que a rodeiam. E, ainda assim, há sempre uma impressão de surpresa, não só por o caso ser totalmente novo, mas porque a vida parece evoluir a cada novo livro, mostrando-nos novas facetas das personagens. Cria-se assim um muito interessante equilíbrio: a familiaridade de regressar a um muito querido núcleo de personagens e a novidade de um novo e surpreendente percurso.
Parte do que torna Erika Foster uma figura tão carismática é o seu passado - o de antes do primeiro livro e os acontecimentos dos volumes anteriores. É, por isso, particularmente interessante acompanhar a evolução da protagonista, principalmente neste livro, que ocorre pouco depois de um último caso traumático e em que, embora sem qualquer relação com o caso em si, a vida pessoal de Erika adquire um papel tão preponderante. Além disso, estes elementos pessoais influenciam directamente o curso da história, seja por pequenas tensões com outras personagens, seja por passos que essas situações impõem. A história ganha impacto por ser mais do que apenas o caso, e isto deve-se também à marca deixada pelas personagens.
Mas passando ao caso. Como já vem sendo habitual, a linha principal do enredo é uma investigação com princípio, meio e fim, e é em torno dela que a narrativa se move. Assim sendo, importa destacar os seus elementos centrais. Misterioso e com laivos sinistros (potenciados pela presença da máscara de gás e pelo factor medo a ela associado), intriga desde o primeiro capítulo e vai surpreendendo a cada nova revelação. Seguem-se pistas, encontram-se e descartam-se suspeitos, correm-se perigos, falha-se, obtêm-se respostas... e no fim... bem, no fim, tudo é inesperado, não só porque nada fazia prever aquilo, mas porque tudo se ajusta na perfeição a certos comportamentos das personagens. 
E, claro, tudo é narrado com a maior naturalidade, seja um momento de perigo e de terror, seja uma discussão pessoal, seja ainda um pequeno rasgo de inesperada emoção ou introspecção por parte da protagonista. Os capítulos curtos e o enredo intenso conferem à leitura um ritmo viciante. A mistura de humor e de emoção dão-lhe um toque pessoal. E, no fim, tudo encaixa nos sítios certos, o caso resolve-se... como tem de ser... e a viagem revelou-se mais do que satisfatória.
É uma espécie de magia descobrir, ao sexto volume de uma série, todas as qualidades (e mais) que nos prenderam no primeiro e descobrir que, embora conhecendo tão bem as personagens, elas nunca nos deixam de surpreender. Quanto a Erika Foster... vale muito a pena conhecer Erika Foster e os seus casos. E este está mais que à altura dos melhores.

Autor: Robert Bryndza
Origem: Recebido para crítica

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