sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Morte na Arena (Pedro Garcia Rosado)

Reformado por razões pouco claras, Gabriel Ponte retirou-se de Lisboa para viver uma vida sossegada e solitária. Mas, uma vez por ano, regressa à capital para cumprir a longa tradição de jantar com o amigo Jorge Orta. Desta vez, contudo, a noite é passada à espera e Jorge não aparece. Intrigado - e um pouco irritado - Gabriel não tarda a descobrir porquê. Quatro cadáveres - e um braço decepado - foram encontrados num prédio devoluto e um deles é o de Jorge. Mesmo sabendo que não deve interferir, até porque a responsável pela investigação é a sua ex-mulher, Gabriel sente-se impelido a descobrir o que aconteceu. Mas as respostas não serão apenas desagradáveis. Podem ser também muito perigosas.
Segundo volume da série iniciada em Morte com Vista para o Mar, este é um livro que, podendo perfeitamente ser lido sem qualquer conhecimento do anterior, tem, ainda assim, ligações evidentes. Este é, aliás, um dos muitos traços cativantes nos livros deste autor. É que, de forma discreta ou com algum protagonismo, há sempre alguma relação com outras histórias - desta série ou de outras andanças. 
Mas, estando relacionado com Morte com Vista para o Mar, é com este que há mais relações em comum. As personagens mais relevantes são essencialmente as mesmas e há várias referências a acontecimentos anteriores. Assim, e se o ritmo do livro anterior era já viciante, essa característica torna-se aqui ainda mais vincada, já que, conhecendo à partida os traços essenciais das personagens, a proximidade e a empatia estão já construídas e é incrivelmente fácil entrar no ritmo dos seus passos.
Mas nem só de personagens e familiaridade vive a envolvência deste livro. Também no enredo principal há muito a contribuir para que este livro seja impossível de largar. Desde logo, o caso propriamente dito, com a já habitual análise a certas características da sociedade real a tornar mais impressionante o impacto das circunstâncias. E também, é claro, a forma como o mistério é alimentado, com revelações graduais e vislumbres da perspectiva de várias personagens - "vilões" incluídos.
E falta referir a escrita, como não podia deixar de ser. Directa e equilibrada, com diálogos bem conseguidos e descrições que, sem serem exaustivas, não descuram nem os pormenores mais negros, a forma de narrar é tão cativante como os acontecimentos narrados, pondo em evidência a força dos grandes momentos, mas também das pequenas grandes revelações.
Intrigante e viciante, este é, pois, um livro que atinge e supera as expectativas criadas por Morte com Vista para o Mar. Intenso, com um enredo muitíssimo bem construído e personagens sempre surpreendentes, é, sem dúvida, um livro a não perder. Recomendo.

1 comentário:

  1. “IX CONCURSO PLÍNIO MOTTA DE POESIAS”

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    Para receber gratuitamente o regulamento em arquivo PDF, entre outras informações, entre em contato através do e-mail: machadocultural@gmail.com

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