sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As Dez Figuras Negras (Agatha Christie)

Dez indivíduos são convidados a passar alguns dias numa ilha privada. O anfitrião é um tal de U. N. Owen e ninguém parece saber quem ele é. Mas a verdadeira estranheza da situação revela-se quando este não aparece e os convidados começam, um a um, a ser assassinados segundo as instruções de uma lengalenga infantil.
Tenho de admitir que as minhas expectativas para este livro não eram propriamente elevadas. Da autora, li, há já algum tempo, Um Crime no Expresso do Oriente, e não foi leitura que me tenha cativado particularmente. Daí que toda a leitura deste livro se tenha revelado uma excelente surpresa.
Com um conjunto de personagens interessante, em que cada um deles parece ter no passado um segredo tenebroso, a autora cria um mistério envolvente desde as primeiras páginas. O ambiente é sombrio e, à medida que as mortes se sucedem, a conjugação do cenário soturno com a tensão que se estabelece entre personagens, à medida que a suspeita e a dúvida se tornam mais intensas são a força que torna As Dez Figuras Negras num livro muito difícil de largar.
Também muito interessante a forma como a autora aborda a temática da culpa. A revelação dos segredos de cada um dos hóspedes da ilha, com a sua consequente escala de culpa (associada também às sucessivas mortes), é, afinal, parte do que os torna tão interessantes e tão adequados ao cenário em que se encontram. E até mesmo a explicação final se associa a essas culpas, a essa inevitável possibilidade/necessidade de julgamento.
Intenso, sombrio, com uma história fascinante e uma escrita envolvente, um mistério memorável. Muito bom.

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