segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Sociedade Medieval Portuguesa (A.H. de Oliveira Marques)

Como era a vida na Idade Média? Não nos grandes acontecimentos, mas na vida quotidiana das diferentes classes. É a esta pergunta que, de forma organizada e nos seus múltiplos aspectos, o autor responde, neste interessante livro onde aspectos como a cultura, o trabalho, os afectos e até a morte são abordados de forma acessível e bastante completa.
Há muito para aprender ao longo deste livro. Ainda que alguns capítulos sejam mais completos que outros - em função das fontes disponíveis - a impressão geral é a de um retrato bastante preciso da forma como os mais diferentes aspectos da vida eram encarados na época medieval. Desde os aspectos mais simples e do conhecimento geral, aos detalhes menos conhecidos, há toda uma linha de conhecimentos para seguir ao longo deste livro.
Se todos os capítulos têm muito de interessante, destacam-se pelo detalhe os capítulos dedicados ao traje e ao trabalho, onde as diferenças de classes, estilos e até épocas (o traje, por exemplo, varia consideravelmente em diferentes períodos) são apresentadas de forma muito completa e onde as ilustrações servem também para completar uma explicação que é, por si só, bastante clara.
Há, talvez, temas que dariam material para um muito maior desenvolvimento. Ainda assim, o essencial está lá, e o conjunto da informação contida nos diferentes capítulos forma uma visão bastante clara do que seria o dia-a-dia em tempos medievais. Fica, pois, uma impressão evidentemente positiva deste livro interessante e esclarecedor.

Novidades Babel (3 de Outubro)

“Quando Isaiah contratou Laura, não estava à espera de uma tão grande lufada de ar fresco.
Impressionado pelo seu toque – e assombrado pela sua beleza – Isaiah apaixona-se. E move o Céu e a terra para lhe demonstrar que ela é a mulher que ele mais precisa – a única que conseguirá trazer o Sol para a sua vida.”
Uma das primeiras memórias de Catherine Anderson é o som da velha máquina de escrever da sua mãe a escrever histórias que depois lia em voz alta. Inspirada por esse exemplo, Catherine começou cedo a escrever histórias. Com milhões de livros vendidos e traduzidos em todo o mundo, Catherine Anderson já venceu o prémio Carreira do Romantic Times.
Na Arcádia publicou “Uma luz na Escuridão”, “Sétimo Céu”, “Amor à Primeira Vista”, “O Domador de Paixões”, “Mais perto do Céu” e “Olhos Brilhantes”.

Ela foi o meu primeiro beijo. O meu primeiro amor. Ela era a pequena menina dos fósforos que conseguia ver o futuro na chama de uma vela. Uma fugitiva que me ensinou mais sobre a vida de qualquer pessoa antes ou depois.
E quando partiu, a minha inocência partiu com ela. Agora que começo a escrever, uma parte de mim sente que estou a acordar algo que era melhor que permanecesse morto e enterrado ou, pelo menos, enterrado.
Podemos enterrar o passado mas ele nunca morre realmente. A experiência daquele Inverno cresceu em mim como hera na parede de uma casa, crescendo até ao ponto de fazer rachar tijolo e cal. Rezo para poder ainda contar a história como deve ser. A minha memória, como a minha vista, estão a desvanecer-se com a idade e já lá vão bem mais de 50 anos.
Ainda assim há coisas que ficam mais claras com o passar do tempo. Pelo menos disto tenho a certeza: naqueles tempos houve demasiadas coisas mantidas em segredo. Coisas que nunca deveriam ter sido escondidas e outras que nunca deveriam ter sido reveladas.
Richard Paul Evans é o autor nº1 de vendas The Christmas Box. Todos os seus doze romances apareceram na lista de mais vendidos do New York Times, tendo já sido impressos mais de 13 milhões de exemplares dos seus livros, traduzidos em mais de 22 línguas e quase todos bestsellers internacionais.
Recebeu o prémio American Mbeu others Book de 1998, alcançou dois primeiros lugares nos prémios da Storytelling World pelos seus livros para crianças, e recebeu o prémio Humanitarian of the Century do Washington Times e o prémio Volunteers of America National Empathy pelo seu trabalho de apoio a crianças vítimas de abuso.

Gillian e Sally Owens são duas órfãs que foram educadas pelas tias numa pequena vila. Criadas como crianças normais, tiveram desde tenra idade de lidar com a fama da família Owens.
Com efeito, há mais de dois séculos que as mulheres da família conhecem os segredos das ervas, das curas, e dos rituais para proteger as colheitas. As pessoas da cidade chamam-lhes bruxas mas recorrem a elas quando há necessidade, embora passem muito tempo a culpá-las de todo o mal à sua volta.
É neste contexto que Sally e Gillian partem, tentando esquecer os fantasmas do passado. Gillian, a irmã rebelde, parte para uma grande cidade para viver diversas relações sem futuro até ao dia em que conhece o violento Jimmy, que a maltrata.
Quanto a Sally, a irmã responsável, casa-se e tem duas filhas mas fica viúva pouco depois, mudando-se para uma nova cidade com o objectivo de poder dar uma nova vida às suas filhas, prestes a entrar na adolescência. Quando menos espera, tem Gillian à sua porta, acabada de chegar com um drama na sua vida e com uma surpresa na bagageira.
Alice Hoffman é uma das autoras mais lidas da actualidade. Com mais de 20 romances e vários livros para crianças e jovens, a autora foi, por diversas vezes, premiada com os prémios dos livreiros e associações de leitores. As suas obras envolvem geralmente histórias de amor pouco convencionais e sagas familiares. É das autoras mais lidas nos clubes de leitores americanos e tem as suas obras traduzidas em mais de 30 países.
Com a adaptação das suas obras ao Cinema, Alice Hoffman tem uma legião de fãs cada vez maior e espalhada nos quatro cantos do mundo.

Novidades Bizâncio para Setembro

Título: O Cabalista de Praga
Autor: Marek Halter
Colecção: Ilhas Encantadas, n.º 39
ISBN: 978-972-53-0488-4 Código de Barras: 9 789 725 304 884
Págs.: 240
Preço: Euros 11,79 / 12,50
Romance Histórico
A Cabala afirma que um homem puro pode, à semelhança de Deus, engendrar a vida só pela graça do Verbo...
Em finais do século XVI, no gueto de Praga, o rabi MaHaRaL, o maior cabalista de todos os tempos, modela um ser de lama com uma força ilimitada que deve garantir a segurança do seu povo... o Golem.
Com O Cabalista de Praga, Marek Halter arrasta-nos para o mundo misterioso da Cabala e para o Renascimento, com as suas descobertas siderais, as suas revoluções científicas e as suas guerras religiosas. Misturando ficção e realidade, assombrado pelas questões mais contemporâneas, O Cabalista de Praga é um romance cativante, repleto de erudição e de emoção. Desde O Messias até A Rainha de Sabá, Marek Halter confere uma dimensão nova, por vezes provocadora, mas sempre comovente, às narrativas e lendas transmitidas pelo povo judaico.

Título: O Sentido na Vida
Subtítulo: E por que razão é importante
Autor: Susan Wolf
Colecção: Filosoficamente, n.º 8
ISBN: 978-972-53-0486-0 Código de Barras: 9 789 725 304 860
Págs.: 192
Preço: Euros 11,79/12,50
Filosofia
A maioria das pessoas, incluindo os filósofos, costuma classificar as motivações humanas em duas categorias: as egoístas ou altruístas, as interesseiras ou morais. Para Susan Wolf, porém, muitas das nossas motivações não se enquadram nestas categorias. Muitas vezes agimos por razões que não têm que ver com o nosso bem, com a noção de dever ou com o bem comum. Pelo contrário, agimos por amor para com objectos ou coisas que entendemos serem dignos do nosso amor e são estas acções que dão sentido à nossa vida. Susan Wolf defende que a par da felicidade e da moralidade este tipo de sentido constitui uma dimensão que caracteriza uma boa vida. Num estilo vivo e cativante, repleto de exemplos provocadores, O Sentido na Vida é uma reflexão profunda e original acerca de um tema que constitui uma preocupação constante da humanidade.

Título: Dustin: O Com-Abrigo
Autor: Steve Kelley e Jeff Parker
Colecção: Banda Desenhada, n.º 53
ISBN: 978-972-53-0485-3 Código de Barras: 9 789 725 304 853
Págs.: 132
Preço: Euros 11,90 / 12,61
Banda Desenhada
Numa idade em que muitos jovens se preparam para dar início à sua carreira, Dustin Kudlick vive ainda com os pais e a irmã mais nova. Aos 23 anos, é solteiro, desempregado, e… qual é o problema? Dustin aguarda que um dos seus múltiplos talentos naturais se revele lucrativo. Será a stand-up comedy? Leva-lo-á a sua destreza ainda-não-concretizada no golfe até ao circuito profissional? Ou, quem sabe, bastar-lhe-á patentear uma das suas invenções e esperar que os direitos comecem a pingar? Entretanto, Dustin é encaminhado para trabalhos temporários na Turbo Temps, uma agência de emprego dirigida por Simone Fontenot, uma empresária que gosta de ter Dustin por perto, fundamentalmente, para o usar como saco de boxe para o seu humor ácido. Talvez um dia Dustin cresça. Até que esse dia chegue, porém, Dustin é uma excelente razão para continuarmos a rir com as suas aventuras!

domingo, 18 de setembro de 2011

A Ruína (Jennifer Egan)

Vinte anos depois de um acontecimento traumático, dois primos reúnem-se num castelo arruinado. Para Howard, aquele lugar é a oportunidade de tornar real um projecto ambicioso e um pouco invulgar, mas, para isso, deseja a ajuda de Danny - o mesmo primo que, no passado, teve no evento que lhe marcou a vida um papel essencial. Mas os motivos de Howard são insondáveis - sonho? reconciliação? vingança? - e os próprios demónios interiores de Danny são um labirinto infernal. Num cenário sombrio e surreal, a história de Danny confunde-se com a do narrador, num entrecruzar de possibilidades em que histórias aparentemente diferentes revelam ligações surpreendentes.
Custa um pouco assimilar, no início, as muitas peculiaridades deste romance. Desde um estilo muito próprio onde pontos de vista diferentes se confundem e o diálogo se entretece na narração, passando pela própria narrativa onde acontecimentos inexplicáveis se sucedem e o ambiente sinistro se torna mais e mais opressivo à medida que a natureza das personagens se torna mais clara e culminando numa fase final onde muitas revelações mostram que ninguém neste livro é exactamente que parece, há muito de invulgar ao longo deste livro, sendo necessário um pouco de esforço para entrar no ritmo da narrativa.
Passada esta estranheza, contudo, há bastante de interessante a descobrir. Se quase nenhuma das personagens é do tipo que inspira empatia, há, contudo, uma certa diversidade de temperamentos e posições - definidas, em grande parte, pelas memórias e ligações do passado - que torna cativantes as diferenças e mal-entendidos que definem o convívio entre personagens. Junte-se a isto todo o ambiente de surreal e de inexplicável - destacando-se, é claro, a estranha figura da baronesa - e o resultado é um conjunto de histórias dentro de histórias, onde é o ambiente (ou a memória dele) que molda as atitudes e acções das personagens. Na fortaleza, a paranóia de Danny é potenciada. Ao contar a história de Danny, Ray revive o seu próprio percurso. E até a professora de escrita encontra as suas próprias recordações ao contactar com Ray. Tudo está, afinal, ligado, ainda que, a princípio, não pareça.
Ficam algumas coisas por explicar. Ao construir um final que surpreende pela revelação das múltiplas ligações, surge, quase como um efeito secundário, uma passagem do tempo que deixa esquecidas algumas personagens. Que aconteceu a Howard depois dos grandes acontecimentos deste livro ou qual terá sido o destino da própria baronesa são perguntas que ficam no ar, terminada a leitura.
Uma leitura densa, em suma, e que, principalmente na fase inicial, exige bastante atenção da parte do leitor. Passada a confusão inicial, contudo, há muito de surpreendente nas peculiaridades desta narrativa e a impressão final deste livro sombrio, denso e cheio de surpresas é claramente positiva. Vale a pena ler.

sábado, 17 de setembro de 2011

Sangue Gelado (Claudia Gray)

Apesar do tempo de separação, Bianca não consegue esquecer Lucas. E quando este consegue, através de um amigo comum, fazer com que ela receba uma carta, a necessidade de ambos em voltar a encontrar-se torna-se mais forte que nunca. Assim, Bianca procura uma forma de contornar as rígidas regras de Evernight para sair ao encontro de Lucas. Mas não é esse o seu único problema e, entre uma vampira de comportamento invulgar e a manifestação de espectros particularmente agressivos, a situação só pode agravar-se.
Há, neste livro, alguns aspectos que evoluem de forma interessante, em comparação ao que acontece no primeiro volume. O desenvolvimento do tema dos fantasmas, da origem dos vampiros e da sua relação com os espectros e do papel de Bianca em tudo o que está a acontecer confere ao enredo uma série de pontos que tornam a narrativa mais cativante - e menos centrada nos dilemas amorosos - que o primeiro volume, Evernight. Ainda assim, estes elementos continuam presentes e o inevitável triângulo amoroso continua a ter uma presença considerável ao longo da narrativa, retirando, talvez, um pouco de protagonismo a elementos mais importantes do enredo.
Há uma boa medida de acção a decorrer e o ritmo torna-se progressivamente mais intenso com a aproximação da fase final. Esta, na verdade, caracteriza-se por toda uma série de revelações que, ainda que algumas delas sejam apresentadas de forma mais brusca, deixam em aberto muitas perguntas para o próximo volume.
Existem alguns elementos em comum com outros livros do género, como o facto de o casal protagonista estar, aparentemente, no centro de um amor impossível e de as suas diferenças causarem algumas indecisões. Ainda assim, os elementos de mistério - e a introdução dos fantasmas foi algo de particularmente interessante - compensam este lado mais previsível da narrativa.
Escrito de forma acessível, mas cativante, uma história bastante interessante, onde, apesar de alguns momentos que poderiam ser mais explorados, se destaca o sistema interessante e a introdução gradual de uma explicação para os elementos sobrenaturais da história. Gostei.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Teia de Cinzas (Camilla Läckberg)

Quando o corpo de uma criança é encontrado no mar, a impressão geral é de que se tratará de um acidente que resultou em afogamento. Contudo, as descobertas da autópsia apontam para uma situação bem mais sombria. E, num cenário tão pequeno como Fjällbacka, onde todos se conhecem e a própria vítima é conhecida do responsável pela investigação, a morte da pequena Sara é um mistério que precisa de ser resolvido o mais rapidamente possível.
Um dos pontos mais interessantes deste livro - tal como já acontecera nos anteriores - é a forma como a autora consegue retratar, precisamente e sem exageros, o tipo de ambiente que se vive em localidades pequenas. Desde os preconceitos à necessidade quase obsessiva de saber tudo sobre todos, passando pela forma como um acontecimento permanece na memória colectiva para influenciar quaisquer acções ou posições posteriores, é fácil reconhecer na caracterização das gentes de Fjällbacka o ambiente geral das pequenas vilas e aldeias de muitos e muitos lugares.
Também o mistério é particularmente interessante. A autora apresenta muitos suspeitos, cria uma situação onde, por vezes, parece que pista alguma poderá resolver o caso e, ao mesmo tempo, apresenta uma história num passado relativamente distante, da qual os paralelismos com as figuras da narrativa principal vão emergindo aos poucos, para culminar numa descoberta que, não sendo completamente surpreendente, marca, ainda assim, pelas razões e pelas ligações ao passado.
Interessa, também, referir a forma como, ao longo da história principal, a autora vai inserindo pequenos desenvolvimentos a nível da história pessoal das personagens relevantes. A posição de alguns dos colegas de Patrik quanto às suas responsabilidades, a atitude geral do próprio chefe, a ligação de Erica à filha e, principalmente, a situação da irmã de Erica são elementos que têm vindo a ser desenvolvidos ao longo dos vários livros desta série e que conferem à narrativa uma maior complexidade, através da linha global que liga os vários livros da série.
Este é, portanto, um mistério que não se limita à linha essencial do crime e consequente descoberta do culpado. A história de Sara e da sua família, da vida pessoal dos que investigam a sua morte e ainda dos suspeitos e seus próprios segredos dão forma a um enredo vasto em possibilidades, com muitos mistérios para descobrir e com um cenário muito bem caracterizado. Impressionante.

Novidade Esfera dos Livros

365 Dias com Histórias da História de Portugal é uma obra que vai permitir ler uma história por dia da História de Portugal. É um livro para ampliar conhecimentos e satisfazer a curiosidade.
Comecemos, por exemplo, com a segunda-feira onde ficamos a conhecer os grandes factos e pequenos episódios que marcaram a História de Portugal, à terça é a vez de ser apresentado aos seus protagonistas, na quarta travamos guerras sangrentas e batalhas vitoriosas e na quinta vemo-nos envolvido em revoluções e conspirações que abalaram o poder. A sexta é dia de ficar a par das histórias de alcova, de traições e infidelidades de reis, rainhas e não só e no sábado surpreenda-se com os mitos, lendas e curiosos mistérios dos nossos nove séculos de História. Para terminar a semana, ao domingo é tempo de descansar a ler episódios relacionados com grandes escritores, artistas e monumentos de Portugal.
O convite é irrecusável. Só precisa de poucos minutos por dia para, de forma concisa e divertida, fazer uma extraordinária viagem pela História de Portugal ao longo de 365 dias. Cada dia é uma nova descoberta. Uma nova história.

Luís Almeida Martins - Jornalista, divulgador de temas históricos, ficcionista, guionista e tradutor, nasceu em Lisboa em 1949 e licenciou-se pela Faculdade de Letras. Publicou os primeiros textos no Diário de Lisboa Juvenil e colaborou na Seara Nova, mas a sua estreia profissional deu-se na revista Flama, em 1968, de onde transitou em 1970 para o diário A Capital, onde acompanhou de perto o 25 de Abril e as suas sequelas. Em 1975 pertenceu ao grupo que criou o semanário O Jornal. Fundou em 1978 a revista História, que dirigiu durante 15 anos. Foi diretor do Se7e e diretor-adjunto do Jornal de Letras, antes de fazer parte, em 1993, do núcleo fundador da revista Visão, a cujo Gabinete Editorial pertence. É editor da Visão História.