quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Novidade Asa

Mount St. Gabriel’s é um dos mais prestigiados colégios femininos americanos. Cada ano lectivo vê chegar novos rostos e dita um novo equilíbrio na hierarquia social da escola. No Outono de 1951, uma das turmas destaca-se pela excelência e singularidade, duas características que, juntas, são potencialmente imprevisíveis. Apenas a jovem professora Kate Malloy e a rígida matriarca da escola, a madre Suzanne Ravenel, se apercebem de que as espera um ano invulgar. Não poderiam, claro, imaginar até que ponto a história do próprio colégio se alteraria.
Tudo começa quando Tildy Stratton, a incontestada líder da turma, abandona a sua fiel aliada, Maud, para se aproximar de Chloe Starnes, uma nova aluna que ficou recentemente órfã após a morte prematura e misteriosa da mãe. Esta amizade preenche um vazio nas vidas das duas jovens e põe em marcha uma série de acontecimentos que vão ameaçar a delicada harmonia da escola e mudar para sempre a vida de todos.
Cinquenta anos depois, com o colégio há muito encerrado, a madre Ravenel recorda esse ano, cruzando passado e presente, numa derradeira tentativa de se reconciliar com as origens trágicas daquele que ficaria conhecido com “o ano tóxico”.

Gail Godwin nasceu em 1937, em Birmingham, no Alabama, Estados Unidos. Após o curso de Jornalismo na Universidade da Carolina do Nortte em 1959, foi repórter do Miami Herald e trabalhou na embaixada americana em Londres. Fez um mestrado e um doutoramento em Inglês na Universidade do Iowa, em 1968 e 1971, onde estudou com John Irving e John Casey, tendo como professor Kurt Vonnegut. Foi por três vezes finalista do National Book Award e é autora de doze romances aclamados pela crítica e pelo público. Vive atualmente em Woodstock, Nova Iorque.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Frankenstein - Morto e Vivo (Dean Koontz)

A tentativa de Victor Helios de dominar o mundo através da sua Nova Raça parece estar ameaçada. Os comportamentos inexplicáveis que Victor tentava explicar por singularidades que em nada comprometeriam o todo do seu ambicioso plano começam a afectar demasiados dos seus seres para a sua própria tranquilidade. Ainda assim, seguro da sua própria genialidade, Victor julga-se capaz de controlar o caos que se abate sobre o seu império. O problema é que os inimigos são muitos e já nem da fidelidade da sua criação pode estar seguro. O seu programa falha. Criaturas que deviam estar mortas voltam a surgir. E é a primeira das suas criações quem encaminha a situação para um confronto final inevitável. Mas bastará esse confronto para salvar a Velha Raça?
É, tal como nos volumes anteriores, o ritmo intenso o que primeiro se destaca neste livro. Acção constante, contada em capítulos curtos e acompanhando as diferentes personagens num curto espaço de tempo fazem com que o ritmo de leitura seja compulsivo, mantendo constante a curiosidade em saber mais. Além disso, ainda que muitas das personagens mais importantes sejam já familiares, há novos elementos a surgir, sendo de destacar a estranha figura de Jocko e o seu papel simultaneamente  obscuro e enternecedor na história de Erika, bem como, numa fase mais avançada, o aparecimento do Ressuscitador.
Mantém-se também, ainda que em menor grau, a interessante visão acerca do que define, afinal, a humanidade. Enquanto Helios, humano apesar de todas as suas mudanças, é, na sua perturbadora crueldade, quem menos o parece, há, entre as suas criações, quem desenvolva uma estranha capacidade de amar. Assim, ao representar ternura e crueldade tanto nos humanos como na Nova Raça, cria-se uma visão menos linear do bem e do mal. O inevitável conflito criado por Victor não significa que a linha que separa os dois lados separe também os bons dos maus.
Ficam, mais uma vez, algumas questões em aberto. Em parte devido a um final um pouco brusco, mas também à forma como algumas possibilidades são deixadas para explorar nos livros seguintes, fica a impressão de que a resolução final da situação (e muito muda com este final) poderia ser um pouco mais aprofundada. Não deixa, ainda assim, de ser uma conclusão bem conseguida para este livro, tendo em conta que a história continuará.
Viciante, com momentos muito bem conseguidos e uma interessante evolução para as personagens que o protagonizam, fica deste livro a impressão final de uma boa leitura, com muito de acção e uma história interessante. Não atinge a intensidade dos volumes anteriores, é certo, mas trata-se, ainda assim, de um bom livro.

Novidade Oficina do Livro

Vitorino da Piedade Nunes foi um dos mais célebres cadastrados portugueses. Entre polícias e ladrões, advogados e guardas-prisionais, era conhecido por Dillinger, em alusão ao gangster da América dos anos 30.
Instigado pelo próprio pai, o qual seria condenado pela morte do avô, Vitorino cometeu os primeiros crimes ainda na infância. Poucos portugueses passaram tanto tempo atrás das grades como ele. Depois de trinta anos a entrar e sair de prisões, voltou finalmente à terra natal, onde roubara os primeiros animais e fizera as primeiras patifarias, mas não para se redimir: o seu nome foi então envolvido em duas mortes.
Antes de morrer, em 2003, Vitorino deixou centenas de páginas onde contou episódios da sua longa carreira de marginal, descreveu conversas com quem o quis contratar para matar, anotou reflexões sobre a vida e elaborou uma infindável lista de truques que adoptava nos crimes para ser mais eficaz. 
Baseado nesses escritos e narrado com o ritmo absorvente de um romance, Diários de um Gangster Português reconstitui a vida de um bandido implacável mas fiel a uma certa ética. Um homem que, no fim, conseguiu cumprir o seu maior desejo: morrer em liberdade.  

André Rito nasceu em Braga, em Outubro de 1977, e é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior.
Começou a trabalhar como jornalista em 2003, no jornal Tal & Qual, passou pelo Metro e escreveu também para as revistas Sábado, «Notícias Sábado» e Rotas & Destinos. Em 2009, integrou a equipa fundadora do jornal i. Actualmente, é repórter freelancer e colaborador do Diário de Notícias.
Diários de um Gangster Português é o seu primeiro livro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Isabel I de Inglaterra e o seu Médico Português (Isabel Machado)

A promessa de um país mais tolerante e onde uma nova era começava levou Rodrigo Lopes, médico judeu português, a Inglaterra. Naqueles primeiros dias, quando assistiu à coroação da soberana, esperava uma vida mais promissora que a que levava em Portugal, mas estava longe de imaginar que viria a ser o médico pessoal de Isabel I. Mas, num reino em mudança e onde o percurso da própria Isabel até ao trono viria a ditar muitos dos valores do seu reinado, cedo o sonho se transformaria em ambição. E, com a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir, Rodrigo passaria a desempenhar também outras funções. Funções que acabariam por ditar o seu destino...
Há muito de interessante para descobrir na época histórica relativa à dinastia Tudor e o reinado de Isabel I é, por si só, um percurso fascinante. Assim, há, à partida, bastante de cativante na época histórica que serve de base para esta narrativa. E é precisamente a linha temporal deste romance um dos pontos que, desde cedo, o tornam envolvente: ao começar num período relativamente avançado (mas determinante tanto para as acções de Inglaterra como para a própria interacção entre o médico e a soberana), recuando depois para a história de Isabel, desde os últimos anos do reinado de Henrique VIII, seguindo para a sua caminhada até ao trono e, depois, o seu reinado, revela-se, desde logo, a ligação entre os dois protagonistas, que se irá evidenciando à medida que a narrativa evolui, mas que é conhecida desde o leitor desde bastante cedo.
A decorrer num longo período de tempo e com uma multiplicidade das personagens, tanto na história da rainha, como na de Rodrigo, é natural que o ritmo da narrativa seja relativamente pausado. Ainda assim, e à medida que tanto a hierarquia como a própria personalidade das personagens se tornam mais familiares, o enredo cresce em intensidade, também devido aos vários momentos emotivos que vão surgindo ao longo da narrativa.
A nível de caracterização de personagens, destaca-se, naturalmente, a personalidade de Isabel I. Nota-se um cuidado em mostrar a soberana tanto no seu papel de monarca (com todas as difíceis decisões associadas), como de mulher - sensível, amada e capaz de amar, vulnerável à perda e capaz de lealdades para toda uma vida. Humana, em suma, com todas as forças e fragilidades associadas a essa condição.
Importa referir, por último, e no que toca à escrita, algumas falhas de revisão. Não sendo nada de muito grave, são, ainda assim, evidentes algumas gralhas, palavras repetidas e vírgulas fora do sítio. E é pena, porque acaba por quebrar um pouco o ritmo de uma leitura que é, no geral, bastante cativante.
Com um contexto histórico muito interessante, uma bem conseguida caracterização de personagens e um bom desenvolvimento a nível de enredo, este é um livro que, apesar do ritmo algo pausado (e das tais gralhas), nunca deixa de ser uma leitura envolvente e agradável. Gostei, portanto.

Novidade Sextante

Em 1887, Onofre Bouvila, um rapaz pobre do campo, chega a Barcelona e obtém o seu primeiro trabalho como distribuidor de panfletos anarquistas entre os operários que trabalham na construção da Exposição Universal do ano seguinte. A partir daqui, o leitor assiste à espectacular ascensão social de Bouvila, que o vai converter, mediante métodos não muito ortodoxos, num dos homens mais ricos do país. Um extraordinário relato da construção da moderna Barcelona, um dos grandes romances espanhóis do século XX. 

Eduardo Mendoza nasceu em Barcelona em 1943. Estudou Direito e, depois de viajar pela Europa, viveu em Nova Iorque como tradutor das Nações Unidas. O seu primeiro romance, A verdade sobre o caso Savolta, publicado em 1975, obteve o Prémio da Crítica em Espanha. Publicou depois  O mistério da cripta assombrada,  O labirinto das azeitonas,  A cidade dos prodígios (1986, Prémio Cidade de Barcelona), A ilha inaudita, Sem notícias de Gurb,  O ano do dilúvio,  Uma comédia ligeira (Prémio de Melhor Livro Estrangeiro em França), A aventura do tocador de senhoras  (Prémio «Livro do Ano» do Grémio de Livreiros de Madrid), Mauricio ou as eleições primárias (Prémio de Romance da Fundação José Manuel Lara),  A assombrosa viagem de Pompónio Flato (Prémio Pena de Prata da Feira do Livro de Bilbau), Três vidas de santos e Rixa de gatos (Prémio Planeta 2010). Os três últimos livros foram publicados pela Sextante Editora, num projecto de edição regular em Portugal das obras de Eduardo Mendoza.

Novidade Bertrand

Maeve nasceu para ser um joguete que o seu pai poderia usar como bem entendesse de forma a manter as suas terras em segurança. Forçada a casar-se, os seus desejos nunca foram respeitados. Mas o espírito livre de Maeve não irá suportar muito mais as maquinações do seu novo marido, Conor, o astucioso rei de Ulster. Quando a morte do seu pai deixa a sua terra natal à mercê de senhores gananciosos e das forças de Conor, Maeve apercebe-se de que precisa de usar o seu próprio poder de modo a travá-los. 
Com perícia e inteligência, Maeve prova que é igual a qualquer outro guerreiro no campo de batalha e, para combater a perigosa magia dos mais antigos deuses, procura ajuda junto a Ruán, um druida errante, cuja paixão inesperada e estranha ligação  ao mundo dos espíritos revelam a Maeve a verdade sobre si mesma, colocando-a em guerra com o seu dever e o seu destino. 

Jules Watson nasceu em Perth, Austrália. Após ter terminado o curso de Arqueologia, na Universidade de Perth, viajou durante algum tempo por todo o Reino Unido, seguindo-se Alemanha, França, Turquia, Jordânia e Peru. Ao regressar, tirou uma segunda licenciatura em Relações Públicas, tendo trabalhado como escritora freelance. Os seus primeiros trabalhos consistem maioritariamente em poemas e pequenos contos, tendo sido vencedora de um concurso literário aos 15 anos. Reside, actualmente, na Escócia. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Às Dez a Porta Fecha (Alice Vieira)

A Casa da Chaminé é um lugar especial. Mais que uma casa de repouso para idosos, ali vivem as memórias de vidas muito diferentes, mas todas elas fascinantes na sua forma muito particular. Esta é a história dessas vidas, das memórias que definiram os seus diferentes caminhos e que os levaram ao lugar que agora ocupam. Mas esta é também uma história de solidão, da vida num tempo que deixou de ser familiar e onde a companhia está naqueles que, também deixados ao esquecimento dos tempos que passam, vivem também da sua própria recordação. De nostalgia, mas também de alegrias que não têm idade trata este livro tão breve, mas tão marcante no que toca à emoção.
Situações curiosas, algumas divertidas, outras comoventes, são o que define o quotidiano das personagens deste livro. Um quotidiano muito especial. E é interessante notar a forma como, num impressionante equilíbrio entre humor e melancolia, a autora constrói, neste livro, uma história que é, simultaneamente, de uma leveza refrescante e de grande profundidade emocional. Para os habitantes da Casa da Chaminé, aquele lugar é, agora, a sua casa, mas as memórias do passado surgem com a nitidez do que é demasiado importante para ser esquecido. Há algo de marcante na vida de cada um deles e, desde os sonhos de criança que ficaram por concretizar às alterações causadas pela vida em tempos de mudança, há uma nostalgia para com os momentos alegres, uma memória que prevalece e que é, por si só, uma poderosa reflexão sobre a vida e o seu percurso de permanente mudança.
Se, ao recordar o passado das personagens, se reflecte sobre a continuidade da vida, já nos acontecimentos do presente na Casa da Chaminé é da vida na velhice que se trata. Da solidão de uma família que esqueceu, o que deixou de ter interesse em partilhar tempo com os seus e do abandono, mas também das inesperadas companhias, das pequenas alegrias da vida e até, da descoberta de que não há idades para o afecto. Também neste aspecto o lado emocional é fortíssimo, culminando num final de deixar um sorriso nos lábios.
À primeira vista, esta parece ser uma história muito simples. É-o, de facto, a nível de acontecimentos. Mas, naquilo que cada acção e cada memória representa no caminho de uma vida longa e marcada pelos seus pequenos sucessos e fracassos, há nesta história tanto para reflectir e tanto de emoção para descobrir que o impacto final se prolonga bem depois de terminada a leitura. Belo e comovente, um livro impressionante.