segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Passatempo Os Doze

O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a Editorial Presença, tem para oferecer um exemplar do livro Os Doze, de Justin Cronin. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Quais são as três personagens que tentam sobreviver no meio do caos?
2. Os Doze é a sequela de que livro?
3. Em que país nasceu Justin Cronin?

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 15 de Setembro. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- Os vencedores serão contactados por email e o resultado será anunciado no blogue;
- O blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro nos correios;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.

Para mais informações sobre os livros e a editora, consulte o site da Editorial Presença aqui.

sábado, 7 de setembro de 2013

Pedra Pagã (Nora Roberts)

Tal como aconteceu com os seus amigos, a vida de Gage mudou aos 10 anos, quando um ritual que pretendia ser inocente libertou o mal sobre a terra que o viu crescer. Desde esse dia, a cada sete anos e durante uma semana, o demónio espalharia caos e dor entre as pessoas, sem que Gage e os amigos pudessem fazer mais que tentar minimizar as consequências. Mas estes Sete serão diferentes e todos os sabem. Cal, Gage e Fox contam agora com três novos elementos no seu grupo e os seus corações estão empenhados. E mesmo que Gage não esteja disposto a seguir o exemplo dos amigos, apaixonando-se, perspectiva que também não é a preferida de Cybil, o destino e o coração têm vontades diferentes. Mas o dia do confronto final aproxima-se e todos os esforços para encontrar respostas podem não ser suficientes para assegurar a vitória... E tudo está, afinal, nas suas mãos...
Volume final de uma trilogia em que cada livro tem diferentes figuras centrais, mas história e personagens em comum, é de esperar que seja aqui que todas as respostas se encontram e que a batalha que começou em Irmãos de Sangue encontre aqui os seus momentos finais. Também é de esperar que o enredo se centre, a nível de romance, nas personagens menos desenvolvidas dos livros anteriores. E, de facto, tudo isso, acontece. Não acontece, contudo, da forma mais previsível, sendo esse aliás um dos grandes pontos fortes deste livro. É que, se parte do que inevitavelmente acontecerá é fácil de adivinhar, nem sempre os caminhos que conduzem a esses momentos são os esperados.
Outro ponto forte deste livro diz respeito ao desenvolvimento dos protagonistas. Claro que há romance, como seria de esperar, mas há mais para além disso na vida das personagens. Tanto Gage como Cybil têm experiências traumáticas no passado, acontecimentos que lhes moldaram a forma de ser. Além disso, têm naturezas que, apesar de por vezes entrarem em colisão, se completam, com a teimosia a complementar uma certa ternura e a personalidade forte a suportar as fragilidades ocultas. Ambos os protagonistas têm personalidades carismáticas e a forma como a sua relação evolui proporciona vários momentos marcantes.
Quanto ao confronto central, cativam, desde logo, os novos desenvolvimentos do que pode ser feito para confrontar Twisse, mas também a forma como as personagens lidam com cada pequena batalha. Além disso, à medida que se caminha para o derradeiro confronto, há um crescendo de intensidade, quer a nível de acção, quer no aspecto emocional. Uma intensidade que torna ainda mais forte a empatia para com as personagens e que alimenta a curiosidade em saber mais sobre o que se seguirá.
Cativante, com boas personagens e uma história equilibrada em termos de romance e acção, Pedra Pagã fecha da melhor forma uma história envolvente e interessante, quer em termos de romance, quer no desenvolvimento do elemento sobrenatural. Muito bom.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Contos Dramáticos

Grandes momentos de perda ou os simples dramas da vida quotidiana. Qualquer destas situações pode servir de base a uma boa história. E é o drama o tema deste pequeno livro, o elo comum entre três contos bem diferentes. Todos eles com o seu quê de cativante, é certo, à sua maneira, mas com estilos e ambientes diferentes, formam um conjunto interessante. Mas talvez não com a ligação que seria de esperar.
A Porta, de E.B. White, apresenta o que parece ser uma experiência do ponto de vista do seu objecto. Relativamente breve e com uma escrita agradável, este é um conto com ideias bastante interessantes, mas em que muito se perde pela impressão geral de confusão que fica de um fluxo de ideias difícil de seguir.
Em Depois, de Guy de Maupassant, um abade recorda as razões que o levaram à sua vocação. Pausado, um pouco introspectivo, este conto marca principalmente pela impressão de melancolia que transmite, bem como pela capacidade - ou falta de - de reacção ante as perdas inevitáveis da vida.
Os Outros Dois, de Edith Wharton, conta a história de um casal cuja tranquilidade é perturbada quando o primeiro marido da mulher exige ver a filha doente de ambos. Mais centrada na história do casal - e dos seus segredos - do que em qualquer grande acontecimento, este é um conto interessante quanto baste, e bastante bem escrito, como seria de esperar, mas que não tem grande coisa de dramático, sendo, aliás, bastante distante e um tanto ambíguo.
O ponto em comum que acaba por sobressair destes contos é, afinal, que não há propriamente o drama que o título do livro faria esperar. Todos os contos têm os seus bons momentos, mas com a excepção do de Maupassant, em todos fica a sensação de algo em falta, quer pela confusão do primeiro, quer pela distância e ambiguidade do último. Não deixam de ser leituras agradáveis, entenda-se, mas ficam um pouco aquém das expectativas.

Novidade Presença

Justin Cronin
Título Original: The Twelve
Tradução: Miguel Romeira
Páginas: 732
Coleção: Via Láctea Nº 111
PREÇO SEM IVA: 21,60€ / PREÇO COM IVA: 22,90€
ISBN: 978-972-23-5003-7

Os Doze é a sequela de  A Passagem, um  bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo feérico por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado... 

Justin Cronin, nascido na Nova Inglaterra, Estados Unidos, concluiu a sua formação em Harvard e no Iowa’s Writer’s Workshop. Anteriormente, escreveu Mary and O’Neil, que recebeu o PEN/Hemingway Award e o Stephen Crane Prize, e The Summer Guest, entre outros títulos.  A Passagem, livro que configura uma grande mudança de rumo na sua carreira de escritor, é o primeiro título de uma trilogia, que entrou directamente para o terceiro lugar das tabelas de vendas  do New York Times, e  foi considerado um dos dez melhores romances do ano da sua publicação pela revista Time. A edição portuguesa deste título encontra-se publicada em dois volumes na coleção Via Láctea.

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A Rapariga dos Seus Sonhos (Donna Leon)

Pouco tempo depois do funeral da mãe, Guido Brunetti recebe a visita do padre que deu a bênção, nesse dia. Antonin Scallon é um amigo do irmão, não dele, por isso é óbvio que a visita não é apenas um gesto simpático. Na verdade, o padre Scallon suspeita de um alegado religioso que anda a pedir dinheiro aos seus fiéis, e espera que Brunetti possa descobrir alguma coisa sobre o homem. Mas, além desta investigação pessoal, há um possível crime para investigar. O corpo de uma rapariga de 11 anos foi encontrado a flutuar no canal e tudo aponta para um assalto que acabou em problemas. Mas as pistas são difíceis de seguir, as provas são dúbias... e talvez não seja do interesse de todos que a verdade se venha a conhecer.
Passado em Veneza e com um enredo que, por vezes, se centra mais nos meandros da autoridade que propriamente no mistério a resolver, este livro tem como um dos seus pontos mais curiosos o retrato bastante peculiar - e não muito positivo - do funcionamento das forças policiais. Isto reflecte-se quer nos pontos de vista de Brunetti, quer na sua relação com os superiores, quer, ainda, no contexto geral, com questões relativas à Máfica e outros interesses individuais a colidirem com o caminho da justiça.
Não é, de esperar, portanto, e principalmente conhecendo outros livros da série, que este seja o clássico policial em que tudo é resolvido e justiça é feita no fim. Mas, curiosamente, também é esta diferença que torna as coisas mais interessantes. Mesmo quando os acontecimentos evoluem a um ritmo mais pausado, há uma proximidade ao real - ainda que não necessariamente a uma realidade agradável - que mantém a envolvência do enredo. E se é verdade que isto também torna o rumo dos acontecimentos um pouco mais previsível - já é expectável, nesta série, uma reviravolta desagradável na conclusão do mistério - também é certo que há mais para o enredo do que essa conclusão. 
E nesses outros factores há novos elementos de interesse. A questão do padre Scallon, que apesar de relativamente secundária, domina a fase inicial do enredo, introduz alguns pontos de vista interessantes, relativamente à religião. E todo o problema em torno de Ariana, e da sua origem romani, abre portas para alguma reflexão sobre a prevalência dos preconceitos.
Com um contexto invulgar para o género e uma escrita cativante, este é, em suma, um livro que, longe de ser de leitura compulsiva, conjuga, ainda assim, personagens e um enredo interessantes, para dar forma a uma boa história. Envolvente e intrigante, uma boa leitura.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A História de uma Serva (Margaret Atwood)

Apenas uma parte do sistema rígido que constitui a República de Gileade, Defred acaba de ocupar o seu lugar como Serva na casa de um Comandante. A sua existência ali serve o único propósito de conceber uma criança para o senhor da casa. Tudo na sua vida é limitado e controlado. Para ir às compras, é acompanhada por uma sua igual. Não pode ler ou escrever e muito menos questionar o seu papel. Mas ainda recorda um tempo antes de Gileade, quando era uma mulher livre e independente, com uma família e um emprego. E questiona, ainda que não devesse. Ainda que as consequências para a transgressão sejam inevitáveis...
Sendo este um livro que é, muitas vezes, associado a distopias como 1984, uma das primeiras coisas que surpreende nesta leitura é o ritmo do enredo. O sistema é complexo, o material para reflexão é vastíssimo, mas nada disto faz com que a narrativa se torne densa. Narrado na primeira pessoa, todo o livro é construído num registo cativante, com a perspectiva pessoal da protagonista e a estrutura da sua história, entre o presente as recordações, a servirem de base a um enredo fluído e até viciante, construído sobre um mundo sólido e uma escrita de beleza cativante.
Todo este sistema é uma imensa base para reflexão, com uma série de questões relevantes a surgir. Do valor da liberdade ao papel da mulher na sociedade e à igualdade de direitos, passando pelo fundamentalismo religioso e a imposição de um regime ditatorial, cada situação é um ponto de partida para essas questões, desde o contexto global ao mais pequeno dos gestos. E o que torna tudo isto ainda mais fascinante é a forma como a autora desenvolve todos estes aspectos, com toda a profundidade que merecem, mas sem perder de vista a fluidez e a envolvência da história.
Porque é também uma história. A história de Defred e das suas memórias, da vida que tem e da que recorda, e de todos os que conheceu nesse percurso. Uma história que é, afinal, tão vasta e cativante como o sistema que lhe serve de base e que, com personagens bem desenvolvidas, uma protagonista imensamente carismática e um enredo cheio de momentos marcantes, acaba por ser fascinante em todos os aspectos.
Marcante do ponto de vista das questões que evoca, mas também pelo impacto da história individual da protagonista, este é, pois, um livro imperdível, e por todas as razões. Maravilhosamente escrito, com um sistema fascinante e uma história tão cativante como as suas personagens, cativa da primeira à última página. E fica na memória, depois. 

Novidades Clube do Autor

Primavera de 1227. A rainha de Castela desaparece de forma misteriosa. Estranhos boatos correm pelo reino e alguns sugerem até uma intervenção do maligno. 
Ignazio de Toledo é convocado por Fernando III, o Santo, à sua corte e incumbe o mercador de relíquias de procurar a rainha, presumivelmente sequestrada pelo conde de Nigredo, um alquimista. Em Córdova, para onde foi convocado, Ignazio encontra um velho magister que lhe fala de um livro que todos procuram e que poderá fornecer-lhe indícios sobre o sucedido. Mas no dia seguinte o velho magister é encontrado morto, envenenado…

MARCELLO SIMONI nasceu em Comacchio (Ferrara), onde vive e trabalha como bibliotecário. Apaixonado por História e Arqueologia, é autor de diversos ensaios históricos e de alguns contos, e as suas obras têm sido entusiasticamente recebidas tanto pela crítica como pelos leitores nos vários países onde têm vindo a ser publicadas. 

Já antes de vencer do prestigiado prémio literário National Book Award 2012, o romance A Casa Redonda arrebatara a crítica e os leitores. Por muitos considerado o melhor livro da escritora Louise Erdrich até à data, trata-se de uma obra brilhante 
sobre os laços do amor, do ressentimento, da necessidade e das obrigações que unem famílias inteiras. 
Narrado através dos olhos de um adolescente, A Casa Redonda funde várias histórias que têm como denominador comum um trágico acontecimento – a violação da mãe de Joe, o protagonista – que, tal como um cubo de Rubik, se transforma à medida que a leitura avança. 
A candura de Joe depressa dá lugar à urgência em encontrar o violador da mãe, ao desejo de punição dos culpados, a uma provação e amadurecimento que revelam não apenas outras formas de violência mas sobretudo as ambiguidades do ser humano. 
Louise Erdrich abarca neste livro, baseado em vários casos reais mas cujo resultado é puramente ficcional, o trágico, o cómico, um mundo espiritual bem presente nas vidas das suas personagens tão humanas, e uma história sobre um caso de injustiça que mais não é do que um reflexo do que acontece hoje no nosso mundo. 

José Jorge Letria pinta neste livro um retrato histórico inédito com Abril ao fundo. Desde as primeiras canções de intervenção aos jornais e à luta clandestina, a irreverência do ZIP-ZIP, a noite de “Grândola, Vila Morena”, passando pela madrugada de Abril, os últimos crimes da PIDE, a descoberta de Angola e o adeus à utopia, em E tudo era possível o autor partilha momentos únicos da História de Portugal com a paixão e o olhar distanciado de quem teve a ventura de testemunhar e de participar em acontecimentos que marcaram este país num período de viragem.
O encontro com José Afonso, as listas negras da PIDE, os sopros de liberdade de Paris, a noite que anuncia a Revolução de Abril, o regresso dos exilados, Angola depois da independência, a geração de jovens que deu o seu melhor em cada dia que passava. Eis as histórias de uma vida que seguem a marcha da História de Portugal, desde o final da década de 60 até aos alvores da década de 80 do século XX.

A Conquista da Terra foi eleito Livro do Ano pelos jornais New York Times, Washington Post e Financial Times e não é para menos. Trata-se de uma obra revolucionária sobre a verdadeira origem da condição humana, apresentada num tom distinto e provocatório, com implicações em campos tão diversos como a antropologia, a psicologia social, a neurociência e a história religiosa.
São várias as perguntas a que Edward O. Wilson, um dos mais proeminentes biólogos e naturalistas de todo o mundo e o mais aclamado herdeiro de Darwin, dá resposta neste A Conquista da Terra. 
De onde vimos? O que somos? O que é a natureza humana? Porque existe a vida social avançada? Quais são as forças da evolução social? Para onde vamos?
Baseado numa pesquisa longa e pioneira, o autor defende neste livro que «a origem da humanidade moderna foi um golpe de sorte, bom para a nossa espécie durante algum tempo, mau para o resto das outras formas de vida para sempre.»
Através de uma poderosa teoria da nossa origem, Wilson traça a evolução da vida dosprimórdios até aos dias de hoje e apresenta a explicação mais clara jamais produzida sobre a origem da condição humana.